Adriano Villela
A pesquisa de intenção de votos CNI/Ibope divulgada ontem aponta para um quadro nacional bipolarizado, fato que deve afetar diretamente na corrida eleitoral da Bahia, segundo analisa o cientista político Paulo Fábio Dantas. Apesar disso, o especialista considera precipitada uma avaliação de tendências de consolidação do atual líder, José Serra (PSDB), ou de uma virada em favor da ministra Dilma Rousseff (PT). Segundo os números da sondagem, o governador paulista teria 35% das intenções de votos, contra 30% da ministra do PT, se as eleições fossem hoje. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP) aparece com 11% e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PV), com 6%. A diferença entre o tucano e a petista caiu de 21 para cinco pontos percentuais. Diante desse cenário, o cientista político entende que a confirmação da bipolaridade nacional vai influir diretamente na disputa baiana, provocando uma pressão para a estadualização do confronto PT e PSDB, beneficiando o governador Jaques Wagner (PT) e o ex-gestor do estado, Paulo Souto, que embora seja do DEM é apoiado pelo PSDB. “O PMDB vai sofrer uma pressão dessa bi-polarização, como já está sofrendo, mas isso não impede as três candidaturas”, avalia, referindo-se, no contexto baiano, ao ministro Geddel Vieira Lima. Paulo Fábio Dantas aponta ainda uma inconsistência de qualquer reflexão dos dois nomes principais tomando como base o comparativo entre pesquisas recentes e rodadas passadas, como a Datafolha. “Pesquisas não têm nenhum valor de intenção de votos quando estão muito distantes da eleição. Os eleitores ainda não estão pensando em eleição”. Para ele, as candidaturas não estão definidas nem dentro dos próprios partidos. “O ponto de partida para a análise é agora”. Para ele, os pré-candidatos Ciro e Marina devem continuar buscando se fortalecer, mas as rodadas recentes da CNI/Ibope e da Datafolha revelam que o caminho mais provável é a disputa centrada entre Dilma e Serra. A pesquisa divulgada ontem – em que o deputado do PSB cai dois pontos percentuais e a ex-ministra fica estável – apresenta ainda 10% de brancos e nulos e 8% não responderam (com informações da Agência Folha). Liderança – No cenário da CNI/Ibope em que o candidato do PSDB é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, Dilma lidera a disputa pela primeira vez, com 34% das intenções de votos. Em sequência, aparecem Ciro (21%), Aécio (13%) e Marina (8). Além de subir nas pesquisas, Dilma ainda viu seu índice de rejeição despencar de 41% para 27%. A rejeição de seu principal adversário, José Serra, recuou de 27% para 25%. No próximo dia 2, o presidenciável José Serra se desincompatibiliza do cargo de governador de São Paulo para somente depois disso preparar sua campanha rumo ao Palácio do Planalto. Quem confirma isso é o presidente do PSDB na Bahia, Antônio Imbassahy, que vê no gesto do correligionário um indicativo de que a aproximação nas intenções de votos da ministra Dilma Rousseff não vai tirar a vitória do tucano. “Serra está deixando uma reeleição quase certa (na sucessão paulista). Ele não faria isso se não tivesse confiança na vitória”, argumenta. Com a justificativa de que a concorrente faz campanha “desde 2008” e o peessedebista vai cair em campo só agora, Imbassahy lê o quadro político como favorável. “Se fosse uma corrida de Fórmula-1, Serra iria começar a campanha agora com pneus novos e gasolina reabastecida”, disse. O tucano baiano pondera que, no comparativo com a sondagem do Datafolha (32% a 28%), a pesquisa CNI/Ibope mostraria crescimento de Serra (3 pontos percentuais, e ampliação da diferença em um ponto). Sobre a campanha no estado, o dirigente tucano assegura que o grupo de apoio à candidatura Paulo Souto (DEM) vê a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria com tranquilidade. Motivos: acredita na vitória de Serra e num enfraquecimento de Ciro Gomes (PSB), o que levaria a decisão nacional para o primeiro turno. O raciocínio de Imbassahy é que Souto estará no segundo turno e pode ser ajudado por este cenário nacional. A escalada nas pesquisas da ministra Dilma Rousseff – que tem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu principal defensor – vai provocar nas eleições baianas uma repetição do desfecho da sucessão municipal em Salvador. A previsão é do presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima. “As eleições nacionais vão afetar as estaduais e, no meu entendimento, fará uma repetição de 2008”, afirmou. No ano retrasado, as campanhas de Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB) se vincularam à popularidade do presidente Lula, e acabaram indo para o segundo turno, com a vitória do peemedebista. No início da campanha, as pesquisas apontavam um segundo turno entre o deputado federal ACM Neto (DEM) e o presidente estadual do PSDB, Antônio Imbassahy. O gestor do PMDB baiano ressalta que a pesquisa CNI/Ibope reforça a tendência de crescimento da candidatura apoiada pelo presidente Lula e queda no nome apresentado pela oposição. Ele prevê que nas próximas pesquisas a ministra já vai aparecer na dianteira, independente de quem sejam os seus rivais. Por outro lado, Lúcio - que é irmão do pré-candidato a governador do partido, Geddel Vieira Lima – não vê possibilidade de a eleição nacional ser decidida no primeiro turno. “Só quatro candidaturas (de partidos políticos com maior força)”. Fonte: Correio da BahiaTucanos sustentam confiança
Lúcio diz que haverá repetição