sábado, agosto 06, 2022

Em nome de todos os combatentes da liberdade




A luta pela liberdade continua sem espaço para descontos. A NATO representa o Ocidente, a liberdade. Em breve chegará o momento em que a Aliança terá de tomar decisões difíceis em relação à Turquia. 

Por Nicolau Hidiroglou (foto)

Novas chantagens? Novos problemas? Até quando vamos tolerar os métodos turcos na Europa? Ninguém parece disposto a entrar numa discussão substantiva sobre o futuro da NATO.

Não há muito tempo, nem mesmo os alemães queriam discutir com seus parceiros europeus o relacionamento com Moscovo. Mas agora a dura realidade força a discussão, uma vez que a indústria alemã pode ficar sem energia e entrar em colapso. O que nos recusamos a enfrentar, encontramos mais tarde à nossa frente.

No caso da Turquia, temos muitos exemplos do passado. O que é importante sobre a NATO? Continuar a contar com o apoio da opinião pública dos estados que a compõem. Já se passaram 48 anos desde que a Turquia invadiu Chipre usando armamento da NATO. Desde então, a parte ocupada foi continuamente colonizada, enquanto seu património cultural foi destruído. A reação de Atenas em 1974 foi a retirada do braço militar da Aliança. Era algo que o povo grego, indignado, queria na época. A Grécia voltou a participar militarmente na Nato em 1980. Mas foi difícil, principalmente no início, restaurar a imagem da Aliança aos olhos dos Gregos. “CEE e NATO a mesma união”, foi o slogan antiocidental dos socialistas do PASOK nas eleições gregas de 1981. Os comunistas (KKE) na Grécia ainda falam assim.

A Aliança está a observar com profunda consternação a “barganha oriental” da Turquia pela adesão da Suécia e da Finlândia. E agora, há uma questão de valores. A Turquia é um país que ilegalmente e após uma invasão militar ocupa grande parte da República de Chipre (cerca de 36%), um país membro da União Europeia.

Os turcos continuam a ameaçar a Grécia no mar Egeu e a estabilidade no sudeste da Europa. É um país que invade o Iraque e a Síria de quando em vez e tem más relações com todos os vizinhos. É um país que constantemente finge ser neutro, especialmente quando as apostas são altas. E neste país, cujo governo viola brutalmente os direitos humanos, a NATO dá direito à chantagem para a entrada de novos membros! As implicações morais e políticas para a coesão da Aliança a médio prazo serão grandes.

As incompatibilidades da Turquia com os outros países da NATO são óbvias. Hoje, Ancara está pedindo à Suécia e à Finlândia que entreguem fugitivos. Nos países europeus existem procedimentos institucionais para a extradição de pessoas. Os direitos humanos nos nossos estados são protegidos. O governo turco sabe disso, mas alguns deram-lhe o direito de impor sua vontade. E é justamente aí que está o problema.

Mas isso não é tudo. Alguns países da UE vendem sistemas de armas à Turquia que podem ser usados ​​contra os Gregos a qualquer momento. A única coisa que parece interessar a alguns é o lucro. É hora de nos perguntarmos como os valores da NATO serão protegidos.

Ninguém deve ser autorizado a corroê-los. Na Grécia nunca esqueceram António Figueira de Almeida, que lutou contra os Otomanos pela sua independência. Ele foi um grande Português, herói da Revolução Grega.

A luta pela liberdade continua e não há espaço para fazer descontos. A humanidade está assistindo. A NATO representa o Ocidente, representa a liberdade. Em breve chegará o momento em que a Aliança terá de tomar decisões difíceis em relação à Turquia.

Observador (PT)

Por que bolsonaristas e direita dos EUA se inspiram em Viktor Orbán, da Hungria




Jair Bolsonaro já disse que se sente 'irmão' de Viktor Orbán

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na quinta-feira que o Ocidente está preso em 'um choque de civilizações'

"Menos drag queens e mais Chuck Norris."

"Já posso ver as manchetes de amanhã: racista e antissemita europeu de extrema direita, cavalo de Troia de Putin, faz discurso em conferência conservadora. Mas eu não quero dar nenhuma ideia a eles, eles sabem melhor como escrever notícias falsas."

"Precisamos retomar as instituições em Washington e em Bruxelas. Devemos coordenar o movimento de nossas tropas, porque enfrentamos o mesmo desafio."

