quarta-feira, junho 28, 2023

Nos Estados Unidos, os eleitores são soberanos; no Brasil, porém, soberanos são os juízes

Publicado em 28 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Bier (Arquivo Google)

Demétrio Magnoli
O Globo

Denunciado pela retenção ilegal de documentos sigilosos, Donald Trump pode ser condenado à prisão. Mesmo nessa hipótese, não perderá o direito de concorrer à Presidência. Jair Bolsonaro, que enfrenta julgamento no TSE sob acusações de ataques ao sistema eleitoral e às instituições democráticas, poderá se tornar inelegível, mas não corre risco de prisão. Nos Estados Unidos, os eleitores são soberanos; no Brasil, soberanos são os juízes.

Um século atrás, em 1920, o líder socialista americano Eugene Debs, condenado por crime de sedição, concorreu à Presidência enquanto servia sentença numa penitenciária de Atlanta e recebeu 914 mil votos (3,4% do total).

JUSTIÇA E POLÍTICA – Os Estados Unidos separam os domínios da Justiça e da política: o primeiro compete aos tribunais; o segundo, aos eleitores. Nada, nem mesmo a cadeia, anula os direitos políticos, que emanam da cidadania.

No Brasil, cidadania é coisa secundária, incerta, precária. Daí que um tribunal especial, o TSE, tem a prerrogativa de decidir quem pode e quem não pode se candidatar a cargos eletivos. No fundo, os juízes operam com o poder de cassar a soberania popular. Os eleitores perdem o direito de votar nos candidatos de sua preferência.

A tutela judicial dos eleitores ocorre sistematicamente nas disputas para cargos parlamentares. Desde 2018, transformou-se em fator decisivo nas eleições presidenciais.

GRANDES E PEQUENOS – Quem ocupará o Planalto? Perguntem, antes, aos Grandes Eleitores (os juízes), que dirão em quem os pequenos eleitores (o povo) podem votar. Bolsonaro chegou à Presidência numa eleição marcada pelo veto judicial à participação de Lula.

Depois, como os juízes mudaram de ideia, Lula retornou ao Planalto. Tudo indica que, em 2026, disputará a reeleição em pleito sem a presença de Bolsonaro, graças à decisão soberana dos juízes.

O socialista Debs foi punido por conclamar à resistência contra o alistamento militar. Seus eleitores, porém, não foram punidos. Puderam exercer plenamente o direito de voto.

PUNIR OS ELEITORES – No Brasil, entretanto, prefere-se punir os eleitores — os de Lula, antes, e os de Bolsonaro, agora. Ao vetar candidaturas, sob o pretexto de punir indivíduos, os juízes cancelam direitos de vastas parcelas da sociedade. No fundo, é a democracia que vai para a cadeia.

A Lei Complementar nº 64, de 1990, elencou uma série de situações de inelegibilidade. Duas décadas depois, a Lei Complementar nº 135 (Lei da Ficha Limpa) adicionou dez outras situações capazes de barrar a candidatura de indivíduos condenados por um tribunal colegiado, mesmo em processos que admitem recurso. Voluntariamente, os políticos concederam aos juízes a tutela sobre os eleitores.

A prerrogativa judicial de configurar as disputas eleitorais, eliminando de antemão certos candidatos, conduz à politização do sistema de Justiça. Magistrados, em todas as instâncias, sabem que são Grandes Eleitores.

CONTAMINAÇÃO JURÍDICA – Suas preferências partidárias ou ideológicas tendem a contaminar suas decisões em processos cujos réus são políticos. Na ponta oposta, cria-se mais um forte incentivo para que os políticos articulem a indicação de amigos leais a vagas nos tribunais superiores.

Atrás da legislação sobre inelegibilidade esconde-se um intercâmbio tácito. Eis a barganha: em troca da concessão aos juízes do poder de tutela sobre os eleitores, os políticos esperam ser poupados de punições criminais.

As acusações contra Bolsonaro envolvem crimes gravíssimos, puníveis com a prisão. Contudo parecem escassas as possibilidades de que o ex-presidente conclua sua carreira política na cela de uma penitenciária. No fim, ao que tudo indica, apenas seus eleitores serão sentenciados.

PRINCÍPIOS DESPREZADOS – Num país viciado no jogo da polarização, princípios políticos perderam valor. A saga de Lula, impedido arbitrariamente de concorrer ao Planalto, nada ensinou ao Brasil — nem mesmo ao PT.

Se, anos atrás, a direita bolsonarista celebrou a inelegibilidade de Lula, hoje a esquerda lulista prepara-se para celebrar a inelegibilidade de Bolsonaro.

Nos dois lados, o que se comemora, de fato, é a cassação da soberania popular.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Belíssimo artigo. É preciso lutar contra as “decisões políticas” dos tribunais superiores, que procuram criar no Brasil uma ditadura jurídica, algo que “non ecziste”, como diria o saudoso Padre Quevedo(C.N.)

