quinta-feira, outubro 20, 2022

Práticas secretas: incentivo à corrupção


Maria Tereza Aina Sadek*

05 de outubro de 2022 | 05h00


A revista britânica The Economist publica, desde 2006, o ranking Índice Democracia Global. No último levantamento, relativo ao ano de 2021, o Brasil foi classificado como democracia imperfeita, ocupando a 47ª posição em uma lista que engloba 167 países. Cinco categorias agrupam os 60 critérios adotados – processo eleitoral e pluralismo, liberdades civis, funcionamento do governo, participação política e cultura política. Os resultados obtidos permitem distinguir democracias plenas, democracias imperfeitas, regimes híbridos e regimes autoritários.


Em 2021, Brasil apresentou retrocesso em relação ao ano anterior, com uma média final de 7,65 pontos. A pior nota conferida ao país foi relativa ao critério funcionamento do governo (5,36) e a melhor ao processo eleitoral (9,58). Certamente, o Orçamento Secreto contribuiu para a avaliação mais baixa. Esse sistema, criado em 2020, resultou de um acordo entre o Executivo e o Congresso Nacional, capturando o governo, os recursos públicos e as prioridades estabelecidas em políticas públicas.


A negociação que terminou com a aprovação do Orçamento Secreto, garantiu base de apoio ao Executivo no Congresso, permitiu que uma parte significativa das verbas federais passasse a ser administrada por deputados e senadores. Trata-se de mudança radical, possibilitando que o dinheiro público seja usado, sem a necessidade de tornar público e transparente como as verbas foram disponibilizadas e aplicadas.


Anteriormente, grande parte dos recursos controlados pelo Congresso era disponibilizada por meio de emendas individuais, distribuídas de forma igual entre os parlamentares e com transparência sobre como cada deputado ou senador aplicou o recurso e para qual a finalidade.


A partir de 2020, contudo, além das emendas parlamentares individuais, de comissão e de bancada, deputados e senadores, por meio de emendas de relator, tornaram-se depositários de verbas extraordinárias, que podem ser utilizadas com discricionariedade. Tais emendas não obedecem a critérios técnicos, de transparência, e tampouco de equidade ou proporcionalidade. Ao contrário, resultam de critérios estritamente político-eleitorais, isto é, favorecem os que apoiam o governo, incentivando negociatas e a corrupção.


Os estímulos a irregularidades não tardaram a aparecer. Verbas do orçamento secreto foram usadas em propagandas eleitorais; para a compra de tratores e equipamentos agrícolas para redutos eleitorais por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo; para a compra e a distribuição de caminhões de lixo compactadores, com preços inflados, para cidades com número reduzido de habitantes; para a compra de ônibus escolares com preços superfaturados; para a distribuição de ambulâncias de forma desproporcional ao tamanho da população do município e da Unidade da Federação (denúncia feita pelo jornal O Estado de S.Paulo).


Em todos os casos, os políticos beneficiados são da base do governo e não houve controle sobre a aplicação do recurso. Os indícios de ilegalidades se multiplicam, mostrando que a falta de transparência e de prestação de contas incentivam fortemente irregularidades. No orçamento aprovado para o próximo ano, essas verbas cresceram, indicando que as bases da governabilidade se assentam em acordos espúrios e não em questões programáticas.


A corrupção, que muitos dizem ser endêmica, ganhou um forte aliado com o orçamento secreto. Essas verbas não obedeceram a critérios republicanos, a parâmetros socioeconômicos, sendo utilizadas para servir aos interesses de seus proponentes e não os da população. Desta forma, são anunciadas como favores e não como direitos dos cidadãos.


O vírus do segredo, da opacidade se espalha com muita rapidez. Segundo levantamento realizado pelo jornal O Estado de S.Paulo, entre 2019 e 2022, o Executivo impôs sigilo de cem anos para 65 casos que deveriam ser públicos. Um rápido exame da lista revela que, na maior parte dos casos, ocorreu abuso, um verdadeiro atentado ao direito à informação, um estímulo às chances de corrupção.


De fato, o que justificaria incluir como sigiloso, por exemplo, mensagens diplomáticas sobre jogadores presos no Paraguai por uso de documento falso, em 2020; informações sobre o médico bolsonarista detido por assédio no Egito; a carteira de vacinação do presidente; os nomes dos que visitaram a primeira dama; informações sobre os crachás de acesso ao Planalto dos filhos do presidente; o processo sobre as “rachadinhas” do senador Flavio Bolsonaro?


Um sistema político que institui o segredo, que preza a falta de transparência e desconsidera a prestação de contas, opera com mecanismos que estimulam a corrupção e a negociata. Com tais traços, só pode ser caracterizado como democracia imperfeita, perde pontos na qualidade da democracia, correndo, inclusive, o risco de ser qualificado como “regime híbrido”.


