sexta-feira, abril 23, 2021

Flávio diz que Bolsonaro escolherá entre André Mendonça e Humberto Martins para vaga no STF


Bolsonaro prometeu que indicaria nome “terrivelmente evangélico”

Paulo Cappelli
O Globo

As opções do presidente Jair Bolsonaro para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) que abrirá em 5 de julho com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello afunilaram. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou ao O Globo que os dois nomes analisados pelo pai para a mais alta Corte do país são os de André Mendonça, atual advogado-geral da União, e Humberto Martins, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com isso, nomes que antes figuravam como postulantes, como o do procurador-geral da República, Augusto Aras, e o do desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Willian Douglas, estariam, por ora, fora de cogitação.

INFLUÊNCIA – De acordo com a colunista Bela Megale, Humberto Martins é o preferido de Flávio para o STF por ter uma atuação crítica à Operação Lava-Jato. O parlamentar já foi alvo do Ministério Público do Rio em 2020, quando foi denunciado no caso das “rachadinhas”. O senador, no entanto, nega influência na escolha: “Meu candidato é o que o presidente Jair Bolsonaro mandar. Os nomes avaliados hoje pelo presidente são o do André Mendonça e o do Humberto Martins. Os dois são capacitados, evangélicos, como quer meu pai, e seriam boas escolhas para o Supremo Tribunal Federal”.

Bolsonaro prometeu que indicaria um nome “terrivelmente evangélico” para a Corte. Seu primeiro indicado, Kassio Nunes Marques, não se enquadrava no perfil, o que irritou apoiadores do presidente ligados a esse segmento. Ele refez a promessa e se comprometeu a levar essa questão em conta na próxima indicação.

Além de agradar ao segmento evangélico, Mendonça é o nome favorito da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Michelle tem defendido junto ao presidente a sua nomeação ao cargo. Em um encontro com lideranças evangélicas no início da semana, no Planalto, Bolsonaro sinalizou que deve indicar Mendonça ao cargo. O advogado-geral da União, contudo, precisa superar resistência no Senado, que sabatina os indicados, e também entre ministros do STF.

CPI DA COVID – Já o nome de Humberto Martins ganhou força nos bastidores após a criação da CPI da Covid no Senado e a escolha do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator. Natural de Alagoas, Martins tem boa relação com Renan e um bom trânsito no Senado. Por isso, sua indicação ao cargo de ministro do Supremo passou a ser vista, nos bastidores, como um possível aceno do Planalto para abrandar as investigações da CPI.

A Câmara, entretanto, também passou a ter um nome seu para disputar a indicação para o STF. O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, corre por fora, com apoio de deputados da cúpula da Câmara e de integrantes da bancada evangélica. Presidente do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal e que tem dois filhos de Bolsonaro entre seus filiados, Pereira já enviou emissários ao STF para defender seu nome junto aos ministros.

Bolsonaro também já sinalizou a interlocutores que o procurador-geral da República, Augusto Aras, não tem chance de ser indicado para esta vaga, mas que ele seria um nome forte a uma cadeira no STF na primeira oportunidade que surgir caso Bolsonaro seja reeleito.

NOVAS INDICAÇÕES – Nas últimas semanas, seja em conversas com apoiadores no Palácio da Alvorada, seja em sua live semanal, Bolsonaro, em tom de alerta, vem antecipando um dos pontos que pode usar na sua campanha pela reeleição: o vitorioso do pleito do ano que vem irá indicar, nos seus primeiros seis meses de mandato, dois ministros para o Supremo. As vagas são hoje ocupadas pelos ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

O contraponto é feito principalmente em relação ao ex-presidente Lula. Para aliados do presidente, em 2023, o presidente poderá apresentar perfis diferentes para o posto. No início do governo, por exemplo, um dos nomes cotados pela ala ideológica, mas que acabou preterido, foi o do ministro Ives Gandra Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Seu nome agrada aqueles que defendem uma postura mais rígida no campo dos costumes.

