quarta-feira, junho 25, 2025

Festas Juninas em Jeremoabo: Paixão Versus Razão na Gestão Pública

 

Festas Juninas em Jeremoabo: Paixão Versus Razão na Gestão Pública

As festas juninas são uma tradição querida no Nordeste brasileiro, e em cidades como Jeremoabo, na Bahia, elas representam um momento de celebração e congraçamento. No entanto, por trás do brilho e da animação, a gestão desses eventos exige cautela e responsabilidade por parte dos administradores públicos, especialmente no que tange à contratação de atrações artísticas.

É comum que a população, na ânsia de ter a melhor festa possível, pressione os gestores para a contratação de bandas de grande porte e alto custo. No entanto, a realidade financeira dos municípios e a legislação que rege o uso do dinheiro público devem ser o principal balizador dessas decisões. Atualmente, órgãos como o Tribunal de Contas e o Ministério Público estão intensificando a fiscalização sobre os gastos com eventos, o que significa que qualquer desvio pode ter sérias consequências para o prefeito.

Contratar bandas "caras além das condições" do município não é apenas um capricho, mas sim uma ação que pode configurar improbidade administrativa. As consequências para o gestor são severas: além de responder judicialmente, ele pode se tornar inelegível por oito anos, inviabilizando sua carreira política futura. O dinheiro público deve ser gerido com competência e responsabilidade, visando o bem-estar da população em todas as áreas, e não apenas no entretenimento.

Um exemplo claro dos perigos de agir pela paixão e não pela razão foi a gestão do ex-prefeito Deri do Paloma. Ao priorizar a contratação de artistas renomados e de alto custo, ele teria comprometido gravemente as finanças do município. O resultado foi um verdadeiro caos administrativo: atraso na folha de pagamento dos servidores, falta de medicamentos nos postos de saúde, ausência de merenda escolar, problemas no abastecimento de água potável e, por fim, o município em estado de falência, com contas de água e energia inadimplentes. A lição que ficou para a população de Jeremoabo é clara: "cuidado".


O Equilíbrio da Gestão Atual: O Exemplo do Prefeito Tista de Deda

Em contraste com as gestões passadas, o prefeito Tista de Deda em Jeremoabo demonstrou que é possível unir o útil ao agradável na organização das festas juninas. Sua administração realizou um evento amplamente elogiado tanto pelos visitantes quanto pelos próprios moradores, sem comprometer o orçamento municipal.

A festa, sob a gestão de Tista de Deda, foi planejada dentro das possibilidades financeiras do município, evitando gastos excessivos que pudessem gerar problemas futuros. Essa abordagem responsável garantiu que a celebração ocorresse sem arriscar a saúde financeira da prefeitura ou colocar o gestor em situações de improbidade.

A verdadeira medida do sucesso de uma festa junina não está apenas na grandiosidade das atrações, mas sim na quantidade de participantes e na animação genuína da população, algo que foi amplamente alcançado na gestão atual. O dinheiro público foi direcionado para atender às necessidades básicas da comunidade – saúde, educação, infraestrutura – enquanto as festividades foram realizadas com responsabilidade e competência, provando que é possível celebrar sem desequilibrar as contas públicas.

Em suma, a administração pública exige equilíbrio e prudência. Os prefeitos têm o dever de zelar pelo patrimônio e pelos recursos dos cidadãos. A paixão pela cultura e pelas festividades é importante, mas deve sempre andar de mãos dadas com a razão e a legalidade, garantindo que as celebrações sejam um motivo de alegria, e não de futuras dores de cabeça para o gestor e, consequentemente, para toda a população.




Jeremoabo Celebra o Maior São João da História com Retorno às Origens e Respeito à Fé

Jeremoabo Celebra o Maior São João da História com Retorno às Origens e Respeito à Fé

Faltam poucos dias para Jeremoabo encerrar seus festejos juninos com chave de ouro, e a cidade já celebra um São João inesquecível. As ruas se transformaram em um palco móvel de celebração, com bandas e trios elétricos contagiando o público e convidados especiais em mais um capítulo da maior festa junina da região.

