segunda-feira, março 09, 2026

PF se divide sobre pedido de prisão de Lulinha e aumenta tensão em Brasília

 

PF se divide sobre pedido de prisão de Lulinha e aumenta tensão em Brasília

Investigação no STF envolve Fábio Luís Lula da Silva; ministro André Mendonça já autorizou quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático enquanto defesa nega ligação com fraude no INSS

O filho de Lula/Reprodução

A possibilidade de a Polícia Federal solicitar a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem provocado divergências internas na corporação e ampliado a tensão política em Brasília. O caso está sob investigação no Supremo Tribunal Federal e tramita sob sigilo.

O processo envolve suspeitas relacionadas a um suposto esquema de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por conta do sigilo, não é possível confirmar oficialmente se a PF também pediu a prisão do investigado junto ao pedido de quebra de sigilos.

A medida de acesso aos dados bancários, fiscais e telemáticos de Fábio Luís foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por conduzir o inquérito.

Divisão dentro da Polícia Federal

Nos bastidores da investigação, a discussão sobre a possibilidade de prisão preventiva do filho do presidente divide integrantes da Polícia Federal. Delegados que mantêm interlocução com o gabinete do ministro defendem que a medida poderia ser solicitada no âmbito da apuração.

Outro grupo dentro da corporação, no entanto, considera a hipótese precipitada. Para esses investigadores, a prisão preventiva deve ser utilizada apenas quando existirem fundamentos sólidos e não como estratégia investigativa.

De acordo com juristas e integrantes da PF, a legislação exige que o magistrado esteja convencido de que o investigado pode atrapalhar as investigações, interferir na produção de provas ou apresentar risco de fuga para justificar uma eventual prisão.

Ligação investigada com suspeito de fraude

A investigação analisa uma suposta ligação de Fábio Luís Lula da Silva com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele é apontado em apurações como personagem ligado a fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O filho do presidente, porém, nega qualquer participação ou vínculo com o esquema investigado. Segundo ele, não existe relação direta ou indireta com as irregularidades apuradas pelas autoridades.

A defesa sustenta que o investigado sempre se colocou à disposição para colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração.

Defesa afirma estar perplexa

Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva reagiram com surpresa às informações sobre uma eventual discussão sobre prisão. A defesa afirma que recebeu a notícia com indignação e questiona a necessidade das medidas já adotadas no processo.

Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua no caso ao lado de Guilherme Siguimori, o investigado já havia comunicado ao Supremo Tribunal Federal sua disposição de colaborar espontaneamente com as investigações.

A defesa também afirmou confiar na condução do caso pelo ministro André Mendonça e acredita que o magistrado seguirá critérios técnicos e imparciais durante o andamento do inquérito no STF.

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O voto consciente: a maior arma do eleitor contra a corrupção

 


O voto consciente: a maior arma do eleitor contra a corrupção


Por José Montavão


Neste ano haverá eleições, e chega também o momento de reflexão para aqueles eleitores que costumam repetir a frase: “todo político é ladrão”. Se essa é realmente a convicção de muitos, então é hora de fazer a própria parte. O eleitor tem nas mãos um instrumento poderoso: o voto. É através dele que se pode escolher representantes honestos, comprometidos com o interesse público e que não tenham contas rejeitadas nem respondam a processos por improbidade administrativa.

Em um sistema democrático, o voto é o principal mecanismo de responsabilização dos governantes. Quando um político acusado ou até condenado por corrupção consegue se reeleger, isso acaba sendo interpretado como uma espécie de “absolvição” popular. Na prática, a mensagem que se transmite é perigosa: a de que a corrupção pode não ter consequências eleitorais. Por isso, o eleitor tem um papel crucial na continuidade — ou no combate — desse problema que tanto prejudica o país.

Diversos estudos mostram que, muitas vezes, parte do eleitorado acaba fechando os olhos para denúncias de corrupção e passa a priorizar outros critérios na hora de votar: favores pessoais, promessas imediatas ou até a simples identificação política. Esse comportamento enfraquece o combate à corrupção e perpetua práticas que prejudicam toda a sociedade.

