segunda-feira, junho 27, 2022

Guerra na Ucrânia: Os possíveis riscos para a economia global e do Brasil caso o conflito se prolongue




Ao dificultar combate à inflação, conflito força manutenção dos juros elevados por mais tempo e tende a derrubar atividade econômica.

Por Jiane Carvalho, De São Paulo 

A guerra na Ucrânia entrou em seu quinto mês sem sinal de que caminhe para uma solução e segue com reflexos negativos na economia global e no comércio entre as nações. A tendência de juros altos também tem alterado todo o fluxo de recursos no mercado financeiro.

Neste domingo (26/6), enquanto o G7 (grupo das sete maiores economias do mundo) se reúne na Alemanha, a Rússia lançou novos ataques com mísseis contra a Ucrânia.

A capital ucraniana Kyiv foi bombardeada. Uma pessoa morreu depois que um prédio residencial foi atingido e parcialmente reduzido a escombros.

O prefeito de Kyiv, Vitaliy Klitschko, chamou os ataques, ocorridos no dia de abertura da cúpula do G7 e antes da reunião da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar ocidental) de uma "tentativa de intimidar os ucranianos".

Na Alemanha, líderes compartilharam o objetivo de cortar "oxigênio da máquina de guerra da Rússia", disse o presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também pediu unidade — tanto no G7 quanto na Otan — diante da invasão da Rússia.

Em seu discurso na noite de sábado (25/6), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky disse que a guerra havia entrado em um "estágio moral e emocionalmente difícil".

Também no sábado, a Rússia assumiu o controle total de Severodonetsk — a principal cidade do leste ucraniano que tem sido palco de semanas de intensos combates.

Não parece haver, portanto, qualquer perspectiva de um fim próximo para o conflito.

E uma declaração recente do chefe da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, jogou ainda mais incertezas no horizonte.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, ele afirmou que "precisamos nos preparar para o fato de que pode levar anos. Não podemos desistir de apoiar a Ucrânia".

Ciente das consequências danosas para a economia, ainda acrescentou: "Mesmo que os custos sejam altos. Não apenas pelo apoio militar, mas também pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos."

A afirmação reforça um quadro já bastante negativo. Na visão de economistas, mesmo que o conflito terminasse hoje os reflexos globais seriam sentidos por um bom tempo, para a reorganização do comércio, a retomada da normalidade na oferta de produtos e o controle da inflação.

Já as consequências de um prolongamento maior da guerra, como sugere o chefe da Otan, são difíceis de prever. Na visão de analistas, há tendência de manter preços altos de algumas commodities, principalmente agrícolas, e a situação de aperto monetário por mais tempo.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro pegou a economia global no contrapé — quando se vislumbrava o início de uma recuperação passada a pior fase da covid-19. O prolongamento da guerra tem potencial de levar as principais economias do mundo a uma recessão ou mesmo a uma "estagflação" (inflação mais alta combinada com baixo crescimento econômico).

Inflação segue persistente

O aumento generalizado de preços, que caracteriza processos inflacionários, não é uma novidade gerada pelo conflito no leste europeu. A pandemia da covid-19, que afetou produção e várias cadeias logísticas, já tinha jogado os índices nas alturas.

Dados mais recentes do Banco Central indicam que o acumulado do ano do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, principal índice da inflação) chegará a 8,8%, avançando sobre a previsão anterior, de 6,3%. Atingirá mais que o dobro do centro da meta, de 3,5%.

Para 2023, ano em que a meta é de 3,25%, o BC projeta inflação de 4%, ante aos 3,1% divulgados em março.

O controle da inflação por meio de elevação dos juros e sua manutenção em patamares altos afeta as perspectivas para a economia global.

"A guerra se prolongando piora o quadro de incerteza e caminharemos para uma estagflação global. Primeiro porque há forte pressão de custos sobre as empresas, dificuldade na oferta de bens agrícolas e tudo ao mesmo tempo em que o BC promove um forte aperto monetário", explica Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV.

"Quanto mais tempo demora para controlar a inflação, [a situação] fica pior pelo efeito da indexação dos preços [reajuste de produtos e serviços que têm valores atrelados ao índice da inflação]."

O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) reforça o retrato inflacionário global. A expectativa do FMI é que, em dezembro de 2022, a inflação no acumulado de 12 meses no Brasil seja de 6,7%, valor abaixo das projeções do mercado.

Argentina e Turquia têm as piores previsões, com avanço de 48% e 52% nos preços respectivamente. O relatório também aponta inflação americana perto de 5,33%, a alemã em 4,7% e do Reino Unido em 7,6%, percentuais muito elevados para estes países.

Prolongamento do aperto monetário

'Possibilidade de que preços sigam pressionados pela guerra obrigará bancos centrais ao redor do mundo a manterem juros altos por período maior'

A possibilidade de que os preços sigam pressionados pela guerra obrigará bancos centrais ao redor do mundo a manterem os juros altos por um período maior.

No Brasil, o BC elevou a Selic a 13,25% ao ano, o maior nível desde dezembro de 2016. A ata foi lida pelo mercado como indicativo de nova alta em agosto, entre 0,25 e meio ponto percentual, e na sequência um período prolongado de estabilidade.

