domingo, abril 25, 2021

OAB pede a Aras que inclua mortes e vacinação lenta em representação contra Bolsonaro

Publicado em 24 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Entidade diz que Bolsonaro empreendeu ‘cruzada’ contra a vacinação

Rayssa Motta
Estadão

Depois de representar contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo sua investigação pela infração de medidas sanitárias preventivas na pandemia, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) agora quer a responsabilização do chefe do Executivo pelas mortes causadas por negligência do governo na crise do coronavírus.

Em manifestação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, na quarta-feira, dia 21, a OAB renova o requerimento pela abertura da investigação e pelo envio de denúncia contra o presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao mesmo tempo em que sugere o aditamento do pedido inicial, formalizado em março, para inclusão, no escopo de uma eventual frente de apuração, das mortes e lesões corporais de natureza grave decorrentes de omissão.

“CRUZADA” – A entidade argumenta que o presidente empreendeu ‘verdadeira cruzada’ contra a vacinação e estimulou o descumprimento de medidas de isolamento social.

“Não há outra conclusão possível: houvesse o Presidente respeitado aquelas medidas sanitárias preventivas contidas no art. 3o, incisos I, II e III, alínea d, da Lei 13.979/20, seguramente milhares de vidas teriam sido preservadas. Deve, por isso mesmo, responder não somente pelo delito de infração de medida sanitária preventiva (art. 268 do Código Penal), como também pelas mortes e lesões corporais de natureza grave daí decorrentes por negligência”, diz um trecho do documento.

MEDIDAS DURAS – Pelo menos desde o início do mês passado, com a nova escalada da pandemia, os conselheiros da OAB têm aumentado a pressão por medidas duras contra o governo Bolsonaro e, na semana passada, a comissão interna criada para avaliar a gestão federal na condução da crise sanitária levou a proposta de inclusão das mortes por covid-19 causadas por omissão do Planalto no rol de crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro.

O Brasil já registrou 14.122.116 infectados pela covid-19 e 381.687 mortes por complicações causadas pela doença, segundo o balanço mais recente do consórcio formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde.


Mistério! Em plena pandemia, por que houve recorde no surgimento de novos bilionários no Brasil?


Charge: japiemfoco.com

Charge reproduzida da www.aljazeera.net

Carlos Newton

É inacreditável, inimaginável e inaceitável o resultado da recente pesquisa da revista Forbes. Mostra que a maior pandemia dos últimos 100 anos serviu de alavanca para aumentar a concentração de riqueza no mundo, inclusive no Brasil, É difícil acreditar, mas 2020 foi um ano recorde para os mais ricos do mundo, com aumento de US$ 5 trilhões (ou R$ 28 trilhões) em riqueza e o surgimento de um número sem precedentes de novos bilionários.

A revelação é de um especialista no assunto, o jornalista Kerry A. Dolan, editor da revista Forbes, que exibe a frieza dos números sem detalhar como se formaram essas novas fortunas.

PANDEMIA RENTÁVEL – A edição da Forbes demonstra que o ano da pandemia foi venturoso para o mundo dos negócios, com crescimento superior a 20% no número de novos bilionários, ou seja, com fortuna superior a US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões), um fato sem precedentes.

Em conjunto, eles hoje acumulam fortuna estimada em US$ 13,1 trilhões (R$ 73 trilhões). Há 493 novos nomes na lista de 2021 da Forbes, “cerca de um novo bilionário a cada 17 horas”, incluindo 210 da China e 98 dos Estados Unidos.

Diz a Forbes que o Brasil também seguiu essa tendência — em plena pandemia, o número de brasileiros bilionários cresceu de 45, em 2020, para 65 agora. No total, esses brasileiros bilionários têm patrimônio conjunto de US$ 291,1 bilhões (R$ 1,6 trilhões), contra US$ 127 bilhões (R$ 710 bilhões) no ano passado

LEMANN NA DIANTEIRA – É o brasileiro mais rico é Jorge Paulo Lemann, que foi morar na Suíça depois que três filhos seus conseguiram escapar ilesos de uma tentativa de sequestro em São Paulo.

Detalhe importantíssimo – nos últimos anos Lemann se tornou um severo crítico do capitalismo, na forma como é exercido em países como o Brasil, tendo destinado parte de sua fortuna para financiar estudos sobre a questão que considera mais importante no mundo – a desigualdade social.    