É verdade que o problema não se resume apenas à decisão do eleitor. A fragilidade de algumas leis, a morosidade da Justiça e a sensação de impunidade no Brasil acabam gerando descrença na política. Muitos cidadãos passam a acreditar que seu voto não fará diferença. Esse sentimento alimenta o cinismo político e o afastamento da população do debate público.

Além disso, práticas ilegais como a compra de votos e o abuso de poder econômico continuam sendo grandes ameaças à democracia. Esses mecanismos distorcem a vontade popular, corrompem o processo eleitoral e colocam em desvantagem candidatos honestos que disputam de forma justa.

Portanto, embora o voto consciente seja fundamental para reduzir a corrupção na política, é importante compreender que a existência de políticos corruptos é resultado de uma combinação de falhas institucionais, culturais e sistêmicas. Ainda assim, cada eleição representa uma oportunidade de mudança.

O eleitor que reclama da política precisa entender que também faz parte da solução. Fiscalizar, cobrar, pesquisar a vida pública dos candidatos e votar com responsabilidade são atitudes que fortalecem a democracia.

No final das contas, a política reflete as escolhas da sociedade. Se queremos políticos melhores, o primeiro passo começa nas urnas. O voto consciente não resolve tudo, mas é, sem dúvida, a ferramenta mais poderosa que o cidadão possui para mudar o rumo da política e construir um país mais justo e honesto. 

José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

domingo, março 08, 2026

Ex-ministro de Lula é retido no aeroporto do Panamá e deportado ao Brasil

 08/03/2026


O seguinte relato é de Franklin Martins, ex-ministro do governo Lula. O texto foi repassado na manhã deste domingo ao Itamaraty, que já acionou o governo do Panamá para pedir explicações sobre o incidente.

”No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 01:00 h da madrugada, deixei o aeroporto do Galeão a bordo de um avião da Copa Airlines. Meu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. No trajeto, faria uma conexão na Cidade do Panamá.

Lá chegamos por volta das 06:00 da manhã. O voo para a capital da Guatemala deveria sair duas horas e meia depois. Ao desembarcar do avião, no final do “finger” que dava para a entrada da área internacional do aeroporto, dois policiais à paisana pediam aos passageiros seus passaportes, que eram examinados rapidamente e devolvidos. Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo.

Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado.

O agente pediu-me que preenchesse um documento com meus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc). Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes.

Visivelmente, o policial estava querendo ganhar tempo. Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais.

Depois de uns 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a possibilidade de perder o voo do Panamá para a Guatemala, que sairia às oito e pouco da manhã, bati na porta várias vezes. Não responderam. Pouco depois, outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso.

Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas.

Por volta das 10:00hs da manhã, deixei a sala acompanhado por dois policiais – sem identificação, mas provavelmente integrantes da Policía Nacional – e fui levado para o andar de baixo, sendo confinado numa sala de Migración de Panamá, ao lado dos guichês de controle dos passaportes dos viajantes. Lá fiquei por mais quatro horas sem qualquer explicação. Novamente, fui fotografado de frente e perfil. Colheram por duas vezes minhas impressões digitais.

Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança.

Pouco depois das 14:00hs, outro funcionário da Migración, levando meu passaporte e a passagem da Copa Airlines da Cidade do Panamá para o Rio de Janeiro, acompanhou-me até o portão de embarque. O documento foi entregue à chefe dos comissários de bordo, com a determinação de que só me fosse devolvido no Rio. Ao chegarmos na Cidade Maravilhosa, a aeromoça entregou-o a uma funcionária brasileira da Copa Airlines, que me acompanhou até a sala da Polícia Federal ao lado dos guichês de controle dos passaportes. Em um minuto, recebi de volta o documento.

Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo.

Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e, em algum momento, foi condenado pelos tribunais militares daquela época, não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão para outro país? Não seria o caso do governo brasileiro, através de seus representantes diplomáticos, conversar sobre esses abusos com as autoridades panamenhas?”

A ABI se solidariza com o jornalista Franklin Martins e espera que o Itamaraty tome as providências necessárias contra essa violência absurda, constrangedora e inaceitável.

