quarta-feira, junho 18, 2025

Rei Posto, Rei Morto: Deri do Paloma e a Nova Realidade na Alvorada de Jeremoabo

A Alvorada do dia 15 deste mês, um dos momentos mais simbólicos dos festejos juninos de Jeremoabo, trouxe à tona uma cena emblemática que resume bem a mudança dos ventos políticos no município: o ex-prefeito Deri do Paloma, antes figura central dos eventos públicos, dançava no meio da multidão, no meio do povão, afastado dos palcos e holofotes que outrora dominava com desenvoltura e orgulho.

Durante sua gestão, Deri era presença certa nos camarotes privilegiados, nos palcos principais ao lado dos artistas, desfrutando das mordomias que o poder conferia. Era bajulado, aplaudido e tratado como celebridade local. Nos festejos juninos, em especial, transformava-se no “rei” da festa — dançava no palco, dividia microfone com cantores e aproveitava os flashes das câmeras. Era o tempo do prestígio, da autoridade e da visibilidade.

Mas o tempo mudou. Com o fim de seu mandato e a perda do comando político, vieram também as perdas simbólicas: o palanque foi trocado pela calçada, o microfone pelo anonimato e o camarote pela rua. Na Alvorada deste ano, Deri se misturava à multidão como qualquer cidadão comum — não por escolha, mas por falta de alternativa. O palco, agora, tem novo dono.

A cena, embora simples, carrega uma poderosa metáfora sobre a efemeridade do poder. O “rei” de outrora não tem mais onde sentar-se. A estrutura que outrora o elevava agora o deixa à margem, e a ausência de convites para subir ao palco mostra que as portas se fecharam para quem já foi o centro da festa.

A política, como bem se sabe, é feita de ciclos. E a sabedoria está em saber sair de cena com dignidade, entender que o tempo passa e que o respeito não se impõe com cargos, mas se conquista com atitudes. Para Deri, resta agora a reflexão — talvez sobre os atos cometidos no poder, os aliados perdidos e as escolhas que levaram à perda do prestígio.

Dançar no meio do povo pode até parecer um gesto de humildade, mas no caso de Deri, foi a única alternativa diante de um novo tempo em que ele não é mais o protagonista. Como diz o ditado popular: “Rei posto, rei morto.” E a festa continua — com novos rostos no palco e uma cidade que vai tocando sua sanfona política em outro tom.

Comissão Mista aprova relatório da MP do consignado privado

 Foto: Divulgação/Arquivo

Senador Rogério Carvalho (PT-SE)18 de junho de 2025 | 13:57

Comissão Mista aprova relatório da MP do consignado privado

brasil

A Comissão Mista do Congresso que analisa a medida provisória (MP) sobre crédito consignado aprovou nesta quarta-feira, 18, com mudanças, o relatório do senador Rogério Carvalho (PT-SE). O texto segue agora para análise da Câmara e precisa ser aprovado até 9 de julho no Congresso para seguir em vigor.

“Estamos, ainda que com cessão de crédito, dando a chance de muitos brasileiros terem de volta seu nome limpo. E há limite de endividamento, porque ninguém pode tomar crédito consignado além de 30% do salário”, declarou Carvalho após a votação.

A MP tem o objetivo de modernizar o marco legal do crédito consignado para trabalhadores regidos pela CLT, empregados domésticos, rurais e diretores não empregados com direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo o relatório, a medida provisória não terá impacto fiscal

Mudanças

Uma das alterações feitas pela comissão foi a inclusão de motoristas e entregadores por aplicativos no acesso a esse tipo de crédito.

O relator também acatou uma emenda para que serviços de proteção ao crédito tenham acesso a informações disponíveis no sistema. Um dos pontos da MP é o consentimento obrigatório para uso e compartilhamento de dados pessoais.

“Tem nos preocupado o superendividamento das famílias. Da forma como está hoje, o dado está fragmentado. É importante que as agências de crédito, como Serasa, tenham dados para orientar e alertar. Quanto mais dados houver, pode cair a taxa de juros”, disse o líder do União Brasil, Efraim Filho (PB).

