sábado, dezembro 13, 2008

Os maiores adversários são brasileiros

por: Carlos Chagas

BRASÍLIA – Vivemos uma democracia, felizmente para todos nós, em geral, mas em particular para o presidente da Funai, Márcio Meira. Cada um pode pensar e sustentar as idéias que quiser, sem medo de ser punido.Vivêssemos na Idade Média ou até nos anos de chumbo do Estado Novo ou da “gloriosa” e o singular amanuense teria cassada sua cidadania, porque brasileiro não é. Declarou, uma vez conhecidos os oito votos de ministros do Supremo Tribunal Federal em favor da reserva contínua, não estar satisfeito com a sentença do ministro Carlos Alberto Meneses Direito, que entre outras ressalvas estabeleceu poderes as Forças Armadas e à Polícia Federal de entrar na área para garantir nossas fronteiras, sempre que a segurança nacional exigir.
Quer o alto funcionário público que a reserva Raposa-Serra do Sol constitua território independente da soberania nacional, ou seja, um milhão e setecentos mil hectares entregues exclusivamente a ditos 16 mil índios, onde só entraria quem os caciques autorizassem. Os caciques e as centenas de ONGs estrangeiras que acabam de subir importante patamar no rumo da internacionalização da reserva. Alinha-se, esse anti-cidadão brasileiro, na corrente que sustenta a formação de uma nação independente, a ser logo reconhecida por um organismo internacional qualquer.
O perigo aumentou, ou aumentará mais quando a totalidade dos ministros do Supremo, ano que vem confirmar a sentença da reserva continuada, chegando a nossas fronteiras com a Guiana e a Venezuela. Essa “nação independente”, a ser presidida por um índio qualquer, logo celebraria acordos com multinacionais e até com governos estrangeiros, para a exploração de seu subsolo, sua flora e seus recursos naturais.
Pelo menos isso, no voto do ministro Meneses Direito, fica temporariamente adiado, mas eles vão insistir. E com a colaboração de Márcio Meira, um dos artífices da proibição, tempos atrás, de um general comandante de brigada do Exército ingressar na área.
Convenhamos, os principais adversários da nossa integralidade territorial e da nossa soberania não são apenas estrangeiros. São brasileiros. Ou foram...
Não vai reagir?
Passaram-se 48 horas da decisão do Copom de não baixar os juros e o presidente Lula permanece olhando as estrelas, sem uma reação sequer. O diabo é que foi ele, há pouco mais de uma semana, a anunciar que os juros iriam cair por determinação sua. Até convocou ao palácio do Planalto o presidente do Banco Central Henrique Meirelles, para a determinação.
O que aconteceu? Nada. Meirelles e o Copom tripudiaram sobre uma ordem do presidente da República. Comportaram-se como um governo dentro do governo, aliás, mais forte. Como fica o Lula diante do descumprimento de sua diretriz?
Qual dos presidentes anteriores agüentaria uma humilhação igual? Nem Fernando Henrique. Dá saudades do Itamar, que há muito tempo já teria substituído o presidente do Banco Central e toda a sua diretoria. Nem se fala dos tonitruantes generais-presidentes. Enquanto isso continuamos na contramão do planeta, onde em todos os países a crise econômica leva a sucessivas reduções de juros. Quem ganha e quem perde com a irredutibilidade da nossa tecnocracia desvairada? Os bancos, para começar, pois os juros constituem sua refeição diária. Os especuladores nacionais e estrangeiros, também.
Cuidado com a chantagem
Em recente reunião do presidente Lula com os mais importantes empresários do País, um denominador comum marcou a voz dos convidados ao palácio do Planalto: com todo jeito e malícia, é claro, comunicaram que se os impostos não baixarem (para eles), se o governo não injetar dinheiro em seus cofres, se os bancos oficiais não facilitarem o crédito, acontecerá o quê? Demissões em massa.
Faz muito que o sentido social das empresas desapareceu. Por conta do neoliberalismo, isto é, da ambição desmedida do lucro a qualquer preço, transformou-se o trabalhador em peça descartável de qualquer equação econômica. Ao menor sinal de queda na produção dispensam-se empregados.
Não se trata de um fenômeno brasileiro, está sendo assim no mundo inteiro. O trabalhador que se dane, apesar de haver votado maciçamente num governo que parecia dele. Nenhum mecanismo de defesa funciona em favor do assalariado. As tais férias coletivas e obrigatórias já constituem uma aberração, tendo em vista que cada indivíduo é que deveria dispor de suas prerrogativas. Com as demissões, então, fica transparente a dicotomia nas relações produtivas: uns podem tudo, e ameaçam. Outros não podem nada, e sofrem.
O grave nessa história é que o governo carece de vontade política para interromper a chantagem. Começou cedendo, continua cedendo e terminará cedendo.
Mudança de estratégia
Anuncia Aécio Neves haver mudado de estratégia, na preservação de sua candidatura à presidência da República no âmbito do tucanato. Em vez de trabalhar apenas nos bastidores, partirá para a campanha ostensiva, percorrendo ainda mais o País e fazendo-se conhecer em regiões onde pouca influência possui. A recente pesquisa Datafolha garante a José Serra uma situação tranqüila, como principal candidato da oposição, e talvez leve o governador mineiro a aumentar o diapasão de suas críticas ao governo Lula.
A proposta de Aécio em favor de ampla prévia entre as bases do PSDB começa a ser deglutida e minimizada pelos partidários de José Serra. Sem pode contraditar essa forma democrática de seleção de candidatos, os “serristas” tramam reduzir suas dimensões. Argumentam ser impossível ouvir todos os tucanos em todo o País, até porque são precários os seus arquivos. Assim, sustentam a realização, ano que vem de uma ampla convenção nacional, integrada por maior número de representantes estaduais e municipais. É bom Aécio tomar cuidado, porque são os paulistas que costumam dominar essas reuniões...
Fonte: Tribuna da Imprensa

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