quarta-feira, junho 25, 2025

Jornalismo de memória bisonha esquece papel de Bernardo Cabral na Constituinte

Publicado em 24 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

USS (Univassouras) 2019/1 Na charge, Henfil (1944-1988) representa algumas das - Estuda.com ENEM

Charge do Henfil sobre a Constituinte (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Inacreditável, página inteira do Correio Braziliense (23/06) sobre a Constituição, sem registrar nenhuma referência ao relator-geral da Constituinte, o então deputado Bernardo Cabral. Jornalismo capenga e incompleto.  É o fim da picada. O texto também chama Nelson Jobim de ex-ministro do STF. Na verdade, Jobim é ministro aposentado da Suprema Corte. 

 Muita conversa fiada nas letrinhas. Diversos personagens citados. ânsia danada de aparecerem. Bernardo Cabral foi eleito relator-geral, em eleição pelo voto, disputando a função com os constituintes Pimenta da Veiga e Fernando Henrique Cardoso.

José Fogaça, ex-senador e ex-deputado federal, trabalhou com Cabral como relator adjunto, juntamente com Antônio Carlos Konder Reis e Adolfo Oliveira. Ambos no céu.  Fogaça testemunhou, diária e noturnamente, os esforços de Bernardo Cabral para o bom êxito dos trabalhos. Seria correto se o jornalista Vanilson Oliveira, autor da matéria, procurasse ouvir Bernardo Cabral, faz muito tempo morando no Rio de Janeiro. Certamente o depoimento de Cabral enriqueceria o trabalho do repórter. 

PIOR DA COPA – As televisões estão repletas de pavorosas chatices. Torturam a alma e a paciência. Como desgraça é pouca, apareceu agora outra porcaria chamada “Central da Copa”, na Globo. Canal que adora ter o monopólio de tudo que não presta. Ainda ganha prêmios. Incrivelmente ruim. Com um bando de cavalinhos medonhos e intragáveis, emprestados do Fantástico.

Tadeu Schmidt tenta ser engraçado. Não consegue. Faz caras e bocas, as mesmas que costuma fazer na série BBB. Há quem goste. Embrulha para servir com pipocas.  Com ele, um obscuro Paulo Nunes, ex-jogador destalentado. Analista pior ainda. Forma boa dupla de horror com Tadeu.

Completando o fiasco de apelações, enfiaram no ar um mágico. Deus do céu! Ninguém merece. Poderia fazer algo de bom no tal programa de última, já que se diz mágico, e fazer desaparecer os deploráveis cavalinhos. Quem sabe, com mais um pouco de esforço, sumir também com Paulo Nunes e Tadeu Schmidt.

COMÉRCIO EM ALTA – Pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice da Intenção de Consumo das Famílias apresentou crescimento de 0,5% em junho, já descontando os efeitos sazonais.

O percentual representa o melhor resultado mensal registrado desde maio de 2024, embora na comparação anual permaneça a trajetória de queda. Com o nono mês consecutivo de retração, a variação atingiu o patamar de -1,3% no comparativo com o mesmo período no ano passado.

O maior destaque positivo no mês foi o aumento de 2,5% no componente Acesso ao Crédito, que avançou 2,2% na variação anual. Esta é a quinta alta mensal consecutiva desse indicador, impulsionada por medidas que ampliaram a liquidez no mercado financeiro. De acordo com o estudo, 32,6% dos consumidores percebem maior facilidade para obter crédito, o maior pico desde abril de 2020.


Governo terá de fazer “gatos” para evitar apagões precoces no gasto público

Publicado em 24 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Como você pode associar a charge abaixo ao Absolutismo antigo sistema?​ -  brainly.com.br

Charge do Junião (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

O que vai sair do pacote de medidas “estruturantes” e do catadão de dinheiros para cobrir o buraco das contas do governo em 2025 e 2026? Um troço desestruturado.

O governo declara que não quer conter o aumento de despesa. O Congresso, com cara-de-pau cínica, apenas cobra a contenção do gasto que frequentemente aumenta. Vão sobrar gambiarras a fim de manter a luz acesa em 2025. Para 2026, continua o risco de apagão, antes previsto para 2027.

PODIA SER PIOR – A revolta contra impostos, falta de pagamento de emendas parlamentares e a pré-campanha eleitoral vão depenar os planos do governo de aumentar impostos. Poderia ser pior.