A piora inflacionária também levou o Fed, o banco central dos Estados Unidos, a subir a taxa em 0,75 ponto percentual — desde 1994 não ocorria alta dessa magnitude.

Na visão do economista-chefe da Necton Investimentos, corretora do banco BTG Pactual, o efeito dos juros altos no controle da inflação é pequeno pela característica atual do processo de elevação dos preços.

"Como é uma inflação de oferta [produtos e serviços], e não de demanda, os juros têm menos efeito sobre a inflação e precisam permanecer elevados por mais tempo, com consequências ruins na economia", explica André Perfeito.

Roberto Padovani, do banco BV, faz coro: "O processo atual de aperto monetário na tentativa de controlar a inflação é doloroso porque demora e tem custo alto para todos. O prolongamento da guerra na Ucrânia só piora o cenário e pode deixar a Selic elevada por muito tempo."

Recessão à vista

O objetivo dos juros altos é derrubar a inflação, o que só é possível contendo a demanda e portanto deprimindo a atividade. O desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre avançou 1% sobre o período imediatamente anterior. Na comparação anual, frente a 2021, cresceu 1,7%. Os economistas olham os dados com cautela porque veem os efeitos da guerra, iniciada no final de fevereiro, ainda pouco presentes na atividade.

"Tudo vai afetar o crescimento global daqui em diante. Vamos entrar em uma fase de desaceleração econômica com crédito mais caro e tensões geopolíticas derrubando a confiança. O quão grande ninguém sabe", comenta Padovani. Na visão do economista, o PIB pode fechar o ano a 1%. "Em 2023 começaremos fracos, o Brasil e o mundo todo. Vejo o Brasil crescendo zero."

A queda da atividade econômica prevista para este ano afeta o mundo todo, assim como uma desaceleração projetada para 2023. O Banco Mundial prevê que o crescimento global caia de 5,7%, em 2021, para 2,9% este ano, "significativamente abaixo" dos 4,1% previstos em janeiro. A instituição já fez seu alerta para o risco de um cenário adicional de estagflação.

Commodities agrícolas sem espaço para mais alta

O petróleo e as commodities agrícolas foram os principais vetores da alta dos preços globais neste ano, dada a relevância da Ucrânia e da Rússia em alguns produtos. A Ucrânia é responsável pela produção de 17% do milho disponível no mercado mundial. Juntas, Rússia e Ucrânia exportam quase 30% do total de trigo consumido mundialmente. A região é grande produtora de fertilizantes, com o Brasil na posição de maior importador do insumo pronto e também de componentes como nitrogenados, fosfatados e potássicos.

A boa notícia, destacada por André Perfeito, da Necton, é que mesmo o prolongamento da guerra não será capaz de fazer com que os preços subam muito mais. "Permanecerão elevados, o que já é ruim, mas não vejo espaço para que continuem subindo de valor. E mesmo que a guerra termine logo, é importante lembrar que a queda nas cotações será lenta, demora para reorganizar a produção e a logística", explica, acrescentando que só o petróleo teria condições de exibir uma queda mais rápida na cotação.

'Petróleo e commodities agrícolas foram principais vetores da alta dos preços globais neste ano'

Petróleo e derivados — corrida pelo ajuste da oferta

O barril de petróleo do tipo Brent, que em fevereiro custava perto de US$ 100, chegou a ultrapassar a barreira dos US$ 130 ao longo dos meses de conflito e hoje está cotado em torno de US$ 114, no contrato com vencimento em agosto.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), os russos são o terceiro maior produtor e exportador de petróleo do mundo e o maior exportador de gás natural. As restrições impostas pelo Ocidente à compra do produto russo derrubaram a oferta e levaram à alta na cotação com reflexos nos custos logísticos e na inflação.

"No petróleo, como há capacidade ociosa em algumas regiões que permitem aumentar mais rápido a produção, diferente do que ocorre nas commodities agrícolas, a alta nos preços não foi tão grande como se esperava", analisa Marcelo Nonnenberg, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), citando Arábia Saudita e mesmo a Venezuela, que podem elevar a produção para atender à demanda.

Na hipótese de que a guerra avance para 2023, ou, o que é mais provável na visão de Nonnenberg, tenha "um cessar-fogo, mas com situação duradoura de conflito", os efeitos negativos no setor de óleo e gás serão menos intensos do que no de grãos e fertilizantes.

"Antes da guerra, o mundo já sabia da necessidade de reduzir o consumo de petróleo e derivados, e o conflito vai intensificar a transição para uma matriz energética mais limpa. No curto prazo, outros fornecedores vão atuar, como a Arábia Saudita, e no médio e longo o mundo vai consumir cada vez menos."

Janelas de oportunidade para o Brasil

O pesquisador do Ipea lembra uma tendência que já vinha ganhando corpo nos últimos anos, mas que ficou ainda mais em evidência com a invasão da Ucrânia. Desde a guerra comercial China-EUA, agravada pelo protecionismo de Trump e os problemas de desabastecimento de produtos e insumos durante a pandemia da covid-19, tem ocorrido uma redução importante das cadeias globais de valor.

