domingo, junho 11, 2023

Progresso, atraso, maledicência e força bruta numa pequena aldeia espanhola

Publicado em 11 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

As Bestas (2022) opinión: la mejor película española del año, un descomunal  Luis Zahera brilla en su reencuentro con Rodrigo Sorogoyen | Críticas  Espinof

Um filme sensacional sobre a vida na Espanha moderna

João Pereira Coutinho
Folha

Nunca perdoei ao grande Robert Benchley a célebre observação sobre os escombros do primeiro hotel Waldorf-Astoria, em Manhattan, demolido para dar lugar ao Empire State Building. “Se estas ruínas falassem, muito nos aborreceriam.”

Que horror, Bob! Primeiro, porque o Waldorf devia ser de arromba, olhando para a galeria de personagens que passaram pelo edifício na sua primeira encarnação. E, depois, porque Nova York nunca aborrece, embora o novo Waldorf, que conheço bem, aborreça um bocadinho.

NATUREZA ENFADONHA – O mesmo não posso dizer de cenários naturais, idílicos, intocados pela mão humana, que normalmente têm o condão de me enfadar de morte.

Aguento o campo durante um dia, talvez dois. Ao terceiro, olhando para a paisagem, faço minhas as palavras de Benchley e murmuro: “Se essas montanhas falassem, muito nos aborreceriam.”

Sou um homem de cidades. Não as idealizo. Conheço a solidão, a angústia, os mil vexames da vida urbana. Mas também conheço aquilo que só a cidade permite: o anonimato, a individualidade, o encanto do fortuito. E a possibilidade de nos reinventarmos uma vez, duas, dez, sem o olhar intrusivo da pequena comunidade.

ANSIOSO E OBSESSIVO – Não tenciono convencer ninguém; e admito até que a falha seja minha – ansioso e obsessivo por excelência, preciso de um cenário que esteja em sintonia com os meus humores.

Os amigos sabem disso. Aliás, conhecem-me tão bem que quando estreou em Portugal o filme “As Bestas”, de Rodrigo Sorogoyen, todos eles me convenceram a assistir.

Fui adiando, adiando —até que o filme aterrou cá em casa com a força luminosa de um estrondo. O cinema europeu está vivo. O cinema espanhol está vivíssimo.

ALDEIA EM EXTINÇÃO – Em “As Bestas”, estamos na Galícia, numa daquelas aldeias que se foram esvaziando de gente, de crianças, de jovens, de mulheres.

Só ficou uma dúzia de locais, a cultivar os seus ressentimentos no boteco imundo. Entre esses ressentimentos, está a presença de um casal francês, cansado da cidade e que escolheu aquela terra para viver, trabalhar o campo, vender os produtos orgânicos nas feiras da região.

Começa o assédio aos estrangeiros: conversas maldosas, piadas sem piada, grosseria e violência. Que fazem os franceses ali? Que insulto é aquele? Que soberba!

SOLIDÃO E POBREZA – Gradualmente, percebemos que a xenofobia é secundária. O ódio principal está no fato de Antoine (magistral Denis Ménochet) e Olga (idem Marina Foïs) se recusarem a vender as suas terras para que gigantescas turbinas eólicas sejam instaladas. E, sem a permissão do casal francês, nada feito: todos estão condenados a ficar na solidão e na pobreza.

Meus amigos têm razão: os nativos, no abuso e na bestialidade, personificam o pior das comunidades pequenas — a maledicência, o excesso de confiança, a imposição da força bruta.

Mas minha repulsa é empática: quando uma das bestas explica a Antoine por que motivo é tão importante que todos possam vender as terras para sair dali, seria injusto não reconhecer o que existe de desespero nessas palavras.

ÚLTIMA BARREIRA – “Quero uma vida como a tua!”, grita Xan (Luis Zahera), para quem a idealização campestre de Antoine é a barreira última para que essa vida aconteça.

