quinta-feira, junho 19, 2025

Lula compara Brasil pós-Bolsonaro à Faixa de Gaza e diz que será candidato para vencer em 2026

 Foto: Reprodução/Arquivo

Lula durante entrevista ao podcast Mano a Mano; episódio está disponível no Spotify19 de junho de 2025 | 08:41

Lula compara Brasil pós-Bolsonaro à Faixa de Gaza e diz que será candidato para vencer em 2026

brasil

O presidente Lula (PT) disse em entrevista ao rapper Mano Brown que se lembra do Brasil pós-governo Bolsonaro quando olha para a Faixa de Gaza, palco de um conflito entre Hamas e Israel desde outubro de 2023.

“De vez em quando eu olho para a destruição na Faixa de Gaza e fico imaginando o Brasil que nós encontramos. Não tínhamos mais ministério do Trabalho, de Igualdade Racial, de Direitos Humanos, de Cultura. Foi uma destruição proposital”, declarou, durante entrevista de mais de duas horas no podcast Mano a Mano. É a segunda vez que Lula participa do programa, que funciona em formato de mesacast –um bate papo entre o apresentador e o convidado.

A entrevista foi publicada no Spotify na madrugada desta quinta-feira (19).

Ao lado do rapper, um antigo aliado, o mandatário se sentiu mais confortável para falar sobre as ações do governo e reeleição. Evitou assuntos espinhosos, como os conflitos em curso no oriente médio.

Ainda no começo do episódio, o presidente admitiu que tem dificuldade para governar com minoria no Congresso Nacional. A fala dele se deu no contexto de uma pergunta da jornalista Semayat Oliveira, que citou críticas ao governo pela esquerda direcionadas às concessões políticas feitas pelo petista a partidos do centro.

“Para que as pessoas compreendam, eu elegi 70 deputados do meu partido. O Congresso Nacional tem 513 deputados. É só analisar para saber que preciso fazer composições políticas para governar o país, se não, não consigo”, respondeu Lula.

Em outro momento, o Lula defendeu a regulamentação das redes sociais, o que, segundo seu ponto de vista, é necessário para resguardar o processo democrático. “Se não regularmos, estamos vulneráveis”, afirmou.

Sobre eleição, disse que será candidato para vencer a disputa da direita, citando nominalmente nomes levantados como opções à ausência de Bolsonaro, inelegível até 2030. Entre os possíveis adversários, citou os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), pontuando que “podem procurar o candidato que quiserem, se eu for candidato é para ganhar as eleições”.

O governador do Paraná preparou um vídeo em tom presidenciável, de olho nas eleições de 2026, se apresentando como filho do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e enumerando feitos de sua gestão no estado.

A propaganda, elaborada pelo marqueteiro argentino Jorge Gerez, foi divulgada nesta quarta-feira (18). Nela, Ratinho Jr. contou trabalhar desde cedo com o pai e relatou ter entrado para a política porque “sempre via os mesmos sobrenomes, prometendo as mesmas coisas”

Durante a entrevista, Lula disse ainda que o povo brasileiro vai começar a sentir agora as mudanças operadas por seu governo. Prometeu lançar, até o fim do mês uma linha de crédito para reformas de casas e outra para aquisição de motos elétricas por entregadores de comida.

Uma terceira promessa —esta para até o fim do ano— é incluir o gás de cozinha na cesta básica, medida que, segundo diz, deve conceder o produto gratuitamente a aproximadamente 17 milhões de famílias.

Luis Eduardo de Sousa, Folhapress

Reeleito por milagre em 2026, Lula teria mínimas condições de governabilidade

Publicado em 18 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Nova cara do governo Lula - Paçoca com Cebola

Charge do Benett (Folha)

Marcus André Melo
Folha

Em um cenário de reeleição, as condições de governabilidade seriam críticas, e acentuariam as patologias atuais

As defecções no âmbito da coalizão de governo e a fragmentação da centro-direita e da direita radical, a pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, tem sido o foco das atenções. Para além dos fatores que levam às defecções —o declínio da popularidade presidencial e da avaliação de governo— há questões relativas à influência do controle massivo daquele campo político sobre o Congresso e no nível subnacional, e como esse controle impacta a eleição presidencial.

Os efeitos das eleições em um nível —presidencial— sobre os demais, e vice-versa, é tema clássico da ciência política (coattails effects, no jargão).

