Flávio defendeu cloroquina e criticou medidas contra Covid, antes de ser pró-vacina
Por Fábio Zanini e Gabriela Echenique/Folhapress
17/05/2026 às 08:20
Foto: Geraldo Magela/Arquivo/Agência Senado
Flávio Bolsonaro
Embora use seu comportamento na pandemia como prova de "moderação" com relação ao pai, Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu teses que contrariam a ciência e a opinião de especialistas durante a emergência sanitária, especialmente em seu início.
O pré-candidato tem se apresentado como o "Bolsonaro que toma vacina", e ele realmente fez campanha pelos imunizantes a partir do primeiro semestre de 2021, enquanto o então presidente mantinha a postura negacionista.
Antes disso, no entanto, o senador fez defesa enfática de medicamentos como cloroquina, sem eficácia comprovada, e foi um crítico do distanciamento social e do isolamento, ações defendidas por cientistas enquanto não se encontrava uma vacina.
"Estou curado da Covid-19, graças a Deus! Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina, com acompanhamento médico! Comigo, já são quase 3,3 milhões de brasileiros recuperados!", postou ele em setembro de 2020.
Em março de 2021, quando os primeiros imunizantes já eram distribuídos, o senador disse que "tratamento precoce e vacina são totalmente complementares", em resposta a um comentário do então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que fazia críticas aos medicamentos sem eficácia.
A exemplo do pai, Flávio também se opôs à orientação para que pessoas restringissem sua circulação pública, como forma de desacelerar o alastramento do vírus.
"Vamos sair do isolamento horizontal para o vertical, protegendo os mais vulneráveis e permitindo que pessoas voltem a trabalhar", escreveu, em 24 de março de 2020.
Defensores do chamado "isolamento vertical" pregavam que apenas grupos de risco, como idosos e pessoas com comorbidades, ficassem em casa.
No mesmo dia, Flávio parabenizou o pai por defender a circulação de pessoas, em um post com a hashtag #OBrasilNaoPodeParar.
"Mantendo-se o isolamento total das pessoas, a previsão é de chegarmos a 40 milhões de desempregados. Certamente muito mais pessoas morreriam. Parabéns, presidente Jair Bolsonaro, pela coragem de agir no agora e pensar no pós-crise. Isso que se espera de um estadista".
Um ano depois, em março de 2021, o senador compartilhou um vídeo em que comparava governadores a nazistas em um campo de concentração.
Para Flávio, o fato de os líderes de Executivos estaduais dividirem as atividades econômicas em essenciais (permitidas) e não essenciais (vetadas) equivaleria ao que faziam os nazistas quando decidiam quem viveria ou morreria em campos de concentração.
Naquele momento, Flávio começou a dar sinais mais fortes de que defendia a vacina, a partir de uma avaliação política de que a pandemia estava prejudicando a avaliação do governo.
Em março de 2021, ele fez uma parceria com o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) para elaborar um projeto de lei para facilitar a compra de vacinas pelo Brasil.
Em julho daquele ano, o senador se deixou fotografar sendo vacinado pelo então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, distanciando-se da atitude do pai.
Daquele momento em diante, a defesa da vacinação passou a ser frequente nas postagens do hoje pré-candidato.
Mesmo quando passou a defender a vacina, no entanto, Flavio distorceu fatos. Em 29 de setembro de 2021, postou que "todas as vacinas aplicadas no Brasil, sem exceção, foram adquiridas pelo governo Bolsonaro" –ignorando o pioneirismo do então governador de São Paulo, João Doria, que adquiriu as vacinas Coronavac, de origem chinesa, no início daquele ano.
A assessoria do senador foi procurada pelo Painel entre quarta-feira (13) e sexta-feira (15) para comentar as manifestações, mas não respondeu às perguntas enviadas.
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