quarta-feira, março 02, 2022

Jair Bolsonaro defende explorar o potássio em terras indígenas para abastecer a agricultura

Publicado em 2 de março de 2022 por Tribuna da Internet

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Em Autazes, no Amazonas, há uma grande jazida de potássio

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (2/3) que o potássio, um dos fertilizantes essenciais usados na agricultura brasileira, pode faltar ou ainda encarecer em razão da guerra entre a Rússia e  a Ucrânia. Com isso, voltou a justificar a exploração do mineral em terras indígenas. Ele ainda defendeu que a “nossa segurança alimentar e economia exigem do Executivo e do Legislativo medidas que nos permitam a não dependência externa de algo que temos em abundância”.

“O potássio e a nossa segurança alimentar: Em fevereiro de 2016, como deputado, discursei sobre nossa dependência do potássio da Rússia. Citei três problemas: o ambiental, o indígena e a quem pertencia o direito exploratório na foz do Rio Madeira (existem jazidas também em outras regiões do Brasil).

DISSE BOLSONARO – “Nosso Projeto de Lei n° 191 de 2020, permite a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas”. Uma vez aprovado, resolve-se um desses problemas. Com a guerra Rússia/Ucrânia, hoje corremos o risco da falta do potássio ou aumento do seu preço. Nossa segurança alimentar e agronegócio (Economia) exigem de nós, Executivo e Legislativo, medidas que nos permitam a não dependência externa de algo que temos em abundância”, escreveu nas redes sociais.

Em coletiva no último dia 27, Bolsonaro também defendeu a exploração de fertilizantes e produção de energia em terras indígenas. Segundo o presidente, com o conflito no leste europeu, cai a produtividade de fertilizantes no país, e regiões como a foz do Rio Madeira, uma reserva indígena, poderia suprir essa demanda.

O presidente criticou então a quantidade de demarcações de terras indígenas existentes no país. Segundo ele, “o Brasil foi em parte inviabilizado no passado com a indústria da demarcação de terras indígenas”.

POR QUE NÃO EXPLORAR? – “Nós temos fertilizante no Brasil, na foz do Rio Madeira, temos potássio em abundância, mas é uma reserva indígena, porque não exploramos isso daí”, apontou.

O presidente também criticou o novo marco temporal, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). “Vamos supor que esse novo marco temporal seja reconhecido. O somatório dessas áreas que surgirão equivalem a uma região Sul”, pontuou.

Segundo ele, “nós eliminaremos a possibilidade da agricultura funcionar. Ao termos outra área (demarcada) do tamanho do estado de São Paulo, nós trazemos problemas para nós mesmos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Já houve tempo em que o Brasil se interessava pelo potássio, através da Petrobras. Considerada a última grande fronteira da exploração de potássio no mundo, a região do encontro entre os rios Madeira e Amazonas hoje está nas mãos d0 grupo multinacional Forbes & Manhattan por meio da mineradora Falcon Metais, de capital canadense. A região, que pode conter a terceira maior reserva mundial do minério, é considerada estratégica pelo governo, que deveria promover o retorno da Petrobrás à mineração, 20 anos após a extinção da Petromisa, subsidiária que atuava no segmento. Há grandes reservas também no Pará. Mas quem se interessa? (C.N.)

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