A tradicional Alvorada e o Casamento do Matuto arrastaram uma multidão, que acompanhou o cortejo com animação e alegria. O evento também contou com a presença de autoridades locais, estaduais e federais, que fizeram questão de prestigiar a festa e ressaltar a importância cultural e social do Arraiá para o município.

Este São João está sendo o maior da história de Jeremoabo por haver retornado às suas origens, principalmente a religiosa. Pela primeira vez, o padroeiro São João Batista não foi obrigado a fechar as portas de sua casa, e as novenas não foram suspensas devido ao barulho ensurdecedor dos paredões.

O prefeito Tista de Deda destacou a essência desta celebração: "Está sendo uma festa feita com amor, organização e respeito à nossa cultura. Retornamos com respeito também às nossas origens religiosas."

A preservação da liberdade religiosa é, no plano teórico e prático, um ponto fundamental e de suma importância. Não só garante um direito humano básico em todas as comunidades, culturas, povos e estados, mas também constitui um elemento agregador da sociedade. Assim como a liberdade religiosa agrega, a intolerância religiosa é extremamente desagregadora e pode gerar danos imensuráveis e irreversíveis, além de promover o caos, divergências, desprezo e violência, como a história já nos ensinou em diversos períodos degradantes.

Jeremoabo demonstra com maestria que é possível conciliar a alegria contagiante dos festejos juninos com o respeito às tradições e à fé, consolidando seu São João como um exemplo de celebração que honra suas raízes e promove a união













terça-feira, junho 24, 2025

De Minas a Pernambuco, Nova Hidrovia do São Francisco vai integrar o Brasil

 De Minas a Pernambuco, Nova Hidrovia do São Francisco vai integrar o Brasil

Retomada da movimentação comercial pelo Velho Chico vai fortalecer a logística brasileira de forma eficiente, econômica e sustentável
 

Cânion de Xingó no Rio São Francisco, município de Delmiro Gouveia, Alagoas - Foto: Cleferson Comarela /Divulgação


O Rio São Francisco é fundamental para a integração e o desenvolvimento do Brasil. Os 2,8 mil quilômetros de extensão do Velho Chico banham 505 municípios brasileiros e abastecem 11,4 milhões de pessoas. Nesse caminho ascendente do Sudeste ao Nordeste, há um grande potencial para o transporte de cargas em escala de forma mais eficiente, econômica e sustentável. Recentemente, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a Nova hidrovia do São Francisco.
 

Os 1.371 quilômetros navegáveis da Nova Hidrovia vão permitir a retomada da navegação comercial desde Pirapora, em Minas Gerais (MG), até Petrolina, em Pernambuco (PE). Esse tipo de operação não ocorre no Velho Chico desde 2012, em função do assoreamento de trechos desse rio essencial para a integração nacional.
 

“Grandes grupos já manifestaram interesse em fazer essa operação hidroviária. Vamos trabalhar muito nos próximos meses para garantir a execução do projeto, que é fundamental para o fortalecimento da logística brasileira e para o desenvolvimento do país, sobretudo da Região Nordeste”, ressaltou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
 

Para o diretor do Departamento de Navegação e Fomento da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação do MPor, Otto Luiz Burlier, a hidrovia do São Francisco é a forma mais sustentável de transportar cargas e um ganho para a logística da região. “A Nova Hidrovia do São Francisco tem potencial para gerar mais movimentação de cargas entre os estados do Nordeste de forma muito mais barata e menos poluente do que por meio de uma rodovia”.
 

Navegação e sustentabilidade

O Ministério de Portos e Aeroportos tem investido fortemente na agenda de concessões hidroviárias por causa do potencial do Brasil para esse modal e pela urgência de garantir transportes de cargas mais sustentáveis e que contribuam para mitigar as mudanças climáticas.
 

Um comboio de embarcação hidroviária pode substituir até 1,2 mil caminhões na estrada, reduzindo drasticamente a emissão de CO₂ e o desgaste das rodovias. Além disso, a energia consumida pelas embarcações é bem menor, tornando essa solução uma das mais econômicas e sustentáveis do mercado.
 