CORRELAÇÃO – No Brasil, a eleição de um prefeito impacta a subsequente eleição de deputados federais do mesmo partido no município em aumento da ordem de 30%, em estimativa de Avelino et al. Neste caso é um coattail inverso, discutido aqui.

O tamanho da representação legislativa sobre a eleição presidencial impacta a presidencial —embora o processo seja de mão dupla— através de vários canais. O principal e direto no país é através do financiamento partidário (que é proporcional às bancadas), cuja magnitude não tem paralelos em outros países, e pode ser canalizado para a eleição presidencial. O segundo é através do impacto indireto da própria campanha nos estados, afetando o sentimento do eleitor em contextos polarizados.

ASSIMETRIA CLARA – O efeito é maior entre eleitores sem lealdades partidárias ou personalistas. O controle massivo da centro-direita e direita radical sobre o Congresso impactará a eleição presidencial e é tema para investigações futuras.

A assimetria é clara. Além do PT deter apenas 13% das cadeiras do Congresso, não tem representantes nas bancadas de seis estados brasileiros, inclusive em um estado nordestino, Sergipe. Em nove estados, o partido tem apenas um representante.

Afora o Piauí —um outlier— estado pequeno onde detém 40% da bancada, o partido tem presença pouco significativa nas bancadas dos grandes estados como São Paulo (13, 9%), Rio de Janeiro (8,2%), Bahia (17%), Minas Gerais (18,5%).

PDT MURCHA – O segundo maior partido de esquerda —o PDT— viu sua bancada se reduzir a apenas 3,4% da Câmara em 2024.

A recém-criada federação União Brasil-PP contará com bancadas superiores, ou muito superiores, a 20%, em 19 estados. Em três destes terá maioria ampla, chegando a 75% no Acre. O PL conta com nove estados em que detém pelo menos 1/5 do eleitorado, e chega a 50% em Mato Grosso e quase 40% em Santa Catarina.

No plano municipal, o PT detém apenas 4,5% das prefeituras do país. Aumentou o número de prefeituras em 2024 (252) —menos que o dobro do PL, em relação à 2020, em proporção inferior aos demais partidos. Já não governava nenhuma capital em 2020, e passou a fazê-lo apenas em uma (Fortaleza).

CENTRÃO CRESCE – O grande vencedor das eleições foi o PSD (com mais de 800 prefeituras). Juntos, PSD, PL, MDB e União-PP governam quase 3.000 prefeituras. O efeito agregado sobre a composição futura da Câmara será expressivo em virtude do controle que exercem sobre emendas orçamentárias.

Paradoxalmente, neste cenário de reeleição, as condições de governabilidade seriam críticas no pós-2026, em que as patologias atuais provavelmente se acentuarão.


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é a atual política brasileira

Publicado em 18 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Charges para rir, chorar e pensar a política dos nossos dias – livro leve  solto

Charge do Glauco (Arquivo Google)

Bolívar Lamounier
Estadão

Faz tempo que a discussão sobre o ajuste orçamentário insipidou o noticiário brasiliense; desculpem-me, pois, os leitores se retorno a três outras coisas insípidas que me empenho em lhes expor a cada duas semanas.

O primeiro dos três é Lula, que não é propriamente um aborrecimento, mas uma preocupação que ainda aflige todos nós, brasileiros. O segundo é nosso desinteresse pela política, de modo geral, no qual chegamos a intuir algo de errado, mas carecemos de potência para sobrepujar nossa preguiça e o gozo de alguns prazeres que, bem ou mal, vez por outra nos é dado desfrutar. O terceiro, que na verdade é um resumo dos dois anteriores, é a certeza de que, mesmo se tivéssemos as qualidades que a situação requer, o esforço individual de cada um não faria grande diferença.

LULA DESCARTADO – Comecemos, pois, pelo começo, ou seja, por Lula. No ponto em que nos encontramos, a opinião pública parece dividida em duas partes: de um lado, a dos que temem que ele não se reeleja; e, do outro, a dos que até pensam em mudar de país caso ele saia vitorioso.

Com essa primeira questão, digo-lhes sinceramente: não estou convencido de que ele sequer se candidate e, caso o faça, não logrará a vitória.

Digo isso por várias razões. Não tanto pela idade avançada, que por ora não lhe parece tolher a saúde, mas porque, nessa altura, mesmo os grandes estadistas sentem que a memória de seus grandes feitos empalidece, ao mesmo tempo que as delícias da nona década se vão delineando com maior clareza.