É falsa afirmação de Moraes ter frequentado casa de Vorcaro em Trancoso (BA), diz nota do STF

8 mar2026- 16h54


O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nota negando que ele tenha frequentado a casa do banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso (BA). A informação foi publicada neste domingo, 8, pelo blog Lauro Jardim, do jornal O Globo.

"O gabinete do Ministro Alexandre de Moraes informa que é integralmente falsa a afirmação publicada pelo blog de Lauro Jardim, no portal O Globo, de que o Ministro tenha frequentado a casa de Vorcaro em Trancoso (BA). O Ministro jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino", diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa do Supremo.

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/e-falsa-afirmacao-de-moraes-ter-frequentado-casa-de-vorcaro-em-trancoso-ba-diz-nota-do-stf,9a112e2c0b0938aac76b37e88ae8a51et410x6bl.html?utm_source=clipboard


 Nota da Redação deste blogA Desinformação de Terno e Gravata: Quando a “Grande Imprensa” Falha com a Verdade

A desinformação não nasce apenas em blogs obscuros ou perfis anônimos nas redes sociais. Hoje, muitas vezes ela também veste terno e gravata e ocupa espaço na chamada “grande imprensa”. Quando a pressa pelo furo de reportagem atropela a responsabilidade com a verdade, quem paga o preço é o cidadão comum, que passa a consumir uma realidade distorcida.

A democracia só se sustenta quando o povo está bem informado. Sem informação confiável, o debate público se degrada, a confiança nas instituições se fragiliza e a sociedade passa a caminhar em terreno movediço. Por isso, é fundamental que cada cidadão tenha consciência de que não deve agir como mero replicador de notícias, especialmente quando elas não foram devidamente verificadas. Na dúvida, é melhor conter o impulso de compartilhar. A verdade não tem pressa; a mentira, sim.

A Era da Incerteza

Vivemos um tempo em que a bússola da verdade parece ter perdido o norte. Ao abrir o celular ou ligar a televisão, o cidadão se depara com um verdadeiro oceano de informações. Nesse ambiente saturado, a pergunta já não é apenas “o que aconteceu?”, mas principalmente “em quem posso confiar?”.

Essa crise de confiança se agravou recentemente após a circulação de uma informação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A notícia, divulgada inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim no jornal O Globo, afirmava que o ministro teria frequentado a casa de João VorcaroNota da redação deste Blog , em Trancoso, na Bahia. Posteriormente, a informação foi desmentida oficialmente pelo Supremo Tribunal Federal, fato repercutido pelo portal Terra.

Esse tipo de episódio não pode ser tratado apenas como um simples “erro de apuração”. Quando a informação parte de veículos de grande alcance, o impacto é imediato e profundo.

O Peso do Erro no Topo da Pirâmide

É comum responsabilizar as redes sociais e os grupos de mensagens pelo avanço das fake news. De fato, eles são canais poderosos de disseminação de desinformação. Contudo, quando um grande conglomerado de mídia publica uma informação incorreta sobre uma autoridade da Suprema Corte, o efeito é ainda mais devastador.

Primeiro, porque existe a chancela da credibilidade. Ao contrário de um perfil anônimo, a imprensa tradicional é vista como fonte confiável. Quando ela erra, milhões de pessoas aceitam aquela informação como verdadeira. O desmentido, quase sempre, não circula com a mesma intensidade.

Em segundo lugar, existe o viés do clique. Em tempos de audiência disputada, a busca frenética pelo furo de reportagem ou pela chamada sensacionalista pode atropelar os princípios fundamentais do jornalismo: verificar os fatos, cruzar informações e ouvir todos os lados envolvidos.

A Degradação Moral da Informação

O desmentido oficial do gabinete do ministro revela algo mais profundo que um erro isolado. Ele expõe um problema recorrente: a perda gradual do rigor informativo em parte da imprensa. Quando esse fenômeno se repete, a credibilidade construída ao longo de décadas começa a se deteriorar.

Esse cenário cria um ambiente perigoso. Quando o jornalismo profissional falha, ele abre espaço para que discursos radicais ganhem força. Aqueles que desejam desacreditar instituições encontram terreno fértil para afirmar que “ninguém mais fala a verdade”.

