quinta-feira, maio 09, 2019

Em tradução simultânea, os militares enquadraram Bolsonaro com a maior facilidade


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Bolsonaro deveria agradecer por ter se livrado do guru virginiano
Carlos Newton
Como diria o Barão de Itararé, há algo no ar além dos aviões de carreira, e não é a Avianca. O vento virou na Praça dos Três Poderes, a biruta agora indica que a galera do escritor, filósofo e astrólogo Olavo de Carvalho ficou de velas murchas, enquanto a nau capitânia dos militares está com a bujarrona inflada, no bom sentido, a percorrer mares nunca dantes navegados, dando sinais de que ainda resta alguma esperança de que o barco do atual governo possa encontrar o rumo certo.
As nuvens ainda estão carregadas, mas espera-se que o país possa gozar de alguma calmaria, que lhe possibilite pelo menos remendar o velame para seguir adiante.
ASSOMBRAÇÃO – Desde a eleição no segundo turno, a fantasmagórica figura de Olavo de Carvalho vinha assombrando os bastidores de Brasília, com demonstrações de concentrar um poder absurdo, comparável ao de Rasputin na Rússia, de Richelieu na Franca e de Lopez Rega na Argentina. Com apoio irrestrito dos filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três, a influência de Olavo de Carvalho no governo era impressionante, ao nomear figuras desconhecidas e inexpressivas para comandar importantes ministérios, como Educação e Relações Exteriores.
Além de participar do governo, o guru virginiano passou a comandar uma campanha de desestabilização do vice Hamilton Mourão,  sob alegação de que ele não se subordinava ao presidente e até já conspirava para substituí-lo.
Mourão resistiu, mas Olavo de Carvalho conseguiu detonar o ministro Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência, homem de confiança de Bolsonaro, seu amigo e advogado gratuito em um número enorme de causas judiciais, distribuídas por ele a diversos escritórios, que também trabalhavam sem cobrar.
NOVO QUADRO – Nesta semana, o Brasil passou a viver uma outra situação. O quadro mudou inteiramente a partir das ofensas gratuitas feitas ao general Santos Cruz por Olavo de Carvalho, com apoio entusiástico dos filhos do presidente, em especial o Zero Dois, Carlos Bolsonaro, que vinha comandando o exército de achincalhes nas redes sociais.
O pior nisso tudo é que desde sempre essas agressões eram incentivadas pelo próprio Bolsonaro, que ainda tentou justificar as ofensas. Por volta das 8 hs da manhã de terça-feira, o presidente teve a ousadia de postar texto nas redes sociais, com elogios a Olavo de Carvalho, chamando-o de “ícone” e tudo o mais.
Ou seja, o próprio Bolsonaro não contava com a reação das Forças Armadas, lideradas pelo general Villas Bôas, e pensou (?) que poderia continuar na estratégia dúbia e patética de agradar aos dois lados.
NO FORTE APACHE – Depois do convite para o almoço-surpresa no Forte Apache, nesta terça-feira, totalmente fora da agenda, agora a bola está com os militares. São eles que controlam e comandam o jogo. O guru virginiano Olavo de Carvalho teve de recuar, está tão encagaçado que já nem mais se comunica aos palavrões. O filho Zero Três, Eduardo Bolsonaro, que é o “chanceler” informal, depois de anunciar que os ataques continuariam “a quem não se alinhasse ao presidente”, teve de voltar atrás e agora promete passar a pôr “panos quentes nas polêmicas”.
O filho Zero Um, Flávio Bolsonaro, sumido desde o caso das “rachadinhas” do Queiroz, está fora de combate. Resta o Zero Dois, Carlos Bolsonaro, que na segunda-feira se jactava de ter “implodido” o general Santos Cruz, embora na verdade estivesse explodindo o próprio pai, o guru virginiano e os “alunos” dele. De súbito, Zero dois também saiu de cena e espera-se que fique recolhido em sua insignificância.
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P.S.
 – O Brasil vive a pior crise de sua história. Talvez agora se consiga uma certa tranquilidade para trabalho em conjunto no Planalto e no governo, apesar de continuar a infiltração de olavetes, que contaminaram o poder público como se fossem uma praga e agora  parece que vai ser praticamente impossível erradicar esses mosquitos virginianos. (C.N.)

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