O número de acidentes no Carnaval caiu 11,7% em relação ao Natal
RIO e BRASÍLIA - No primeiro feriado de vigência da proibição de venda de bebida alcoólica nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal registrou uma redução de 11,7% no número de mortos. Neste Carnaval morreram 128, contra 145 no mesmo período no ano passado. No Rio, porém, foi registrado um aumento de 266% no número de mortes: tinham sido três em 2007 e neste ano foram 11, só nas rodovias fe-derais. No total, 17 pessoas morreram durante o feriadão nas vias estaduais e federais do estado do Rio.
Em todo o país, o número de feridos também registrou uma queda de 7,4% e os acidentes aumentaram em 1,6%. Neste ano foram 1.472 feridos em 2.396 acidentes. Apesar da queda nos índices, o ministro da Justiça, Tarso Genro, considera a violência no trânsito uma endemia. O ministro atribuiu a queda dos indicativos, em parte, à edição da medida provisória que proibiu o comércio de bebida no varejo”. A medida inibiu o consumo de álcool no Carnaval. O objetivo não é impedir a população de beber, mas dificultar o consumo de álcool pelos motoristas”, disse o mi-nistro.
Tarso disse que a Operação Carnaval realizada pela Polícia Rodoviária foi a maior da história do órgão. Todos os 9.700 policiais da corporação trabalharam. Para o ministro, o número de mortos nas estradas federais ainda é alto, mas pode cair com mudanças na legislação.” O quadro é trágico, mas é reversível”, disse. A Polícia Rodoviária anunciou que fiscalizou 7.167 pontos-de-venda nas estradas, entre bares e restaurantes. No total, 855 estabelecimentos foram autuados por venda ilegal de bebida. Os estados com maiores volumes de multas foram Bahia (121), Minas Gerais (77), e Paraná e o Distrito Federal (68).
Na fiscalização, os policiais usaram 400 bafômetros. Foram presos em flagrante 202 motoristas embriagados e 624 foram reprovados após o teste e tiveram que interromper a viagem. Apesar da posição do ministro, o diretor geral da Polícia Rodoviária, Hélio Cardoso Derenne, foi menos enfático sobre a contribuição da proibição da venda de bebida na redução de mortos, feridos e acidentes”. Não sei se a medida provisória ajudou. Ainda é cedo para afirmar isso, mas pode ter surtido algum efeito psicológico no motorista, que pode até ter evitado beber”, disse o diretor.
Sobre as liminares concedidas contra os efeitos da medida, Tarso disse que o estado democrático assegura este direito aos que se consideram prejudicados, mas destacou que a preservação da vida é primordial. Segundo a Polícia Rodoviária, 236 motoristas foram detidos por cometerem outros tipos de crime no trânsito. Os policiais apreenderam 870kg de maconha, 44kg de cocaína, 6.550 pedras de crack e 5.500 esferas de haxixe. (AG)
Fonte: Correio da Bahia
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