O filme de Rodrigo Sorogoyen, que venceu todos os Goya principais (a mais importante premiação do cinema espanhol), é um objeto rugoso e selvagem sobre a relação dos homens com a natureza.

E, nessa relação, Xan e Antoine parecem habitar planetas distintos. O primeiro vê na terra, naquela terra, a configuração de um presídio, onde jazem todas as vidas que ele não teve nem terá. O segundo acredita que encontrou o paraíso, recusando abandoná-lo por um punhado de euros, mesmo que isso implique o naufrágio de toda vizinhança.

OBSTINAÇÃO DESTRUTIVA – Ambos se aproximam na mesma obstinação destrutiva, como se o compromisso fosse uma derrota imperdoável. Homens que são homens não vergam.

De fora desse vórtice, e vítimas dele, estão as raras mulheres da história. Olga, mulher de Antoine, peça central da racionalidade perdida; e a mãe de Xan, a quem Olga oferece, contra toda a probabilidade, um gesto de reconciliação e empatia.

Se você, leitor, está cansado do cinema infantil que enxameia nossas salas e procura um dos grandes filmes dos anos mais recentes, corra para ver “As Bestas”. Se não gostar, eu prometo passar uma semana inteira no campo.

Alain Touraine se preocupava com Brasil e temia crescimento da influência do PT

Publicado em 11 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Alain Touraine

Touraine, um dos maiores pensadores da esquerda liberal

Merval Pereira
O Globo

O sociólogo francês Alain Touraine, um dos grandes intelectuais públicos modernos, pensador de esquerda liberal morto aos 97 anos na sexta-feira, tinha interesse pela política da América Latina, em especial a do Chile, onde chegou a trabalhar em uma mina para escrever um clássico sobre o papel social dos mineradores, e do Brasil, que acompanhou de perto durante os 16 anos que duraram os governos Fernando Henrique Cardoso, de quem foi professor em Paris e amigo, e Lula, de quem se tornou próximo.

Durante cerca de dez anos tive contatos frequentes com ele, especialmente durante os seminários internacionais da Academia da Latinidade, organizados pelo também sociólogo e filósofo brasileiro Cândido Mendes de Almeida, seu amigo.

SENTIU O PERIGO – Touraine sempre entendeu que os períodos de FHC e de Lula são parte de um mesmo projeto, e que o Brasil, ao fim deles, teria encontrado uma maturidade como Nação, com um mercado interno forte e elementos de economia avançada.

Mas sentiu o perigo de um retrocesso com a chegada de Dilma Rousseff ao poder, e o consequente crescimento da influência do PT no governo. Considerava que o consenso entre as forças políticas sobre a necessidade de combinar políticas realistas na economia e preocupação com a melhoria social prevaleceu nesse período, permitindo a continuidade dos avanços.

Depois de Lula ter dado ao povo a sensação de que estava realmente no poder, depois de um governo tão popular, há que se tratar de outros problemas, advertia Touraine, que defendia que era preciso retomar o projeto exitoso de reorganização do país, que avançou com Fernando Henrique e sofreu um retrocesso com o clientelismo e o empreguismo para “os companheiros” do PT.

PT ERA UM PERIGO – Sobretudo, Touraine achava que seria importante retomar um projeto de institucionalização da democracia no país, reforçar a organização do estado, que ele considerava que fora relegada a segundo plano por Lula.

Com Lula fora do governo, é um perigo o PT voltar a ter poder, comentava ele quando da eleição de Dilma Rousseff. Touraine previa o perigo de um retrocesso, lembrando que o Brasil tem um longo passado de populismo e a ameaça persiste devido ao nível de desigualdade social extremamente elevado.

Na visão de Touraine, o sentido de continuidade das políticas públicas marcou os últimos anos dos dois governos, mas o próximo teria que fazer reformas de estruturas nas grandes cidades, sobre o transporte, habitação, medidas que Touraine já cobrava do governo Lula.

FASE MODERADA – Ele chamava o período dos dois governos de “social-democrata moderada”, em que Fernando Henrique e Lula usaram o conjunto de forças de centro-direita para organizar um sistema político que funcionava muito bem àquela altura.