“A matriz logística brasileira é muito desigual, cerca de 70% das cargas movimentadas no país são por meio rodoviário. Precisamos aproveitar o potencial do Brasil. Temos cerca de 60 mil quilômetros navegáveis e apenas 20 mil são, de fato, aproveitados comercialmente”, defendeu Otto.
 

Descentralização

Para iniciar o projeto, o MPor vai passar a gestão da hidrovia, atualmente sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), autoridade portuária vinculada ao ministério.
 

Com a descentralização, que deve ocorrer ainda em junho, a Codeba iniciará os estudos técnicos e voltados para a retomada da navegação. Em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a Codeba também realizará estudos para a concessão da Nova Hidrovia do São Francisco.
 

Etapas

Devido à sua magnitude, o projeto foi dividido em três etapas. Todas elas preveem integração intermodal, por rodovias e ferrovias, o que contribuirá para aumentar a eficiência logística, promover a sustentabilidade e reduzir custos.
 

A primeira etapa com 577 quilômetros de extensão, sendo 525 navegáveis, ligará pelas águas Juazeiro (BA) e Petrolina à Sobradinho (BA) e terminará em Ibotirama (BA). As cargas serão escoadas por rodovias até o Porto de Aratu-Candeias, na Baía de Todos os Santos (BA).
 

A previsão é que cinco milhões de toneladas de cargas passem pelo trecho logo no primeiro ano. Para se ter ideia, o Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, movimentou, por cabotagem, em 2024, pouco mais de 5 milhões de toneladas.
 

A segunda etapa terá 156 quilômetros entre Ibotirama e Bom Jesus da Lapa e Cariacá, na Bahia. Já a terceira etapa aumentará a hidrovia em 648 quilômetros e ligará Bom Jesus da Lapa e Cariacá a Pirapora, finalizando a integração Sudeste-Nordeste.
 

Haverá conexão, através da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), a maior do país, e com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), até os Portos de Ilhéus (BA), Porto Sul e Aratu-Candeias.
 

Arte: MPor


De café a gesso

Pelo Velho Chico, saindo de Petrolina (PE), navegarão em barcaças gesso agrícola – utilizado como fertilizante e condicionador de solo – gesso, gipsita, drywal e calcário em direção à Pirapora (MG), de onde seguirá para abastecer outros estados da região Sudeste. Esses produtos também terão como destino as divisas entre os estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, área conhecida como MATOPIBA, de forte produção agrícola.
 

O açúcar e o óleo sairão de Juazeiro até Pirapora, para abastecer o Sudeste, e o MATOPIBA. O sal, extraído no Rio Grande do Norte, seguirá para Remanso (BA), onde encontrará o São Francisco, e descerá para Pirapora, rumo ao Sudeste. Já o café fará o caminho inverso: sairá de Pirapora em direção a Juazeiro e Petrolina, para abastecer o Nordeste.
 

Milho, soja, algodão, adubo e insumos agrícolas sairão via terrestre dos municípios baianos de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães rumo à Ibotirama. Seguirá, pela hidrovia, até Juazeiro, e depois pode ser escoado para o Porto de Aratu, em Salvador, por rodovia ou ferrovia.
 

Instalações portuárias

 

Também estão previstas a construção de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte, os IP4, que vão garantir o transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
 

Do total, seis estão em fase de projeto e 11 em planejamento. Os editais para os IP4 de Petrolina e Juazeiro estão previstos para setembro, com início das obras em janeiro de 2026.

 

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Juiz diz que errou ao soltar homem que quebrou relógio no 8/1: ‘Lamentável’

 Foto: Reprodução/Arquivo/TV Globo

Juiz diz que errou ao soltar homem que quebrou relógio no 8/124 de junho de 2025 | 10:07

Juiz diz que errou ao soltar homem que quebrou relógio no 8/1: ‘Lamentável’

brasil

O juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG), afirmou à Polícia Federal que errou ao soltar o mecânico Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por quebrar um relógio histórico durante os atos golpistas de 8 de Janeiro.

