sábado, abril 24, 2021

Sergipe é o 2º estado com maior número de mortes em confrontos policiais em 2020, diz Monitor da Violência

Por G1 SE

 

 Sergipe é o segundo estado com o maior número de mortes durante confrontos policiais no ano de 2020, de acordo com o levantamento realizado pelo Monitor da Violência.

Segundo a pesquisa, o estado registrou a taxa de 8,5, ficando atrás apenas do Amapá com 12,5. A Bahia ficou em terceiro com 7,5, seguida de Rio de Janeiro com 7,1 e Pará com 5, por 100 mil habitantes.

Em 2020, de acordo com o levantamento, em linhas gerais foi registrada uma queda neste tipo de ocorrência. No entanto, a taxa de Sergipe saiu de 7,2 em 2019 para 8,5.

Através de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) explicou que as operações policiais em que há situação de confronto, em sua grande maioria, são pautadas em informações preliminares sobre pessoas envolvidas com a criminalidade e com uso de ferramentas de investigação e dos serviços das unidades de inteligência da Polícia Civil e Polícia Militar.

“Nossos agentes policiais agem no estrito cumprimento do dever legal e dentro das excludentes permitidas em lei. Nossas polícias primam pela legalidade, mas nas situações de confronto com a criminalidade, não hesitam em defender suas próprias vidas, da sociedade e a imagem de suas instituições. No mais, nossas Polícias Civil e Militar estarão atuando com respeito ao que é determinado em lei e na defesa do que mais importa, o cidadão de bem”.

 — Foto: Élcio Horiuchi / G1/Arquivo

— Foto: Élcio Horiuchi / G1/Arquivo

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Coluna Literatura: Leia 'Filho morto, alma lavada'


por Carlos Navarro Filho

Coluna Literatura: Leia 'Filho morto, alma lavada'
Foto: Paulo Barros

Se você conhece nada de sertão, da gente que nele habita, os costumes, os valores morais, esse texto de Almudeña Ruiz mostra um pouco. O traço de personalidade do sertanejo, reto e pacato, ao mesmo tempo duro e por vezes cruel. No sertão a vida vale o que é, não tem muito choro de quem fica porque não se tem muito a perder. Sentimento de perda, desespero, é muito urbano onde os horizontes são mais amplos, no sertão não, a menos que seja um coronel. Leia, você vai gostar. Clique aqui e leia o texto.

|“Governo foi incompetente na covid, mas isso não é crime”, diz vice-presidente da Câmara


“Não é motivo para impeachment”, afirma Marcelo Ramos

Pedro Ícaro
Correio Braziliense

O objetivo da CPI da Covid-19 não é emparedar ou constranger ninguém, mas sim definir um protocolo que salve vidas. Apurar responsabilidade deve estar em segundo plano, para não causar mais instabilidade institucional. Esse é o entendimento do deputado Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (20/4), em entrevista ao CB. Poder, programa realizado em parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

O deputado está confiante com relação ao nome indicado para comandar a comissão, o senador Omar Aziz (PSD-BA), e afirma que o parlamentar será criterioso no direcionamento da CPI, punindo a quem cometeu malfeitos, mesmo que seja o presidente da República. Contudo, Ramos acredita que a situação da covid no Brasil não configura crime de responsabilidade.

APENAS MÁ GESTÃO – “No Brasil não se cassa mandato nem se pune por má gestão. É preciso crime, ou seja, crime pressupõe dolo. Eu, por exemplo, acho que o governo federal conduziu muito mal a pandemia, o enfrentamento da pandemia. Mas não conduziu por desejo de matar. Ele foi incompetente na gestão da pandemia”, disse.

O Amazonas passou por momentos críticos durante a pandemia como a crise de oxigênio. Em condições normais, o estado consumia 15 mil metros cúbicos de oxigênio. No início do ano, com o grande número de internações na rede hospitalar, o consumo chegou a 90 mil metros cúbicos. Segundo o deputado, a tragédia amazonense resultou de um conjunto de irresponsabilidades.