MENOS AMOR – A essa cogitação há que acrescentar que Lula, mesmo modesto como é, percebe que já não é tão amado como foi outrora.

A inflexão que o levou a ser admirado no mundo inteiro vai aos poucos se invertendo, transformando-se numa curva assintótica. Por último, a lucidez não o abandonou.

Se o próprio governo admite que nosso país pode resvalar para uma crise dentro de dois anos, que cenário lhe virá à mente quando pensar naquela outra, verdadeiramente macabra, que muitos economistas consideram quase inexorável, 15 ou 20 anos a partir de hoje?

POLÍTICA REJEITADA – O segundo aborrecimento que prometi lhes trazer é a coceira que o simples vocábulo política nos causa. Essa é a sensação predominante entre os cerca de 8 bilhões de seres humanos que ora habitam a Terra. No Brasil, indagado sobre o que entende por política, a resposta mais provável será que nunca pensou e não pretende pensar no assunto.

Os mais “politizados” dirão que são as falcatruas que soem ocorrer cotidianamente em Brasília. E os congressistas? E os integrantes do “Centrão”? Sobre estes, meu hipotético cidadão com certeza dirá que poderá oferecer seu voto e algum outro penduricalho em troca de um emprego para um parente ou amigo ou de algum benefício em seu município.

Sobre a gritaria e os insultos que de tempos em tempos se ouvem nos plenários e comissões, ele admitirá que se trata de uma questão filosófica mais complexa, quem sabe algo que traz alojado no subconsciente desde o tempo das cavernas.

ESTUDO SÉRIO – Quem contra-argumentar que o estudo sério da política, refazendo todo o caminho de Aristóteles até (por que não?) alguns dos melhores brasileiros, pode ser uma experiência prazerosa e útil, quiçá exponha os ouvidos a uma sonora gargalhada.

O leitor por certo terá entendido que estou me referindo ao Brasil, mas poderia ser a qualquer país, até os Estados Unidos, aquele Dr. Jekyll que parece estar agora se transformando em Mr. Hyde. Sob Donald Trump, a outrora “democracia exemplar” (e nem era tanto) parece estar resvalando para uma caricatura de si mesma.

No terceiro ponto que me pareceu merecer atenção, devo admitir que meu hipotético cidadão tem boa dose de razão. Se a indagação que lhe fizemos diz respeito a uma coletividade de grande porte – a um país, mesmo dos menos populosos –, é certo, certíssimo, que a participação individual pode ser comparada a um grão de areia.

GRANDE E PEQUENO – Claro, nosso hipotético interlocutor será milhares ou milhões de vezes maior se for um daqueles 3% ou 4% que detêm metade da renda e da riqueza do País, mas, no Brasil, será meio grão de areia, se tanto, se ele for um dos 30% inteiramente destituídos da sorte, que não sabem hoje o que vão comer amanhã – este cidadão que mal se vê como membro de um país e tampouco compreende o que significa identificar-se com uma “nação” ou com uma “esfera pública”. Ora, se assim é, o leitor que chegou até aqui poderá objetar: para quê, então, dar-lhes atenção?

Aqui, precisamente, é onde podemos cogitar que algumas dúzias de grãos de areia podem se ver e ser vistas como uma fração considerável de uma grande praia; compreender ou não as realidades que esbocei no parágrafo anterior.

E, por conseguinte, dispor-se ou não a fazer ao menos um modesto esforço para levar a sério o vocábulo “política” equivale à diferença entre um cidadão e um marginal. Ou, dizendo-o de outro modo, equivale à diferença entre ter e não ter caráter. A merecer ou não merecer ser tido como parte de uma nação.


Prisão de coronel “em tese” é balde de água fria para Bolsonaro e outros réus


Alexandre de Moraes: quem é o ministro do STF? | InfoMoney

Moraes acaba de inventar mais uma — a prisão “em tese”

Bela Megale
O Globo

A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prender o coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro, investigado na trama golpista, foi um banho de água fria na estratégia de defesa do ex-presidente e dos demais réus.

Moraes ainda ordenou a abertura de um inquérito contra Câmara e seu advogado, Eduardo Kuntz, por obstrução de Justiça. O motivo são os contatos que o advogado manteve com o tenente-coronel Mauro Cid sobre a delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

DELAÇÃO MANTIDA – Para os advogados dos investigados, a ação do magistrado é um sinal de que pretende manter a validade da colaboração de Cid que foi questionada pelas defesas de Bolsonaro, do general Walter Braga Netto e até pelo próprio Kuntz.