Essas são algumas das frases do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, em seu discurso em uma conferência de conservadores no Texas, na abertura do evento na quinta-feira (4/8). O Conservative Political Action Conference (CPAC, na sigla em inglês) é um dos maiores eventos políticos entre eleitores conservadores americanos.

O político húngaro é uma das estrelas da conferência que vai até domingo e ainda contará com a participação do ex-presidente americano Donald Trump e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A mera presença de Orbán no evento já foi uma demonstração da força que ele tem entre conservadores americanos.

Muitos duvidaram que ele participaria do evento conservador no Texas depois que comentários seus foram classificados até mesmo por seus apoiadores como racistas.

Em discurso no mês passado na Romênia, Orbán provocou indignação quando disse "[Nós húngaros] estamos dispostos a nos misturar, mas não queremos nos tornar pessoas mestiças".

Seu discurso foi chamado de "puro nazismo" por Zsuzsa Hegedus, conselheira próxima de Orbán que se demitiu em protesto. A fala também foi criticada pelo governo dos EUA, a Comissão Europeia, organizações judaicas e intelectuais.

Um porta-voz do primeiro-ministro húngaro disse que seus comentários haviam sido mal interpretados, mas posteriormente Orbán afirmou que eles representavam um ponto de vista "cultural".

Apesar da fala, a presença do governante húngaro na CPAC no Texas foi confirmada pelos organizadores, que afirmaram tratar-se de uma questão de liberdade de expressão.

"Vamos ouvir o homem falar", sugeriu Matt Schlapp, presidente da CPAC. "Quando silenciamos as pessoas, perdemos a oportunidade de descobrir por que concordamos ou discordamos de seu ponto de vista", tuitou Schlapp. "Quanto mais liberdade de expressão, mais cedo encontramos a verdade."

Na quinta-feira, o primeiro-ministro húngaro disse em discurso no Texas que o Ocidente está preso em "um choque de civilizações" e foi ovacionado. Dois dias antes, Orbán foi recebido por Trump em seu clube de golfe em Nova Jersey. O ex-presidente americano chamou Orbán de amigo.

Ídolo dos Bolsonaros

O político húngaro também é idolatrado por conservadores no Brasil.

Em fevereiro, após viagem oficial para a Rússia, o presidente Jair Bolsonaro encontrou-se com Orbán na Hungria.

"Acredito na Hungria e no prezado Orbán, que eu trato praticamente como um irmão, dadas as afinidades que nós temos na defesa dos nossos povos e na integração dos mesmos", disse o presidente brasileiro na ocasião.

Eduardo Bolsonaro também esteve com Orbán em 2019 durante viagem de menos de dois dias a Budapeste, quando disse que aprendeu com o húngaro "principalmente sobre cultura e trato com imprensa sem politicamente correto".

Há poucas semanas, Eduardo Bolsonaro fez um discurso na versão brasileira do encontro conservador, a CPAC Brasil 2022. Sua palestra "Hungria, exemplo a ser seguido" elogiava as políticas de Orbán.

Eduardo Bolsonaro participará da CPAC no sábado — no mesmo dia em que Trump fará um discurso. O filho do presidente brasileiro estará em um painel chamado "O Mundo Está de Olho" ao lado de Jay Aeba (representante de um partido da direita radical do Japão) e Miklos Szantho (advogado e cientista político húngaro, apoiador de Orbán).

Ídolo entre conservadores nos EUA

A presença no encontro conservador americano de um líder nacionalista húngaro acusado de autoritarismo e extremismo é visto como o mais recente sinal da prestígio de Orbán entre parte do eleitorado americano.

Ele apresenta-se como uma referência internacional para as políticas da direita.

Quando a Hungria sediou uma reunião do CPAC pela primeira vez em maio, Orbán definiu seu país como "o laboratório onde testamos o antídoto contra o domínio dos progressistas".

"Ele representa o que muitos conservadores americanos querem hoje", disse Rick Wilson, ex-estrategista republicano, à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Orbán é um modelo que eles não conseguiram com Trump."

Mas por quê?

Aos 59 anos e no cargo há 12 anos, o primeiro-ministro húngaro formou um governo peculiar na União Europeia.

À primeira vista, parece uma democracia como qualquer outra: Orbán foi eleito quatro vezes consecutivas, a última vez em abril. No entanto, ele a define o país como uma "democracia iliberal".