Para Alain Touraine, em entrevista, a prisão e a inelegibilidade de Lula significaram que “as forças do país estavam exaustas com o populismo que teve a vantagem de incluir 20 milhões de pessoas”.

Touraine considerava Bolsonaro um fenômeno, mas sem nenhuma força política, nenhum programa de governo. Mas não tinha dúvidas de que ele se preparava para dar um autogolpe. Em entrevista, classificou Bolsonaro como “um ‘evangélico’, antipopular, fundamentalmente da classe média, que tem medo das classes populares”.

VOLTA DOS MILITARES – Alain Touraine pressentia que a base política e econômica da classe média brasileira não concordava com essa redistribuição massiva, e previa que a volta dos militares estava incluída nos planos do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, sempre insinuando que, se não conseguisse governar à sua maneira, chamaria os militares.

O filosofo francês, nos últimos anos, preocupava-se com a política de cancelamento nos meios sociais, afirmando que “democracia é a rejeição de todas as formas de barreiras e categorias que não têm outra função senão separar a comunicação, sem a qual a modernidade e a construção do sujeito não são possíveis”.


Diante das dificuldades, sempre há uma saída, a saida encontrada irá depender de Antonio Manoel.



Agora à noite entrei em contato com Tista de Deda, o mesmo informou que para o bem de Jeremoabo abre mão de sua candidatura como cabeça de chapa  cedendo para Antonio Manoel, só depende do ilustre filho de Jeremoabo querer submeter-se a mais esse sacrifício para engrandecer o seu curriculum.

Para aqueles que enxergam Jeremoabo já chegou no final do túnel, irá piorar ainda se bloquerem os recursos que chega para o município.

"O ser humano vive de esperança. Nos dias atuais ela está mais em evidência do que nunca. Pedir para que ela seja a última a morrer não basta. É preciso cultivá-la dentro de cada um para que sua semente possa estar sempre germinando nos mais diversos corações. Procuramos uma luz no fim do túnel, mas esquecemos de iluminar este mesmo túnel escuro pelo qual passamos. Na busca de um ideal, esquecemos do trivial. Preocupados com o destino, esquecemos de desfrutar o caminho e fazemos de grande parte de nossa vida uma escada que nos leva a algo, sem notar que essa própria escada já é parte desse algo que desvalorizamos inconscientemente."

Quando se trata de tomar decisões políticas, como a escolha de um candidato, é importante considerar vários fatores, incluindo a capacidade e o histórico da pessoa em questão. Tista de Deda e o povo de Jeremoabo acredita que Antônio Manoel é um empresário visionário que contribuiu significativamente para o desenvolvimento de Jeremoabo, pode ser considerado uma opção viável para ser apresentado como candidato único.

No entanto, é importante lembrar que o processo de seleção de candidatos envolve uma série de considerações, como a opinião de outros membros do partido, a avaliação do perfil do candidato em relação às necessidades da comunidade, o apoio popular e outros fatores políticos relevantes. O prefeito Tista de Deda pode buscar apoio de lideranças e membros de seu partido para apresentar Antônio Manuel como candidato caso o mesmo aceite, destacando seu o potencial de contribuição para o município.

Além disso, é importante lembrar que a democracia envolve um processo de seleção através do voto da população. Portanto, mesmo que o prefeito apoie um determinado candidato, a decisão final será tomada pelos candidatos de Jeremoabo. É fundamental que o processo eleitoral seja controlado de maneira justa e transparente, garantindo a participação de todos os cidadãos e respeitando as regras protegidas.

"túnel que percorremos está mal iluminado por nossas próprias escolhas. Não basta atravessarmos os anos tentando encontrar uma luz que depende unicamente de nossas decisões diárias. A luz não precisa ser alcançada no fim de uma jornada. Ela pode nos acompanhar em cada passo que dermos. Seja em momentos bons ou ruins, a esperança sempre existe para quem ao invés de esperar que ela viva eternamente, a renova a cada dia com o melhor de si para o mundo".