Migliorini foi ouvido pela PF por suposta prática do crime de desobediência. Segundo a decisão do juiz que concedeu ao réu progressão para o regime semiaberto, ele cumpriu a fração necessária para receber o benefício, não cometeu nenhuma falta grave e tem “boa conduta carcerária”.

O juiz alegou que houve “equívoco” no sistema da vara de execuções penais, que classificou o processo como de origem da própria vara, e não do STF. Ele contou que o processo ganhou um número do tribunal e começou a seguir o fluxo normal de tramitação, sem que houvesse qualquer ressalva ou observação quanto a competência da Suprema Corte.

Contudo, o magistrado admitiu que o equívoco foi “lamentável”. Segundo ele, caso contrário, “jamais teria decidido” pela soltura de Ferreira.

A decisão de soltar o mecânico nunca teve a intenção de “afrontar” o STF, disse o juiz. Ele reiterou que, por fim, respeita todas as instituições e que “jamais teria decidido se soubesse que a competência não era sua”.

Dois dias após ser solto, o mecânico voltou a ser preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Entenda o caso
Moraes afirmou que decisão que libertou o mecânico contraria a lei. O ministro argumentou que um juiz de primeira instância não tem competência para deliberar sobre o regime prisional dos réus do 8 de janeiro de 2023, cujos processos são conduzidos pelo STF.

O réu foi solto sem tornozeleira eletrônica porque não haveria equipamentos disponíveis em Minas. O juiz escreveu que não havia previsão para regularização da situação, e o preso não poderia ser prejudicado pela demora do Estado.

Em nota, governo de Minas nega falta do equipamento. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que não procede a informação de que não há tornozeleiras no estado e que já estava agendada a data da colocação do equipamento em Ferreira.

Moraes mandou investigar conduta do juiz. Segundo o ministro, o magistrado agiu em desrespeito à competência do STF e violando a Lei de Execuções Penais, que prevê que presos condenados por crimes de violência e grave ameaça só podem passar para o semiaberto após cumprir 25% da pena —o mecânico só teria cumprido 16%. “A conduta do juiz de Direito Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, deve, portanto, ser devidamente apurada pela autoridade policial no âmbito deste Supremo Tribunal Federal”, disse.

Um procedimento também foi aberto pela Corregedoria-Geral do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). “A respeito da decisão da Vara de Execuções Penais de Uberlândia que deferiu benefício prisional a pessoa apenada pelo Supremo Tribunal Federal pelos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informa que, por sua corregedoria-geral, instaurou procedimento visando à apuração dos fatos”, disse o TJ.

Luccas Lucena/Folhapress

Alcolumbre e Motta ensaiam recado ao STF com discurso sobre emenda diante de Dino

Foto: Jefferson Rudy / Agência Senador
A audiência foi marcada pelo ministro Flávio Dino para instruir julgamento sobre o orçamento impositivo24 de junho de 2025 | 13:55

Alcolumbre e Motta ensaiam recado ao STF com discurso sobre emenda diante de Dino

brasil

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram a aliados que devem ir pessoalmente ao STF (Supremo Tribunal Federal) na sexta-feira (27) para discursarem na audiência pública sobre a impositividade (pagamento obrigatório) das emendas parlamentares.
Com o comparecimento, eles querem mostrar a relevância desse assunto para o Congresso e passar o recado aos ministros de que uma decisão contrária não será bem-aceita e pode agravar a crise entre os Poderes.

A audiência foi marcada pelo ministro Flávio Dino para instruir julgamento sobre o orçamento impositivo, aprovado em 2015 para tornar obrigatória a execução das emendas parlamentares individuais. Em 2019, a exigência de pagamento foi ampliada para as emendas de bancadas estaduais.

Nesse período, o valor das emendas parlamentares aumentou vertiginosamente. Em 2015, cada deputado e senador tinha sob seu controle R$ 16 milhões, e o governo tinha a possibilidade de não pagar nenhum centavo, se quisesse.