Assim, a desinformação deixa de ser apenas um problema digital e passa a ser um problema institucional.

O Silêncio da Política

Enquanto a sociedade se vê perdida em meio a versões contraditórias da realidade, muitas vezes o sistema político reage com silêncio ou conveniência. O debate público se torna raso, marcado mais por disputas narrativas do que pela busca sincera da verdade.

Essa combinação — imprensa fragilizada, redes sociais inflamadas e política silenciosa — contribui para um cenário em que a realidade parece sequestrada por interesses momentâneos.

O Despertar do Cidadão Crítico

Diante desse quadro, resta ao cidadão assumir um papel mais ativo. Não basta mais apenas consumir notícias; é preciso analisá-las, questioná-las e buscar diferentes fontes antes de formar opinião.

Para nós, seja em Jeremoabo ou em qualquer outra cidade do Brasil, a lição é clara: a imprensa não é infalível. Quando ela erra, o impacto é enorme. Por isso, a responsabilidade de preservar a verdade também passa pelo olhar crítico da sociedade.

A democracia não sobrevive apenas com instituições fortes. Ela depende, sobretudo, de uma cidadania vigilante. Se a informação se degrada, cabe ao cidadão elevar o nível da exigência — porque a verdade não pode ser tratada como mercadoria moldada conforme a conveniência do momento.

Texto primoroso de Cleusa Slaviero.

 Texto primoroso de Cleusa Slaviero. 


Nada mudará o fato de que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi determinante para impedir que o Brasil afundasse de vez no abismo autoritário.


O momento é de cautela e, para mim, ainda é cedo para determinar exatamente o que pensar sobre Moraes no escândalo Bolsomaster Vorcaro. Seja qual for o desfecho, posso não apoiar sua postura nesse caso específico, mas seguirei reconhecendo que ele teve um papel decisivo para impedir que o país mergulhasse numa ruptura democrática.


Essa ruptura significaria mortes, desaparecimentos, fome, aprofundamento da inflação, desemprego, destruição da Petrobras, universidades desmanteladas, cultura arrasada, SUS em frangalhos, entrega das riquezas nacionais. Tudo isso e muito mais. Imaginem esse pessoal na Presidência enquanto Donald Trump também estivesse na Casa Branca. Entregariam tudo. Seria o atraso total.


Moraes pode ter cometido um erro, como qualquer pessoa pode cometer. Todos estamos sujeitos a isso. Claro que não se pode admitir, relativizar nem deixar de exigir que o STF se mantenha completamente afastado de determinadas posturas. Mas, afinal, qual erro ele cometeu? Receber mensagens? O que exatamente fez para tentar favorecer Vorcaro? Tragam as respostas, vazadores. É preciso determinar se houve erro e, mais do que isso, distinguir com rigor o que é impostura, o que é irregularidade, o que é crime e o que não passa de insinuação interessada.


Só que o acerto que Moraes tomou pelo país tem uma importância ímpar. E isso não pode ser apagado. Na eleição de 2022. No inquérito das fake news ainda em curso. No enfrentamento dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.


Não é por acaso que a direita e a extrema direita vêm atacando Moraes sistematicamente. Isso começou exatamente quando Jair Bolsonaro passou a aparelhar instituições para se proteger e proteger os filhos de investigações de corrupção e das suspeitas de ligação com um assassinato político que chocou o país. E porque Moraes impediu o projeto de ditador. 


Moraes tornou-se pedra no sapato de um bando de bandidos que só atrasou o Brasil. É o desastre organizado. Bolsonaro chefiou uma quadrilha corrupta e golpista. Esse pessoal deitou e rolou na corrupção em quatro anos. Roubaram de lavada. Só enganam quem quer ser enganado. E querem voltar para fazer o quê? Roubar mais e estraçalhar novamente direitos do povo e a própria estabilidade do país. Os Bolsonaro querem governar o Brasil nos próximos 40 ou 50 anos. Ditadura sempre foi o sonho deles. 