'Viktor Orbán tornou-se um líder admirado pelos conservadores nos EUA'

Seu governo desafia os princípios do estado de direito proclamados pela UE e rejeita a imigração ou a diversidade sexual, que Orbán aponta como ameaças à identidade nacional e cristã da Hungria.

Segundo especialistas, a "guerra cultural" declarada pelo governante húngaro está longe de ser a única coisa que cativa os conservadores americanos.

"Estou preocupada que a segunda coisa que os atrai é que Orbán ganhou quatro vezes seguidas porque ele projetou o sistema eleitoral e legal húngaro para que ele não pudesse perder: ele se instalou no poder para sempre", diz Kim Scheppele, professora de Sociologia e Relações Internacionais da Universidade de Princeton.

Desde que chegou ao poder em 2010, Orbán reformou a constituição húngara e encheu os principais tribunais de Justiça com seus nomeados.

'Viktor Orbán promove o que ele define como uma 'democracia iliberal'

Ele também foi acusado de atacar a liberdade de imprensa e controlar a mídia com várias artimanhas, reprimir dissidências em ONGs ou universidades e favorecer empresários amigos.

O sucesso de Orbán em suas políticas contra a União Europeia e, ao mesmo tempo, sua tentativa de manter a aparência de uma democracia geram interesse em um setor da direita dos EUA, apontam os especialistas.

Scheppele argumenta que, ao mudar as regras eleitorais húngaras — por exemplo, redesenhando os distritos eleitorais — Orbán demonstrou como é possível obter vitórias nas urnas mesmo sem obter a maioria dos votos.

Na política de migração, o governo Orbán construiu uma barreira na fronteira sul da Hungria em 2015 para impedir a entrada de imigrantes e refugiados, além de limitar as concessões de asilo.

'Em 2015, com Orbán no governo, a Hungria construiu uma barreira na fronteira com a Sérvia para impedir a entrada de imigrantes'

"Quando você olha para o que os EUA fizeram sob Trump com a fronteira sul, foi uma cópia quase exata do plano que Orbán colocou em prática. Então eu acho que eles estão prestando atenção nisso", diz Scheppele, que trabalhou durante anos na Hungria.

"Os republicanos estão olhando para a Hungria como uma espécie de comprovação de suas ideias: para mostrar que sua visão da política funciona", disse a acadêmica à BBC News Mundo.

'Regras próprias'

Trump se comparava a Orbán antes de sua derrota eleitoral de 2020, que ele se recusou a admitir, e seus apoiadores invadiram violentamente o Capitólio para impedir que certificassem a vitória do atual presidente Joe Biden.

"Victor Orbán fez um trabalho tremendo de várias maneiras", disse Trump ao recebê-lo na Casa Branca em 2019. "(Ele é) respeitado em toda a Europa. Provavelmente um pouco como eu, um pouco polêmico, mas tudo bem."

'Donald Trump elogiou Orbán no passado'

A direita dos EUA exalta a forma como o líder húngaro promove as suas políticas e nega que tenha atitudes antidemocráticas.

"A Hungria e seu governo foram impiedosamente e injustamente atacados: 'É autoritário, eles são fascistas...' Há muitas mentiras sendo contadas agora, essa pode ser a maior de todas", disse Tucker Carlson, âncora do canal conservador americano Fox News, em visita à Hungria no ano passado.

Durante a edição da CPAC em Budapeste em maio, Orbán elogiou Carlson, dizendo que programas como o dele deveriam ser transmitidos "sem parar", e disse que ter propriedade dos meios de comunicação é fundamental na batalha conservadora. Carlson passou este ano pelo Brasil, onde entrevistou Bolsonaro, com elogios ao presidente brasileiro.

'O apresentador de TV Tucker Carlson está entre os conservadores americanos que elogiaram Orbán'

Outros conselhos que ele deu à direita americana foi de "jogar pelas suas próprias regras" e "recusar-se a aceitar soluções e caminhos oferecidos por outros", além de priorizar o "interesse nacional" na política externa e "quebrar tabus" na luta contra os rivais.

Um dos inimigos apontados por Orbán — e também pelos conservadores americanos — é o bilionário e filantropo George Soros.

Nascido em Budapeste em 1930 em uma família judia e promotor de ideias liberais em todo o mundo, Soros foi acusado sem provas por Orbán de ter um plano para encher a Hungria de imigrantes e destruir o país.

Alguns dizem que essa campanha contra Soros é uma tentativa de se reviver estereótipos antissemitas.

