terça-feira, março 01, 2022

Bolsonaro diz que, com vistos humanitários, o Brasil receberá ucranianos em fuga da guerra

Publicado em 28 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Imagem analisada visualmente

Bolsonaro repetiu que o Brasil manterá neutralidade

Luiz Felipe Barbiéri
G1 Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (28) que o Brasil concederá vistos humanitários para receber ucranianos que deixarem o país em razão da guerra motivada pela invasão do país pela Rússia. Segundo ele, até esta terça-feira, será publicada uma portaria conjunta dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores que permitirá acolher ucranianos em fuga da guerra.

“Vamos abrir a possibilidade de ucranianos virem para o Brasil através do visto humanitário, que é a maneira mais fácil de vir para cá”, declarou o presidente em entrevista ao vivo para a rádio Jovem Pan. “Estamos dispostos a receber ucranianos”, afirmou.

FUGA EM MASSA – Segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU), 422 mil pessoas deixaram a Ucrânia desde o início da invasão russa, há cinco dias. Na entrevista à rádio, Bolsonaro não informou o número de ucranianos que admitirá receber.

Bolsonaro ainda não disse se é contrário à invasão da Ucrânia pelos russos, embora o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho tenha votado a favor da resolução que condena a Rússia pela conflito.

Neste domingo (27), em entrevista no Guarujá, onde passa o feriado de carnaval, o presidente afirmou que o Brasil adotará um posicionamento “neutro” em relação ao conflito.

DIPLOMATA CRITICA – Nesta segunda-feira, a declaração foi objeto de comentário do encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, para quem Jair Bolsonaro “está mal informado”.

Em entrevista à GloboNews, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse que, ao falar em “neutralidade”, Bolsonaro queria dizer “imparcialidade”. “Não é no sentido de indiferença. A posição do Brasil é uma posição balanceada”, afirmou França.

O diplomata Tkach afirmou que “seria interessante” Bolsonaro conversar com o presidente ucraniano “para ver outra posição e ter uma visão mais objetiva”.

NÃO TEM CONVERSA – Na entrevista à rádio, Jair Bolsonaro afirmou que não tem o que conversar com Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia.

“Nós temos que ter equilíbrio. Vamos resolver o assunto, não vai ser na pancada. Afinal de contas, você está tratando com uma das maiores potências bélicas nucleares de um lado. Do outro lado, está a Ucrânia, que resolveu abrir mão de suas armas no passado. Alguns querem que eu converse com o Zelenski, o presidente da Ucrânia. Eu, no momento não tenho o que conversar com ele”, declarou.

Na semana anterior à do início do conflito, Bolsonaro fez uma visita à Rússia e se encontrou com o presidente Vladimir Putin, a quem manifestou solidariedade.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O chanceler Carlos França é bem diferente de seu antecessor, o americanófilo Ernesto Araújo, de triste memória. França usou uma expressão adequada, ao citar “imparcialidade”, ao invés de “neutralidade”, para amenizar as críticas a Bolsonaro, que, de forma surpreendente, está agindo corretamente na política internacional, pela primeira vez. Como se dizia nos bons tempos, antes tarde do que nunca. (C.N.)


Em destaque

Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026

  Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026 Porcentagem de filiados entre todos os eleitores registrados em cada cidade na Justiça...

Mais visitadas