“Não dá pra negar a gravidade do nível de incompetência da gestão do ex-ministro Pazuello, que foi um desastre para o Brasil e para o Amazonas. O então ministro, dois dias antes de estourar a crise no oxigênio, esteve no Amazonas em uma mobilização por protocolo preventivo por cloroquina, por ivermectina”, lembrou o deputado. “Voltou (a Brasília) e não falou nada do risco de desabastecimento de oxigênio. Dois dias depois da estada dele lá, o Amazonas virou um caos”, completou Ramos.

MAIS SOLUÇÕES – Apesar de considerar desastrosa a atuação do governo federal durante o enfrentamento da pandemia, o vice-presidente da Câmara afirma que a CPI da Covid não deve ser vista como um tribunal.

Marcelo Ramos também comentou sobre o Orçamento 2021, motivo de muita controvérsia no Congresso. A proposta aprovada pelos parlamentares aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro, possivelmente com veto de R$ 10,5 bilhões a emendas parlamentares.

“Pós aprovação do orçamento, ficaram alguns problemas porque o relator optou por incluir duas despesas que não estavam acordadas: R$ 6 bilhões destinados à emenda de senadores e R$ 7,5 bilhões destinados a investimentos do poder executivo. Ou seja, como se fosse uma emenda para o presidente da República. Para tirar essa folga fiscal, o relator anulou despesas obrigatórias”, comentou o deputado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O vice-presidente da Câmara está sendo piedoso em relação a um presidente que não respeita os homens de ciência e se comporta de forma altamente irresponsável, ao arriscar a vida dos cidadãos que governa. Esse comportamento deletério não pode ser admitido, porque equivale a crime de responsabilidade, sim. (C.N.)

Viagem de Bolsonaro a Manaus vira ato de desagravo a Pazuello, alvo de CPI


por Fabiano Maisonnave, Eduardo Laviano e Ricardo Della Coletta | Folhapress

Viagem de Bolsonaro a Manaus vira ato de desagravo a Pazuello, alvo de CPI
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No momento em que o Brasil se aproxima dos 400 mil mortos pela Covid, o presidente Jair Bolsonaro viajou até Manaus nesta sexta (23) para inaugurar um centro de convenções inacabado com capacidade para 10 mil pessoas.

A visita virou um ato de desagravo ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que é de Manaus. Ovacionado cinco vezes por dezenas de simpatizantes de Bolsonaro aglomerados em um dos cantos do centro de convenções, o general foi elogiado por Bolsonaro e pelo ministro do Turismo, Gilson Machado.

Ao final, os simpatizantes gritaram "Pazuello governador". O ex-ministro é dos principais alvos da CPI da Covid, que será instalada no Senado na próxima terça (27) e que irá apurar ações e omissões do governo federal na pandemia, além de repasses da União a estados e municípios.

O presidente falou por apenas cinco minutos. Além da menção positiva a Pazuello, presente entre as autoridades do evento, Bolsonaro repetiu que o país "começou a sair das garras da nefasta esquerda brasileira" e que, se o petista Fernando Haddad fosse presidente, "estaríamos em um lockdown nacional. Graças a Deus, isso não aconteceu."

A agenda presidencial desta sexta-feira em Manaus incluiu um encontro com líderes evangélicos e a distribuição simbólica de cestas básicas.

Mais efusivo, o ministro do Turismo chamou Pazuello para o centro do palco em meio a elogios: "Cadê o general Pazuello? Cadê ele? Venha cá. Eu fui testemunha da luta desse homem pela erradicação da doença no nosso país".

Esta foi a primeira viagem de Bolsonaro ao Amazonas desde que o sistema local de saúde colapsou, em janeiro. O presidente não fez nenhuma referência à morte de 6.600 pessoas no primeiro trimestre, um dos índices de óbito per capita mais elevados do mundo.

O evento teve uma gafe do ministro de Turismo. Com a sanfona em mãos, Machado anunciou que tocaria uma música da banda amazonense Carrapicho. Mas acabou fazendo uma versão quase irreconhecível de "Chorando se Foi", adaptação do grupo Kaoma de uma canção boliviana.

Na entrada do centro de convenções, Bolsonaro falou brevemente aos jornalistas para agradecer o título de Cidadão Amazonense concedido pela Assembleia Legislativa, aprovado com 14 votos a favor e apenas um contrário.

O Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques começou a ser construído em 2015 e custou R$ 40 milhões, pagos pelo Ministério do Turismo, além de R$ 224 mil do governo estadual.