Todos os ganhos de eficiência e queda de custo de empresas globais, muitas delas americanas que compravam componentes no mundo asiático e transportavam para montar o produto final nos mercados consumidores, como Brasil e outros, passaram a ser questionados.

"Está tudo muito interligado, é um arranjo complexo com ganhos de eficiência, mas que mostrou, durante os anos de pandemia, que processos tão decentralizados e distantes têm riscos", comenta o pesquisador do Ipea, lembrando que as fronteiras fecharam, a produção parou e a dependência dos asiáticos, em componentes eletroeletrônicos e insumos para a produção de farmacêuticos passou a ser um problema.

"O mundo começou a pensar não apenas na eficiência, mas também na segurança desta produção decentralizada. Agora a guerra da Ucrânia reforça esta visão ao afetar toda a logística na região, com navios e aviões tendo que refazer rotas, o que eleva custos e provoca atrasos."

Na visão de Marcelo Nonnenberg, a tendência é que as empresas invistam na produção mais perto dos seus mercados, ainda buscando eficiência de custos, mas não apenas.

"Hoje a cadeia logística é muito complexa e vai ser revista. A América do Sul, e o Brasil em particular, pode se beneficiar atraindo investimentos, mas desde que ofereça estabilidade política, econômica e de regras, além de mão de obra qualificada", comenta acrescentando que o país precisa se preparar para entrar em algumas cadeias de valor, como biocombustível, biotecnologia e indústria farmacêutica.

Ativos de risco perdem o brilho

'Em seu quinto mês, guerra entre Rússia e Ucrânia não dá sinais de que está perto de terminar'

Sem uma sinalização de que esteja perto de acabar, a guerra entre Rússia e Ucrânia, ao impactar a economia mundial, naturalmente se reflete também nos ativos listados na bolsa de valores.

A alta dos juros em diversos países e mudanças no patamar do câmbio são componentes importantes desta equação. Juros mais altos significam crédito mais caro e menor crescimento e venda das empresas.

"O movimento global de elevação dos juros, para controlar a inflação que já vinha alta e piorou com a invasão da Ucrânia, tirou o brilho dos ativos de risco. Este movimento deve permanecer por um bom tempo, afetando ativos em bolsa", comenta Fabiano Godoi, sócio e diretor de Investimentos da Kairós Capital.

Segundo levantamento realizado por Einar Rivero com apoio da plataforma TC/Economatica, em dólar o Ibovespa, entre 23 de fevereiro e 20 de junho acumula queda de 13,4%, superior ao recuo de 9,79% do Índice Dow Jones, e de 13,03% do S&P500.

Na Nasdaq, bolsa de tecnologia americana, o tombo é ainda maior, de 17%. Na visão de Godoi, com a Selic saindo de 2% ao ano para os atuais 13,25%, o custo de oportunidade de se investir em ativos de risco, como bolsa, ficou muito alto.

A fuga intensa de capital de países emergentes na direção das principais economias, outra consequência comum em situações de forte incerteza, desta vez será amenizada. Em cenários marcados por estresse e alta nos juros americanos ou europeus, o investidor tende a sangrar recursos de países como o Brasil para alocá-los em mercados considerados mais seguros.

"Se o juro brasileiro começasse a subir junto com o americano ou de outras economias, poderíamos perder capital. Mas o fato de termos iniciado antes o aperto nos dá um certo conforto, um colchão", explica Godoi.

O equilíbrio destas forças — com juro brasileiro nominal e real muito alto e o americano só agora começando a subir — tende a manter o câmbio relativamente estável. Hoje, a cotação da moeda americana está perto de R$ 5,20 e deve orbitar, na visão dos analistas, em torno de R$ 5 ao longo dos meses. "Como exportamos commodities, entra mais dinheiro pela via do comércio. E, como juro está alto também, atrai capital. Mesmo a instabilidade que atrai para ativos e mercados mais seguros, não acredito que jogue o real muito para baixo", comenta André Perfeito.

BBC Brasil

O Cafezinho

 


Show de Elba tem coro contra Bolsonaro e pró Lula: ‘Cada um tem o presidente que merece’

 Domingo, 26 de Junho de 2022 - 19:05

por Alexandre Brochado / Anderson Ramos

Show de Elba tem coro contra Bolsonaro e pró Lula: ‘Cada um tem o presidente que merece’
Foto: Enaldo Pinto / Ag. Haack / Bahia Notícias

Além cumprir o prometido e levar muito forró, xote e frevo para o palco do Parque de Exposições neste domingo (26), a apresentação da cantora Elba Ramalho também teve espaço para manifestações políticas.

 

Em uma parte do show da paraibana, o público fez coro contra o presidente Jair Bolsonaro e a favor do candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Elba não ignorou a situação e opinou sobre o assunto. “Vivemos em um país democrático e o povo tem direito de se manifestar. Cada um tem o presidente que merece”, disse a cantora.

