sexta-feira, junho 24, 2022

Campanha de Bolsonaro vê Datafolha com alívio e aposta em pacote social para reação

 Sexta, 24 de Junho de 2022 - 09:00

por Marianna Holanda, Renato Machado, Danielle Brant, Matheus e Julia | Folhapress

Campanha de Bolsonaro vê Datafolha com alívio e aposta em pacote social para reação
Foto: Carolina Antunes/PR

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) receberam com alívio o resultado da pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (23), que mostrou estabilidade do mandatário.
 

Na avaliação de integrantes da campanha, os números poderiam ter vindo piores diante do novo aumento no preço dos combustíveis e da prisão de um ex-ministro do governo. O resultado, segundo esses aliados, mostra que Bolsonaro pode ter chegado a um piso no primeiro turno e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a um teto.
 

O Datafolha mostra o petista com 19 pontos de vantagem sobre o presidente, marcando 47% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Bolsonaro.
 

Os números se assemelham ao da pesquisa passada, divulgada no final de maio. Na ocasião, o ex-presidente tinha 21 pontos de vantagem.
 

A maior preocupação do entorno do chefe do Executivo tem sido a crise econômica e a alta dos preços da gasolina e do diesel. Mas, como a Folha de S.Paulo mostrou, o governo deve mudar o pacote de combustíveis que havia proposto para dar um incremento direto nos benefícios do Auxílio Brasil.
 

A avaliação é de que a situação econômica chegou a um momento tão complicado que tudo que há de ruim é atribuído ao presidente. A pesquisa reforçou que a única variável que importa neste momento é o bolso, na avaliação do Planalto.
 

Por isso, aliados esperam que, diante do pacote reformulado de R$ 1.000 de ajuda aos caminhoneiros, do aumento no vale-gás e de um Auxílio Brasil de R$ 600, Bolsonaro poderá voltar a subir nos levantamentos eleitorais. Eles lembram que o melhor momento de popularidade do presidente foi quando o governo pagou R$ 600 do auxílio emergencial, durante o momento mais agudo da pandemia.
 

O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (PL-TO), afirma que a população tem cada vez mais a percepção que a questão dos preços dos combustíveis está ligada ao contexto externo e que as medidas do governo nesse sentido serão sentidas em breve.
 

"Muita coisa sobre o governo pode melhorar daqui para a frente e assim vai melhorar, com certeza, a situação do presidente Bolsonaro", disse Gomes, que aposta na reeleição do mandatário.
 

O Planalto também credita a estabilidade de Bolsonaro diante do reajuste dos combustíveis à estratégia de comunicação do governo —que, no caso, conseguiu transferir a responsabilidade e, de certa forma, vilanizar os executivos da Petrobras.
 

A campanha de Bolsonaro tem um instituto de pesquisa próprio contratado, mas seus integrantes costumam também se orientar por uma média dos principais levantamentos.
 

Ainda assim, há aliados que desacreditam as pesquisas publicamente. Coordenador-geral da campanha do pai, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o levantamento de "torcida contra o Bolsonaro".
 

"Quer dizer que o Lula defende o aborto em rede nacional e a pesquisa mostra que ele não cai entre os evangélicos? Isso não é pesquisa, é torcida contra Bolsonaro", afirmou, em nota.
 

Na campanha petista, a avaliação é de que o Datafolha reflete o atual cenário econômico negativo, o que breca possibilidades de crescimento de Bolsonaro.
 

A aposta no PT é que as próximas semanas serão decisivas para avaliar o desempenho do presidente, quando ele colocar na rua novo pacote de medidas econômicas.
 

Se as medidas não surtirem efeito, líderes petistas avaliam que Bolsonaro poderá desidratar e chegar ao piso de seu eleitorado, que, dizem, fica entre 20% a 25% da população.
 

Se as propostas tiverem apelo popular, Bolsonaro conseguiria manter a polarização para tentar levar a disputa a um segundo turno.
 

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), considera que o cenário de estabilidade mostra a consolidação dos votos em Lula e Bolsonaro.
 

"Tem um resultado consolidado, tanto pro lado de Lula como do Bolsonaro. A terceira via não se mexeu", diz.
 

A presidente tem dúvidas sobre o efeito eleitoral que a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro terá na popularidade de Bolsonaro por avaliar que o mandatário tem uma base muito fiel. Ela opina, porém, que o caso desmonta o discurso anticorrupção do mandatário.
 