A MP também cria um Comitê Gestor do Crédito Consignado, que será composto por representantes da Casa Civil e dos Ministérios do Trabalho e da Fazenda. O deputado Pauderney Avelino (União Brasil-AM) defendeu a fixação de um teto para juros cobrados e pediu a inclusão do Conselho Monetário Nacional (CMN) no Comitê Gestor do Crédito Consignado.

“Sabemos o que acontece na vida real de corretores batendo à porta de pessoas que não conhecem o sistema de juros”, declarou, durante a votação. O relator Rogério Carvalho afirmou que o colegiado será responsável por normas gerais e não pela fixação de juros.

A medida provisória foi publicada pelo governo em março. Segundo o Executivo, a MP pode triplicar o volume de crédito para trabalhadores do setor privado, de R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões. “Esse programa talvez seja o mais revolucionário no médio prazo. São 47 milhões de pessoas que hoje estão pagando mais de 5% ao mês de juros no crédito pessoal. Com essa garantia que vai ser oferecida, as taxas podem cair 50% ou mais”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a cerimônia de lançamento da MP.

Naomi Matsui, Estadão Conteúdo

Delação de Cid fica na mira de contestações de defesas; Moraes rejeita anulação

 Foto: Ton Molina/STF/Arquivo

O tenente-coronel Mauro Cid18 de junho de 2025 | 09:21

Delação de Cid fica na mira de contestações de defesas; Moraes rejeita anulação

brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira, 17, um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para anular o acordo de colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid. Moraes afirmou que o pedido é “impertinente”. Segundo ele, cabe ao relator da ação penal “indeferir os pedidos e as diligências consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias”.

Com base em reportagens da revista Veja, que divulgou diálogos atribuídos a Cid por meio de um perfil no Instagram em nome de “Gabriela” (@gabrielar702), defensores do ex-presidente alegaram que seu ex-ajudante de ordens quebrou o sigilo da própria delação.

O advogado Celso Vilardi chegou a questionar Cid sobre as conversas durante o interrogatório na ação do plano de golpe, no último dia 9, antes da divulgação dos diálogos. O tenente-coronel negou ter usado perfis nas redes sociais para se comunicar com aliados. Ao pedir a rescisão da delação, a defesa de Bolsonaro alegou que o ex-ajudante de ordens mentiu no depoimento.

A decisão de Moraes não fecha as portas para o STF analisar a validade da delação de Mauro Cid. O ministro considerou que esse não é o momento adequado do processo para isso. A tendência é que a Primeira Turma da Corte se debruce sobre a colaboração ao final do processo, após a etapa de produção de provas.

Moraes já havia determinado que a Meta compartilhasse informações sobre a conta supostamente usada por Cid no Instagram.

A situação do ex-ajudante de ordens se complicou com a divulgação completa das conversas pelo advogado Eduardo Kuntz, que alega ser o interlocutor do delator nos diálogos revelados pela Veja. O criminalista enviou anteontem ao Supremo a íntegra das conversas e áudios.

Procurada, a defesa de Mauro Cid afirmou que não analisou os diálogos e não confirmou a autenticidade das mensagens.

‘Estratégia’

Em entrevista ao Estadão, Kuntz disse que decidiu tornar as mensagens públicas por “estratégia”. O material foi encartado na ação penal contra o núcleo três – ou “núcleo de ações coercitivas” – do plano de golpe. Um dos réus no processo é o coronel Marcelo Câmara, cliente do advogado. “Os diálogos deixam claro que não houve voluntariedade e espontaneidade, requisitos essenciais para a licitude da colaboração”, afirmou o criminalista.

Nas conversas, o interlocutor apontado como Cid faz críticas a Moraes, ao delegado Fábio Shor – que conduz e conduziu investigações envolvendo Bolsonaro, incluindo o inquérito do golpe – e insinua que as informações prestadas em seu acordo de colaboração premiada estavam sendo distorcidas.

O objetivo seria, segundo ele, associar Bolsonaro e seus aliados ao plano de golpe. “Eles já têm o final da história. Agora têm que construir o caminho.”

O perfil atribuído a Cid também afirma que o delegado Fábio Shor “recebeu um objetivo” e só estava “preenchendo lacunas” e “criando narrativas”.