, Diante das dificuldades, sempre há uma saída, a saida encontrada irá depender de Antonio Manoel.



Em honra ao mérito Antonio Manoel, para ajudar a retirar Jeremoabo do fundo do poço, poderia fazer um sacrifício de aceitar ser vice para tirar a administração municipal da UTI.

 A matéria de Bob Charles intitulada "time em campo e no ataque". está dando o que falar, recebi várias mensagens e comentários cada um dando a sua opinião.

Não falei com Tista de Déda a respeito desse assunto, Tista é um polítco experiente, é conhecedor do jogo sujo imposto nas eleições passadas, principalmente do uso da máquna pública e do estelionato eleitoral, é conhecedor do  buraco ético e moral que Jeremoabo está metido, é sabedor que o atual prefeito irá partir para o tudo ou nada devido a conta da justiça que já começou a chegar, por isso mesmo está ciente que não pode errar.

 Idalégio é um bom candidato, igual a ele o grupo de Tista tem muitos, porém o momento não é para amador, Tista tem que enfentar o dinheiro público e a corrupção com um vice que tenha reduto; o jogo e desigual.

Idalécio tem cultura, poderá ser uma boa indicação para o futuro, porém para o momento no meu entender ainda é amador.

Entendendo que está muito cedo para apresentar um candidato a vice-prefeito, já que pode ser considerado precipitado. Nos processos políticos, é comum que as candidaturas a vice-prefeito se anunciem mais tarde, quando as eleições estão mais próximas e os partidos e candidatos definiram suas estratégias.

É importante levar a cabo um processo rigoroso de seleção e avaliação dos candidatos a vice-prefeito, tendo em conta suas qualidades, experiência e compromisso com a comunidade. Também é fundamental que os partidos políticos e os candidatos trabalhem em equipe para garantir uma boa compatibilidade e uma visão compartilhada.

Recomenda-se seguir de perto o panorama político local e estar atento aos anúncios oficiais dos partidos e candidatos nos meses anteriores às eleições. A medida que se chega ao momento adequado, seguramente se apresentarão candidatos a vice-prefeito e poderão avaliar suas propostas e trajetórias para tomar uma decisão decisiva.




Time em Campo, e no ataque!

Paulo Afonso - Bahia 11/06/202


Luiz Brito DRT BA 3.913

http://www.bobcharles.com.br/internas/read/?id=22364


Divulgação

A um 1 ano e meio da eleição municipal, a situação da oposição em Jeremoabo é de ataque e  contando com a força  da Câmara Municipal onde detém a presidência com Kaká de Sonso e naturalmente a maioria dos vereadores, São várias as denúncias que o grupo oposicionista tem feito e levado a justiça. 

O time já está em compo e com a chapa praticamente definida,  os 7 vereadores da bancada já teriam manifestado apoio ao Procurador da Câmara o advogado Dalécio Lima, para compor a chapa  juntamente com Tista ou Anabel nas eleições de 2024.

O Jovem advogado tem se destacado e ultimamente tem ido as rádios de rádio  apresentar denúncias contra a administração do prefeito Deri do Paloma (PP), além disso, também tem ajudado os vereadores, disse ao site  um vereador. Dalecio tem o apoio amplo dos vereadores  e de todo grupo para ser nosso vice em 2024. Delécio é afilhado de Tista e tem a confiança do padrinho.

O time da situação continua  indefinido com o trio, Jairo do Sertão, Fábio da Farmácia e Matheus, daí sairá a chapa


Nota da redação deste Blog  - Jeremoabo não suporta mais ser comandado por gestores aculturados nem tão pouco analfabetos políticos, que ao ser eleitos poxam as tetas da víva até a última gotas, e para enganar o povo contrata bandas por preços exorbitantes pahas com o dinheiro do funcionalismo, do peculato contar o INSS, do dnheiro da saúde, da educaçao e do próprio povo.