'Soros nasceu na Hungria e sobreviveu à ocupação nazista; hoje é alvo de críticas de Orbán e dos conservadores americanos'

Analistas acreditam que Orbán busca estreitar laços com a direito americana para romper seu isolamento na Europa, onde ele tem apoiado as políticas de seu aliado, o presidente russo, Vladimir Putin.

No entanto, tudo isso preocupa especialistas em autoritarismo, como Erica Frantz, professora de Ciência Política da Michigan State University.

Para ela, "que a CPAC tenha convidado Orbán para falar é um sinal de que o movimento conservador está abraçando — ou pelo menos não está evitando — uma agenda mais autoritária".

"O apoio do movimento conservador [nos EUA] a Orbán sugere que esse movimento não se importa com sua falta de respeito pelas instituições democráticas", disse Frantz à BBC News Mundo. "Isso é, evidentemente, preocupante."

BBC Brasil

China suspende cooperações com EUA




Após visita de Nancy Pelosi a Taiwan, Pequim cancela colaboração em áreas como meio ambiente e defesa, e acusa Washington de minar sua soberania.

Após a piora nas relações entre Pequim e Washington, acirrada pela viagem a líder da Câmara dos EUA a Taiwan, a China anunciou nesta sexta-feira (05/08) que decidiu encerrar uma série de cooperações entre o país e os Estados Unidos em áreas como mudanças climáticas, políticas antidrogas e parcerias militares.

Os chineses prometeram adotar uma série de medidas para punir os EUA pela visita de Nancy Pelosi à ilha, que Pequim considera parte deu território.

As ações tiveram início com uma série de exercícios militares realizados em seis pontos da costa taiwanesa, que devem prosseguir até o domingo. A Defesa de Taiwan disse que mísseis chegaram a ser lançados por sobre a ilha.

A China costuma tradicionalmente protestar contra o fato de a província autogovernada manter contatos com governos estrangeiros, mas a reação à visita de Pelosi atingiu níveis sem precedentes, inclusive com o corte nas relações em uma série de áreas consideradas de grande importância.

As duas nações mais poluidoras do mundo se comprometeram no ano passado a acelerar nesta década as ações pelo clima, com reuniões bilaterais regulares para lidarem juntas com a crise climática.

Com o agravamento das relações entre Pequim e Washington, que atingiram o nível mais baixo dos últimos anos, esse e outros acordos estão ameaçados.

O Ministério Chinês do Exterior anunciou que o diálogo entre os comandantes militares regionais e dos Departamentos de Defesa será cancelado, assim como as conversações sobre a segurança militar marítima.

Também estarão suspensas as cooperações para o retorno de imigrantes ilegais, investigações criminais, crimes transnacionais, assim como ações conjuntas contra as drogas.

Defesa da soberania

A China acusa o governo de Joe Biden de atacar sua soberania, embora o presidente não tenha autoridade sobre a viagem de uma líder do Legislativo.

As reações chinesas vieram antes do congresso do Partido Comunista da China, onde o presidente Xi Jinping deverá receber um terceiro mandato de cinco anos para lidera o governo.

Com a economia do país enfrentado dificuldades, o partido governista reforçou o tom nacionalista e passou a lançar ataques diários ao governo de Taiwan, que se recusa a reconhecer a província como parte da China, no intuito de solidificar o apoio da população.

Deutsche Welle

China anuncia sanções a Pelosi após visita a Taiwan




Pequim afirma que presidente da Câmara dos EUA interferiu em assuntos internos e minou a soberania e integridade territorial da China. Mais cedo, Pelosi disse que Washington "não permitirá" que chineses isolem Taiwan.

A China anunciou nesta sexta-feira (05/08) que vai impor sanções contra a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, em resposta à viagem dela a Taiwan. A visita irritou Pequim e motivou o início de grandes exercícios militares chineses ao redor da ilha autogovernada.

Com a ida a Taiwan, Pelosi "interferiu gravemente nos assuntos internos da China e minou seriamente a soberania e integridade territorial", o que levará Pequim a "impor sanções a Pelosi e sua família mais próxima", afirmou o Ministério do Exterior chinês, sem revelar mais detalhes.

Nos últimos anos, a China anunciou sanções contra uma série de autoridades americanas por agirem contra o que Pequim considera seus interesses centrais, ou por denunciarem violações de direitos humanos em Hong Kong e na região de Xinjiang, no noroeste da China.