Na peça que apresentou seus diálogos com o ex-ajudante de ordens ao STF, o defensor de Marcelo Câmara pediu a anulação do acordo de Cid, sob o argumento de que a tratativa não teria sido voluntária. Na conversa com Kuntz, o militar fez críticas à forma como sua delação foi conduzida pela Polícia Federal e pelo Supremo.

A defesa de Bolsonaro se utilizou da troca de mensagens entre Kuntz e Mauro Cid para fazer um novo pedido de anulação da colaboração do tenente-coronel, que já foi negado por Moraes.

“GABRIELAR702” – O primeiro advogado a abordar o tema foi Celso Vilardi, defensor de Bolsonaro que questionou Mauro Cid, em seu depoimento, na semana passada, se conhecia o perfil “GabrielaR702”. Foi essa conta, segundo Kuntz, usada pelo ex-ajudante de ordens para contatá-lo no início de 2024.

Na versão de Kuntz, ele só apresentou as mensagens agora ao STF, apesar de ter o conteúdo há mais de um ano, porque este seria o “momento oportuno” para a defesa de seu cliente, Marcelo Câmara.

O advogado estava convencido de que havia dado um xeque-mate no ministro Alexandre, até ser surpreendido pela decisão desta quarta-feira (18).

ALEGAÇÕES DE MORAES – Na peça, Moraes afirmou que “o réu (Câmara), por intermédio de seus advogados, tentou ‘a obtenção de elementos de informação complementares e destinados à construção de acervo probatório e instrutório’, consistindo, no caso concreto, na obtenção de informações sigilosas acerca do acordo de colaboração premiada do corréu Mauro César Barbosa Cid.”

O ministro ainda disse que a comunicação entre ambos “pode caracterizar, em tese, o delito de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Prender “em tese” um suspeito, sem flagrante delito, é mais um exagero de Moraes, que está pouco ligando para o que dizem as leis. Prender um suspeito “em tese” é rasgar a Constituição e os direitos individuais. Mas quem se interessa? (C.N.)


Acareação com Braga Netto é o pior momento para Cid, avaliam militares

Publicado em 19 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Delação de Mauro Cid pode ser anulada após indícios de mentira ao STF

Se Mauro Cid mentiu, a situação se complicará para ele

Jussara Soares
da CNN

A acareação do tenente-coronel Mauro Cid com o general Walter Braga Netto, marcada para próxima terça-feira (24), é considerada por militares e aliados o pior momento para o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) ao longo do processo que apura uma tentativa de golpe de Estado no país.

O tenente-coronel, que tem um acordo de colaboração premiada, ficará frente-a-frente com o general de quatro estrelas e ex-ministro da Defesa.

CARA A CARA – Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Braga Netto, preso em uma unidade do Exército no Rio de Janeiro, terá que ir pessoalmente a Brasília para a acareação. No interrogatório no início de junho, o general participou por videoconferência.

Agora, Cid terá de sustentar, diante de um superior hierárquico, o que disse na delação e repetiu no interrogatório: que Braga Netto era o elo entre Bolsonaro e movimentos golpistas e que recebeu do general dinheiro, em uma sacola de vinho, no Palácio do Alvorada.

A ideia, segundo Cid, era que o montante fosse entregue a militares que tramavam um plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Braga Netto nega a versão de Cid e diz que o ex-ajudante de ordens mente.

PRESSÃO EXTRA – A avaliação entre militares é que a “hierarquia e disciplina” do Exército possa exercer uma pressão extra em Mauro Cid, como também poderá ser usada por Braga Netto para desestabilizar o tenente-coronel durante o confronto de versões. Para integrantes da Força, aliás, é nisso que o ex-ministro aposta para desqualificar a delação.

O general conhece Cid desde criança, pela amizade com o pai do tenente-coronel, o também general Mauro Lourena Cid.

O ex-ministro da Defesa foi preso em dezembro de 2024 por tentativa de obstruir a investigação da trama golpista através de contato com familiares do delator.

PIOR MOMENTO – Para pessoas próximas, o confronto com Braga Netto é pior do que quando Cid, em março de 2024, teve de explicar ao STF o vazamento de um áudio em que criticava a investigação e saiu da audiência preso. O tenente-coronel passou mal na ocasião.

Aliados também avaliam que o momento será ainda mais tenso do que quando, em novembro de 2024, Cid depôs diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, para esclarecer omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal. Foi neste depoimento que o tenente-coronel mais implicou o general. Braga Netto foi preso dias depois.