O espaço faz parte do complexo da Arena da Amazônia, erguido para a Copa de 2014, no governo Dilma Rousseff (PT). Desde então, a estrutura tem sido subutilizada.

Apesar da inauguração, o saguão da cerimônia, no entanto, ainda estava sem acabamento. As paredes, de blocos de concreto, estavam sem reboco. Cinco pilares e uma parede tinham remendos. O governo estadual diz que 99% das obras estão prontas.

No salão, havia distanciamento entre cadeiras reservadas a jornalistas e convidados, mas a organização permitiu a entrada de dezenas de simpatizes de Bolsonaro, que se aglomeraram em um dos lados do espaço, com bandeiras do Brasil e de Israel.

Alguns tiravam a máscara para gritar em coro "mito", "eu vim de graça" e "fora, Globo lixo", além do Hino Nacional.

Por causa da epidemia, as convenções estão proibidas no Amazonas por tempo indeterminado. O local, com quatro andares, tem capacidade para receber 10 mil pessoas.

A alguns quilômetros do evento, um pequeno grupo de manifestantes de organizações de esquerda se reuniu na Assembleia Legislativa para protestar contra a homenagem dos deputados a Bolsonaro. Dali, eles caminharam até o centro de convenções carregando diplomas falsos de "Fuleiro" e cruzes em alusão aos mortos pela epidemia.

Bolsonaro, no entanto, já havia deixado o local. Antes de embarcar para Belém, ele concedeu entrevista a Sikera Jr., simpatizante do presidente e apresentador do programa policial Alerta Nacional.

O turismo no Amazonas tem interessado o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em setembro, os dois filhos do presidente inspecionaram as obras na companhia do governador Wilson Lima (PSC), em uma agenda focada no turismo. À época, Flávio defendeu a abertura de cassinos na Amazônia.

A viagem desta sexta ocorreu um dia após Bolsonaro ter participado da Cúpula do Clima, convocada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, e realizada de forma virtual. No discurso, o brasileiro disse que é preciso solucionar o "paradoxo amazônico" de melhorar o baixo índice de desenvolvimento humano na "região mais rica do país em recursos naturais".

Em Belém, Bolsonaro transferiu uma visita que faria a um depósito de suprimentos das Forças Armadas para a base aérea da capital do Pará. Ele entregou 468 mil cestas básicas do programa Brasil Fraterno que serão distribuídas para todo o estado.

No novo local, apoiadores que chegaram em vans e ônibus aguardavam a chegada de Bolsonaro, inicialmente prevista para as 15h.

Dezenas de pessoas desceram de ônibus escuros com logotipo do Primeiro Comando Aéreo Regional (Comaer) no local do evento.

Para entrar no ônibus, o Exército organizou uma fila em uma tenda verde colocada. Oficiais do Exército organizavam o fluxo. Todos os passageiros portavam bandeiras e camisas alusivas a Bolsonaro. Além de gritar "mito", também entoavam "Helder ladrão, teu lugar é na prisão" no momento em que o governador do Pará cumprimentou o presidente.

A reportagem não conseguiu ouvir a Aeronáutica a respeito do uso dos veículos do Comaer para o evento.

Acompanhado de ministros e deputados federais, Bolsonaro falou por quatro minutos e reiterou posicionamento contra medidas de combate à pandemia. Ele voltou a criticar governadores e prefeitos.

"Estamos atendendo essas pessoas, diferente daqueles que retiraram os empregos e não fizeram quase nada por aqueles que estão desempregados e passando fome", afirmou, pouco depois de cumprimentar o governador Helder Barbalho (MDB).

Bolsonaro também elogiou o trabalho de Pazuello.

"Ele fez o dever de casa lá atrás e não comprou [vacinas] no ano passado, apenas fez muitos contatos, porque precisava passar pela Anvisa. Seria uma irresponsabilidade do governo despender recurso para algo que ninguém sabia o que era ainda porque não estava no mercado. Alguns poucos países começaram a vacinar em dezembro. O Brasil começou em janeiro", disse.

Desde o início deste ano, Bolsonaro realizou viagens para uma dezena de estados, para participar, entre outros atos, de cerimônias de entrega de obras e solenidades militares.