O Grupo Globo entrou nesse ataque para defender uma funcionária muito alinhada à Faria Lima, àquela direita horrenda que acha normal enriquecer ainda mais às custas de quem já vive com pouco. Não por acaso, o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro já anunciou novas reformas trabalhista e previdenciária. Sabemos muito bem que essas reformas servem para tirar mais do povo e entupir ainda mais os insaciáveis da Faria Lima, do tal mercado. 


E eles divulgaram que farão essas reformas por quê? Ora, justamente para obter o apoio da Faria Lima. A Faria Lima só não apoia Lula e Fernando Haddad porque eles representam mais direitos para o povo e menos desigualdade social.


Essa direita horrenda vive alinhada à Faria Lima e hoje vê expostas ligações escandalosas entre setores do mercado financeiro, dezenas de políticos envolvidos da direita e da extrema direita em esquemas gigantescos de corrupção. Bilhões desviados. Empresariado poderoso ligado a essas engrenagens do Master, no roubo do INSS, ligações com o PCC. Tudo isso aconteceu durante o governo Bolsonaro. Tudo isso sendo desmantelado no governo Lula. 


Mesmo assim, a Globo e outros veículos preferem ignorar os corruptos e concentrar ataques em Moraes. É ridículo. Tudo está na cara. Mais ridículo ainda é ver pessoas de direita e de esquerda sendo pautadas por essa escumalha.


E ainda mais ridículo e triste é ver pessoas dispostas a votar nesses bandidos para voltarem ao poder.


Quando esses indecentes pedem a cabeça de Moraes, não estão pedindo justiça. Estão tentando remover um obstáculo.


O alvo real é escapar da responsabilização por crimes de corrupção. O alvo real é enfraquecer a democracia. O alvo real é prejudicar qualquer força política que represente o campo popular.


Resta ver como Mendonça conduzirá esses processos, a eleição de 2026 e até onde vai o seu compromisso com a justiça e com a democracia. Se tiver um papel verdadeiramente em favor do Brasil, terá reconhecimento também. Porque, assim como aconteceu com Moraes, que é de direita e antipetista e que, no momento decisivo, fez pelo Brasil mais do que milhões fizeram, não pesou o lado ideológico, mas o efeito democrático de suas decisões.


Por isso, se depender de mim, Alexandre de Moraes ainda terá muito a fazer pelo Estado de Direito e pela democracia brasileira. Quando a democracia esteve ameaçada, ele não recuou. E o Brasil ainda precisará, e muito, de quem não se ajoelha diante de golpistas. 


Apoiarei Alexandre de Moraes e qualquer ministro do STF que esteja disposto a cumprir seu papel histórico de defender veementemente a democracia brasileira.

O mito do herói e a desconstrução do ministro Xandão no caso Master

 

O mito do herói e a desconstrução do ministro Xandão no caso Master

Publicado em BrasíliaComunicaçãoÉticaJustiçaLiteraturaPolíticaPolítica

O apelido Alexandre de Moraes não é apenas um “meme” das redes sociais. É a tradução simbólica de uma persona investida de atributos como firmeza, coragem e poder de decisão

A trajetória recente do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal produziu um fenômeno raro no Judiciário brasileiro: a construção de uma figura pública dotada de forte capital simbólico. Ao conduzir investigações e julgamentos ligados aos ataques à democracia e às articulações golpistas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes passou a ser visto por amplos setores da opinião pública como o principal fiador institucional da ordem constitucional, um herói da democracia.

Daí nasceu o “Xandão”. O apelido popular não é apenas um “meme” das redes sociais. É a tradução da construção de uma “persona” institucional investida de atributos extraordinários: firmeza, coragem, capacidade de decisão em momentos críticos. Trata-se, em termos teóricos, de um fenômeno antigo da política: o mito homérico de Ulysses. A filósofa Hannah Arendt, em A Condição Humana, analisa essa figura a partir da tradição da pólis grega.