Se Bolsonaro conseguir botar o novo pacote econômico-social de pé, o PT deve adotar o discurso de que as propostas são meramente eleitoreiras e têm data para acabar, em dezembro deste ano.
 

O ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) afirmou, por sua vez, que a população "está querendo definir [as eleições] no primeiro turno". "Com a liderança absoluta de Lula e a polarização consolidadas, a tendência que está emergindo é que o povo está querendo definir no primeiro turno. Quanto mais o povo compara Lula e Bolsonaro, mais a nossa vitória está assegurada", disse, em nota.
 

O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse não ser impossível Ciro Gomes desbancar Bolsonaro e enfrentar Lula no segundo turno.
 

Para ele, a prisão de Milton Ribeiro ainda não se refletiu na pesquisa. "Esse negócio que aconteceu ontem [prisão] ainda não deu repercussão eleitoral para o Bolsonaro. Não deu tempo. Acho que ainda vai dar consequência porque não vai ficar só nisso", afirmou.
 

A pesquisa também mostrou que a grande aposta da terceira via, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), não decolou até o momento, um mês após ter sido confirmada por MDB, PSDB e Cidadania como o nome do bloco.
 

O levantamento mostrou a senadora com 1% das intenções de voto.
 

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, minimizou o resultado. Afirmou que ainda estão em "início de campanha".
 

"Pesquisa a gente sabe que apenas está representando o momento. Seguimos em frente acreditando que o Brasil vai romper essa polarização entre Lula e Bolsonaro. Estamos em início de campanha", afirmou.

Bahia Notícias

Caso Genivaldo: MPF apura sigilo em processos contra agentes da PRF

 Sexta, 24 de Junho de 2022 - 09:20


Caso Genivaldo: MPF apura sigilo em processos contra agentes da PRF
Foto: Reprodução / Polícia Rodoviária Federal

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento para investigar a classificação de "informação pessoal" imposta aos processos administrativos contra os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos na abordagem que resultou na morte de Genivaldo de Jesus Santos, em Sergipe. Ele foi morto em uma espécie de "câmara de gás" improvisada em uma viatura.

 

A corporação negou acesso a procedimentos já conclusos contra os policiais e alegou se tratar de "informação pessoal", o que na prática impõe sigilo de 100 anos sobre o teor dos autos (leia mais aqui).

 

No despacho, o coordenador do Controle Externo da Atividade Policial em Sergipe, o procurador da República Flávio Matias, destacou que a Lei de Acesso à Informação define como informação pessoal “aquela relacionada à pessoa natural identificada ou identificável”.

 

Já a Controladoria Geral da União (CGU), em manual sobre a aplicação da lei, esclarece que “não é toda e qualquer informação pessoal que está sob proteção. As informações pessoais que devem ser protegidas são aquelas que se referem à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem.”

 

Após autuação da notícia de fato, o procedimento será distribuído, por sorteio eletrônico, a um procurador da República em Sergipe que atua na área criminal e em controle externo da atividade policial para acompanhamento das investigações e demais providências.

Bahia Notícias

Afinal, o que conversaram Moraes e Bolsonaro, fechados numa sala na casa de Arthur Lira?

Publicado em 23 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Arthur Lira reúne Bolsonaro, Moraes, governistas e oposição em jantar para  Gilmar | Alô Salvador

Bolsonaro chega ao jantar acompanhado por Ciro Nogueira

Danielle Brant e Marianna Holanda
Folha

O jantar oferecido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pelos 20 anos do ministro Gilmar Mendes no STF (Supremo Tribunal Federal) teve uma oração iniciada pelo colega de tribunal André Mendonça e uma defesa pelo diálogo entre os Poderes feita pelo homenageado da noite.

Na quarta-feira (22), Lira reuniu cerca de 40 integrantes dos três Poderes no jantar em homenagem Gilmar realizado na residência oficial da Câmara, em Brasília. O rol de convidados incluiu líderes da oposição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

ENCONTRO RESERVADO – Moraes é alvo preferencial do bolsonarismo por relatar investigações que afetam aliados do presidente. Durante o jantar, Moraes e Bolsonaro chegaram a ter um encontro reservado, de cerca de 15 minutos, segundo revelou a coluna da Mônica Bergamo, da Folha.