Democracias abominam o segredo. A transparência é antídoto ao secreto. Em um Estado de Direito, a regra que dispõe sobre o secreto está definida no código de processo civil. Na vida pública, o voto, sim, deve ser secreto e com igual valor para todos – uma qualidade que garante a livre escolha do cidadão. Políticas públicas, ao contrário, têm que traduzir prioridades, têm que almejar uma sociedade mais justa e igualitária, tendo na transparência a indicação de respeito a regras claras e de igual aplicação para governantes e governados.


*Maria Tereza Aina Sadek é graduada em Ciências Sociais pela PUCSP, possui mestrado em Ciência Sociais pela PUC, doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Tem pós-doutorado na Universidade de Londres, na Universidade da Califórnia e na USP. Professora do Departamento de Ciência Política da USP. Leciona na Pós-Graduação na Faculdade de Direito da USP, na disciplina: Pesquisa em Direito. Foi diretora de pesquisas no CNJ, durante a gestão da ministra Carmen Lúcia. Possui livros e artigos nas áreas de Teoria Política, Política Brasileira e Sistema de Justiça. Desenvolve pesquisas sobre instituições do sistema de justiça e acesso à justiça. É integrante do CEBEPEJ, do Conselho de Pesquisas da FGV, do CONAR, do ETCO, da Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do ESP


Este texto reflete única e exclusivamente a opinião do(a) autor(a) e não representa a visão do Instituto Não Aceito Corrupção

Ganha força no TSE um movimento para aumentar o rigor da punição a fake news.

Publicado em 20 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Fake News é crime!

Fake news é crime, mas as punições estão desmoralizadas

Paulo Cappelli
Metrópoles

No Tribunal Superior Eleitoral está em curso um movimento em defesa da mudança da legislação para enrijecer o combate às fake news. Pessoas influentes na corte dizem que, com as leis atuais, é como se o tribunal tentasse “frear um tsunami com a mão”.

Ou seja: retira-se do ar uma fake news, logo circulam outras com praticamente o mesmo teor. Um dos mecanismos discutidos internamente envolve o aumento das punições para esse tipo de prática.

Ocorre que essas mudanças só valeriam para eleições futuras. E precisariam, antes, ser aprovadas pelo Congresso — o mesmo que foi eleito este ano sob as leis vigentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Foi justamente a esse respeito a pergunta formulada a Lula e Bolsonaro pela repórter Patrícia Campos Mello, da Folha, no debate do último domingo na Band. A jornalista indagou se eles pretendiam apoiar um maior rigor na punição das fake news, mas nenhum dos dois respondeu. Ambos embromaram e saíram pela tangente, no estilo Paulo Maluf, embora Patrícia tivesse pedido apenas que respondessem “sim” ou “não”.  (C.N.)


Ala do Congresso defende maior transparência, mas não aceita extinção do orçamento secreto

Publicado em 20 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Ilustração do Maure (Correio Braziliense)

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

A operação da Polícia Federal (PF) que mira as cidades contempladas pelas emendas de relator, apelidadas de orçamento secreto, está sendo acompanhada com uma lupa por congressistas que defendem o controle dos recursos pelo Parlamento. A ideia é tornar transparente, deixar que quem tiver desviado dinheiro “se quebre”.

Porém, jamais abrir mão da prerrogativa de destinar verbas para o que considerar prioridade — até mesmo com uma emenda constitucional para tornar essas emendas de relator impositivas.

SEM USUÁRIO EXTERNO – A ideia de transformar as emendas em impositivas virá acoplada a um discurso de tornar essas propostas mais transparentes, acabando, inclusive, com o tal “usuário externo” — ou seja, instituições ou pessoas que não são parlamentares e acabam sugerindo emendas ao relator.

Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, já é obrigado a informar o autor de cada pedido.

A expectativa dos deputados é de que isso ajude a convencer a população de que os desvios são isolados. Mas a ideia dos parlamentares atuais em relação ao que foi feito no tempo dos Anões no Orçamento é muito mais ousada.

A TRANCA ESTÁ FROUXA… – Depois da série de deputados cassados ou “renunciados”, em 1993 e 1994, houve limite no número de emendas que cada um podia apresentar, e também de valores. Agora, para alguns, o céu é o limite… enquanto os controles demoram a ser implantados.

Ao longo do tempo, esses valores aumentaram e a fechadura quebrou. Veio o orçamento impositivo para as emendas individuais, para as de bancadas, para as de comissões e, agora, o orçamento secreto — que não é de liberação obrigatória.

