
Ministro foi “se explicar” com Bolsonaro e não lhe aconteceu nada
Talita Fernandes e Gustavo UribeFolha
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), responsável por patrocinar um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais, como revelou a Folha, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quarta-feira (20). A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não soube informar o motivo do encontro, que acontece em meio à crise das candidaturas de laranjas do PSL, sigla do presidente.
Já a assessoria do ministro disse, sem detalhes, que a reunião teve como objetivo discutir uma “agenda para alavancar o turismo no Brasil” e que se trata de um “pacote de projetos”.
PELA GARAGEM – O encontro aconteceu às 14h15 e o ministro entrou e saiu do Palácio do Planalto pela garagem, por onde costumam ingressar integrantes do primeiro escalão.
Álvaro Antônio tinha a previsão de uma audiência com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, mas não compareceu à agenda. A assessoria não soube informar o motivo da ausência. O ministro iria tratar com Mourão da crise de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de uma barragem de mineração da Vale.
O encontro com Bolsonaro ocorre no mesmo dia em que a Folha revelou que a ex-candidata a deputada estadual Cleuzenir Barbosa (PSL-MG) entregou ao Ministério Público mensagem em que um assessor de Álvaro Antônio cobra a devolução de verba pública de campanha para destiná-la a uma empresa ligada a outro assessor do político. A mensagem confronta a versão dada até agora pelo ministro e por seus assessores à época.
GRÁFICA DO IRMÃO – Segundo o depoimento de Cleuzenir ao Ministério Público de Minas Gerais, o assessor a pressionou a transferir R$ 30 mil, dos R$ 60 mil que ela recebeu de verba pública do partido, para uma gráfica de um irmão de Roberto Soares, que foi assessor de Álvaro Antônio e coordenou sua campanha na região do Vale do Aço de Minas Gerais.
Bolsonaro não fez comentários até o momento sobre as suspeitas ligadas ao ministro. Por outro lado, o caso das candidaturas gerou críticas do presidente a outro auxiliar, Gustavo Bebianno, que foi demitido na segunda (18) da Secretaria-Geral da Presidência.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A diferença é que já está mais do que provado que o ministro Álvaro Antônio está diretamente envolvido na corrupção, enquanto até agora nada restou provado contra Bebianno, e a própria ouvidora da Folha já afirmou que ele não teve responsabilidade no caso das candidatas laranjas e nem poderá ser processado. (C.N.)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A diferença é que já está mais do que provado que o ministro Álvaro Antônio está diretamente envolvido na corrupção, enquanto até agora nada restou provado contra Bebianno, e a própria ouvidora da Folha já afirmou que ele não teve responsabilidade no caso das candidatas laranjas e nem poderá ser processado. (C.N.)