Em 2025, cada deputado indicou R$ 37,3 milhões em emendas individuais, e cada senador, R$ 68,5 milhões. No caso das bancadas, cada estado receberá R$ 528,9 milhões este ano. O governo é obrigado a executar esses valores.

As emendas são o instrumento usado pelos parlamentares para enviar dinheiro para obras e investimentos em suas bases eleitorais. Os recursos costumam ser trocados por apoio nas eleições, e parte da verba também é objeto de investigações sobre supostos desvios e fraudes.

A obrigatoriedade de execução é questionada em ação movida pelo PSOL no STF. O partido argumenta que a medida acarreta uma “desastrosa desarmonia” entre os Poderes e “diminuiu significativamente a possibilidade de o Executivo pensar e executar projetos e investimentos públicos para o Brasil”.

Dino convocou a audiência pública como um primeiro passo para instruir o julgamento sobre o tema. A intenção dele, segundo auxiliares, é levar ao plenário do Supremo um voto para limitar as emendas impositivas. Mas ele não descartou tomar decisões em caráter liminar, “se isso se revelar imprescindível e urgente”.

Um dos pontos que o ministro disse a auxiliares que pretende questionar é o atual poder de cada congressista decidir a destinação específica do dinheiro, como o município que receberá uma escola ou hospital. Hoje, no entendimento de Dino, um parlamentar atua como ordenador de despesas, mas sem assumir as responsabilidades (como responder pelo mau uso da verba).

A audiência pública será realizada em três partes na sexta (27). No primeiro bloco, pela manhã, participarão os autores de ações sobre as emendas —o PSOL e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que questionou as chamadas “emendas Pix” (sem identificação do projeto a ser contemplado)— e especialistas sugeridos pelo gabinete de Dino, quase todos com produção acadêmica crítica às emendas.

No segundo bloco, falarão os representantes do Legislativo e do Executivo nacional, estadual e municipal. O ministro deu até quarta (25) para que esses órgãos informem quem discursará. O governo Lula (PT) terá que decidir se defenderá as emendas ou falará a favor de restrições.

Motta e Alcolumbre se incluíram na lista prévia de participantes que falarão pelo Congresso, segundo a Folha apurou. O objetivo é reforçar o peso político no debate, o que não ocorreria se os escalados para discursar fossem os advogados da Câmara e do Senado. Procurados pela reportagem, eles não comentaram.

No terceiro bloco, participarão o partido Novo e entidades que questionam o funcionamento das emendas, como o Instituto Não Aceito Corrupção, além de integrantes da sociedade civil que se inscreveram e foram selecionados pelo STF. O último a falar será o representante da PGR (Procuradoria-Geral da República).

A possibilidade de novas decisões do Supremo para bloquear a execução das emendas parlamentares ou restringi-las tem causado tensão entre os congressistas. No ano passado, o Congresso entrou num embate com os ministros em torno da transparência das emendas de comissão, até que Motta e Alcolumbre chegaram a um acordo com Dino em fevereiro para que o nome dos reais autores fosse publicado.

Agora, no entanto, o discurso dos congressistas nos bastidores é de pressionar a cúpula do Congresso a partir para o enfrentamento se o STF decidir avançar sobre a obrigatoriedade de execução das emendas. Uma das ideias em discussão é realizar, por exemplo, audiências públicas no Legislativo sobre a atuação dos ministros e do Judiciário.

Raphael Di Cunto / Folhapress

Politica Livre 

Guerra contra o Irã não acabou, diz Israel, que muda foco para Gaza

 Foto: Reprodução

A avaliação foi feita pelo principal militar do país, o chefe do Estado-Maior Eyal Zamir24 de junho de 2025 | 15:17


mundo

As Forças de Defesa de Israel avaliam que o programa nuclear e de mísseis do Irã foi adiado, não destruído, e que a guerra contra a teocracia não acaba com o cessar-fogo que entrou em vigor nesta terça (24). Mas o foco agora volta a ser o “colapso do Hamas” na Faixa de Gaza.