Além de ter criado sua própria Fundação, Lemann é cofundador e membro do conselho da Fundação Estudar, que desde 2002 custeia bolsas de estudo em universidades americanas e inglesas para graduação, pós-graduação e formação de lideranças. Uma das ex-bolsistas do programa é a deputada federal Tabata Amaral.

VIROU “COMUNISTA” – A Fundação Estudar financiou e deu apoio ao Movimento Vem pra Rua, que em 2013 e 2014 organizou grandes manifestações de protesto contra o desastrado governo de Dilma Rousseff.

O mais curioso de tudo isso é que Lemann hoje é considerado comunista pelas hordas adoradoras de Jair Bolsonaro, que consideram intolerável haver empresários que tenham consciência social e sonhem com uma sociedade mais justa.

“Nós nunca vamos ter estabilidade se tivermos desigualdade”, disse Lemann em 2016, numa palestra na Universidade Harvard, em Cambridge (EUA).

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P.S. –
 É um desafio tentar saber como se formaram tantos novos bilionários em 2020, em plena pandemia Aqui no Brasil, só pode ter sido no agronegócio e nos setores de supermercados e de farmácias, que puderam ficar abertas em quaisquer situações. O resto se danou, como se diz no Nordeste. De toda forma, esse enriquecimento em época de pandemia é mais imoral dos que as pecaminosas brechas da lei. (C.N.)

Militares criticam a intenção de Bolsorano usar o Exército contra governadores e prefeitos


Engrossa o caldo dos que querem ver Bolsonaro pelas costas | VEJA

Jair Bolsonaro insiste em usar o nome das Forças Armadas

Igor Gielow
Folha

Menos de um mês após a maior crise militar desde 1977 no país, Jair Bolsonaro voltou a incomodar altos oficiais das Forças Armadas com o que consideram uma bravata: o uso do Exército contra medidas de restrição para combater a Covid-19. Durante sua visita a Manaus na sexta (23), o presidente disse à TV A Crítica que “nossas Forças Armadas podem ir para rua um dia sim (…) para fazer cumprir o artigo 5º [da Constituição]: o direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, direito ao trabalho, liberdade religiosa”.

Para membros da cúpula militar ouvidos sábado (dia 24) pela Folha, Bolsonaro confunde conceitos e usa sua posição de comandante-em-chefe da Forças Armadas de forma política, para pressionar adversários como os governadores João Doria (PSDB-SP) e Rui Costa (PT-BA).

MAIS DETALHISTA – O presidente, que já causara contrariedade anteriormente entre oficiais-generais ao insinuar que “o meu Exército” iria combater as restrições, desta vez foi mais detalhista ao desenhar o que pretende fazer.

“Nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar iremos para a rua não para manter o povo dentro de casa, mas para reestabelecer todo o artigo 5º da Constituição. E se eu decretar isso, vai ser cumprido”, num trecho observado por um almirante como tentativa de asseverar autoridade.

Juridicamente, a ideia do presidente é uma salada que foi vista como esdrúxula por integrantes do Supremo Tribunal Federal, onde qualquer ação mais radical de Bolsonaro invariavelmente iria acabar.

DIREITO DE IR E VIR – Na entrevista, ele disse que direitos fundamentais de ir e vir e de associação são tolhidos pelo toque de recolher. Como instrumento para sacar a carta militar, usou o surrado artigo 142 da Constituição, que dispõe sobre o emprego das Forças Armadas.

No texto, os Poderes podem requisitar o uso de força para manter a ordem pública. Aí entra o truque retórico de Bolsonaro, que na entrevista afirma que tem um plano discutido no governo para “o que fazer se um caos generalizado se implantar no Brasil pela fome”.

No discurso presidencial, medidas que visam coibir a circulação do novo coronavírus, que de resto nunca chegaram perto de um lockdown com exceções pontuais, são responsáveis por desemprego e miséria.

CULPA DO SUPREMO – Como é usual, ele culpou o Supremo por “lamentavelmente” ter dado poderes aos governadores e prefeitos, o que é uma leitura torta: a decisão da corte visava suprir justamente a ausência de ações de governo no começo da pandemia.

O fato de Bolsonaro ter demorado quatro meses para restabelecer um auxílio emergencial quando a pandemia recrudescia naturalmente não entra na fala.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), inclusive está discutindo a recriação de mecanismos do chamado Orçamento de Guerra, para aumentar o poder de fogo reduzido da ajuda neste ano. O orçamento, aliás, em 2020 foi aceito pelo governo a partir de uma proposta que envolveu Congresso, Supremo e Tribunal de Contas da União, sem iniciativa por parte do Planalto.