 

No ano passado a artista foi alvo de duras críticas ao dizer que a pandemia era uma ação de “comunistas” destinada a destruir cristãos, durante uma live.

Bahia Notícias

Acordo do TSE contra fake news tem baixa adesão de religiosos

 Segunda, 27 de Junho de 2022 - 07:20

por Mateus Vargas | Folhapress

Acordo do TSE contra fake news tem baixa adesão de religiosos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) convidou 33 líderes ou representantes de entidades religiosas para assinar um acordo contra fake news nas eleições, mas conseguiu apoio efetivo de apenas 13 nomes.
 

A ideia do tribunal era receber a assinatura de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), como o empresário Carlos Wizard, além do líder da bancada evangélica, o deputado Sóstenes Cavalcante (União Brasil-RJ), mas eles não endossaram o acordo.
 

Também foram convidados, mas não apoiaram o termo de cooperação, representantes de grandes igrejas evangélicas.
 

O TSE buscou, entre outros nomes, o bispo Abner Ferreira, presidente da Assembleia de Deus, Ministério de Madureira, o pastor Samuel Câmara, presidente da CADB (Convenção da Assembleia de Deus do Brasil), e o bispo Eduardo Bravo, presidente da Unigrejas. Bravo chegou a afirmar à Folha, dias antes do evento, que assinaria o documento.
 

Depois, em nota, o presidente da Unigrejas disse que resolveu ficar como observador pois havia "temas sensíveis em pauta, como o chamado combate à desinformação".
 

Já o deputado Sóstenes afirmou que não participou por "razões pessoais". As listas dos convidados e de quem assinou o documento foram entregues pelo tribunal à Folha via Lei de Acesso à Informação.
 

Procurado, o TSE não se manifestou sobre os pedidos rejeitados de apoio ao termo.
 

O tribunal recebeu apoio de entidades de juristas evangélicos, islâmicos e espíritas. Também participaram do evento em 6 de junho e assinaram o documento representantes dos adventistas, judeus, budistas e de religiões afro-brasileiras.
 

No acordo, as lideranças religiosas se comprometeram a promover a "exclusão da violência durante as pregações, sermões e homilias, ou ainda em declarações públicas ou publicações que venham a fazer".
 

A ideia do TSE é reduzir a resistência ao sistema de voto, no momento em que Bolsonaro realiza ataques às urnas e faz ameaças golpistas.
 

"Democracia, ordem jurídica e religião partilham, para além do caráter necessário e vital, o fato de que pressupõem, em conexão com a busca incessante por justiça, a consolidação de um estado firme e indeclinável de aceitação e respeito", afirmou o presidente do TSE, Edson Fachin, durante o evento.
 

O presidente do tribunal disse que a proposta é defender a "natureza pacífica das eleições" e que a Justiça Eleitoral enfrenta "dificuldades inusuais".
 

"Como decorrência da crescente intolerância, do progressivo esgarçamento de laços e, sobretudo, do evidente processo de degradação de valores decorrente da expansão irrefreada do fenômeno da desinformação", disse o magistrado.
 

Horas antes do evento de assinatura do termo de cooperação, o pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro, publicou um vídeo nas redes sociais chamando Fachin de "esquerdopata de carteirinha". Ele cobrou boicote ao documento.
 

"Foi um fiasco. Uma das maiores religiões do país não tem os representantes legais. Ele [Fachin] fez isso com interesses políticos para isolar o presidente [Bolsonaro]", afirmou Malafaia à Folha.
 

O tribunal também convidou alguns escritores para assinarem o pacto, como Augusto Cury. A Folha não conseguiu contato com ele.
 

Também foi enquadrado na categoria "escritor", no convite da corte, o empresário Carlos Wizard. Procurado, ele não quis explicar a razão de não ter assinado com o TSE.
 

A CPI da Covid-19 sugeriu o indiciamento de Wizard pelos crimes de epidemia com resultado morte e incitação ao crime. Ele foi um incentivador do uso de medicamentos sem eficácia para a Covid, como a hidroxicloroquina.
 

Um dos articuladores do evento do TSE, e signatários do pacto, é William Douglas, juiz do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região.
 

Douglas era um dos nomes avaliados por Bolsonaro para preencher a vaga de "terrivelmente evangélico" no STF, que ficou com André Mendonça.
 

O TSE também convidou alguns líderes religiosos que foram representados, no evento, por outros nomes, caso da monja Coen Rosh. Ela não esteve na cerimônia do tribunal, mas o documento foi assinado pelo monge Keizo Doi.
 

Em outros casos, o convite foi feito ao presidente de uma entidade, que acabou representado no evento por um

 subordinado.


Bahia Notícias

A vidência mítica de Bolsonaro que nos ludibria o caos

 Segunda, 27 de Junho de 2022 - 07:30

por Fernando Duarte

A vidência mítica de Bolsonaro que nos ludibria o caos
Foto: Alan Santos / PR

A última semana foi marcada pela operação da Polícia Federal que prendeu o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Vivêssemos em condições normais, o país estaria escandalizado pela suposição de que um ministro poderia estar envolvido em um esquema que envolvia cobrança de propina por liberação de verbas para a educação. Porém estamos num Brasil que normalizamos o absurdo e seguimos o baile. Até que surgiram os poderes preditivos do presidente Jair Bolsonaro.