A avaliação de técnicos dedicados ao trabalho de apuração é a de que essa investigação no Maranhão e no Piauí, que resultou em duas pessoas presas, é apenas uma pontinha do que vem por aí.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O fato concreto é que o Brasil está experimentando um novo tipo de democracia em que Supremo e Legislativo usurpam poderes do Executivo, como tem ficado explícito nas discussões sobre excessos do Judiciário e do Legislativo. E isso está acontecendo paralelamente à trama para o Congresso aprovar o semipresidencialismo, liderada por Arthur Lira, presidente da Câmara. (C.N.)

Instituto não aceito corrupção - Palavra do Presidente

 Já há alguns anos, diversas tentativas vêm sendo registradas no âmbito do Congresso Nacional na direção da pura e simples criminalização dos Institutos de pesquisas eleitorais, e este movimento se vê fortalecido novamente em 2022, logo após a realização das eleições de 02 de outubro.

Em dezenas de casos, os institutos tiveram prognósticos absolutamente certeiros, dentro da margem de erro estatística e em outros, os resultados eleitorais não corresponderam às previsões das pesquisas, em virtude de inúmeros fatores, como a volatilidade dos eleitores, o desejo de fazer voto útil de última hora, a força do uso da máquina e até mesmo o fator compra do voto, vez que houve muitas prisões em flagrante e apreensões de moeda corrente que seria utilizada para compra de votos.

Obviamente, os desacertos em algumas situações não deveriam jamais determinar o punicionismo criminal dos institutos, se os procedimentos foram corretos nas pesquisas, vez que sua atividade garante informação num país tão carente neste sentido e signatário do Pacto dos Governos Abertos, por força do qual se comprometeu perante o mundo a ser referência mundial em matéria de transparência.

A opção exacerbada de dificultar a realização de pesquisas eleitorais, punindo criminalmente os desacertos nas coletas de opiniões se mostra desatino, algo absolutamente desarrazoado. E ainda mais, deliberar urgência de votação do projeto, quando o país se concentra nas eleições, cujo segundo turno ocorrerá em 30 de outubro.

Concitamos os membros do Congresso a rever tal posicionamento e debater com a sociedade civil o assunto de forma democrática, para que se encontre a solução mais ajustada ao anseio do povo visando a prevalência do interesse público.

 

São Paulo, 19 de outubro de 2022. 

Diretoria Executiva do
Instituto Não Aceito Corrupção

www.naoaceitocorrupcao.org.br


 Nota da redação deste Blog - Lendo essa matéria lembrei das Pesquisas favoráveis a Anabel e de última hora após as eleições os resultados da Pesquisas não correspondderam a realidade.

Alguns aculturados, sem nenhum fundamento científico plausível, afirmam constantemente que as pesquisas foram fraudulentes, esquecem os aloprados de contabilizar o suposto estelionado eleitoral às vésperas das eleições com a promessa sde 5000 empregos, esqueceram a suposta compra de votos, esqueceram a exorbitante admissão de contratados e comissionados às vesperas das eleições, e muitas outras supostas trammbicagens, cuja processo AIJE encontar-se pendente de  de Julgamento na Justiça de Jeremoabo há dois anos após as eleições.

Rnquanto isso, o prefeito "teflon" continua praticando improbidades, dilabidando o patrímônio público e cultural, além de muitos outros desmandos administrativos.

Jovem Pan será investigada | Ator de Pantanal no hospital | Polêmica Regina Duarte Caixa de entrada

 

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A difrença da propaganda do prefeito " teflon" para a propaganda do grupo de Tista de Deda.

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Um amigo leitor deste Blog diante de tantas improbidades praticadas e continuadas pelo prefeito de Jeremoabo, falou o seguinte: " pelo visto esse é o verdadeiro prefeito " Teflon," pratica todas essas improbidades, desrespeita a Constituição e nada pega nele."
Com isso quero dizer que a propaganda de Tista de Deda e seu grupo, nada haver com a propaganda do " prefeito Teflon", a de Tista de Deda é paga com seu dinheiro ou de qualquer outro cidadão; enquanto isso, a propaganda autopromoção de Deri do Paloma, seus secretários e alguns vereadores é paga com o dinheiro do povo, dinheiro que está faltando para comprar medicamentos, faltando para pagar transporte para deslocamento do cidadãos doentes da Zona Rural para atendimento médico em Jeremoabo.
Tudo na vida  tem começo, meio e fim, esse atentado a nossa Constituição Conquistada através de muitos debates e lutas durante séculos, não será desrespeitada e rasgada pelo prefeito Deri do Paloma; a OngTransparenciaJeremoabo não pede segredo, está encaminhando todos esses atos de improbidade para o Ministério Público em Salvdor, a depender do andar da corruagem o próximo voo terá como destino  Brasilia, continuar amparado pela impunidade com certeza não permanecerá.
Quanto mais zelarmos e defendemos a nossa Constituição, mais Democracia Forte teremos, não poderemos é cruzar os braços.

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