E escreve ainda que Moraes já devia ter a sentença do caso pronta. “Os advogados podem fazer a melhor das petições… Ele nem vai ler.”

O ex-ajudante de ordens, conforme Kuntz, confidencia ainda nos diálogos que todos os dias acordava às 5h “esperando a PF”. “O mais f… é sentir que eu estou ferrando todo mundo… Fruto de uma perseguição que eu não tive maldade que iria acontecer.”

Moraes analisou pedidos de diligências apresentados pelas defesas na ação penal sobre as lideranças do plano de golpe. Após os interrogatórios das testemunhas e réus, o processo entrou na etapa de produção de provas complementares, uma das últimas antes do julgamento.

Diligências

Tanto a acusação quanto as defesas podem solicitar novas investigações, perícias e acareações. Os pleitos são dirigidos ao relator, que pode acolhê-los ou rejeitá-los. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, dispensou a realização de novas diligências.

As defesas dos ex-ministros Walter Braga Netto e de Anderson Torres solicitaram acareações. A defesa de Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, pediu que o STF oficie a Força a prestar esclarecimentos sobre a “Operação Formosa”, de agosto de 2021. Na ocasião, blindados desfilaram na Esplanada dos Ministérios de forma concomitante à votação, no Congresso, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visava instituir o voto impresso.

A movimentação foi alvo de perguntas de Moraes a Garnier durante o interrogatório do almirante. O militar alegou que houve somente uma “coincidência” entre o desfile e a pauta dos congressistas.

Minuta golpista

Na decisão de ontem, o ministro do STF ainda determinou que a plataforma Google identifique quem colocou na internet uma cópia da minuta golpista que previa a anulação do resultado da eleição de 2022. Em seu interrogatório, Torres negou a autoria do documento e afirmou que uma versão da minuta já circulava na internet antes da apreensão do arquivo na casa dele, em janeiro de 2023.

Segundo os advogados, a perícia poderia demonstrar que o material encontrado com Torres não está relacionado com os demais esboços com medidas de exceção que ensejam a acusação.

‘O cara botou a palavra golpe (…) Quem perdeu tudo? Fui eu’

O tenente-coronel Mauro Cid teria se queixado em vários momentos de ter sido abandonado pelos bolsonaristas, segundo mensagens supostamente enviadas por ele por meio do perfil “@gabrielar702”, da rede social Instagram.

“O Braga Netto, quatro estrelas, chegou ao topo… reserva. General Heleno, chegou ao topo… reserva. Presidente, ganhou milhões aí em pix, chegou ao topo. Tudo bem, todo mundo no mesmo barco. E quem que se f…? Quem perdeu tudo? Fui eu”, afirmou o perfil atribuído a Cid.

“Quantos deputados vieram me visitar? Quantas vezes publicaram algo nas redes sociais para eu ser solto? Nikolas? Bia Kicis? Gayer? Zambelli?”

Mauro Cid foi retirado da lista de postulantes à promoção de coronel pelo Exército, em meio às investigações. Em uma das mensagens, o militar teria reclamado de ter perdido a carreira e a “vida financeira”.

Nos áudios enviados pelo criminalista Eduardo Kuntz, ele nega que Bolsonaro e seus aliados tenham articulado um plano de golpe “O cara botou a palavra golpe, cara. Eu não falei uma vez a palavra golpe. Foi furo, foi erro, foi, sei lá.” (COLABOROU JULIANO GALISI)

Rayssa Motta, Fausto Macedo e Hugo Henud/Estadão ConteúdoPoloticaLivre

Brasil lidera América Latina em milionários e é o país mais desigual do mundo; veja ranking

 Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

Brasil lidera América Latina em milionários e é o país mais desigual do mundo18 de junho de 2025 | 11:45

Brasil lidera América Latina em milionários e é o país mais desigual do mundo; veja ranking

economia

O Brasil é líder na América Latina em número de milionários, com 433 mil pessoas possuindo fortunas superiores a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões), mas segue como o país mais desigual do mundo. É o que mostra o relatório anual do banco UBS, especializado na gestão de patrimônio de alta renda, que analisa a dinâmica da riqueza em 56 países.

