Publicado em 18 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Debate se desenrolou com ataques ásperos dos dois candidatos
Pedro do Coutto
Na minha opinião, Lula da Silva, no debate de domingo na TV Band e no canal Uol da Folha de S. Paulo, ganhou mais pontos do que Bolsonaro no confronto que teve como fases principais as falhas do atual governo no combate à Covid-19 e nas falhas de administração de Lula no que se refere à corrupção na Petrobras.
Lula iniciou o programa desenvolto, encarando as câmeras de frente, o que corresponde a olhar nos olhos dos telespectadores e telespectadoras, ao contrário de Jair Bolsonaro. O debate se desenrolou com ataques ásperos dos dois candidatos. Um acusando o outro de mentir e mudar os fatos testemunhados pela sociedade brasileira nos últimos meses.
ATAQUE – Ao final do programa, Bolsonaro partiu para o ataque, apontando uma das lacunas do governo de Lula: a corrupção na Petrobras para obter os votos de deputados que, na verdade, hoje, encontram-se no Centrão apoiando exatamente a gestão atual.
Vamos aguardar o que dizem as pesquisas sobre a forma com que a opinião pública recebeu o confronto para podermos definir o que aconteceu em matéria de conquista de votos, e se as acusações trocadas não alteraram a vantagem de Lula no primeiro turno de cinco pontos percentuais.
Inclusive, era esperada uma maior agressividade de Bolsonaro, uma vez que ele necessita obter mais votos do que aquele total que conseguiu nas urnas de 2 de outubro. Como o debate se destinou à conquista de votos e não ao confronto de programas, acredito que Lula levou vantagem, sobretudo na parte que focalizou o salário mínimo no país que pretende aumentar, além da inflação do IBGE, ao contrário do que vem acontecendo até hoje.
NOVO ERRO DE MORO – O senador eleito pelo Paraná, Sergio Moro, que foi ministro de Bolsonaro e saiu rompido com ele, acusando-o de interferir na Polícia Federal para proteger familiares e amigos, não deveria ter aceitado participar do encontro na TV Band, assumindo um papel de assessor do presidente e fator de constrangimento para Lula da Silva que, por decisão sua, depois revogada pelo Supremo, impediu o ex-presidente de disputar as eleições de 2018, exatamente contra aquele que o demitiu do Ministério da Justiça. Foi uma bola fora, um erro ético que atinge a biografia do ex-juiz.
Ficou claro, como assinalou Merval Pereira em comentário na GloboNews, logo após o debate, que o projeto de Sérgio Moro desde o começo era inviabilizar Lula, que ressurgiu na decisão do Supremo que considerou Moro parcial em seu julgamento e, assim, o anulou.
FAKE NEWS – Numa excelente entrevista a Bernardo Mello Franco, O Globo desta segunda-feira, a senadora Simone Tebet, engajada com entusiasmo na campanha de Lula, afirmou que “não podemos combater as fake news com outras fake news”.
Brilhante como sempre, Tebet colocou uma questão fundamental, pois se as fake news são execráveis sob quaisquer aspectos, serão também elas execráveis vindas de qualquer parte. Simone Tebet tem uma grande importância para a campanha de Lula da Silva.
Ela clarifica e rejuvenesce o candidato e o PT, agregando e não restringindo.