POR QUE AÇÃO MILITAR? – A questão é que, na prática, o caos que há no país é sanitário, com as quase 400 mil mortes da pandemia. Na visão de oficiais, não há nada que demande ação militar, no sentido de violência ou saques sistemáticos de supermercados, por exemplo.

Sobre as declarações de Bolsonaro na entrevista em Manaus, Doria afirmou: “A postura demonstra mais uma vez o quanto Bolsonaro tem devoção pelo autoritarismo e alergia a democracia. Ele selou um pacto com a morte que só não é maior no Brasil por conta da ação de governadores e prefeitos”.

Há temores, tanto entre militares quanto entre políticos e membros do Judiciário, do agravamento da crise social e eventuais instabilidades, mas nada parecido com o caos iminente pintado pelo presidente.

AMEAÇAS ANTERIORES – Há aqui um padrão. Em 2019, quando o Chile enfrentou protestos maciços de rua, Bolsonaro também balançou a ameaça de crise no Brasil para insinuar que poderia tomar medidas de força. Não deu em nada.

Em 2020, ao longo da crise institucional do primeiro semestre, quando participou de atos pedindo o fechamento de outros Poderes, Bolsonaro usou o quanto pôde a imagem das Forças Armadas.

Tudo isso se acalmou até a piora da pandemia, quando o presidente cobrou do então ministro Fernando Azevedo (Defesa) mais apoio político nas Forças. Na época, Bolsonaro estava agastado com o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, que havia rechaçado publicamente a ideia de envolvimento do serviço ativo com política. Isso devido ao fato de que a imagem do Exército estava sendo corroída pela criticada administração da crise sanitária pelo general Eduardo Pazuello, que acabou demitido da Saúde e deve ser o alvo principal do começo dos trabalhos da CPI da Covid no Senado.

A CRISE MILITAR – O resultado foi a demissão de Azevedo, seguida pelo pedido conjunto de saída dos três comandantes de Forças, transformado por Bolsonaro numa demissão pelo novo ministro, o general Walter Braga Netto.

Na escolha dos novos comandantes, contudo, pacificou um pouco a situação interna, dado que eles indicaram que seguiriam exatamente a linha de seus antecessores.

Para militares, as falas de Braga Netto mais alinhadas a Bolsonaro, como no episódio em que ele disse que era preciso respeitar o” projeto escolhido pela maioria dos brasileiros”, são apenas para consumo externo.

O PREÇO DAS VANTAGENS – Mas alguns políticos tomaram nota do fato de que o presidente citou o ministro nominalmente ao delinear seu “plano contra o caos”, mantendo cautela acerca de suas reais intenções.

Seja como for, as medidas usuais de intervenção para situações de calamidade, estado de defesa (mais pontual) ou de sítio (no país todo), dependem do Congresso para serem aprovadas —ou seja, seriam de difícil aprovação hoje.

Os militares seguem enredados no cipoal em que se meteram ao permitir a associação de imagem com o governo e ao auferir vantagens como sua reforma previdenciária e de carreira.

sábado, abril 24, 2021

Marco Aurélio envia ao plenário ação que aponta omissão de Bolsonaro na pandemia


Marco Aurélio não quis dar liminar à ação, que é  polêmica

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, decidiu enviar ao Plenário da corte uma ação em que o PCdoB e do PSOL apontam omissão e descaso do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da covid-19 no País. As legendas pedem ao STF determine ao presidente que institua uma comissão autônoma, composta por representantes da União, dos governos estaduais e da comunidade científica, para coordenar o combate à pandemia no País.

Segundo os partidos, trata-se de caso de excepcional urgência considerando o contexto da calamidade pública e o colaboracionismo explicitamente assumido pelo presidente para o avanço exponencial da contaminação e da letalidade em escala social.

INDIFERENÇA ÀS MORTES – As legendas apontam ainda uma olímpica indiferença do governo federal ao crescimento exponencial das mortes por covid-19 no País.

Em despacho dado nesta sexta-feira, dia 23, Marco Aurélio invocou dispositivo que prevê que o plenário analise medida cautelar em caso de excepcional urgência e relevância da matéria.

O decano do STF deu cinco dias para que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o pedido dos partidos da oposição.