De acordo com a agenda oficial, o único deslocamento para fora de Brasília sobre a Covid ocorreu em 7 de abril. Ele foi a Chapecó (SC) para encontro com o prefeito João Rodrigues (PSD), defensor do chamado tratamento precoce.

Neste ano, as demais agendas de Bolsonaro fora de Brasília não foram --oficialmente-- sobre a pandemia. Mas em diversos casos ele aproveitou seus pronunciamentos para tratar da crise sanitária, frequentemente atacando medidas de isolamento.

Antes da visita a Manaus, Bolsonaro esteve em São Paulo para a passagem do Comando Militar do Sudeste. A cerimônia ocorreu em 15 de abril.

Em março, o presidente teve apenas uma viagem oficial, para participar da inauguração de trecho da Ferrovia Norte-Sul, em São Simão (GO).

"Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?", disse ele na ocasião.

Diagnosticando o “médico bolsonarista”, que se deixa contaminar por uma “doença ideológica”


Ednei Freitas

O bolsonarismo na assistência médica, além de patologia moral, virou doença intelectual e profissional. Ficou famoso o caso do enfermeiro bolsonarista Anthony Ferrari Penza, de 45 anos, que acreditou nas orientações do presidente da República e passou a defender o uso de cloroquinae outros medicamentos efeito comprovado

Tornou-se conhecido nas redes sociais por publicar vídeos com informações falsas sobre a pandemia. Em um deles, Penza chegou a desaconselhar a vacinação. No último domingo, dia 19, o enfermeiro bolsonarista morreu  vítima da covid-19, na UTI do Hospital São José, em Duque de Caxias (RJ).

UM TIPO INTRIGANTE – Na verdade, dos tipos políticos mais extravagantes encontrados no fundo desse abismo em que nos encontramos, o “médico bolsonarista” é um dos mais intrigantes.

O enigma começa com as duas palavras que o designam: ele é médico por substantivo, exerce um ofício considerado nobre em qualquer sociedade, mas é também bolsonarista, por adjetivo, portanto filiado a uma atitude que coloca o extremismo político acima da missão de tratar doentes e salvar vidas.

Assim, não se trata de um médico que também seja bolsonarista, mas apenas de um bolsonarista que ganha a vida exercendo a medicina.

CONTESTAR A CIÊNCIA – Essa distorção social e política chegou ao ponto de exibir nas redes sociais exemplos de profissionais da saúde que se autoconcederam um upgrade ao status de cientista, pois seguiam Bolsonaro e contestavam as recomendações da Organização Mundial da Saúde e das entidades profissionais que acompanham os avanços da ciência médica.

No entanto, pensar o bolsonarismo como ideologia é tentar encontrar algum método nessa loucura, uma missão impossível.

A posição antivacina, a insistência em medicamentos ainda não suficientemente testados, a negação e a minimização da doença – alguma dessas posições depende de ser de esquerda ou direita, conservador ou liberal? Nada disso, nada mesmo.

NA VIDA REAL – Para as pessoas de bom senso e equilíbrio emocional, não há a menor relação entre esse comportamento bolsonarista e a vida real, baseada nos códigos e regras estabelecidos pelos costumes sociais.

Além disso, embora muitos médicos tenham se recuperado da patologia bolsonarista, pela força do choque de realidade que acabaram tomando no transcorrer da pandemia, ainda há profissionais da saúde que seguem confundindo ciência e política, como se fosse possível misturar soro fisiológico e óleo de rícino. É lamentável.


Supremo não julgou o ex-juiz Sergio Moro; simplesmente, anulou o foro de Curitiba


STF julgou na realidade a desqualificação do foro de Curitiba

Pedro do Coutto

O Supremo Tribunal Federal, ao contrário da versão destacada na imprensa, não julgou ainda a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá. Julgou na realidade a desqualificação do foro de Curitiba para decidir a matéria agora encaminhada para o Tribunal Regional Federal de Brasília.

São duas etapas distintas: uma a parcialidade de Moro, a outra a incompetência dele para julgar o ex-presidente da República. O que prevaleceu foi a tese de Edson Fachin que determinou a remessa dos autos do respectivo processo para o TRF da capital federal.