"O analfabetismo político viceja onde falta consciência política – e consciência política é a relação vital que se estabelece entre mim e meu próximo. O analfabetismo político é o desinteresse manifestado pelos cidadãos para o rumo que a classe dirigente empurra a sociedade. Esse desinteresse se dá por ignorância ou por arrogância ou, pior ainda, por uma mescla de ignorância com arrogância. Nada pior para um país do que indivíduos que desdenham da política governados por políticos que desdenham dos indivíduos – este é o espaço privilegiado para a expansão da mentalidade fascista.
                                           (...)
A omissão do Estado no desempenho de suas atribuições mais básicas, proporcionar aos cidadãos sistemas de saúde, educação, transporte e segurança para que ele sobreviva dignamente, leva ao desencanto em relação ao exercício da política. Aliados à incompetência, a corrupção e o cinismo nos afastam mais e mais do sentimento de pertencermos a uma mesma comunidade e de partilharmos interesses comuns. Pouco a pouco, instala-se o ressentimento e a intransigência: “o povo está calado, mas com raiva”, como adverte o Adolf Hitler do filme Ele está de volta."(El Pais)


A inteligência artificial é certamente uma tecnologia emergente que está transformando diversos setores, incluindo governos e administrações municipais. Embora possa trazer benefícios e eficiência em algumas áreas, é importante considerar que a inteligência artificial não pode substituir completamente a necessidade de liderança human

Além disso, é importante garantir que o uso da inteligência artificial seja transparente, ético e responsável. É necessário considerar os impactos sociais, políticos e econômicos das decisões tomadas com base em algoritmos e garantir que haja mecanismos de prestação de contas e participação pública no processo de tomada de decisão.

Portanto, enquanto a inteligência artificial pode trazer avanços significativos para a administração municipal, é fundamental encontrar um equilíbrio adequado entre o uso de tecnologia e a liderança humana, garantindo que os valores e necessidades da comunidade sejam adequadamente representados e atendidos.

O povo menos cego de Jeremoabo está sentindo na pele o que é ser governado por um conluio improbo e incompetente, como diz o vereador o vereador da opisição Neguinho de Lié, por uma quadrilha, por uma organização criminosa.

Em Jeremoabo por enquanto só está pipocanda as ilicitudes praticadas pelo Imperador, logo mais irá explodir as benesesses que agarciam os amigos do rei !!!


Qualquer semelhança com Jeremoabo é mera concidência, apenas que em Jeremoabo o prefeito irá bancar com  dinheiro do povo um São João pagando as bandas um valor exorbitante.

Qualquer semehança com Jeremoabo é mera coincidência, muito embora o dinheiro da educação o gato esteja comendo.

 

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Qualquer semehança com Jeremoabo é mera coincidência.
Acontece que o dinheiro da educação segundo os vereadores da oposição está sendo superfaturado e desaparecendo sem que os serviçso estejam sendo efetuados.
O combate à corrupção e a promoção da transparência são fundamentais para garantir uma gestão adequada dos recursos públicos, especialmente na área da educação, que é essencial para o desenvolvimento da sociedade.

Deputado que admitiu financiar acampamento em quartéis pede ao STF para não ser preso




Deputado estadual de Goiás Amauri Ribeiro (União Brasil)

Goiano Amauri Ribeiro alega que fala na tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás foi divulgada fora de contexto

Por Thayana Araújo e Samantha Klein

O deputado estadual Amauri Ribeiro (União-GO) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que a corte rejeite um eventual pedido de prisão.

O documento foi encaminhado na noite de sexta-feira (9) diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação dos atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília.

A manifestação ocorreu depois que o jornal O Globo publicou que a Polícia Federal encaminharia pedido de prisão do parlamentar depois de discurso feito por Ribeiro fez na tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

O parlamentar disse que deveria estar preso por ajudar e financiar os acampamentos montados em frente a quartéis do Exército após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo a defesa do deputado, a manifestação foi “completamente tirada de contexto. Os advogados destacaram um trecho da fala em que o parlamentar diz que as pessoas acampadas em Goiânia não eram bandidos.