Globalmente, o país ocupa a 19ª posição no ranking de “milionários em dólares”, liderado pelos Estados Unidos, que contam com 23,8 milhões de milionários. A China vem em segundo lugar, com 6,3 milhões, seguida por França (2,8 milhões), Japão (2,7 milhões) e Alemanha (2,6 milhões).

De acordo com o levantamento divulgado nesta quarta-feira (18), em 2024, os EUA registraram um crescimento de 379 mil novos milionários —o que representa mais de mil pessoas por dia com fortuna acima do US$ 1 milhão. Os analistas do banco analisam que a estabilidade do dólar americano e o dinamismo dos mercados financeiros foram os principais contribuintes para esse crescimento. O país representa quase 40% dos milionários globais no ano passado.

O estudo do UBS também expõe uma das maiores transferências de riqueza intergeracionais e horizontais da história. A estimativa é que, nos próximos 20 a 25 anos, mais de US$ 83 trilhões (R$ 456,50 trilhões) serão movimentados globalmente. Desse montante, US$ 74 trilhões (R$ 407 trilhões) corresponderão a transferências verticais, ou seja, entre diferentes gerações, enquanto US$ 9 trilhões (R$ 48,50 trilhões) serão transferências horizontais, entre membros da mesma geração.

Nesse cenário, o Brasil se destaca como o segundo país com maior volume de fortuna a ser herdada, projetando cerca de US$ 9 trilhões. Embora bem atrás dos Estados Unidos, que lideram com mais de US$ 29 trilhões (R$ 159,50 trilhões), o Brasil supera a China, que prevê transferências de mais de US$ 5,6 trilhões (R$ 30,80 trilhões). Um dos fatores que impulsionam essa projeção para o Brasil é sua considerável população com mais de 75 anos.

RANKING DE MILIONÁRIOS
Estados Unidos
China
França:
Japão
Alemanha:
Reino Unido
Canadá
Austrália
Itália
Coreia do Sul
Holanda
Espanha
Suíça
Índia
Taiwan
Hong Kong
Bélgica
Suécia
Brasil
Rússia
México
Dinamarca
Noruega
Arábia Saudita
Cingapura

A Grande China —que o relatório definiu como a China continental, Hong Kong e Taiwan— liderou no ano passado em indivíduos com um patrimônio líquido de US$ 100 mil a US$ 1 milhão, representando 28,2%, seguida pela Europa Ocidental com 25,4% e América do Norte com 20,9%. No entanto, a maioria das pessoas em todo o mundo estava abaixo desse limite, com mais de 80% dos adultos da amostra do UBS tendo um patrimônio líquido inferior a US$ 100 mil.

No geral, cerca de 1,6% registraram patrimônio líquido de US$ 1 milhão ou mais, segundo o relatório. Nos próximos cinco anos, o banco suíço projeta que a riqueza média por adulto crescerá ainda mais, liderada pelos Estados Unidos e, em menor escala, pela Grande China.

BRASIL É O PAÍS MAIS DESIGUAL DO MUNDO
Apesar do crescimento no número de milionários e do volume de riqueza a ser transferida, no ranking da desigualdade, medido pelo Índice de Gini, o Brasil é apontado como o país mais desigual entre os 56 analisados. Ao lado da Rússia, com ambos registrando um índice de 0,82, o Brasil apresenta a maior concentração de renda no topo da pirâmide.

O Índice de Gini varia de 0 a 1, onde quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda em um pequeno grupo da população, indicando uma sociedade mais desigual. Para fins de comparação, economias como Alemanha (0,68), Suíça (0,67) e China (0,62) exibem menores níveis de desigualdade, enquanto nações como África do Sul (0,81) e Emirados Árabes Unidos (0,81) se aproximam do patamar brasileiro.

Paul Donovan, economista-chefe do UBS Global Wealth Management, afirma que “a forma como a riqueza é distribuída e transferida moldará as oportunidades, as políticas e o progresso”.

Segundo o UBS, o aumento global da riqueza familiar, que cresceu 4,6% em todo o mundo em 2024, e o crescimento do número de “milionários do dia a dia”, que quadruplicou desde 2000, são reflexos de um cenário econômico dinâmico, mas que, no caso brasileiro, se soma a uma estrutura de concentração de renda persistente e acentuada.