A avaliação foi feita pelo principal militar do país, o chefe do Estado-Maior Eyal Zamir. Ele se encontrou com os integrantes do colegiado para fazer uma avaliação dos 12 dias da campanha iniciada pelo governo de Binyamin Netanyahu contra Teerã.

“Um capítulo significativo terminou, mas a campanha contra o Irã não acabou. Adiamos o projeto nuclear do Irã em anos, bem como seu projeto de mísseis, mas, apesar da conquista fenomenal, precisamos permanecer em campo. Não há tempo para descansar sobre os louros”, afirmou.

A fala vai em oposição à propaganda de Donald Trump, que entrou e saiu rapidamente do conflito ao atacar três centrais nucleares do Irã no sábado (21) e considerar a aceitável a retaliação simbólica do rival na segunda (23), quando lançou mísseis sobre uma base americana no Qatar sem efeitos.

Visando posar de vencedor, o americano diz desde o sábado que obliterou o programa dos aiatolás, motivo principal do ataque de Israel, que via no impasse nas conversas entre Washington e Teerã um estímulo para a teocracia perseguir a bomba.

Isso pode agora acontecer até mais rapidamente, dado que 400 kg de urânio enriquecido a 60%, nível próximo do necessário para a bomba, estão intactos com os iranianos.

Seja como for, o general indicou que Israel vai aproveitar o momento de fraqueza militar do Irã, bastante castigado na campanha aérea do Estado judeu, para tentar pressionar o Hamas a se render. “Agora o foco retorna a Gaza, ao retorno dos sequestrado e ao colapso do regime do Hamas”, disse.

São palavras diretas e que ensejam mais violência no território arruinado pela guerra disparada após os terroristas palestinos, apoiados por Teerã, matarem 1.200 pessoas e sequestrarem 255 em 7 de outubro de 2023.

Não que a guerra lá tenha cessado. Nesta mesma terça, ataques com drones e infantaria atingiu dois grupos de palestinos que buscavam ajuda humanitária, um episódio que Israel está analisando. Segundo o Hamas, 44 pessoas morreram, se somando aos mais de 56 mil caídos em Gaza no conflito.

Esse número é contestado por Israel, que vê manipulação e a soma de civis com combatentes —esses seriam aproximadamente a metade do contingente ao todo. Sobre o que não há dúvida é acerca da crise humanitária, com os cerca de 2 milhões de moradores da região vagando entre ruínas.

A ONU estima em mais de 90% o número de prédios destruídos na faixa. Para piorar, desde o colapso do cessar-fogo pedido por Trump no começo do ano, Israel aplica um bloqueio sistemático sobre o território, alegando que o Hamas desviava ajuda e alimentos. Pingando o auxílio de forma que órgãos internacionais consideram insuficiente, a fome grassa.

Para Netanyahu, o foco em Gaza traz o risco de quebrar o bom momento político de sua vitória militar na batalha com o Irã, mas é algo inadiável também. Há ainda 50 reféns com o Hamas, 28 dos quais mortos com certeza.
O trauma nacional desse cativeiro tem cindido ainda mais a sociedade israelense, que responsabiliza o premiê antes de tudo pelo fracasso de segurança que levou ao 7 de Outubro.

Isso dito, ultradireitistas do gabinete de Netanyahu chegam a dizer que a tragédia salvou o país, dado que a partir dela a força foi empregada sem freio contra o Hamas, contra o Hezbollah libanês e, agora de forma mais calculada, contra o Irã.

O problema para o premiê é que essa sua base quer mais, e descarta acordos com o Hamas, o que coloca em risco de perder sustentação parlamentar e o cargo. Processado sob acusação de corrupção, Netanyahu tem protelado o encontro com a Justiça, o que faz críticos dizerem que isso está no coração de sua política militarista.

Igor Gielow / Folhapress

Tarcísio acha possível ser um político de direita sem agir como bolsonarista


O governador de São Paulo tenta mostrar que é possível ser um político bolsonarista sem agir como uma bolsonarista. O resultado é uma espécie de agente duplo às claras.