Nomes como Mike Pompeo, ex-secretário de Estado americano, e Peter Navarro, conselheiro de comércio do ex-presidente Donald Trump, estão entre os sancionados. Eles foram proibidos de entrar na China e de fazer negócios com entidades chinesas.

Já em março deste ano, Pequim anunciou restrições de vistos a uma lista não divigulada de oficiais dos EUA que, segundo o governo chinês, "inventaram mentiras sobre questões de direitos humanos envolvendo a China".

EUA "não permitirão" que China isole Taiwan

Pelosi desembarcou em Taiwan na terça-feira para uma visita que não havia sido confirmada até a última hora, apesar de incisivos alertas da China sobre possíveis consequências militares e diplomáticas da iniciativa. Ela é a mais alta autoridade americana a visitar a ilha em 25 anos.

Agora em Tóquio, na etapa final de seu giro pela Ásia, Pelosi disse nesta sexta-feira que os EUA "não permitirão" que a China isole Taiwan, e que os políticos americanos deveriam poder viajar livremente para a ilha autogovernada.

"Eles podem tentar impedir a visita ou a participação de Taiwan em outros lugares, mas não vão isolar Taiwan impedindo-nos de viajar para lá", declarou Pelosi a repórteres. Ela afirmou que Pequim tentou isolar Taiwan ao impedir a ilha autônoma de se juntar recentemente à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Questionada se seu giro pela Ásia foi mais por seu próprio legado do que para beneficiar Taiwan, a americana respondeu: "Não é sobre mim, é sobre eles." Ela acrescentou, contudo, que sua viagem à ilha "não visava mudar o status quo" na região.

Pelosi chamou a ilha autônoma de "um dos países mais livres do mundo", dizendo estar "orgulhosa" de seu trabalho em mostrar preocupações relacionadas à China continental, desde supostas violações comerciais e profileração de armas a direitos humanos.

"Se não defendermos os direitos humanos na China por causa de interesses comerciais, perderemos toda a autoridade moral para defender os direitos humanos em qualquer lugar do mundo", disse Pelosi. "A China tem algumas contradições – algum progresso em termos de erguer as pessoas, algumas coisas horríveis acontecendo em relação aos uigures. Na verdade, tem sido rotulado de genocídio."

Japão: mísseis chineses caíram em seu mar

A política de 82 anos chegou em Tóquio nesta quinta-feira vindo da Coreia do Sul, outro importante aliado dos EUA, onde visitou a fronteira com a Coreia do Norte.

É a sua primeira vez no Japão desde 2015, e na manhã desta sexta-feira ela se encontrou com o primeiro-ministro Fumio Kishida, que disse que o Japão "pediu o cancelamento imediato dos exercícios militares" ao redor de Taiwan.

Tóquio afirmou que cinco mísseis chineses teriam caído na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Japão, sendo que quatro deles supostamente sobrevoaram a principal ilha de Taiwan. A ZEE se estende até 200 milhas náuticas da costa do Japão, além dos limites de suas águas territoriais.

Kishida condenou os lançamentos de mísseis como um "problema sério que afeta nossa segurança nacional e a de nossos cidadãos".

EUA e Taiwan

Em maio, o presidente dos EUA, Joe Biden, também irritou Pequim durante uma visita ao Japão, quando disse que as forças americanas defenderiam Taiwan militarmente se a China tentasse tomar o controle da ilha pela força.

Mas Biden e sua equipe insistiram na época que sua abordagem de décadas sobre Taiwanpermanecia em vigor.

Washington segue uma política de "uma só China" e reconhece diplomaticamente apenas Pequim, e não Taipei, o que significa que Taiwan não tem uma relação diplomática oficial com os Estados Unidos. No entanto, os EUA fornecem apoio político e militar considerável a Taiwan.

Nesta sexta-feira, Pelosi disse que os EUA querem encontrar um "terreno comum" com a China em questões de direitos humanos a mudanças climáticas. "Mais uma vez, nossa visita não trata de determinar qual é a relação EUA-China. É um desafio muito maior e de longo prazo, e temos que reconhecer que temos que trabalhar juntos em certas áreas", frisou.

Taiwan e China

Com 23 milhões de habitantes, Taiwan é uma ilha autogovernada, com um regime democrático e politicamente próximo de países do Ocidente, e uma importante produtora de chips eletrônicos.