 

Milton Ribeiro já não tinha cumprido o rito regular de alguém que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ao invés de ir para o foro onde houve a determinação, como aconteceu tantas vezes durante a Lava Jato, o ex-ministro ficou em São Paulo, enquanto a defesa buscava um habeas corpus que o liberasse da prisão. Um desembargador que deseja ser ministro do Superior Tribunal de Justiça foi quem sentenciou o novo destino. Antes mesmo de se deslocar para Brasília, o pastor foi libertado e vai responder ao processo fora da prisão, ainda que corra o risco de destruir provas.

 

O esquema dos pastores no MEC e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é absurdo sob qualquer viés. Fosse ele nos governos de José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff ou Michel Temer, as panelas estariam tilintando em janelas. Agora, o silêncio é manifesto, junto com o aval para o discurso de que não há corrupção em um governo que nasceu sob o estigma da rachadinha. Milton Ribeiro virou ícone da nova perseguição ao mítico presidente da República, que nunca sabe de nada e que é sempre uma vítima da sociedade.

 

O episódio de interferência superior na PF, que veio a público com a mensagem de um delegado e corroborada com os grampos telefônicos autorizados pela Justiça, foi a cereja do bolo dessa semana atribulada nos corredores da União. Para evitar que o assunto se mantivesse em pauta, houve até a esforço de acusar uma criança de 11 anos de homicida após ela finalmente conseguir o direito de abortar. A sorte dos brasileiros é que temos um vidente no exercício da presidência. Talvez por isso a gente não esteja a enxergar o caos instalado. Acreditamos em vidência, em mitos e até que não há corrupção nos governos.

Bahia Notícias

Coren e Cofen vão investigar enfermeira que vazou dados de Klara Castanho

 Segunda, 27 de Junho de 2022 - 08:00

Coren e Cofen vão investigar enfermeira que vazou dados de Klara Castanho
Foto: Reprodução/Instagram

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) publicaram cartas abertas informando que vão apurar se houve vazamento de dados sigilosos de Klara Castanho.

 

A atriz postou uma carta aberta onde informava que foi ameaçada por uma enfermeira após ter sido estuprada, engravidar e entregar o bebê para adoção (veja aqui).

 

“No dia em que a criança nasceu, eu, ainda anestesiada do pós-parto, fui abordada por uma enfermeira que estava na sala de cirurgia. Ela fez perguntas e ameaçou: 'Imagina se tal colunista descobre essa história'. Eu estava dentro de um hospital, um lugar que era para supostamente para me acolher e proteger”, informou Klara na carta. 

 

Nas cartas divulgadas, os Conselhos prestaram solidariedade a Klara e informaram que caso haja infração ética praticada as medidas previstas no Código de Processo Ético dos Conselhos de Enfermagem, serão adotadas. 

 

Leia abaixo, na íntegra, a carta aberta do Coren-SP:

 

O Coren-SP, assim como a sociedade brasileira, tomou ciência neste final de semana da situação exposta pela atriz Klara Castanho, que menciona, em uma carta aberta, ter sido alvo de ameaça de uma enfermeira e a seguinte confirmação por colunista da imprensa a respeito de informações sobre a entrega para adoção de um bebê fruto de um estupro.

 

Compete ao Coren-SP apurar as situações em que haja infração ética praticada por profissional de enfermagem e adotar as medidas previstas no Código de Processo Ético dos Conselhos de Enfermagem (Resolução Cofen nº 370/2010).

 

Nesse sentido, o conselho seguirá os ritos e adotará os procedimentos necessários para a devida investigação, como ocorre em toda denúncia sobre o exercício profissional. Assim, o Coren-SP ressalta a cautela necessária sejam tomadas as medidas corretas para a apuração dos fatos.

 

O conselho manifesta sua solidariedade à atriz Klara Castanho e reafirma seu compromisso cotidiano com a ética profissional da enfermagem e com a segurança da assistência prestada pela categoria, assim como com a humanização do cuidado, um dos pilares que devem sustentar a prática profissional. Tão logo venha a dispor das informações necessárias para a investigação, o Coren-SP reforça que todos os procedimentos para apuração serão devidamente realizados.

 

Leia abaixo, na íntegra, a carta aberta do Cofen:

 

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) manifesta profunda solidariedade à atriz Klara Castanho, que, após ser vítima de violência sexual, teve o seu direito à privacidade violado, durante processo de entrega voluntária para adoção, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Diante dos fatos, o Cofen determinou a apuração da ocorrência e tomará todas as providências que lhe couber para a identificação dos responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas pertinentes ao caso.

 

O princípio basilar da Enfermagem é a confiança. Portanto, o profissional de saúde que viola a privacidade do paciente em qualquer circunstância comete crime e atenta eticamente contra a profissão, conforme prevê o Art. 52 do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.

 

Casos assim devem ser rigorosamente punidos, para que não mais se repitam. Da mesma forma, devem ser execrados comunicadores que deturpam a função social do jornalismo para destruir a vida das pessoas. Vida privada não é assunto público.