Emocionado, André Mendonça pede que Deus ilumine o TSE para julgar Bolsonaro com imparcialidade


Gilmar e Mendonça estavam em Lisboa quando condenaram Silveira - 24/04/2022  - Frederico Vasconcelos - Folha

Gilmar ficou impressionado com o fervor de Mendonça

Vicente Limongi Netto

Em Lisboa, foi participar da festiva excursão liderada por Gilmar Mendes, o fervoroso e terrivelmente evangélico André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, não conseguiu segurar a emoção, clamando aos deuses do amor e da justiça para que iluminem os corações cristãos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral para julgar com isenção e imparcialidade um imorrível e imbrochável cidadão de fino trato, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A candente manifestação de Mendonça, que não conseguiu evitar algumas lágrimas, sensibilizou e estimulou beatos e carolas bolsonaristas. Decidiram mandar abaixo-assinado com milhões de adesões ao Vaticano pedindo a canonização do Santo Messias Bolsonaro.

DESANCANDO O PL – Excelente, duro e irretocável o artigo do jornalista Severino Francisco (Correio Braziliense – Cidades – 27/06), repudiando enfaticamente, as farsantes, esmeradas e cretinas vestais grávidas do Partido Liberal (PL), que ingressaram no Conselho de Ética da Câmara Federal contra um grupo de deputadas, do PT e do PSol, que se insurgiu contra a aprovação do marco temporal de terras indígenas.

Para Severino Francisco, o medonho e nada republicano texto aprovado é “uma trapaça jurídica para surrupiar os indígenas”. O jornalista sustenta o artigo com algumas indagações. Cito duas delas: 

“Que autoridade moral tem o PL, partido que que se tornou reduto e abrigo de golpistas, para falar em quebra de decoro parlamentar? Que autoridade moral tem um partido que apoia os maiores farsantes e comediantes da cena política?”.


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Prefeitura suspende licitação que visava comprar R$ 224,2 mil em balões de festa

 

Foto: Reprodução / Achei Sudoeste

Foi suspensa, nesta segunda-feira (26), a licitação da prefeitura de Caetité que visava adquirir mais de 20 mil balões de festa por R$ 224,2 mil. O Pregão Eletrônico 059/2023 estava sendo preparado para contratar uma empresa especializada na prestação de serviços de organização, planejamento, promoção e execução de eventos para atender as necessidades do município pelo valor total de R$ 669.057,62.

 

As informações são do site Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias. A pregoeira oficial, Maria Eduardo Santana de Castros, suspendeu através do Diário Oficial a licitação. “Visando readequação do termo de referência, em face de inconsistências”, escreveu no aviso.

 

Ainda de acordo com o aviso, a suspensão tem duração indeterminada até o saneamento dos pontos. A reabertura do prazo será devidamente publicada no Diário Oficial do Município de Caetité.

Após afastamento de vereador por prática de rachadinha, suplente assume vaga em Itabuna

Quarta-Feira, 28/06/2023 - 09h20

Por Redação

Após afastamento de vereador por prática de rachadinha, suplente assume vaga em Itabuna
Foto: Reprodução / Políticos do Sul da Bahia

A Câmara de Vereadores de Itabuna, no Sul, deu posse nesta terça-feira (27) a Glaby Carvalho (PDT). Segundo o Políticos do Sul da Bahia, parceiro do Bahia Notícias, Glebão, como o edil é conhecido, entra na vaga como suplente de Wanderson Leone, o Dande Leone (PDT), que foi afastado do cargo após a operação Partilha, comandada pelo Ministério Público do Estado (MP-BA).

 

Dande Leone é acusado de prática de rachadinha, que consiste no desvio de salários de servidores em benefício do político para quem estão subordinados. Ainda segundo informações, Glebão chega ao Legislativo itabunense pela segunda vez. O agora vereador é ligado às causas ambiental e animal. 

Bolsonaro demonstra "preocupante descaso" com a democracia, diz relator

 

Bolsonaro demonstra "preocupante descaso" com a democracia, diz relator
Foto: Alejandro Zambrana / TSE

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Benedito Gonçalves, relator da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível pelos próximos oito anos, afirmou que o ex-mandatário demonstra “preocupante descaso” com a democracia. A declaração foi dada durante seu voto, na sessão desta terça-feira (27), conforme publicado pelo Metrópoles.

 

“Mais um significativo componente retórico explorado no âmbito da normatividade e coordenação é o uso da primeira pessoa do plural ao se referir às Forças Armadas. No ponto possivelmente de maior tensionamento do discurso, o primeiro investigado [Bolsonaro], em leitura distorcida de sua competência privativa para exercer o comando supremo das Forças Armadas, enxerga-se como militar em exercício à frente das tropas”, declarou o ministro.

 

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Segundo Gonçalves, as atitudes de Bolsonaro demonstram “um preocupante descaso em relação a uma conquista democratica de comensurável importância simbolica no pós-ditadura, que é a sujeição do poderio militar brasileiro a uma máxima autoridade civil democraticamente eleita”.

 

O julgamento foi retomado nesta terça-feira (27), pelo TSE. Caso nenhum dos ministros peça vista (mais tempo para analisar o processo), a previsão é que o julgamento termine na próxima quinta-feira.

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