ANULAÇÃO – Vista a questão concretamente, chega-se à conclusão de que se o foro de Curitiba foi anulado, dele não resultam outros ângulos de pensamento. O que é anular? É apagar totalmente o episódio ou uma sequência de fatos. No caso do triplex, desqualificado o foro da capital do Paraná, não existe mais matéria a ser examinada. Porque não se pode decidir sobre algo que não existe.

Não se pode anular o que foi anulado antes. Dou o exemplo do futebol: se o juiz marca pênalti, mas o juiz do centro de observação anula, o árbitro não pode voltar atrás pela mesma razão da inexistência da materialidade do assunto. Digo materialidade porque essa é a linguagem jurídica adotada pelo STF.

VISTA DO PROCESSO – Não há duvida de que há número suficiente de ministros, maioria ampla entre os 11, para considerar o comportamento de Moro indaqueado e até ilegal. Mas é preciso considerar também que o ministro Marco Aurélio Mello pediu vista deste segundo processo e não tem prazo para que o presidente do STF, Luiz Fux, o coloque à apreciação do plenário.

O Globo e a Folha deram muito destaque à decisão do Supremo, através de matérias de André de Souza e Renata Mariz, O Globo, e de Matheus Teixeira, Folha de São Paulo. Certamente, o equívoco deverá ser corrigido nas edições de hoje e sábado. Mas esta é outra questão.

TELEFONEMA DE BOLSONARO – Mas há um outro assunto de grande relevância, e que não foi abordado nem pelo O Globo e nem pela Folha de São Paulo. Trata-se da divulgação pela GloboNews do telefonema dado por Bolsonaro ao governador de Alagoas, Renan Filho, solicitando a sua interferência junto ao pai, Renan Calheiros, para que assuma uma posição de neutralidade na CPI da qual é relator e que se destina a investigar fatos e omissões do Ministério da Saúde no combate à pandemia, envolvendo também a aquisição de cloroquina, remédio considerado inadequado pelos cientistas no combate à Covid-19.

Francamente, fiquei surpreso, uma vez que a GloboNews noticiou o fato no jornal do fim da tarde desta quinta-feira, inclusive colocando no ar  entrevista do próprio Renan Calheiros que afirmou há bastante tempo que, por seu turno, também ficou espantado, pois Bolsonaro nunca havia telefonado para ele.

Este assunto é tão essencial quanto o equívoco sobre a votação do Supremo Tribunal Federal confundida com uma parcialidade que ainda não foi decidida. Em 62 anos de jornalismo, nunca registrei antecedentes deste tipo de pedido de influência por parte do presidente da República.

INTERFERÊNCIA – Um presidente da República pedir a interferência de um filho de um senador junto ao pai para que ele, supõe-se, reduzisse o impacto da investigação ou as diluísse, dividindo-as com as responsabilidades dos governadores pelo fato de não terem contido, assim como o próprio governo federal, a expansão da Covid-19.

Realmente o episódio é estarrecedor e acentuando que o presidente Jair Bolsonaro desvalorizou-se a si mesmo, não desejando debater as denúncias e as evidências, mas julgando para ocultá-las sob a forma de artifício para colocá-las numa nuvem de cristal.

ESCAPISMO – Apreciei muito nesta sexta-feira, o artigo de Ruy Castro, na Folha de São Paulo, porque no fundo ele focaliza sob ângulo diverso a atuação do chefe do Executivo, colocando em relevo em seu texto as atitudes escapistas  do Planalto que, disse ele, Ruy Castro, no caso da devastação de florestas serão logicamente examinadas pelos embaixadores dos países estrangeiros que atenderam à convocação do presidente Joe Biden.

Em matéria de política, não adianta ocultar comportamentos; eles sempre virão à tona de uma forma ou de outra. Política é algo complexo e cujas formulações são examinadas com lentes possantes. Através delas movimentam-se interesses econômicos e financeiros gigantescos.