Na prática, ambos são territórios separados desde 1949, mas a China considera a ilha parte de seu território e rejeita contatos oficiais entre seus parceiros diplomáticos e o governo em Taipei.

A invasão da Ucrânia pela Rússia elevou os temores de que Pequim pudesse anexar a ilha democrática à força. As tensões em relação a Taiwan nunca estiveram tão altas desde 1990.

O presidente chinês, Xi Jinping, considera a "reunificação" com Taiwan um objetivo fundamental, e não descartou o possível uso da força para alcançar isso. Já Taiwan rejeita as reivindicações de soberania da China e diz que somente seu povo pode decidir o futuro da ilha.

A China exige que os países escolham entre manter relações formais com Pequim ou com Taipei. Apenas 14 países do mundo mantêm relações diplomáticas oficiais com Taiwan.

Deutsche Welle

6 Taiwan: como é a estratégia 'porco-espinho' criada pela ilha para se defender de possível invasão da China




Navios e helicópteros militares chineses participam de manobras ao longo da costa de Taiwan

Exército de Taiwan realiza exercícios de forma periódica contra possível invasão chinesa

Por Atahualpa Amerise

A China está realizando os maiores exercícios militares de sua história ao longo da costa de Taiwan, ilha que considera parte de seu território.

As manobras, que Pequim lançou em resposta à visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha, incluem disparos de mísseis no mar e incursões no espaço aéreo de Taiwan.

Há décadas, a tensão entre China e Taiwan vem crescendo, tanto que a possibilidade de uma invasão do poderoso Exército de Libertação Popular chinês é algo que poucos descartam.

Se a China invadisse Taiwan, seria desencadeada uma guerra assimétrica, ou seja, um conflito em que uma das partes tem uma força militar muito superior à do adversário.

É o tipo de guerra que estamos vendo entre a Rússia e a Ucrânia, e isso nos mostrou que o desequilíbrio de forças nem sempre é reproduzido nos resultados em campo.

Seria muito diferente no caso de uma invasão chinesa a Taiwan?

Defenda-se como um porco-espinho

A China — com uma população de 1,4 bilhão de habitantes, contra 24,5 milhões de Taiwan — tem um orçamento de defesa 13 vezes maior que a ilha vizinha, e também a supera amplamente em tropas, equipamentos e armas.

Consciente de sua desvantagem em uma guerra assimétrica, Taiwan adota a chamada "estratégia porco-espinho".

Quando se sente em perigo, o porco-espinho solta seus espinhos para deter predadores mais fortes.

"A dor de pisar nos espinhos do animal se torna o principal impedimento para esmagá-lo", explica um editorial do jornal Taipei Times.

E, se o predador ainda assim decide atacar o porco-espinho, sofrerá uma punição dolorosa e acabará desistindo.

'Espinhos do porco-espinho produzem feridas dolorosas, por isso poucos animais se atrevem a atacá-lo'

A estratégia de Taipei é baseada nesses pressupostos, e foi confirmada em sua Revisão Quadrienal de Defesa de 2021.

"Resistir ao inimigo na margem oposta, atacá-lo no mar, destruí-lo na zona costeira e aniquilá-lo na cabeça de ponte", é o que propõe esse manual.

Para enfrentar uma guerra assimétrica, Taiwan não considera prioritário adquirir caças e submarinos caros, mas sim implantar armas defensivas móveis e ocultas, como mísseis antiaéreos e antinavio.

Três camadas de espinhos para a China

Zeno Leoni, especialista em ordem internacional, defesa e relações entre China e Ocidente da Universidade King's College London, no Reino Unido, analisou as três camadas que compõem a estratégia porco-espinho taiwanesa.

"A camada externa é de inteligência e reconhecimento para garantir que as forças de defesa estejam totalmente preparadas", explicou ele em artigo sobre a doutrina de defesa de Taiwan para o site de notícias acadêmicas The Conversation.

Durante décadas, Taiwan desenvolveu um sofisticado sistema de alerta precoce para evitar o efeito surpresa de um possível ataque relâmpago da China.

Assim, Pequim "teria que iniciar qualquer invasão com uma ofensiva baseada em mísseis de médio alcance e ataques aéreos para eliminar as instalações de radar, pistas de pouso e as baterias de mísseis de Taiwan".

Para responder a um ataque desse tipo, a camada intermediária do porco-espinho consiste no destacamento de forças navais para uma guerra de guerrilha em pleno mar com o apoio de aeronaves de combate fornecidas pelos Estados Unidos, segundo o especialista.