 

Assim como Klara, milhões de mulheres brasileiras são vítimas de violência sexual todos os anos e não encontram o acolhimento a que têm direito. São julgadas, ultrajadas e abandonadas, com sequelas para a vida toda.

 

Esse caso é reflexo de um problema muito mais profundo, que precisa ser enfrentado pela sociedade brasileira. Como uma força de trabalho majoritariamente feminina, a Enfermagem sente na pele o que é a violência de gênero.

 

De acordo com dados do próprio Ministério da Saúde, 17 mil meninas com idade inferior a 14 anos tiveram filhos em 2021, todas elas vítimas presumidas de estupro de vulnerável. Crianças que se tornaram mães, sem nenhuma noção de seus direitos.

 

Que a revolta provocada pelo caso Klara Castanho sirva realmente para uma mudança verdadeira. As mulheres precisam ter os seus direitos reprodutivos respeitados e atendidos. A sociedade brasileira não pode continuar torturando mulheres como ela.

 

O Cofen e a Enfermagem estão com Klara e com as mulheres vítimas de violência, contra os maus profissionais e contra o machismo. Estamos com todas as mulheres


Bahia Notícias

Educação: apenas a ponta do iceberg da corrupção no governo Bolsonaro

 em 27 jun, 2022 4:09

  Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
              “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.


Nós últimos anos a educação no país passou por um processo de destruição e de perseguição, principalmente nas universidades federais. O presidente da extrema-direita é um dissimulador que ainda tem a coragem de falar no combate a corrupção para uma parcela do eleitorado que ainda acredita no “mito” de barro.

A educação no Brasil foi transformada num balcão de negócios e o terceiro ministro da pasta no atual governo, Milton Ribeiro, foi o responsável maior pela troca de   moeda para agradar a base evangélica num escândalo sem precedentes de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) à prefeituras em troca de propinas solicitadas e recolhidas por pastores lobistas. Após a prisão do ministro, Bolsonaro tirou a cara que tinha colocado “no fogo” e disse que cada um responde por seus atos.

O desgoverno do insano Bolsonaro tem muito escândalos. A educação é apenas a ponta do iceberg. Seria uma piada se o Brasil não tivesse cerca de R$ 30 milhões de pessoas passando fome ouvir o slogan do presidente: “sem inflação, sem corrupção e com Deus no coração, ninguém segura esta Nação”.

Bolsonaro vive num mundo paralelo, o mundo dos puxa-sacos e dos extremistas de direita que aplaudem tudo que ele fala. Se o “mito” pedir para eles comerem “capim” a briga será para saber quem comeu mais.

Os pastores envolvidos usam o nome de Jesus. O genocida presidente usa o nome de Deus. Misericórdia Deus com o Brasil, onde cerca de 30% do eleitorado ainda segue o “mito” de barro.

A cegueira destes seguidores é a mesma de parcela dos petistas que acreditam que o mensalão nunca existiu, nem o esquema de corrupção na Petrobras.

Alguém, em sã consciência, acredita que a corrupção institucionalizada será extirpada do Brasil com o atual quadro político?


 

85 Anos da Somese: Justa homenagem, hoje, 27, com Comenda para médicos (as) que estão na história de Sergipe Como parte das comemorações alusivas aos 85 anos da Sociedade Médica de Sergipe – Somese, a diretoria, comandada pelo competente médico Hesmoney Ramos de Santa Rosa, realizará hoje, 27 de junho, segunda-feira, no auditório da instituição, às 19h30, a solenidade de entrega da Comenda Somese 85 anos para médicos e médicas que têm enorme serviços prestados a Sergipe e ao país.

Os homenageados José Abud, Francisco Guimarães Rollemberg, José Hamilton Maciel Silva, Marcos Teles de Melo,Dietrich Wilhelm Todt, Margarida Maria Diniz Franco, Sônia Dantas Passos, Rosa Maria Sampaio Villa-Nova de Carvalho, Leda Maria Delmondes Freitas Trindade e Sônia Maria Lima Santana Marcena.

Pré-candidato ao governo, Fábio Mitidieri, com Covid-19 No sábado, 25, o pré-candidato ao governo do Estado pelo PSD, deputado federal Fábio Mitidieri informou nas redes sociais que testou positivo para Covid-19. O pré-candidato realizou teste e recebeu atendimento médico no Centro de Síndrome Gripal de Aracaju, equipamento da rede municipal de Saúde e cumprirá recomendações médicas em casa. Esta é a segunda vez que Fábio Mitidieri testa positivo para covid.

