/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/I/A/TLRly6RYar8uqVDAOOYg/whatsapp-image-2026-05-16-at-12.46.20-easy-resize.com.jpg)
Nas pesquisas, Ciro aparece com bom desempenho
Deu no O Globo
Mais de três décadas após deixar o governo do Ceará, Ciro Gomes volta a lançar sua pré-candidatura ao cargo pelo mesmo partido da década de 1990, o PSDB. O anúncio foi feito neste sábado em um evento na capital Fortaleza, em que o tucano também declarou convite ao ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, para ser o vice de sua chapa.
Nas pesquisas para a eleição do Ceará, Ciro aparece com bom desempenho. Conforme a última pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de abril, Ciro aparece à frente do atual governador Elmano de Freitas (PT), com 41% das intenções de voto em um eventual primeiro turno — contra 32% do petista. Em um segundo turno, a vantagem permanece: 48% contra 35%.
SIMULAÇÃO – O tucano, no entanto, aparece atrás do ex-governador petista Camilo Santana, por 40% a 33%, em uma simulação na qual o ex-ministro da Educação dispute o Palácio da Abolição novamente — possibilidade que vem sendo rechaçada publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses. No segundo turno, Camilo aparece com 44%, enquanto Ciro marca 39%.
O evento foi realizado num bairro da periferia de Fortaleza considerado reduto bolsonarista. O agora tucano disse que Capitão Wagner deve ser o nome ao Senado e que Pastor Alcides é o nome do PL.
Ciro deve disputar o governo estadual contra a chapa apoiada por seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Cid é aliado do governador Elmano de Freitas (PT) e articula a presença do PSB na chapa majoritária petista, enquanto Ciro ficará no PSDB.
CONSTRANGIMENTO – Em entrevista ao Globo, em fevereiro, Cid disse ser “muito constrangimento ter um irmão e não votar nele”. Apesar de negar a intenção de disputar o Senado novamente, ele é o nome favorito do ex-ministro Camilo Santana (PT) para compor a chapa na disputa pela Casa Legislativa.
Cid e Ciro estão afastados há cerca de três anos, quando discordaram sobre quem deveria ser o candidato do PDT no pleito estadual de 2022. O parlamentar defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu após Camilo deixar o cargo, à medida que Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
PALANQUE – O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha à Presidência, o que poderia ter resistências da então governadora em meio ao apoio a Lula. O PT, que defendia ter o palanque de Izolda, rompeu com o PDT após o escolhido ser Roberto Cláudio e lançou Elmano, que terminou eleito com 54,02% dos votos, contra 31,72% de Wagner e 14,14% do ex-prefeito de Fortaleza.
Um ano depois, em novembro de 2023, Cid saiu do PDT e migrou para o PSB junto a outros dois irmãos, isolando ainda mais Ciro. Junto com eles, debandaram cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais.
DESISTÊNCIA – Ciro Gomes disputou quatro eleições presidenciais, e anunciou no início da semana que não tentaria o cargo novamente. A eventual candidatura à Presidência seria uma forma de o PSDB ter um nome conhecido no jogo e impulsionar o número da legenda, que minguou ao ponto de ficar sem um governador sequer nos estados. Há quatro anos, os tucanos não tiveram um nome próprio na corrida presidencial pela primeira vez na Nova República.
— Recebi, hoje, telefonema do ex-governador Ciro Gomes informando, formalmente, a intenção de lançar oficialmente a sua pré-candidatura ao governo do Ceará no próximo final de semana — afirmou em nota o presidente nacional do partido, Aécio Neves. — O PSDB continuará debatendo alternativas para o Brasil nesse momento em que a polarização e o radicalismo vêm impedindo a apresentação de um projeto consistente de retomada do desenvolvimento econômico e social do país.
Último tucano a chegar ao segundo turno de uma eleição presidencial, feito alcançado em 2014, Aécio assumiu há poucos meses a direção nacional com o objetivo de fazer o PSDB retomar a vitalidade. Existe, antes de tudo, o desafio de sobreviver à cláusula de barreira — que impõe condições mínimas para que os partidos tenham acesso ao fundo partidário, por exemplo.