OMISSÕES CONSTITUCIONAIS – Na petição inicial, as legendas apontam omissões inconstitucionais de Bolsonaro, uma delas referente à conduta praticamente assumida de resistência e de oposição a procedimentos relacionados à defesa da saúde e da vida dos brasileiros. Os partidos falam em inúmeras iniciativas do presidente de menosprezo à gravidade da pandemia e apontam ainda boicote ou retardamento de providências imprescindíveis e urgentes para a atenuação de seus efeitos.

“A condução do governo federal, ao longo da ocupação do território nacional pelo vírus, é análoga à do governo colaboracionista do general Pétain na ocupação da França pelos nazistas, no curso da Segunda Guerra Mundial. A diferença é que o governo brasileiro tem, ainda hoje, o apoio de uma fração expressiva da população, que aceita as fantasmáticas alegações que o confronto com os vírus será vencido pela fé e pela coragem”, registram os partidos no pedido enviado ao Supremo.

COMISSÃO GESTORA – O PCdoB e o PSOL pedem que Bolsonaro seja obrigado à regulamentar a comissão para gerir o combate à pandemia, garantindo à mesma autonomia e prevendo expressamente a sua competência para adotar todas medidas de contenção e isolamento social, até o extremo de um lockdown nacional. Segundo os partidos, as medidas de isolamento são imperativas, considerando que a vacinação avança em ritmo bem menor que o necessário, por retardamento proposital na aquisição de vacinas e insumos.

“As políticas sociais que visem à redução do risco de doença, no contexto da calamidade pública iniciada há um ano e agravada exponencialmente agora, seriam as medidas de isolamento social e quarentena, mais a medida extrema do lockdown, as quais caberia ao Chefe do Poder Executivo promover e coordenar nacionalmente”, diz a petição inicial.

APOIO FINANCEIRO  – Além disso, as legendas querem que a comissão autônoma possa recomendar iniciativas legislativas visando à promoção de medidas econômicas. A oposição aponta recusa e resistência notória à aplicação de medidas de tutela devidas às micro, pequenas e médias empresas, além de trabalhadores por conta própria, que têm as suas atividades bloqueadas parcial ou totalmente pelo Estado.

“A consagração da responsabilidade do Estado indica que ele deve também oferecer apoio financeiro às empresas para prevenção ou compensação do dano iminente, o que só poderá ser feito no bojo de uma regulação nacional do combate à pandemia, de forma centralizada, nas suas normas mais gerais a serem expedidas pelo Poder Executivo da União”, registra o documento enviado ao Supremo.

SUBSÍDIO PARA LOCKDOWN – Nessa linha, os partidos também querem que seja determinado ao presidente, que em até 30 dias, defina um plano de subsídio aos agentes econômicos.

Devem ter prioridade, especialmente, micro, pequenas e médias empresas e empreendedores autônomos para, se necessário, enfrentarem um eventual lockdown, sem o prejuízo da sua sobrevivência, com a capacidade mínima de adimplir regulamente a sua folha de pagamento no período em tela e custear as necessidades imediatas.


Ex-porta-voz questiona ausência de Mourão na Cúpula do Clima: ‘Foi personalismo doentio?’


Ex-porta-voz do governo, pernambucano Otávio do Rêgo Barros critica  Bolsonaro: 'Poder corrompe'

Argumentos usados por Rêgo Barros são inquestionáveis

Gerson Camarotti e Guilherme Mazui
G1 Política

Em artigo publicado neste sábado (24), com forte repercussão na cúpula do Exército, o general da reserva Otávio do Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência da República, questionou o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter deixado o vice-presidente Hamilton Mourão de fora da Cúpula de Líderes sobre o Clima.

“Foi personalismo doentio?”, indagou o general no texto publicado no Jornal do Commercio (PE) com o título “Passa boi e boiada”. O título faz referência à declaração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião ministerial de abril do ano passado, na qual defendeu “passar a boiada” nas mudanças das regras ambientais enquanto a atenção da imprensa estivesse focada na pandemia do novo coronavírus.

MOURÃO EXPURGADO – Bolsonaro participou na quinta-feira (22) da reunião virtual convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para discutir com chefes de Estado e de governo ações contra as mudanças climáticas, como preservação ambiental e transição para uma economia mais sustentável.

O presidente não chamou Mourão, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal, para ficar ao seu lado durante a cúpula. O presidente discursou e acompanhou as falas dos demais líderes ao lado dos ministros Ricardo Salles, Carlos França (Relações Exteriores), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Fábio Faria (Comunicações).

Questionado ainda na quinta-feira por jornalistas sobre a ausência, Mourão disse achar que Bolsonaro “não julgou” necessária sua presença durante a cúpula.