Participantes disseram que o jantar seguiu em clima amistoso. Bolsonaro ficou cerca de duas horas no encontro. Segundo relatos, o presidente cumprimentou todos os presentes, incluindo deputados da oposição que foram convidados. Ao chegar, ainda de acordo com relatos, disse em tom de brincadeira: “Aqui hoje só tem gente boa”.

Bolsonaro permaneceu na confraternização ao lado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) e do ex-ministro da Defesa Braga Netto, apontado como possível vice na campanha do presidente à reeleição. Braga Netto tem acompanhado o mandatário em eventos políticos.

DISCURSOS – Durante o jantar, discursaram os presidentes das duas Casas do Congresso, Lira e e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Também falaram os ministros do STF Ricardo Lewandowski, Gilmar e André Mendonça.

Lewandowski fez um discurso ressaltando a trajetória de Gilmar, em que destacou seu papel de liderança. Em seguida, discursou o homenageado. Gilmar fez uma fala ressaltando a importância do diálogo entre os Poderes. Lembrou da experiência de governos anteriores, como os de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da diferença, disse Gilmar, eles se sentavam à mesa para dialogar.

Gilmar também disse, de forma geral, que é importante saber receber críticas e entender as razões de cada um. Antes do fim dos discursos, Mendonça, outro indicado por Bolsonaro ao STF, pediu a palavra. Ele fez um agradecimento em tom pessoal, mencionou a família de Gilmar e agradeceu a Deus pela vida dele. Em seguida, puxou uma oração e foi acompanhado pelos demais convidados.

BOLSONARO E MORAES – Segundo a coluna de Mônica Bergamo, Bolsonaro e Moraes conversaram a portas fechadas no jantar. Foi a primeira conversa dos dois desde que o chefe do Executivo passou a se queixar publicamente de uma suposta quebra de acordo por parte do ministro, no ano passado, em meio às convocações golpistas feitas por Bolsonaro para os atos do 7 de Setembro de 2021.

Moraes e o ex-presidente Michel Temer (MDB), que presenciou a conversa entre os dois em 2021, negam que tenha existido um acordo.​

Ao chegar ao jantar na casa de Lira, Bolsonaro cumprimentou Moraes de forma amistosa. Fez piadas com o fato de o magistrado ser corinthiano e ele, palmeirense. Depois de circularem separados entre outros convidados, os dois voltaram a se encontrar —desta vez, em uma sala reservada, e sem a presença de outras testemunhas.

TODOS QUEREM SABER – O fato de se isolarem em uma sala chamou a atenção de outros convidados, que festejaram o fato como um sinal de distensionamento, ao menos momentâneo, entre os dois.

Segundo participantes do jantar, o presidente do STF, Luiz Fux, não compareceu. Tampouco foram os ministros Luis Roberto Barroso e Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

Bolsonaro tem lançado dúvida sobre as eleições, insistindo em questionar o sistema de contagem de votos. Quando questionado se respeitaria o resultado das urnas, caso não consiga sua reeleição, Bolsonaro se negou, em mais de uma ocasião, a responder à pergunta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Arthur Lira conseguiu um feito realmente notável. Ninguém esperava que Bolsonaro e Moraes aceitassem se trancar numa sala para conversar civilizadamente. É o assunto mais badalado em Brasília, mas ninguém sabe o que houve entre os dois. Vamos esperar o noticiário da chamada “Rádio Corredor”, porque em sociedade tudo se sabe, como dizia Ibrahim Sued. (C.N.)

Pastores agiam no MEC como “organização criminosa sofisticada”, diz a Polícia Federal

Publicado em 23 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Prisão de Milton Ribeiro: quem são os pastores alvo da operação da PF | A  Gazeta

Gilmar Santos e Arilton Moura são pastores lombrosianos

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Fausto Macedo e Júlia Affonso
Estadão

Ao pedir a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, a Polícia Federal (PF) citou uma “organização criminosa” que, segundo os investigadores, se “infiltrou” no Ministério da Educação (MEC). Os policiais federais descreveram “camadas de atuação” usadas para controlar a pasta.

De acordo com a PF, o ex-ministro seria responsável por “conferir o prestígio da administração pública federal à atuação” dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, “conferindo aos mesmos honrarias e destaque na atuação pública da pasta, até mesmo, internamente, nas dependências da sede do Ministério da Educação, e, sobretudo, nos eventos onde os pastores faziam parte do dispositivo cerimonial”, diz a Polícia Federal.