Graças a Donald Trump, diminuiu o risco de a situação macroeconômica degringolar no Brasil, no curto prazo. O dólar ficou mais fraco pelo mundo e por aqui. A economia mundial em marcha mais lenta contém o preço de commodities como o petróleo.

A China, de resto praticamente em deflação, desova mais produtos baratos no mercado internacional. A grande safra no Brasil deve contribuir para a conter a carestia dos alimentos.

INFLAÇÃO – A inflação deste 2025 pode embicar na direção de 5%, muito acima da meta, mas desacelerando mais do que o previsto —poderia ser pior, com contaminação maior da inflação de 2026. As taxas de juros no atacadão do mercado de dinheiro estão mais contidas em seu nível ainda horrível.

Como a biruta do comportamento de Trump varia de acordo com os ventos de seus oportunismos e necessidades circunstanciais de seu projeto tirânico, não conviria contar com essa sorte provisória.

Por aqui, o problema crítico de 2027 nas contas públicas começou a brotar antes do que se esperava. Haddad diz que oposição faz ‘molecagem’, e bate-boca encerra comissão na Câmara.

COM GAMBIARRAS – Sem aumento de imposto, o governo apenas cumprirá as metas relaxadas do arcabouço fiscal por meio de gambiarras piores ou também de um arrocho agônico no que resta do dinheiro que já não está destinado a despesas obrigatórias.

A lambança do IOF não deve render mais do que um terço da receita prevista. O buraco seria compensado por um catatau de dinheiros a cobrar neste ano e por medidas “estruturantes”.

Já o risco de que passe apenas parte até do catado de dinheiros, composto de mais imposto sobre “bets”, sobre fintechs, juros sobre capital próprio e um boato sobre tributação de criptoativos, por exemplo, dinheiros que poderiam ser cobrados neste ano.

ALTERNATIVA VÃ – A medida “estruturante” que sobrou, que taparia o buracão fiscal de 2026, pode cair inteiramente. Trata-se da cobrança de IR sobre o ganho com aplicações financeiras ora isentas, tais como aquelas que financiam o agro, o setor imobiliário e, talvez, infraestrutura. Em si, essa tributação faz sentido. Mas serve agora apenas para cobrir contas no vermelho; quem a ela se opõe, em geral quer apenas manter o privilégio de sua isenção tributária.

No que resta, o governo deve bater na porta de estatais, pegando mais dividendos, aqueles que no início do Lula 3 seriam cortados de modo a haver mais investimento de “empresas estratégicas”.

PETRÓLEO – O governo deve tentar aumentar a arrecadação com o setor de petróleo, que por prevenção já reclama de quebra de contratos. A ideia seria antecipar receitas, um tipo de gambiarra histórica em desarranjos fiscais.

Mesmo assim, talvez falte ainda algum, sendo então necessário contingenciamento (contenção) extra de despesa.

Em resumo, o governo terá de fazer “gatos” fiscais a fim de evitar apagões na máquina pública e no investimento.

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‘Cid não retrucou ao ser chamado de mentiroso’, diz advogado de Braga Netto

Publicado em 25 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Braga Netto diz que delator Mauro Cid mentiu em depoimentoMateus Coutinho
do UOL

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, não saudou o general Walter Braga Netto na acareação hoje no STF (Supremo Tribunal Federal), apesar de ser seu superior militar. “Cid permaneceu com a cabeça baixa”, descreveu o advogado José Luís de Oliveira Lima.  

O advogado afirmou que Cid ficou cabisbaixo e não retrucou quando foi chamado de mentiroso por Braga Netto. “Uma pena que não tenha sido gravada a cena”, por imposição do relator Alexandre de Moraes.

PONTOS DE VISTA  – A defesa de Cid rebate advogado de general, nega o episódio e diz que em nenhum momento Braga Netto se dirigiu diretamente a Cid nem o chamou de mentiroso. Segundo o advogado de Cid, Braga Netto teria se dirigido a Moraes e afirmado que era mentira a alegação de que ele teria entregado dinheiro a Cid.

Não há registro dessa cena nos autos. A descrição da reunião não registra esse episódio especificamente, apenas aponta que os dois mantiveram versões diferentes sobre os episódios citados na delação premiada.

Na acareação, não foram feitos registros em imagem nem foi permitido o uso de celulares. Somente foi redigida uma ata após o término da sessão, seguindo decisão de Moraes. O encontro foi feito para esclarecer divergências no que falaram sobre a tentativa de golpe de Estado.