GENERAL CRITICA – ‘Uma ausência foi percebida. A do vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho Nacional da Amazônia, criado com o objetivo de combater as ofensas ao ambiente amazônico. Ele é preparado intelectualmente, viveu anos na região e, primacialmente, detém respeito por sua serenidade e capacidade argumentativa. Alijá-lo de cooperar debilita a imagem já opaca do país. Foi personalismo doentio?”, escreveu o general Rêgo Barros.

Exonerado do cargo de porta-voz em outubro do ano passado, Barros externou no artigo o desconforto que outros militares da cúpula do Exército têm manifestado em conversas reservadas sobre o tratamento de Bolsonaro a Mourão, escanteado de reuniões e decisões, mesmo estando à frente do conselho criado pelo presidente para combater crimes ambientais na Amazônia.

PRESSÃO DENTRO E FORA – No artigo, Rêgo Barros escreveu que na cúpula o governo brasileiro foi “impelido pela pressão externa e interna” e teve de “conceder uma valsa aos cavalheiros poderosos do baile”.

Segundo o ex-porta-voz do Planalto, Bolsonaro fez um discurso com “viés ameno” e prometeu se comportar daqui por diante.

O general ainda lembrou que autoridades americanas indagaram como serão cumpridas as promessas feitas por Bolsonaro – dobrar recursos para ações de fiscalização, eliminar o desmatamento ilegal em 2030 e buscar ‘neutralidade climática’ até 2050 (antecipando em 10 anos o compromisso).

LIXO DA HISTÓRIA – Para o ex-porta-voz, é preciso evitar que disputas políticas coloquem em risco o futuro das próximas gerações, pois se o Brasil não for eficiente na preservação ambiental, será enviado ao “lixo da história”.

“É o futuro de nossos descendentes que está sob ameaça. É direito e dever construí-lo e protegê-lo. Controlar a boiada. Cuidemos que as arengas políticas de ocasião não sejam, mais uma vez, palavras ao vento. Comportamentos distintos da preservação responsável nos enviará ao lixo da história. A ser um pária da humanidade”, escreveu Rêgo Barros.


Lewandowski libera a Renan Calheiros acesso a mensagens hackeadas da Lava Jato


Renan terá acesso apenas às mensagens com referências a ele

Rafael Neves
Folha

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou o acesso para a defesa do senador Renan Calheiros (MDB-AL) a mensagens de integrantes da Operação Lava Jato que vazaram há dois anos.

O material foi apreendido na Operação Spoofing em 2019 com hackers denunciados pela invasão de celulares de autoridades como o ex-ministro Sergio Moro e procuradores do Ministério Público Federal. Segundo a decisão de Lewandowski, Renan terá acesso apenas às mensagens com referências a ele. A decisão é do último dia 9 de abril.

CITAÇÃO EM DELAÇÃO – Renan é citado em acordos de delação premiada promovidos pela Lava Jato com investigados. Ele é apontado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Renan, que foi padrinho político de Machado, nega e diz que se trata de perseguição da Lava Jato contra ele. Segundo o UOL apurou, no entendimento de Lewandowski, a troca de mensagens entre os procuradores e Moro apontam indícios que corroboram o argumento de Renan.

O senador emedebista é o segundo alvo da Lava Jato a ter acesso às conversas, depois do ex-presidente Lula. O petista obteve as conversas no final de dezembro do ano passado, e a decisão foi confirmada pela Segunda Turma do Supremo em fevereiro.

PEDIDO NEGADO – Outros dois investigados, porém, tiveram o pedido negado: Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, e Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados —ambos presos. O ministro Lewandowski autorizou, no entanto, o envio do conteúdo das conversas ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao TCU (Tribunal de Contas da União).

O STJ investiga mensagens dos procuradores da Lava Jato que citam ministros do tribunal, mas o inquérito foi suspenso no dia 30 de março pela ministra Rosa Weber, do STF.

CONFLITO – Já o TCU apura possível conflito em um contrato firmado entre o ex-juiz Sergio Moro e a empresa Alvarez & Marsal, que é administradora da recuperação judicial do grupo Odebrecht.

Foi justamente Renan quem apresentou no Senado, em fevereiro, um projeto de lei que anistia os seis hackers alvos da Operação Spoofing. Segundo justificou o parlamentar, os acusados “extraíram um conjunto estarrecedor de conspirações que violaram a ordem jurídica e o Estado democrático de Direito com propósitos políticos”.

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