SAQUEANDO O ERÁRIO – O objetivo, segundo a investigação, seria “promover a própria imagem e explorar economicamente o serviço público”.

A manifestação dá destaque para a nomeação do advogado Luciano Musse como gerente de projetos da Secretaria Executiva do MEC. A PF diz que a escolha demonstra a “sofisticação da atuação agressiva da ORCRIM (organização criminosa)” e seu “desprezo à probidade administrativa e fé pública”. Ele foi citado pelo prefeito de Jaupaci (GO), Laerte Duarte, como “assessor” do pastor Arilton.

Outro trecho aponta como intermediário de propinas o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia, Helder Diego da Silva Bartolomeu, que é genro do pastor Arilton Moura. Os investigadores dizem que a conta dele foi usada para receber vantagens indevidas.

ACESSO PAGO – A representação da Polícia Federal resultou na Operação Acesso Pago, que prendeu ontem o ex-ministro e os pastores. Eles conseguiram, no entanto, um habeas corpus junto ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), em Brasília, para aguardar a conclusão das investigações em liberdade.

Quando o gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação veio a público, revelado pelo Estadão, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu uma investigação preliminar.

Algumas movimentações bancárias chamaram atenção dos auditores: depósitos de R$ 20 mil na conta de Luciano Musse e transferências de R$ 30 mil para Helder Bartolomeu. Os pagamentos teriam sido feito em parcelas por Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton.

AMPLA INVESTIGAÇÃO – Ao encontrar os depósitos, a CGU acionou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). “No decurso da Investigação Preliminar Sumária também foi identificada a prática de atos suspeitos por pessoas que não se submetem à competência correcional da Controladoria-Geral da União”, informou o órgão.

A PF também coloca sob suspeita um depósito de R$ 50 mil na conta de Myriam Ribeiro, mulher do ex-ministro. Como mostrou o Estadão, a defesa do casal alegou que o valor seria oriundo da venda de um carro e teria sido repassado por familiares do pastor Arilton Moura que compraram o veículo.

Os policiais federais dizem que o relatório entregue pela Controladoria, somado aos achados da investigação, “demonstram, documentalmente, o recebimento de vantagem solicitada pelos investigados”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Se o famoso criminalista italiano Cesare Lombroso conhecesse os dois pastores do MEC, daria urros de satisfação. O semblante deles já evidencia tudo. Qualquer um poderia prendê-los sem saber os que eles estavam fazendo, e os dois pastores nem reclamariam, porque saberiam muito bem o motivo de serem presos. Repare bem a fotografia. (C.N.)

Delegado denuncia “interferência” no caso Milton Ribeiro, e PF manda abrir apuração

Publicado em 23 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Delegado da PF responsável pela prisão de Milton Ribeiro denuncia  interferência na investigação - Brasil 247

Delegado denunciou as “honrarias” ao ministro corrupto

Wellington Hanna
TV Globo — Brasília

A Polícia Federal divulgou nota nesta quinta-feira (23) na qual anunciou a abertura de um procedimento interno para apurar “boatos de possível interferência” na operação que levou à prisão o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro — ele foi solto na tarde desta quinta por ordem do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Na nota, a PF não esclarece o que seria a “possível interferência”.

“Considerando boatos de possível interferência na execução da Operação Acesso Pago e objetivando garantir a autonomia e a independência funcional do Delegado de Polícia Federal, conforme garante a Lei nº 12.830/2013, informamos que foi determinada a instauração de procedimento apuratório para verificar a eventual ocorrência de interferência, buscando o total esclarecimento dos fatos”, diz o texto da nota.

DECISÃO SUPERIOR – Em mensagem interna a colegas da PF, o delegado Bruno Callandrini denunciou que houve “decisão superior” para que Ribeiro não fosse transferido para Brasília, conforme determinação judicial emitida na quarta-feira por um juiz federal. A TV Globo teve acesso à mensagem, depois de o jornal “Folha de S.Paulo” ter publicado a informação.

Em razão da “decisão superior”, escreveu o delegado, ele deixou de ter “autonomia investigativa e administrativa para conduzir o Inquérito Policial deste caso com independência e segurança institucional”.