MANTIVERAM AS VERSÕES – Ata da acareação não detalha a versão relatada pela defesa de Braga Netto. Documento traz registros dos depoimentos dos dois durante os interrogatórios e aponta apenas que, frente a frente, eles mantiveram as versões apresentadas antes e que as contradições entre os dois relatos w

Assim, a contradições são as mesmas de interrogatórios. O delator e o general apresentaram versões diferentes sobre reunião de miltares na residência de Braga Netto em novembro de 2022 e sobre entrega de dinheiro em espécie para Mauro Cid. Fatos já haviam sido mencionados antes na investigação e durante os interrogatórios dos réus acusados se integrarem o “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado.

Os dois militares ficaram frente a frente pela primeira vez desde que Braga Netto foi preso. O general foi o primeiro a chegar, por volta das 9h30. Eles se reuniram, por cerca de uma hora e meia, em uma sala de audiências do STF (Supremo Tribunal Federal), em sessão conduzida presencialmente pelo ministro Alexandre de Moraes. O ministro Luiz Fux também esteve presente e fez duas perguntas.

SEM GRAVAÇÃO – A defesa de Braga Netto reclamou de violação do processo por não poder ter gravação. Oliveira Lima disse que vai recorrer no processo e à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) porque foi negada essa importante prerrogativa de o advogado gravar a acareação da qual seu cliente participa.

Questionado se vai pedir anulação da delação, ele disse que “evidentemente que sim”. Novamente, criticou a delação e disse que Cid não tem provas “de nada”.

“Mente muito”, insistiu Oliveira. Ele disse que Cid mencionou um terceiro local onde teria recebido o dinheiro de Braga Netto. Entre as possibilidades, estariam duas garagens e uma sala no Alvorada. Ele ainda rebate detalhes da entrega, como que, se a caixa estava lacrada, Cid não teria como saber se havia dinheiro lá dentro.

DESMORALIZAÇÃO – Celso Vilardi, advogado de Jair Bolsonaro, considerou “lamentável a sessão não ter sido transmitida”. “O delator fez o que tem feito reiteradamente. Ele mentiu e, no meu modo de ver, foi desmoralizado.”

A defesa de Bolsonaro criticou Cid e elogiou Braga Netto. Sobre Cid, disse que “contradições são o que ele apresenta cotidianamente”.

“Ele não consegue sanar [as contradições]. Quando aperta, ele não lembra”, disse Vilardi. Já sobre as falas do general, ele considerou que “mais uma vez ratificou que, após a reunião do dia 7 [de dezembro de 2022], o presidente Bolsonaro não fez mais nada”. “Ele concordou e desistiu de tudo.”

DELAÇÃO CONTESTADA – A delação de Cid foi decisiva para a denúncia da PGR contra o “núcleo crucial”. Foram acusados Bolsonaro, Braga Netto e outras seis pessoas por tentativa de golpe. As defesas do ex-presidente e do ex-ministro tentam anular o acordo e colocar em xeque a credibilidade dos relatos de Cid.

Advogado do general Mário Fernandes foi barrado ao tentar entrar no STF. Marcus Vinicius Figueiredo ficou cerca de 20 minutos na portaria e depois foi embora. Fernandes, que teria elaborado o “Punhal Verde e Amarelo”, foi denunciado em outro núcleo e, por isso, a participação de seu advogado não estava autorizada na acareação de hoje.

Defesas apontam duas principais divergências nas versões de Cid e Braga Netto. Eles questionam as declarações de Cid sobre a reunião na residência do general para supostamente discutir um plano para monitorar e matar autoridades. O segundo ponto é o suposto repasse de dinheiro para financiar a ação.

DINHEIRO VIVO – Em sua delação, Cid afirmou ter recebido dinheiro vivo de Braga Netto em uma caixa de vinho. Em seguida, o montante teria sido entregue para o major Rafael de Oliveira, um dos envolvidos no “Punhal Verde e Amarelo”, suposto plano para matar o presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes.

Braga Netto nega. Ele confirma o pedido, mas diz que nunca entregou dinheiro a Cid e que tomou conhecimento do plano “Punhal Verde e Amarelo” pela imprensa.

Moraes também autorizou acareação entre o ex-ministro Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Freire Gomes. Os dois falaram após a sessão de Cid e Braga Netto.