Tarcísio ganha força e sabe que não pode perder Bolsonaro

Diogo Schelp
Estadão

O presidente Lula está em seu pior momento político. Pior até do que quando esteve na cadeia — ao menos entrou e saiu de lá nos braços do povo, bem ao gosto de qualquer populista. Seu governo, neste terceiro mandato, não chega a ser odiado. É mais grave do que isso: é alvo de decepção ou de indiferença. Lula 3 não consegue empolgar nem a própria militância.

A quase um ano do início da campanha presidencial em que poderá buscar a reeleição, Lula empata nas pesquisas com um monte de gente à direita do PT. Ou seja, há um amplo leque de opções viáveis no centro, na centro-direita e na direita radical para derrotar Lula. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, é um dos mais citados para concorrer, apesar de fingir que não está interessado.

NÃO PODE TRAIR – Visto como cria política do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem deve a eleição em São Paulo, Tarcísio provavelmente enterraria sua carreira pública se resolvesse alçar voo solo. Por mais que venda a imagem de gestor eficiente, de tocador de obras, dificilmente sobreviveria à pecha de traidor do bolsonarismo.

É diferente de outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Jr. (PSD), respectivamente governadores de Goiás e do Paraná. Esses ganhariam votos se tivessem o apoio de Bolsonaro, mas não devem fidelidade a ele como ocorre com Tarcísio.

O governador de São Paulo tenta mostrar que é possível ser um político bolsonarista sem agir como uma bolsonarista. O resultado é uma espécie de agente duplo às claras. Tarcísio posa e troca elogios com Lula em um momento e, no seguinte, sobe em carro de som com meia dúzia de pessoas que conspiraram ou torceram pela derrubada de Lula.

NÃO É BOLSONARETE – Orgulha-se de construir pontes com o Supremo Tribunal Federal, mas faz do Palácio dos Bandeirantes hospedagem do réu Jair Bolsonaro, que lá se prepara para depor no STF em seu julgamento por tentativa de golpe de Estado. Quando está ao lado do padrinho, o bajula o quanto pode, porque sabe o quanto ele gosta disso, mas quando está longe procura adotar um estilo sóbrio de governar. Não o imita, ao contrário de outros bolsonaretes.

Há pragmatismo na dança do apadrinhamento de Tarcísio com Bolsonaro. Sabe que não poderá concorrer sem estar atrelado a ele — se o ex-presidente não puder subir no seu palanque fisicamente, colocará um parente do seu lado (fala-se na ex-primeira-dama Michelle como possível vice).

O senador Flávio Bolsonaro andou avisando que qualquer candidato que venha a receber o apoio de seu pai terá que prometer um indulto a ele. Mais do que isso, precisará estar disposto a enfrentar o STF, com o uso da força, se necessário, caso o Supremo derrube medida que leve à extinção de uma eventual pena recebida pelo ex-presidente.

REFÉM DOS RADICAIS – Por isso, Tarcísio ao lado de Bolsonaro jamais será uma opção moderada. Ele será refém dos radicais do PL e da gangue familiar, mais do que Lula jamais foi dos radicais do PT ou de movimentos sociais de extrema esquerda. Não só porque precisará passar pano para golpistas e uma borracha em seus crimes, mas porque em tudo o que fizer sofrerá a pressão para radicalizar. Não vai ser suficiente colocar um Guilherme Derrite da vida no Ministério da Justiça e Segurança Pública para posar de durão com os bandidos.

Terá de oferecer apoio tácito a um Senado, possivelmente controlado pelo PL, em campanha para promover o impeachment de ministros do STF, a começar por Alexandre de Moraes. Terá de transformar a própria presidência em plataforma de relançamento do projeto de poder da família do padrinho — senão do próprio.

Os Bolsonaros vão ver Tarcísio como uma escada para voltar ao Palácio do Planalto como cabeça de chapa na eleição seguinte. Uma imitação com escalas da trajetória traçada por Donald Trump, no Estados Unidos, de um retorno “heroico” para terminar o serviço que o “sistema” emperrou da primeira vez. Sabemos o que isso significa.


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Publicado em 12 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Defesa de Bolsonaro tenta derrubar pena de 27 anos M...

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