E ressaltaram que a Constituição de Goiás determina que deputados só podem ser presos “em flagrante de crime inafiançável”, que precisaria ser aprovado pela Alego em 24 horas.

Em sua fala, o parlamentar comparou sua situação à do coronel Benito Franco, da Polícia Militar de Goiás, preso em 18 de abril durante a Operação Lesa Pátria da Polícia Federal (PF), que investiga os atos criminosos do dia 8 de janeiro.

O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, disse à CNN que vai submeter à Executiva nacional do partido a situação do deputado estadual por Goiás, Amauri Ribeiro, que afirmou ter ajudado a financiar os acampamentos em quartéis. “Levaremos à Executiva para reprimi-lo”, disse.

CNN

Financiar políticas ou pagar políticos?



Livro afirma que o presidencialismo de coalizão brasileiro praticamente inviabiliza reformas

Por João Gabriel de Lima* 

Numa cena clássica da série The Newsroom, o âncora de TV Will McAvoy resume os Estados Unidos em números. “Somos líderes apenas em três categorias: presidiários per capita, gastos militares e porcentagem da população que acredita em anjos”, diz McAvoy em debate numa universidade. O tom provocativo assusta a aluna que havia perguntado de forma singela: “Por que somos o melhor país do mundo?”

E se McAvoy, personagem inesquecível interpretado por Jeff Daniels, fosse instado a falar do Brasil? Poderia responder: “É o quinto país do mundo em superfície e o oitavo em população, mas não está entre as dez maiores economias do mundo. Na América do Sul representa a metade de tudo: superfície, população e economia. Destaca-se por sua maravilhosa cultura e estatísticas ruins: apenas 1% do comércio internacional e 15% dos homicídios globais”.

Esses dados estão num dos verbetes sobre o Brasil incluídos no Dicionário Arbitrário de Política, de Andrés Malamud, um dos principais cientistas políticos argentinos. Ele é presença constante na mídia de seu país pelo poder de síntese, clareza de pensamento e humor afiado – qualidades que transporta para o livro, recém-lançado na Argentina e que pode ser comprado pela internet.

No livro, Malamud diz que o presidencialismo de coalizão brasileiro não impede que o País seja governável, mas praticamente inviabiliza reformas. “Brasil, Argentina, México e EUA são federações de Estados com sistema presidencialista, mas só o Brasil combina isso com uma alta fragmentação partidária, o que exige do presidente poder de negociação de primeiro-ministro europeu”, disse Malamud em entrevista ao minipodcast da semana. No livro, ele resume nosso dilema numa frase: o orçamento brasileiro é usado mais para pagar políticos do que para financiar políticas.

Os insights sobre o Brasil, factuais como a fala de McAvoy, nos fazem pensar que poderíamos estar falando sobre modelos de desenvolvimento, papel do Brasil no mundo e em como tornar o País mais “reformável”. Em vez disso, discutimos bobagens como o risco de Lula transformar o Brasil numa “nação comunista”.

Novamente Malamud vem em nosso socorro – com fatos. “Nem com Lula nem com Dilma o Brasil constituiu governos de esquerda: tratava-se de um partido de esquerda liderando governos de fragmentos”, diz num verbete. Em outro, define comunismo: “Sistema de ideias e governo que desconfia do indivíduo. Sua implementação produziu milhares de mortos. Insulto favorito de fascistas e ignorantes”.

O debate público brasileiro tem muito a ganhar se superar a ignorância e abraçar os fatos.

*Escritor, pesquisador do Observatório da Qualidade da Democracia na Universidade de Lisboa e professor da Faap

O Estado de São Paulo

Maiorias compradas




Enquanto Haddad tenta convencer Congresso e sociedade a eliminar incentivos, o governo cria mais um para a velha indústria automobilística

Por Carlos Alberto Sardenberg (foto)

Um governo de coalizão funciona bem se atendidas duas condições.