Pobreza avança 12,5% em Sergipe, revela IMDS Deu no blog Primeira Mão: O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) realizou levantamento e o jornal Folha de São Paulo publicou dados em sua edição do dia 25 deste mês (ontem) sobre a evolução da pobreza no Brasil. Os dados expostos são de 2021 e hoje o quadro pode ser bem pior. Conforme os dados do levantamento,  a piora foi generalizada. A Folha informa que quase 11 milhões caíram na pobreza em todo o país em 2021. “Para se ter uma dimensão desse contingente, é como se quase todos os moradores da cidade de São Paulo se tornassem pobres em um ano”, diz. No Nordeste, mais 5,5 milhões de pessoas  caíram para a faixa da pobreza  e isso elevou o número total para 22,8 milhões, o que representa algo em torno de 40% a população da região. Pior é esse cenário em Sergipe. Em nosso estado a pobreza avançou 12,5%, a maior alta do país, quase o triplo da média nacional que é de 5%.


Decisão do TSE E o jornalista Anderson Christian, do AndersonsBlog, foi o primeiro a noticiar – após a decisão do TSE – que o pré-candidato ao governo, de Francisquinho (PL), através da sua defesa, bem como o deputado Talysson de Valmir, também PL e também através de sua defesa, podem recorrer da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato de Talysson e tornou inelegíveis tanto ele como Valmir. “Claro que essas filigranas jurídicas são complexas e de difícil entendimento, disso ninguém duvida. Mas há uma máxima, fundamentada na Constituição Federal, de que ninguém pode ser condenado definitivamente antes que todos os recursos possíveis e existentes no Judiciário brasileiro sejam esgotados”, explicou Anderson.

Rapidez Anderson Chirstian explicou que, segundo uma fonte da equipe de defesa de Valmir de Francisquinho, ouvida por AndersonsBlog, o recurso é possível e mais: diante da votação apertada no TSE, sendo que o ministro presidente do tribunal, Edson Fachin, teve que manifestar seu voto de minerva, uma vez que o pleno da corte empatou o julgamento, a expectativa é que o recurso seja efetivamente apresentado o mais rapidamente possível. Em entrevista ao comunicador Luiz Carlos Focca, no site Itnet Notícias, o prefeito de Itabaiana, Adailton Souza, reforçou que Valmir de Francisquinho continua pré-candidato ao governo e não existe plano “B”. “Não tenho dúvida disso”, reforçou.

Valmir e a “solidariedade” dos amigos da onça E o blog, ficou “espreitando” nas redes sociais de alguns políticos nos dias posteriores a cassação de Valmir de Francisquinho. Chamou a atenção alguns “aliados” dele que nos seus perfis prestaram solidariedade, mas através de suas assessorias e amigos começaram a colocar possíveis apoios de Valmir a outros candidatos e, é lógico, o nome deles. Ou seja, não esperam nem mesmo o recurso – será que torcem contra? – e já pensam em “pegarem” o espólio eleitoral de Valmir. Deus é mais! Ainda bem que Valmir é esperto e sabe quem está hoje ao lado dele “fazendo de conta” que o incentiva, mas na verdade torcem para que ele anuncie o apoio para seus projetos individualistas e, até mesmo, empresariais. Deixe acabar esta celeuma, se ele será ou não candidato, para o blog divulgar os nomes dos “amigos da onça” de Valmir. Arrepare, Osmário!

INFONET

Pastores da quadrilha do MEC montaram seu quartel-general num hotel de Brasília

Publicado em 26 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

fachada do hotel, aparece parte da torre de apartamento. Na frente, há duas árvores e um carro está parado

No hotel, os prefeitos eram pressionado a pagar propinas

Paulo Saldaña e Fabio Serapião
Folha

A Polícia Federal confirmou 63 hospedagens do pastor Arilton Moura e uma do pastor Gilmar Santos em um hotel de Brasília usado por eles como QG para negociações de verbas federais com prefeitos. Em dez dessas vezes, Arilton se hospedou nas mesmas datas em que Luciano de Freitas Musse, ex-assessor do MEC (Ministério da Educação), também estava no local.

Como a Folha revelou em março, os pastores — próximos do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-ministro Milton Ribeiro — usavam o hotel Grand Bittar para receber prefeitos e assessores e negociar liberação de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Eles nunca tiveram cargo no governo.

GRANDE FREQUÊNCIA – A reportagem indicou que funcionários do MEC também circulavam com grande frequência no local, no setor hoteleiro Sul da capital federal. O que também foi confirmado pela PF.

A presença mais recorrente no hotel era a de Arilton Moura. Ele se hospedou 10 vezes em 2020, outras 38 em 2021 e, neste ano, esteve em 10 oportunidades no local.

A última vez que Arilton fez chek-in hotel foi em 21 de março. É o mesmo dia em que a Folha revelou áudio em que o ex-ministro diz que priorizava pedidos do pastor Gilmar e que isso ocorria a partir de pedido de Bolsonaro. Ele falava ainda em um apoio que seria destinada a igrejas. Ele fez check-out no dia 23 de março e, segundo os registros colhidos pela PF, não voltou mais ao local.

BARRA DE OURO – Em março, dois funcionários relataram à reportagem que o pastor Arilton chegou a exibir uma barra de ouro no restaurante do hotel — isso teria ocorrido em meados de 2021.

Há registro de apenas uma estadia do pastor Gilmar, em 9 de setembro de 2021. Mas os relatos de prefeitos, assessores e funcionários do hotel indicam que ele circulava com assiduidade pelo lobby e restaurante do mezanino.