Embarcações pequenas e ágeis armadas com mísseis e auxiliadas por helicópteros e lançadores de mísseis em terra tentariam impedir que a frota do Exército chinês chegasse ao território taiwanês.

Ou que, se conseguisse, pagaria um alto preço em perdas humanas e materiais.

"A geografia e a população são a espinha dorsal da terceira camada defensiva", explica Leoni.

O complexo terreno de Formosa, com montanhas escarpadas, poucas praias aptas para desembarque e grande parte de seu território urbanizado, daria vantagem aos defensores e poderia multiplicar as baixas do invasor.

Além disso, apesar do poderoso Exército chinês ser até 12 vezes mais numeroso em tropas do que o de Taiwan, o taiwanês conta com mais de 1,5 milhão de reservistas que entrariam em combate se as tropas chinesas tentassem invadir o país.

Armas móveis, versáteis e fáceis de ocultar ​​também seriam cruciais na terceira camada, como demonstrado na Ucrânia com os sistemas portáteis de mísseis Javelin e Stinger, que têm sido um pesadelo para os aviões e tanques russos.

'Taiwan também conta com sistema americano de mísseis Patriot, capaz de derrubar aviões e interceptar projéteis'

O que os EUA fariam?

E, se a China decidir invadir Taiwan, os Estados Unidos entrariam na guerra? Enviariam tropas ou armamento? Tomariam outros tipos de medidas?

A verdade é que não sabemos, e os EUA não querem que a gente saiba.

Enquanto Taipei aperfeiçoa sua estratégia de porco-espinho, Washington se apega à chamada "ambiguidade estratégica" em suas relações com a China e Taiwan.

Isso significa que os Estados Unidos ocultam intencionalmente seus planos de ação no caso de a China invadir Taiwan.

"De alguma maneira, essa ambiguidade (...) nos permitiu manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan por várias décadas e em vários governos", declarou recentemente o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.

Em maio, o presidente americano, Joe Biden, surpreendeu ao afirmar que seu país tem o "compromisso" de sair em defesa de Taiwan, embora posteriormente tenha retificado ao assegurar que não há mudanças na "ambiguidade estratégica".

Essa postura não apenas procura dissuadir a China de invadir Taiwan, como também dissuadir Taipei de proclamar sua independência (Pequim ameaçou atacar se fizerem isso) ao não garantir a intervenção dos EUA.

Alguns congressistas americanos pediram para mudar a postura do país para uma "clareza estratégica", no intuito de dissuadir a China à medida que o gigante asiático aumenta sua pressão sobre Taiwan e sua presença militar na região.

De qualquer forma, poucos acreditam que os EUA ficariam de braços cruzados diante de uma invasão.

"Você nunca diz ao seu oponente em potencial o que pretende fazer. Mas suspeito que qualquer coisa que seja implementada para dissuadir a China, em primeiro lugar, e para frustrar uma tentativa de dominar Taiwan, não seria apenas militar", explicou à BBC Chris Parry, analista de estratégia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar ocidental.

"Seria algo multidimensional que incluiria abordagens comerciais, financeiras e informativas."

'Vivemos assim há 70 anos'

A demonstração de força militar da China está alterando a rotina em Taiwan, onde o clima é mais de indignação do que de pânico.

O transporte marítimo e as companhias aéreas sofreram grandes interrupções, com barcos atracados no porto e voos cancelados depois que Pequim restringiu o acesso a áreas ao redor da ilha para suas manobras.

BBC Brasil

China anuncia suspensão de cooperação com EUA por visita de Pelosi



Deputada norte-americana causou entrave em negociações diplomáticas

Taipei - A China anunciou nesta sexta-feira (5) a interrupção da cooperação com os Estados Unidos em diversas áreas, incluindo o diálogo entre comandantes militares, em retaliação à visita nesta semana da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan.

O Ministério das Relações Exteriores da China também disse em um comunicado que está interrompendo as conversações climáticas com os Estados Unidos, assim como a cooperação na prevenção do crime transfronteiriço e no repatriamento de imigrantes ilegais, além de outras oito medidas específicas.