ANULAÇÃO IMPROVÁVEL– Como mostrou o UOL, porém, a anulação dos termos de Cid pelo STF é improvável. Histórico da Corte mostra que, mesmo em casos em que delatores mentiram, as provas e relatos apresentados por eles foram mantidos após a PGR (Procuradoria-Geral da República) renegociar os termos do acordo.

O STF nunca anulou um acordo da própria Corte. Essa medida é vista como improvável de acontecer, pois significaria para o tribunal reconhecer que eles cometeram os mesmos equívocos cometidos pela Operação Lava Jato, em Curitiba, que teve várias condenações anuladas justamente pelo STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Fica cada vez mais claro que Moraes age no sentido de preservar Mauro Cid, cuja delação chega a ser patética, pois não apresenta as provas. Assim, pode-se dizer que no Brasil já não há mais militares e juízes como antigamente. A nação está comprometida, sem a menor dúvida. (C.N.)


Ex-comandante do Exército muda versão e defende Anderson Torres


Ex-comandante Freire Gomes afirma que Bolsonaro discutiu minuta golpista  semelhante à encontrada na casa de

Freire Gomes acusou e agora defende Anderson Torres

Eduardo Barretto
Estadão

O advogado Eumar Novacki, que defende o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, afirmou nesta terça-feira, 24, que Torres não participou de reuniões de teor golpista com o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-comandantes militares. Mais cedo, Torres e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, fizeram uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse procedimento, pessoas que deram versões conflitantes em um processo judicial ficam frente a frente para tentar esclarecer os fatos.

GENERAL MENTIU – “A acareação foi importante para esclarecer fatos que a defesa vinha sustentando: o ex-ministro da Justiça não participou de reunião com o ex-presidente e os ex-comandantes das Forças Armadas para discutir qualquer medida antidemocrática e tampouco assessorou o ex-presidente em medidas dessa natureza”, afirmou Novacki à Coluna do Estadão.

Durante a acareação, Freire Gomes mudou sua versão e disse que Torres “jamais opinou no sentido da quebra do Estado de Direito”, e que o ex-ministro “jamais incentivou qualquer ato fora da legalidade”.

O general afirmou não se lembrar de quais reuniões participou com Torres. Genericamente, citou reuniões ministeriais, ressaltando que podem ter acontecido antes da eleição de 2022.

ACUSAÇÃO FORTE – Anderson Torres é réu na ação penal do golpe. Foi acusado pela Procuradoria-Geral da República como uma espécie de assessor jurídico do golpe. A defesa nega que ele tenha escrito a minuta golpista para anular o resultado da eleição de 2022 e decretar intervenção no Tribunal Superior Eleitoral.

O documento foi apreendido pela Polícia Federal na casa de Torres. O advogado afirma que foi dado um “peso descomunal” a um arquivo “absurdo e apócrifo”, acrescentando que o material já circulava na internet.

O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro ficou preso preventivamente entre janeiro e maio de 2024, por supostos crimes no 8 de Janeiro. Ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal no dia do ataque golpista aos três Poderes. Desde maio do ano passado, Torres continua usando tornozeleira eletrônica e cumprindo medidas cautelares, como restrições de horário para sair de casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Não se pode confiar na memória de Mauro Cid ou de Freire Gomes. Ambos são capazes de dar informações gravíssimas que depois são plenamente desmentidas, algo que não condiz com a missão de membros das Forças Armadas. Tenho vergonha dessa gente. (C.N.)


O avanço unilateral dos EUA e o silêncio da ordem mundial

Publicado em 25 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Trump aproveita o vácuo de autoridade internacional

Pedro do Coutto

A mais recente ofensiva americana contra bases iranianas marca um novo e perigoso capítulo na já conturbada geopolítica do Oriente Médio. Utilizando bombas de penetração capazes de atingir até 90 metros no subsolo, os Estados Unidos demonstram não apenas seu poderio militar, mas sua disposição em liderar uma reconfiguração unilateral da ordem global.

O ataque, realizado sob a justificativa de dissuadir avanços iranianos e em apoio tácito a Israel, provocou resposta imediata de Teerã, que lançou mísseis contra bases americanas no Catar.  A movimentação ocorre em meio a um vácuo de autoridade internacional.