Já o ex-assessor do MEC Luciano Musse hospedou-se por 29 vezes no Grand Bittar. Foram 24 em 2021 e 5 neste ano. A PF ressalta as datas coincidentes em que Musse e Arilton hospedaram-se ao mesmo tempo. Das dez vezes que isso ocorreu entre 2021 e 2022, em sete delas Luciano Musse já estava no cargo de gerente de projetos da secretaria-executiva do MEC.

COMITIVA RELIGIOSA – Musse só foi exonerado em 29 de março, um dia depois que Milton Ribeiro se desligou do cargo. Antes de entrar para o MEC, ele integrava a comitiva dos religiosos e esteve em ao menos três encontros oficiais com o ministro Milton Ribeiro.

“Luciano, no contexto investigativo até aqui delineado, atuando juntamente com os pastores Arilton e Gilmar, é personagem importante no suposto esquema de cooptação de prefeitos para angariar vantagens pessoais através do direcionamento ou desvio de recursos do FNDE/MEC a pretexto de atender políticos/prefeituras”, diz a PF no inquérito.

E continua: “Caracterizando, hipoteticamente, uma sofisticada captação ilegal de recursos públicos com a eventual ‘infiltração’ de operador financeiro na gestão da pasta”.

ALTA PROPINA – A pedido de Arilton, Musse recebeu R$ 20 mil nas tratativas para realizar um evento com Milton Ribeiro em uma cidade do interior de São Paulo.

Os investigadores confirmaram declaração do prefeito de Jaupaci (GO), Laerte Dourado (PP), de que Luciano Musse fez o convite para o encontro com os pastores no hotel Grand Bittar.

Relatos de reuniões com prefeitos no hotel, seguidas de encontros com Milton Ribeiro, coincidem com as estadias. Tanto Luciano quanto Arilton estavam hospedados em 5 de janeiro deste ano, quando o prefeito de Rosário (MA), Calvet Filho (PSC), gravou um vídeo com o agora ex-ministro direto do apartamento dele, na Asa Norte de Brasília. Calvet encontrou-se com os pastores no hotel, segundo relatos — o que ele negou à reportagem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A Polícia Federal atuou com grande competência, mostrando que o presidente da República pode interferir junto à Diretoria da PT, mas não consegue frear a estrutura de investigação, o que é uma notícia altamente auspiciosa. (C.N.)

No caso de Milton Ribeiro, o presidente Bolsonaro foi apanhado com a boca na botija

Publicado em 26 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Caso Milton Ribeiro repercute no Congresso; oposição aciona STF e tenta  convocar ministro da Justiça | Política | G1Merval Pereira
O Globo

A interferência do presidente Bolsonaro nos órgãos de fiscalização do governo fica cada vez mais clara à medida que os fatos vão se desenrolando. É provável que esta última, no caso da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, passe em branco graças à extrema boa vontade com que o procurador-Geral da República Augusto Aras trata as questões ligadas ao presidente.

Mas está evidente que Bolsonaro teve informações privilegiadas através do ministro da Justiça Anderson Torres, a quem a Polícia Federal é subordinada funcionalmente mas, vê-se agora, não a controla.

MAIS UMA PROVA – Bolsonaro tentou várias vezes escolher os comandos da Polícia Federal, como o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusou, e essa é mais uma demonstração de que o presidente queria mesmo ter o controle das ações da PF para defender sua família e amigos.

“Não vou deixar fuderem minha família toda e meus amigos”, disse Bolsonaro na famosa reunião ministerial em que exigiu fidelidade canina a seus auxiliares.

A interferência do presidente e do ministro da Justiça na PF, porém, é limitada a questões burocráticas, como impedir que o preso prestasse depoimento de corpo presente em Brasília. Ou a informações privilegiadas. Mas não há poder para parar uma investigação como essa, que foi para o Supremo Tribunal Federal (STF) justamente por envolver o presidente da República.

VERSÍCULOS – A proximidade de Bolsonaro com o pastor Milton Ribeiro deve-se à primeira-dama MichelLe, e, pelos diálogos gravados, Bolsonaro recebia versículos de seu ex-ministro.

A primeira tentativa de livrar-se do problema, dizendo que Milton Ribeiro deveria “responder por seus atos”, deve ter detonado uma reação forte, pois Bolsonaro logo recuou da frieza com que abandonara o antigo ministro para se envolver com ele pública e privadamente, a ponto de avisá-lo que estava com um “pressentimento” de que a Polícia Federal poderia fazer “busca e apreensão” na sua casa.

Se tivesse alguma coisa a esconder, o ex-ministro teve tempo suficiente para se livrar do que o incriminasse, graças ao vazamento seletivo do presidente, que deveria ser punido por crime de responsabilidade, um dos muitos que poderiam ser cobrados dele em um país normal. Um obstáculo a mais na sua campanha pela reeleição.

Em destaque

O corrupto Valdemar diz que o corrupto Ciro Nogueira é bem-vindo na campanha…

Publicado em 13 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Valdemar e Ciro Nogueira são políticos da mesma esti...

Mais visitadas