O Relatório Global de Riqueza fornece dados sobre a riqueza pessoal há 16 anos e se tornou o ponto de referência para aqueles interessados nas tendências que moldam a riqueza em todo o mundo. A edição mais recente analisa 56 mercados, os quais são estimados para representar mais de 92% da riqueza mundial.

RANKING DA DESIGUALDADE
Brasil
Rússia
África do Sul
Emirados Árabes Unidos
Arábia Saudita
Suécia
Estados Unidos
Índia
Turquia
México
Cingapura
Alemanha
Suíça
Israel
Holanda
Hong Kong
China
Portugal
Grécia
Taiwan
França
Reino Unido
Coreia do Sul
Polônia
Itália
Espanha
Austrália
Luxemburgo
Japão
Catar
Bélgica

Ana Paula Branco/Folhapress

Advogado de Mauro Cid está deixando que ele leve pancada de todo os lados


Advogado diz que Cid "assumiu tudo" e não responsabilizou Bolsonaro

Bitencourt não replicou as acusações a Mauro Cid

Roberto Nascimento

Não entendi a tática de defesa do advogado Cezar Bitencourt, manifestamente na retranca, permitindo graves acusações a seu cliente, o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens presidencial na gestão de Jair Bolsonaro.

O experiente advogado César Vilardi, considerado um dos melhores criminalistas do país, defende Bolsonaro e fez um cipoal de perguntas ao réu colaborador Mauro Cid e também combinou perguntas direcionadas a seu cliente Bolsonaro.

ESTRATÉGIA CORRETA – O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Braga Netto, usou a mesma estratégia e colocou Mauro Cid nas cordas com perguntas incômodas. Além disso, também combinou perguntas do tipo vôlei, para levantar a bola e deixar seu cliente Braga Netto cortar.

Perguntado pelo relator Alexandre de Moraes se queria fazer perguntas a seu cliente Cid, o advogado Cezar Bitencourt simplesmente declinou. Portanto, deixou de aproveitar a oportunidade de desconstruir a tática de ataque dos advogados de Bolsonaro e de Braga Neto.

Sabemos que os advogados não duelam entre si, a preocupação é com a defesa dos respectivos clientes. Entretanto, na oitiva dos seus clientes, se nas perguntas outros advogados ou o procurador forem contundentes, o advogado deve contra-atacar na defesa de seu cliente. Cezar Bitencourt, porém, preferiu o silêncio.

LEVANDO PANCADA – Resultado é que o tenente-coronel Mauro Cid está apanhando de todo lado. A mídia não fala em outra coisa, insinuando que o réu colaborador está mentindo e nas redes sociais bolsonaristas o assunto é top 10.

O relator Moraes, atendendo ao amplo direito de defesa, aceitou marcar acareação entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, assim como entre Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. As acareações foram marcadas para o dia 24 de junho, e ocorrerão no próprio STF.

Há muitas contradições nos depoimentos de Mauro Cid que podem provocar outras acareações. Alexandre Ramagem, por exemplo, foi denunciado como um dos principais organizadores do golpe, mas desde abril de 2022 ele não morava mais em Brasília, estava no Rio em campanha para a Câmara.

ESTÁ VIRALIZANDO – Essas lacunas na delação de Mauro Cid estão viralizando. Há o caso do general Estevam Theophilo, que estaria apoiando o golpe, porque atendeu a um convite de Bolsonaro para uma reunião no Palácio da Alvorada.

Ele tem quatro estrelas, era integrante do Alto Comando, que já tinha vetado o golpe. Quem pode imaginar o general indo a Palácio para desrespeitar o Alto Comando e colocar suas tropas à disposição, até porque ele não comandava diretamente nenhuma delas.

O assunto escalou, a ponto de Silas Malafaia entrar no jogo para financiar mais um ato com carro de som. Ao lado de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Sóstenes Cavalcante e Romeu Zema, o piedoso pastor vai pedir, em alto e bom som, a nulidade da delação premiada e a votação da anistia para Bolsonaro, embora esteja inelegível, com duas condenações no TSE.

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