Para Arendt, o herói homérico se revela no espaço público por meio da ação e do discurso. Sua grandeza não deriva apenas do resultado de seus atos, mas do fato de agir diante dos outros, sob o olhar da comunidade política. A ação extraordinária rompe a rotina do comportamento cotidiano e projeta o indivíduo na história. O herói busca aquilo que os gregos chamavam de imortalidade da fama. Sua biografia passa a ser construída pelas ações que realiza diante da coletividade. A política, nesse sentido, é o espaço onde o indivíduo deixa o âmbito privado para se expor ao julgamento público.

Leia também: A institucionalidade da economia, o caso Master e as duas éticas do STF

Nos últimos anos, Moraes passou a ocupar esse lugar simbólico na política brasileiro. Sua atuação firme contra a radicalização antidemocrática transformou-o em protagonista de uma narrativa institucional de resistência. Para muitos, ele encarnava o magistrado capaz de enfrentar o poder político quando este ameaça as regras do jogo democrático. O problema das narrativas heroicas, que situam o indivíduo acima das instituições, é que são voláteis. Dependem de uma coerência permanente entre a figura pública e a conduta privada. Qualquer fissura nessa coerência pode provocar a desmitificação.

Relações perigosas

Esse fenômeno está em curso com as revelações relacionadas ao escândalo do Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A existência de um contrato milionário entre o banco e o escritório de advocacia da mulher do ministro, no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master já havia despertado questionamentos sobre eventual conflito de interesses. Ainda que não haja demonstração de ilegalidade, esse vínculo econômico entre o grupo investigado e a família de Moraes levanta inevitáveis dúvidas institucionais.

A situação tornou-se mais delicada com a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo reportagens, o banqueiro teria trocado contatos com Moraes no dia em que sua prisão foi decretada. Mesmo sem o conteúdo completo das respostas atribuídas ao ministro, o simples registro dessas interações no sentido inverso ao da construção do mito do herói, ou seja, da transição do bem comum para os interesses privados, detona um processo de desconstrução de sua imagem, o mito do Xandão teria pés de barro. O problema é que isso mina a confiança na imparcialidade das instituições. Quando surgem dúvidas sobre relações privadas entre magistrados e personagens investigados, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser essencialmente político.

Leia também: Conversa entre Moraes e Vorcaro é periciada pela PF

O episódio ganha dimensão ainda maior porque envolve também o ministro do STF Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após revelações sobre transações envolvendo empresa da qual é sócio e fundos ligados ao mesmo grupo empresarial. A coincidência amplia a repercussão do escândalo e alimenta a percepção de promiscuidade entre interesses privados e esferas de poder. Até o momento, não há prova de irregularidade por parte de Moraes. O desgaste de sua imagem não decorre das acusações formais, sim da erosão do capital simbólico construído ao longo dos últimos anos. A força de sua autoridade estava ancorada na percepção de independência e rigor institucional.

Há uma distinção entre a ética da convicção e a ética da responsabilidade. A primeira orienta aqueles que agem movidos por princípios e valores absolutos, como os políticos, por exemplo. A segunda exige que o agente público responda pelas consequências de seus atos e pela confiança que inspira na sociedade, sua responsabilidade é zelar pela legitimidade dos meios utilizados na ação política. Na construção do mito do Xandão, a linha que separa a convicção da responsabilidade era tênue e sinuosa, mas legitimada pela defesa da democracia.

Ministros do Supremo cruzam essa fronteira com frequência, sob permanente tensão para equilibrar a ação em defesa da Constituição e a responsabilidade de assegurar a legitimidade do sistema jurídico. Entretanto, é um autoengano supor que a autoridade de um ministro do Supremo deriva apenas da Constituição ou da força de suas decisões. O herói da tradição clássica buscava a imortalidade da fama. Na democracia, porém, a verdadeira grandeza está na confiança pública na integridade de sua conduta. Nesse espaço, o “terrivelmente evangélico” ministro André Mendonça assume cada vez mais protagonismo.

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Guerra entre EUA, Irã e Israel se expande pelo Golfo Pérsico e deixa mortos e feridos em diferentes nações da região. 247 – A guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel chegou ao terceiro dia nesta segunda-feira (2) e já se espalha por diferentes pontos do Oriente Médio. Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, ao menos nove … Ler mais

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