
Bolsonaro entrega a Maia a versão da reforma que escolheu
Pedro do Coutto
Em meio à tempestade que varre o convés de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional seu projeto de reforma da Previdência Social que agora, depois de divulgado, dará margem a uma série de debates que vão se desenrolar em torno dos múltiplos dispositivos que formam o bojo da matéria, para esclarecer pontos ainda duvidosos que se encontram no conteúdo do projeto de emenda constitucional.
Entretanto, já se tem conhecimento das mudanças quanto à idade mínima para os trabalhadores ingressarem com seus pedidos de aposentadoria: 65 anos para homens e 62 para mulheres. O projeto se desdobra em várias escalas, principalmente as categorias regidas por regimes especiais.
MUITA DISCUSSÃO – As reportagens de Geralda Doca e Marcelo Correa, edição de ontem de O Globo, fornecem uma ampla visão da matéria cuja discussão começará pela Câmara dos Deputados.
Muitos debates serão travados, uma vez que os opositores da matéria vão tentar obstruir sua aprovação. Ao lado de tal disposição, vão pesar também as emendas que serão em grande número através das quais os assalariados vão apresentá-las por intermédio dos deputados e senadores com os quais tiverem relacionamento ou então daqueles que se tornam propícios a atender às respectivas reivindicações. É sempre assim em projetos de dimensão igual a esse que Bolsonaro entregou ontem ao deputado Rodrigo Maia.
ARTICULAÇÕES – Geralda Doca e Marcelo Correia revelaram as articulações de bastidor para que governadores pressionem as bancadas federais e assim darão respaldo a iniciativa do Palácio do Planalto. A meu ver, o apelo aos governadores sinaliza uma sensação de insegurança do próprio governo federal quanto ao destino da votação de sua emenda constitucional.
Os governadores, de seu lado apresentam reivindicações junto ao ministério da Fazenda para recomposição de dívidas em grande escala que as unidades da Federação contraíram com o Executivo Federal.
INSEGURANÇA – Se a equipe do ministro Paulo Guedes tivesse a certeza da aprovação da reforma, evidentemente não precisaria contar com o apoio adicional daqueles que atualmente se encontram nos governos estaduais.
O confronto entre os que são favoráveis a reforma e os que lhe são contrário apenas começou. Não há prazo previsto para acabar. Isso quanto a reforma da Previdência. De outro lado, a tempestade sobre o Planalto ainda enfrenta perspectiva de também se alongar.