SEM VOZ ATIVA – As Nações Unidas, fragilizadas por anos de ineficácia e politização, assistem sem voz ativa. O embaixador brasileiro Celso Amorim, em recente entrevista, reconheceu esse descompasso institucional, apontando que a ordem mundial vigente está sendo gradualmente superada por ações unilaterais, à revelia de qualquer consenso multilateral. O Conselho de Segurança permanece paralisado, refém dos interesses dos membros permanentes.

Donald Trump, em um movimento político calculado, anunciou que Israel e Irã teriam aceitado um cessar-fogo. A declaração teve impacto imediato nos mercados: o preço do petróleo caiu e os índices de Wall Street subiram. Trump tenta se posicionar como figura central na diplomacia internacional, mesmo que por meio da força. Ao se apresentar como árbitro supremo de um conflito complexo, ele redefine a lógica da mediação: não mais pela construção de pontes, mas pela imposição de limites.

A resposta iraniana, embora ruidosa, foi cuidadosamente calibrada. Teerã optou por uma retaliação simbólica, preservando o equilíbrio entre firmeza e prudência. O regime dos aiatolás sabe que, apesar do discurso inflamado, um confronto direto com os Estados Unidos seria desastroso. A ameaça do Parlamento iraniano de fechar o Estreito de Hormuz – rota por onde passa 20% do petróleo mundial – é reveladora: trata-se de uma carta geopolítica de alto risco, mas cujo simples anúncio já serve como instrumento de pressão internacional.

DISTÂNCIA – Enquanto isso, a China permanece distante. O governo de Pequim, embora preocupado com a estabilidade regional – especialmente por suas relações comerciais com o Irã e o Golfo –, evitou se envolver diretamente. A prioridade da liderança chinesa continua sendo a estabilidade interna e a contenção dos conflitos periféricos.

A Rússia, por sua vez, enfraquecida por uma guerra prolongada e inconclusiva na Ucrânia, não dispõe de recursos militares ou diplomáticos para interferir de forma eficaz no Oriente Médio. O desequilíbrio é evidente: a hegemonia norte-americana avança sem antagonistas à altura.

Essa configuração global aproxima o mundo de uma arquitetura baseada no poder e não no diálogo. A centralização das decisões em torno de Washington reaviva um modelo unipolar que parecia superado após o fim da Guerra Fria. Ao contrário do multilateralismo proposto por diversas nações – inclusive o Brasil –, a atual dinâmica privilegia ações rápidas, pouco transparentes e marcadas por interesses nacionais imediatos. O risco maior reside na normalização do uso da força como ferramenta primária de resolução de conflitos.

COMPROMISSO – O presidente Lula da Silva, ao condenar a ofensiva norte-americana, reafirma o compromisso do Brasil com a paz e o direito internacional. Sua postura dialoga com uma tradição diplomática brasileira que privilegia o respeito à soberania dos povos e a busca por soluções negociadas. No entanto, diante da atual correlação de forças, a influência de vozes moderadas é limitada. A diplomacia precisa ser acompanhada de reformas institucionais, que fortaleçam organismos multilaterais e inibam ações unilaterais de potências armadas.

A população civil, como sempre, paga o preço mais alto. A cada explosão, cresce o número de deslocados, mutilados e mortos. A guerra, com sua estética de poder e domínio, esconde o drama humanitário que se alastra por Gaza, Teerã, Beirute e outras cidades vulneráveis da região. A ideia de que se pode impor a paz por meio da violência continua sendo uma falácia perigosa, que apenas posterga as soluções reais e perpetua o sofrimento coletivo. A consciência internacional deve se reerguer diante desse ciclo de brutalidade.

OPINIÃO PÚBLICA – O papel da opinião pública global, embora fragmentado, ainda pode ser determinante. Organizações civis, movimentos pela paz e setores acadêmicos têm o dever de iluminar os bastidores da geopolítica e exigir responsabilidade dos líderes mundiais. A paz não é um ideal utópico, mas uma necessidade urgente num mundo interconectado e ambientalmente frágil. Cada conflito regional tem potencial para se tornar um incêndio planetário. A contenção deve ser priorizada, e não a revanche.

O que está em jogo é a própria capacidade da humanidade de superar sua lógica de destruição. A ofensiva americana e a reação iraniana são apenas expressões de um sistema internacional desequilibrado, onde a força predomina sobre a razão. Enquanto isso, a guerra segue como ameaça constante, travestida de solução. Resta à diplomacia – ainda que enfraquecida – lembrar que o mundo não precisa de reis ou impérios, mas de líderes que respeitem a dignidade humana e o direito à vida em paz.

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