Enfurecida depois que Pelosi se tornou a visitante de mais alto escalão dos EUA em 25 anos à ilha autônoma que Pequim considera seu território soberano, a China lançou exercícios militares nos mares e céus ao redor de Taiwan na quinta-feira. Os exercícios com disparos reais, os maiores já realizados pela China no Estreito de Taiwan, estão programados para continuar até o meio-dia de domingo.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse nesta sexta-feira que enviou jatos para alertar aeronaves chinesas que entraram na zona de defesa aérea da ilha, algumas das quais cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan, uma barreira não oficial que separa os dois lados.

O Comando do Teatro Leste do Exército de Libertação Popular (PLA) da China disse em comunicado que seus militares realizaram exercícios aéreos e marítimos ao norte, sudoeste e leste de Taiwan nesta sexta-feira "para testar as capacidades conjuntas de combate das tropas".

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que Washington deixou repetidamente claro a Pequim que não busca uma crise com a visita de Pelosi a Taiwan, que ocorreu na quarta-feira durante uma turnê de uma delegação do Congresso norte-americano à Ásia.

"Não há justificativa para essa resposta militar extrema, desproporcional e escalada", disse ele em entrevista coletiva durante reunião Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), no Camboja, acrescentando que "agora, eles levaram os atos perigosos a um novo nível".

A Casa Branca convocou o embaixador chinês, Qin Gang, na quinta-feira, para condenar as ações de Pequim. A convocação ocorreu após Pequim convocar o embaixador dos EUA, Nicholas Burns, mais cedo nesta semana sobre a visita de Pelosi à Taiwan.

Representantes do Departamento de Estado não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre a suspensão das negociações e cooperação da China em várias frentes.

Os comentários chineses não mencionaram a suspensão das negociações militares nos níveis mais altos, como as conversas com o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley. Embora essas conversas tenham sido raras, as autoridades disseram que elas são importantes em caso de emergência ou acidente.

A China anunciou separadamente que irá impor sanções pessoais a Pelosi e sua família imediatamente em resposta a suas ações "viciosas" e "provocativas".

Pequim disse que suas relações com Taiwan são um assunto interno e que se reserva o direito de colocar a ilha sob controle chinês pela força, se necessário.

Reuters / Agência Brasil

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China suspende cooperações com EUA

Após visita de Nancy Pelosi a Taiwan, Pequim cancela colaboração em áreas como meio ambiente e defesa, e acusa Washington de minar sua soberania.

Após a piora nas relações entre Pequim e Washington, acirrada pela viagem a líder da Câmara dos EUA a Taiwan, a China anunciou nesta sexta-feira (05/08) que decidiu encerrar uma série de cooperações entre o país e os Estados Unidos em áreas como mudanças climáticas, políticas antidrogas e parcerias militares.

Os chineses prometeram adotar uma série de medidas para punir os EUA pela visita de Nancy Pelosi à ilha, que Pequim considera parte deu território.

As ações tiveram início com uma série de exercícios militares realizados em seis pontos da costa taiwanesa, que devem prosseguir até o domingo. A Defesa de Taiwan disse que mísseis chegaram a ser lançados por sobre a ilha.

A China costuma tradicionalmente protestar contra o fato de a província autogovernada manter contatos com governos estrangeiros, mas a reação à visita de Pelosi atingiu níveis sem precedentes, inclusive com o corte nas relações em uma série de áreas consideradas de grande importância.

As duas nações mais poluidoras do mundo se comprometeram no ano passado a acelerar nesta década as ações pelo clima, com reuniões bilaterais regulares para lidarem juntas com a crise climática.

Com o agravamento das relações entre Pequim e Washington, que atingiram o nível mais baixo dos últimos anos, esse e outros acordos estão ameaçados.

O Ministério Chinês do Exterior anunciou que o diálogo entre os comandantes militares regionais e dos Departamentos de Defesa será cancelado, assim como as conversações sobre a segurança militar marítima.

Também estarão suspensas as cooperações para o retorno de imigrantes ilegais, investigações criminais, crimes transnacionais, assim como ações conjuntas contra as drogas.

Defesa da soberania

A China acusa o governo de Joe Biden de atacar sua soberania, embora o presidente não tenha autoridade sobre a viagem de uma líder do Legislativo.

As reações chinesas vieram antes do congresso do Partido Comunista da China, onde o presidente Xi Jinping deverá receber um terceiro mandato de cinco anos para lidera o governo.

Com a economia do país enfrentado dificuldades, o partido governista reforçou o tom nacionalista e passou a lançar ataques diários ao governo de Taiwan, que se recusa a reconhecer a província como parte da China, no intuito de solidificar o apoio da população.

Deutsche Welle

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