Não digo com isso que apenas interesses econômicos e financeiros formam a base sólida da política, pelo contrário. Como os fatos históricos confirmam, levam-se em conta principalmente as ameaças à liberdade e à democracia dos países. Se não fosse assim, não haveria necessidade de separar os regimes democráticos de um lado e as ditaduras de outro, como a imprensa sempre assinala através dos séculos relacionados à própria vida humana. O Brasil não pode ser exceção. Não faria sentido e tampouco seria possível qualquer desfecho militar abalando a Constituição do País.


sexta-feira, abril 23, 2021

Alexandre Saraiva rebate discurso de Bolsonaro : ‘Até 2030 o desmatamento vai acabar… por falta de floresta’


Ex-superintendente da PF no Amazonas ironizou fala presidencial

Pepita Ortega e Rayssa Motta
Estadão

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, líder da investigação que culminou em ‘apreensão histórica’ de madeira ilegal na Amazônia e autor da notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, ironizou nesta quinta-feira, dia 22, que o desmatamento no Brasil vai acabar, até 2030, ‘por falta de floresta’.

A indicação se dá na esteira da fala do presidente Jair Bolsonaro, que, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, afirmou que o País assumiu o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 e que o País atingiria a neutralidade climática em 2050.

SEM BOIADA – Em perfil recém-criado no Twitter, o ex-superintendente da PF no Amazonas – que foi substituído após enviar a notícia-crime contra Salles ao Supremo Tribunal Federal – defendeu que é ‘hora de lutar pela Floresta’ e de ‘mostrar que a Amazônia importa’. “Não vai passar boiada nenhuma!!!”, registrou ainda o delegado em letras maiúsculas, na primeira publicação feita na rede social, nesta quarta, 21. A autoria do perfil foi confirmada pela PF no Amazonas.

A indicação de Saraiva faz referência a fala do ministro do Meio Ambiente na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, tornada pública no âmbito no inquérito que apura suposta tentativa de interferência política de Bolsonaro na PF. Na ocasião, Salles disse que era preciso aproveitar a ‘oportunidade’ que o governo federal ganha com a pandemia do novo coronavírus para ‘ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas’.

Um ano após a fatídica reunião, Saraiva imputou a Salles supostos crimes de obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. Segundo o delegado, além de dificultar a ação de fiscalização ambiental, Salles ‘patrocina diretamente interesses privados (de madeireiros investigados) e ilegítimos no âmbito da Administração Pública’ e integra, ‘na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da Operação Handroanthus com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza’.

TUITAÇO – Nesta quarta-feira, dia 21, na esteira das acusações e às vésperas conferência internacional sobre as mudanças climáticas convocada pelo presidente americano, Joe Biden, Salles foi alvo de um tuitaço e passou parte do dia envolvido em bate-boca pelas redes sociais. Uma das celebridades que defenderam o #ForaSalles e rebateram o ministro foi a cantora Anitta. Saraiva chegou a compartilhar uma mensagem da empresária.

Já na manhã desta sexta, 23, o delegado comentou sobre as estratégias identificadas em operações da PF para a exportação de madeira ilegal. Saraiva defendeu a auditoria de processos administrativos que autorizam o desmatamento, apontando que ‘em regra geral’ os documentos produzidos a partir de tais procedimentos, o Documento de Origem Florestal – são baseados em fraudes.

A ONG-TRANSPARÊNCIAJEREMOABO DENUNCIA INDÍCIOS DE SUPERFATURAMENTO NA COMPRA DE PEIXE. PARA DISTRIBUIÇAÕ NA SEMANA SANTA

 




A ONG-TRANSPARÊNCIAJEREMOABO, notando que  o preço do quilo do peixe adquirido pela prefeitura de Jeremoabo  na Semana Santa para distribuir em tese com o cidadão carente do município estava  além do absurdo que Administração Pública supostamente  cometeu   ao projetar e processar a compra de 10 toneladas de um produto de alto custo, há preços de suposto superfaturamento evidente, uma vez que os preços estão acima dos praticados pelo mercado; resolvendo efetuar uma tomada de preço na região adquirida pela prefeitura de Jeremoabo. 

Em tese, os processos licitatórios visam selecionar a proposta mais vantajosa para o Poder Público por meio de uma disputa entre diversos fornecedores, no entanto, isso não foi o que aconteceu na administração municipal de Jeremoabo, isso porque, enquanto a prefeitura comprou na cidade de Glória a R$ 15,00(quinze reais) o Kg, a ONG encontro na cidade de Paulo Afonso esse mesma espécie de pescado a R$ 12,00(doze reais) o quilo.

Diante do exposto só restou noticiar o fato ao Ministério Público cuja representação encontra-se em andamento.


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