Primeira: o governo precisa de um núcleo duro no Congresso, formado por um, dois, três partidos, não importa, mas que tenham uma identidade programática. Ok, identidade programática é demais. Mas algum programa comum em torno de temas nacionais é indispensável. Por exemplo: razoável entendimento sobre reforma tributária, controle das contas públicas, meio ambiente, exploração de petróleo, para citar os temas mais quentes no momento.

Esse núcleo partidário governista não precisa ter a maioria no Congresso. Mas, segunda condição, deve ser forte o suficiente para atrair outros partidos e formar maiorias, ainda que caso a caso. A maioria para votar uma reforma tributária não será a mesma para definir um programa de meio ambiente.

Partindo desses parâmetros, o governo Lula está bem perdido. Primeiro, porque não tem esse núcleo duro, nem no grupo de partidos que supostamente estão no governo, nem no próprio PT. Há divergências importantes em questões essenciais.

A Petrobras, controlada pelo PT, quer porque quer explorar o petróleo da Margem Equatorial, área do litoral que vai do Amapá até o Rio Grande do Norte, onde se estima haver uma fortuna de 15 bilhões de barris, um novo pré-sal.

O Ibama, controlado pela ministra Marina Silva, da Rede, aliada do PT, negou licença para a exploração inicial de um poço no litoral do Amapá. A Petrobras pediu reconsideração e manifestou confiança na obtenção da licença não em tempo curto, mas também não infinito. Resposta do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho: o pedido da petrolífera vai para o fim da fila. Está alinhado com Marina, que, a julgar pelo que tem dito, considera simplesmente inaceitável a exploração do óleo ao largo da foz do Amazonas.

Desconfia-se que o presidente Lula, ao contrário, mostra olho gordo para os novos dólares do petróleo, que podem abarrotar cofres públicos e abrir espaço a investimentos na indústria de navios, sondas e até refinarias — algo que marcou seu primeiro governo.

Houve enormes fracassos nessa política — as refinarias do Rio e de Pernambuco ficaram muito mais caras e nem estão concluídas, as do Ceará e Maranhão foram simplesmente canceladas, por inviáveis, depois de muito gasto em projeto e terraplenagem. Mas essa não é a interpretação de Lula. Ele acha que a política foi sabotada e já cansou de dizer que sonha em refazer a indústria petrolífera ampla. Para isso, o óleo da Margem Equatorial é essencial.

Ao mesmo tempo, Lula tem de mostrar ao mundo credenciais ambientalistas e está empenhado nisso. Pensando bem, tem um jeito de conciliar isso tudo. Muitos países compromissados com políticas ambientais continuam explorando e usando petróleo, como a Noruega. Mas usam o dinheiro para subsidiar programas de novas energias sustentáveis e carbono zero. Exemplo: subsidiar a troca de veículos a combustão (carros, ônibus, caminhões) por elétricos. Ou ainda: subsidiar transporte público sustentável.

Ora, na sua desorientação, o governo Lula lança um programa de subsídio a veículos a gasolina, etanol e diesel. Ficamos assim: num momento em que o ministro Fernando Haddad tenta convencer o Congresso e a sociedade a eliminar incentivos e renúncias tributárias, o governo cria mais um incentivo para a velha indústria automobilística.

Não é coisa pequena. Neste momento, o Congresso se prepara para votar a reforma tributária — e um dos temas mais sensíveis é justamente definir que setores e empresas terão regimes especiais.

Já sabemos, nesse caso, o discurso do governo. O programa está trocando veículos velhos por novos, menos poluentes. Mas a combustão. Nem uma palavra, nem um programa para os elétricos? (A propósito, Elon Musk andou procurando país para uma nova fábrica da Tesla. Não entrou nos radares de Brasília.) Também disseram que o programa apoia a indústria nacional. Mas o subsídio vale para carros importados da Argentina e do México.

Não estranha que, assim, a formação de maiorias no Congresso se dê pela pior maneira: venda de cargos e de emendas.

O Globo

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