Durante o interrogatório no início de junho, Mauro Cid, que era considerado um militar em ascensão na Força, prestou continência aos generais Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; e a Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército – também réus por tentativa de golpe. O clima, na ocasião, foi ameno. Com Braga Netto, a expectativa é de que não haverá espaço para cordialidades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vai ficando cada vez mais claro que Mauro Cid desde o início apoiava a conspiração. Depois que foram identificadas as contradições em seus depoimentos, o tenente-coronel se desesperou e passou a fazer acusações sem a menor base, só para agradar Moraes, como dizer que Alexandre Ramagem era um dos líderes. Como isso poderia ser verdade, nos meses finais de 2022, se desde abril daquele ano Ramagem estava morando no Rio, fazendo campanha como candidato a deputado? Como ele poderia integrar o núcleo 1, estando a mais de mil quilômetros de distância? É acusação que não se sustenta, pois não tem lógica. (C.N.)

Processo do golpe coloca em dúvida a credibilidade dos chefes militares


Reinaldo Azambuja recebe comandante do Exército Brasileiro – Agência de  Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul

Freire Gomes esqueceu muita coisa importante ao depor

João Rosa
da CNN

O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, decidiu participar presencialmente da acareação com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. A informação foi comunicada nesta quarta-feira (17), ao Supremo Tribunal Federal (STF), pela defesa do militar.

Na terça-feira (17), os advogados de Freire Gomes haviam solicitado ao ministro Alexandre de Moraes que o general fosse ouvido por videoconferência, alegando que o deslocamento de Fortaleza (CE), onde atualmente reside, até Brasília (DF), seria “excessivamente oneroso”.

VOLTOU ATRÁS – Entretanto, a defesa voltou atrás e pediu que o pedido anterior fosse desconsiderado. Em novo ofício, os advogados afirmaram que, “apesar de ser um ato oneroso”, Freire Gomes participará da acareação presencialmente.

“Informa-se que o General Freire Gomes irá participar presencialmente da acareação, em razão do profundo respeito do Ex-Comandante do Exército pelas instituições democráticas e de seu elevado senso de dever cívico”, afirmou a defesa.

A audiência está marcada para a próxima terça-feira (24), às 11h, na sala de audiências do STF. A acareação foi autorizada por Moraes após pedido da defesa de Torres, que apontou contradições entre os depoimentos do ex-ministro e do general.

CONTRADIÇÕES – Segundo os advogados de Torres, os relatos de Freire Gomes contêm “contradições relevantes” e divergem “frontalmente” em pontos considerados centrais para o inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Entre os principais pontos questionados está a declaração de Freire Gomes de que Torres teria participado de uma reunião com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e os comandantes das três Forças Armadas para tratar de temas com teor golpista.

A defesa de Torres sustenta que outros comandantes que prestaram depoimento à Polícia Federal não confirmaram a existência dessa reunião. Tanto Bolsonaro quanto o delator do caso, o tenente-coronel Mauro Cid, também negaram que Torres estivesse presente em qualquer encontro com esse objetivo.

LEMBRANÇA EXCLUSIVA – Os advogados alegam ainda que o general não soube indicar data, local, formato ou os demais participantes da suposta reunião, limitando-se a dizer que “lembra” da presença de Torres. Para a defesa, esse relato enfraquece a credibilidade do depoimento.

A acareação deve confrontar diretamente os dois depoentes sobre esses e outros pontos considerados contraditórios no processo.

Como réu no inquérito, Anderson Torres tem direito de permanecer em silêncio e não se compromete a dizer a verdade, diferentemente de Freire Gomes, que participa como testemunha e, portanto, é obrigado a falar a verdade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É triste constatar que esse inquérito do fim do mundo está bagunçando a credibilidade dos comandantes militares brasileiros. Freire Gomes, do Exército, é desmemoriado: esqueceu quem estava na estratégica reunião sobre a minuta do golpe e não lembra também que o general Estevam Theophilo fez-lhe uma visita à noite, para relatar o encontro com Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Dizem que ficou aborrecido porque Estevam aceitou ir sozinho e por isso agora se vinga, fazendo o general passar por mentiroso e correr o risco de ser condenado injustamente. As defesas de Torres e de Estevam deveria exigir que Freire Gomes faça exame de Parkinson e Alzheimer. Talvez esteja doente e até agora não percebeu. (C.N.)


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