“Falei isso ao Chefe do CINQ [Coordenação de Inquérito nos Tribunais Superiores, da Polícia Federal] ontem, após saber que, por decisão superior, não iria haver o deslocamento de Milton Ribeiro para Brasília e manterei a postura de que a investigação foi obstaculizada ao se escolher pela não transferência de Milton a Brasília à revelia da decisão judicial”, escreveu o delegado na mensagem.

HONRARIAS AO PRESO – De acordo com o delegado, foram concedidas ao ex-ministro honrarias não existentes na lei. “O principal alvo, em São Paulo, foi tratado com honrarias não existentes na lei, apesar do empenho operacional da equipe de Santos que realizou a captura de Milton Ribeiro, e estava orientada, por este subscritor, a escoltar o preso até o aeroporto em São Paulo para viagem a Brasília”, escreveu.

Na tarde desta quinta, Milton Ribeiro deixou a carceragem da Polícia Federal na capital paulista. Ele foi solto por volta das 15h, depois de o desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), cassar a prisão preventiva determinada pelo juiz federal Ricardo Borelli, da 15ª Vara da Justiça Federal de Brasília.

Na decisão, o juiz Borelli havia determinado a transferência de Milton Ribeiro para Brasília, onde seria ouvido em audiência de custódia no início da tarde. A Polícia Federal, no entanto, argumentou que, naquele momento, estava sem condições “logísticas” de transportar o ex-ministro de São Paulo para a capital federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Pegou mal a concessão de “honrarias não previstas em lei” a um reles criminoso, que se valeu de um cargo federal para enriquecimento ilícito, exatamente como ocorreu com Lula quando estava na Presidência. E como a impunidade está mais do que garantida no Brasil, a Polícia prende e a Justiça logo solta. (C.N.)

Bolsonaro entrou em modo desespero e Lula não indica se entendeu o que vem em 2023

Publicado em 24 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

PSDB e MDB dividem palanques com Lula ou Bolsonaro em 16 estados e DF |  Exame

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

William Waack
Estadão

Neste momento político da corrida eleitoral os horizontes dos dois líderes se distanciaram bastante. O de Lula já está em 2023. O de Bolsonaro se reduziu aos próximos 101 dias (2 de outubro é a data do primeiro turno).

O presidente se envolveu numa custosa operação política de curtíssimo prazo para o tamanho do objetivo, que é baixar na marra o preço dos combustíveis. Até aqui não conseguiu, nem colocou de pé a ajuda para quem não tem como pagar gás e diesel.

NADA DISSO IMPORTA – Sendo a mesma coisa as políticas de governo e a eleitoral, nenhuma está funcionando. Tampouco estão ajudando fatos “imponderáveis” para a campanha dele, como a prisão do ex-ministro da Educação, por quem disse que poria a cara no fogo.

Ao eleitorado cativo pouco importa, pois populistas como Bolsonaro não dependem de coerência entre palavras e ações. Em situações adversas desse tipo, tornam-se “traídos” – mas é uma “vitimização” que não acrescenta votos.

Visivelmente confortável na liderança das pesquisas, Lula não indica em público se tem noção exata do desastre político – para um chefe de Executivo – que herdaria de Bolsonaro.

MENSALÃO LEGALIZADO – Pode até parecer “confortável” para um agrupamento político como o PT o recente assalto ensaiado pelo Centrão às instâncias que protegem estatais de interferências políticas, mas a questão é mais abrangente.

Não se trata simplesmente de colocar a Petrobras de joelhos e voltar a lotear as diretorias de estatais, algo que o PT e seus aliados (como o MDB) praticaram com os conhecidos resultados. A volta triunfante do clientelismo vem acompanhada agora de instrumentos inéditos de poder por parte do Legislativo.

Em termos brutais, se o “mensalão” de uns 20 anos atrás foi ferramenta para assegurar maiorias, esse instrumento hoje nem sequer existe. As emendas do relator permitem às lideranças parlamentares administrar seu próprio “mensalão” de forma perfeitamente legal.

PERSPECTIVAS SOMBRIAS –  Lula está enganado se pensa que se entender com o Centrão é questão de habilidade política. Teria de lidar em 2023 com uma massa relativamente atomizada de parlamentares sem dispor de espaço fiscal ou ferramentas para exercer controle – teria os votos para não ser impichado, mas não as maiorias para implementar qualquer matéria de longo alcance.

