Texto primoroso de Cleusa Slaviero.
Nada mudará o fato de que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi determinante para impedir que o Brasil afundasse de vez no abismo autoritário.
O momento é de cautela e, para mim, ainda é cedo para determinar exatamente o que pensar sobre Moraes no escândalo Bolsomaster Vorcaro. Seja qual for o desfecho, posso não apoiar sua postura nesse caso específico, mas seguirei reconhecendo que ele teve um papel decisivo para impedir que o país mergulhasse numa ruptura democrática.
Essa ruptura significaria mortes, desaparecimentos, fome, aprofundamento da inflação, desemprego, destruição da Petrobras, universidades desmanteladas, cultura arrasada, SUS em frangalhos, entrega das riquezas nacionais. Tudo isso e muito mais. Imaginem esse pessoal na Presidência enquanto Donald Trump também estivesse na Casa Branca. Entregariam tudo. Seria o atraso total.
Moraes pode ter cometido um erro, como qualquer pessoa pode cometer. Todos estamos sujeitos a isso. Claro que não se pode admitir, relativizar nem deixar de exigir que o STF se mantenha completamente afastado de determinadas posturas. Mas, afinal, qual erro ele cometeu? Receber mensagens? O que exatamente fez para tentar favorecer Vorcaro? Tragam as respostas, vazadores. É preciso determinar se houve erro e, mais do que isso, distinguir com rigor o que é impostura, o que é irregularidade, o que é crime e o que não passa de insinuação interessada.
Só que o acerto que Moraes tomou pelo país tem uma importância ímpar. E isso não pode ser apagado. Na eleição de 2022. No inquérito das fake news ainda em curso. No enfrentamento dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Não é por acaso que a direita e a extrema direita vêm atacando Moraes sistematicamente. Isso começou exatamente quando Jair Bolsonaro passou a aparelhar instituições para se proteger e proteger os filhos de investigações de corrupção e das suspeitas de ligação com um assassinato político que chocou o país. E porque Moraes impediu o projeto de ditador.
Moraes tornou-se pedra no sapato de um bando de bandidos que só atrasou o Brasil. É o desastre organizado. Bolsonaro chefiou uma quadrilha corrupta e golpista. Esse pessoal deitou e rolou na corrupção em quatro anos. Roubaram de lavada. Só enganam quem quer ser enganado. E querem voltar para fazer o quê? Roubar mais e estraçalhar novamente direitos do povo e a própria estabilidade do país. Os Bolsonaro querem governar o Brasil nos próximos 40 ou 50 anos. Ditadura sempre foi o sonho deles.
O Grupo Globo entrou nesse ataque para defender uma funcionária muito alinhada à Faria Lima, àquela direita horrenda que acha normal enriquecer ainda mais às custas de quem já vive com pouco. Não por acaso, o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro já anunciou novas reformas trabalhista e previdenciária. Sabemos muito bem que essas reformas servem para tirar mais do povo e entupir ainda mais os insaciáveis da Faria Lima, do tal mercado.
E eles divulgaram que farão essas reformas por quê? Ora, justamente para obter o apoio da Faria Lima. A Faria Lima só não apoia Lula e Fernando Haddad porque eles representam mais direitos para o povo e menos desigualdade social.
Essa direita horrenda vive alinhada à Faria Lima e hoje vê expostas ligações escandalosas entre setores do mercado financeiro, dezenas de políticos envolvidos da direita e da extrema direita em esquemas gigantescos de corrupção. Bilhões desviados. Empresariado poderoso ligado a essas engrenagens do Master, no roubo do INSS, ligações com o PCC. Tudo isso aconteceu durante o governo Bolsonaro. Tudo isso sendo desmantelado no governo Lula.
Mesmo assim, a Globo e outros veículos preferem ignorar os corruptos e concentrar ataques em Moraes. É ridículo. Tudo está na cara. Mais ridículo ainda é ver pessoas de direita e de esquerda sendo pautadas por essa escumalha.
E ainda mais ridículo e triste é ver pessoas dispostas a votar nesses bandidos para voltarem ao poder.
Quando esses indecentes pedem a cabeça de Moraes, não estão pedindo justiça. Estão tentando remover um obstáculo.
O alvo real é escapar da responsabilização por crimes de corrupção. O alvo real é enfraquecer a democracia. O alvo real é prejudicar qualquer força política que represente o campo popular.
Resta ver como Mendonça conduzirá esses processos, a eleição de 2026 e até onde vai o seu compromisso com a justiça e com a democracia. Se tiver um papel verdadeiramente em favor do Brasil, terá reconhecimento também. Porque, assim como aconteceu com Moraes, que é de direita e antipetista e que, no momento decisivo, fez pelo Brasil mais do que milhões fizeram, não pesou o lado ideológico, mas o efeito democrático de suas decisões.
Por isso, se depender de mim, Alexandre de Moraes ainda terá muito a fazer pelo Estado de Direito e pela democracia brasileira. Quando a democracia esteve ameaçada, ele não recuou. E o Brasil ainda precisará, e muito, de quem não se ajoelha diante de golpistas.
Apoiarei Alexandre de Moraes e qualquer ministro do STF que esteja disposto a cumprir seu papel histórico de defender veementemente a democracia brasileira.