E isto tudo é só a política. Estão se adensando os sinais de uma recessão em algumas das principais economias lá fora, com inevitáveis consequências para o Brasil.

Vencendo, Lula assume num momento global de contração e não de expansão, como aconteceu em seu primeiro mandato. Se entendeu o que vem em 2023, ainda não foi ao microfone avisar a todos nós a bordo: “brace for impact”. A colisão é inevitável.

O verdadeiro chefe do governo é Arthur Lira, que já pôs em vigor o semipresidencialismo

Publicado em 24 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)

Jair Bolsonaro tenta se reeleger, mas quem governa é Lira

Ricardo Corrêa
O Tempo

Oficialmente presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) tem atuado na prática como o verdadeiro presidente da República nos temas mais complexos e que exigem solução emergencial no país. Enquanto o chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL) tem intensificado viagens e eventos de campanha, como motociatas e encontros com apoiadores, e atos menores no Palácio do Planalto, tem cabido ao chefe da Câmara fazer as articulações e propor soluções para um dos problemas mais crônicos vivenciados hoje no país: a alta dos preços e, em especial, os reajustes nos combustíveis.

Nos últimos dias, diversas reuniões têm acontecido na residência oficial de Arthur Lira e no gabinete da presidência da Câmara. Nesses espaços, Lira define as pautas, trabalha com seus aliados em propostas para serem votadas no Legislativo, articula suas aprovações junto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e chama ministros para alinhar pontos de programas a serem lançados.

SEMIPRESIDENCIALISMO – Tudo o que, tempos atrás, aconteceria no Palácio do Planalto, agora é com Lira. Isso sem falar, é claro, do fato de Lira ter controle sobre a liberação de emendas, por meio do aprisionamento do Orçamento por parte do Legislativo.

As presenças frequentes de ministros e de Pacheco na residência de Lira indicam que não se trata apenas de mera articulação para a votação de projetos na Câmara, mas de construção de planos de governo e articulação política plena. Como o presidente do Senado e do Congresso tem sido um anteparo a certos arroubos, sobretudo para defender Estados e municípios e a boa relação com o Judiciário, Lira precisa fazer um alinhamento com o Supremo que, em condições normais, seria missão do chefe do Poder Executivo.

EM PLENO COMANDO – Assim se deu no episódio da mudança do ICMS dos combustíveis e da energia. A construção da ideia e a articulação para a aprovação foi toda conduzida por Lira. O Palácio do Planalto só assistiu, resistindo a certas mudanças e apoiando outras. Bolsonaro, inclusive, demonstrou posições dúbias sobre o texto apresentado e que aguarda sanção presidencial. Defendeu a limitação do ICMS, mas sem compensação aos Estados.

Agora, a condução dos trabalhos por Lira fica tão evidente que até mesmo o indicado por Bolsonaro para a Presidência da Petrobras foi nesta terça-feira (21) recorrer a Lira. Ele visitou o deputado para pedir que ele intercedesse para agilizar sua aprovação e escolha para comandar a estatal.

Da mesma forma, a CPI do Preço dos Combustíveis, anunciada por Bolsonaro, é tratada por Lira, responsável inclusive por anunciar publicamente que o partido do presidente, o PL, havia começado a recolher as assinaturas para tal.

É TUDO COM LIRA – Outras medidas construídas por ele e seu grupo, como mudança na taxação de lucros do setor, a criação de auxílios mesmo vedados em ano eleitoral e até mesmo uma eventual mudança na Lei das Estatais, tudo é tratado na residência oficial de Lira, que pode não ser o imperador do Japão, como disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas parece acumular cada vez mais as funções de chefe do Legislativo e do Executivo.

Em outubro, porém, ele precisará apenas de uma votação de deputado em Alagoas para continuar nessa função. E está reeleito por antecipação.

Bem mais fácil que a tarefa de Bolsonaro, que ficou com os discursos, as questões ideológicas e a representação pública do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Muito interessante o artigo de Ricardo Corrêa, editor de política de O Tempo. Foi publicado antes do jantar oferecido ao ministro Gilmar Mendes, quando Lira reuniu Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes numa sala fechada, somente os dois, para resolverem suas diferenças, e somente Lira sabe o que foi conversando entre os dois. O fato é que, antes mesmo de ser apresentado o projeto do semipresidencialismo, Lira já o colocou em vigor. (C.N.)

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