Para Rubens Glezer, professor de Direito da Fundação Getulio Vargas, a politização do Supremo já tem deixado marcas e, se for tratada como um tema central da eleição, essa tendência pode se acentuar. Segundo ele, a disposição para transformar as indicações do STF em assunto eleitoral, embora não seja decisiva para a vitória ou derrota de um candidato, pode afetar a visão que a população tem do Supremo. (Colaboraram Aguirre Talento, Bela Megale e Dimitrius Dantas)

Após alerta de 3ª onda no Amazonas, Bolsonaro provoca aglomeração em Manaus

Publicado em 23 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro provocou a aglomeração de dezenas de apoiadores

Mateus Vargas
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participaram de eventos com aglomerações, nesta sexta-feira, dia 23, em Manaus (AM). A passagem pela cidade ocorre no dia seguinte ao governador Wilson Lima (PSC) alertar e pedir ajuda a Queiroga para enfrentar a terceira onda da pandemia no Amazonas.

Bolsonaro provocou a aglomeração de dezenas de apoiadores ao chegar e ao sair dos locais de seus compromissos. Espremidos pelos seguranças da Presidência, eles tentavam abraços e fotos com o chefe do Executivo.

TÍTULO – O presidente recebeu o título de cidadão amazonense, participou de encontro com lideranças evangélicas e da inauguração de um pavilhão no Centro de Convenções do Amazonas. Ao final desta cerimônia, Bolsonaro foi cercado por apoiadores.

Queiroga acompanhou as agendas. O ministro da Saúde é crítico das aglomerações, mas minimiza falas e gestos do presidente Jair Bolsonaro que contrariam as recomendações sanitárias.

TEMOR – Segundo apurou o Estadão, o governador do Amazonas discutiu com Queiroga, ontem, um plano para enfrentar a terceira onda no Estado. Há temor de nova falta de oxigênio, além de medicamentos de intubação. O Amazonas enfrentou o auge da crise sanitária em janeiro, quando o sistema de saúde do Estado entrou em colapso e pacientes internados morreram asfixiados pelo esgotamento de oxigênio medicinal.

Às vésperas de o insumo acabar, uma equipe liderada pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello esteve na cidade, levando 130 mil comprimidos de hidroxicloroquina, droga sem eficácia comprovada para a covid-19.

CPI – A possível omissão do governo federal para evitar a crise no Amazonas colocou a gestão Bolsonaro em crise e sob investigações. A CPI da Covid no Senado irá apurar se a equipe de Pazuello demorou para agir.

O presidente minimizou, à época, a crise em Manaus e chegou a creditá-la à falta de uso do “kit covid”. Em discurso nesta sexta-feira, 23, Bolsonaro disse que o colapso era inesperado e comemorou o fato de não haver um “lockdown nacional” contra a pandemia.

“Imagine essa pandemia com (Fernando) Haddad presidente da República. Estaríamos num lockdown nacional. Graças a Deus isso não aconteceu”, disse Bolsonaro. O presidente ainda afirmou que sua equipe “colaborou e muito” para reduzir danos do colapso em Manaus e elogiou o ex-ministro Pazuello. Em seguida, disse que Queiroga dá “prosseguimento” ao trabalho do general.

Vereadora quer detalhes sobre plano de retorno das aulas presenciais em Salvador


Vereadora quer detalhes sobre plano de retorno das aulas presenciais em Salvador
Foto: Divulgação

Vice líder do PT na Câmara Municipal, a vereadora Maria Marighella solicitou à prefeitura de Salvador informações detalhadas sobre o plano de retomada das atividades escolares presenciais na capital. O anúncio de autorização para retorno das aulas no próximo dia (3) foi feito pelo prefeito Bruno Reis (DEM) na manhã desta sexta-feira (23) (reveja). 

 

“O plano de retomada das aulas deve ser publicizado e vir acompanhado de um plano de vacinação não só das trabalhadoras e trabalhadores da educação, mas daquelas e daqueles que integram a comunidade escolar. A vacinação precisa ser acompanhada por outras medidas e protocolos que garantam a segurança na volta às aulas presenciais”, argumentou a vereadora.

 

Entre os questionamentos da vice-líder do PT na Câmara Municipal sobre protocolos e planos de retomada das aulas, há solicitações de informação sobre cronograma de vacinação dos profissionais da educação, pedido de publicação do Plano de Retomada das Atividades escolares com descrição dos critérios epidemiológicos, garantia das condições sanitárias para deslocamento no transporte público e explicitação de quais programas estão sendo ofertados para o acesso universal à internet de profissionais e estudantes.

 

Além disso, a vereadora requereu a descrição de quais escolas estão inaptas pelos protocolos sanitários e quais serão os critérios adotados pela Prefeitura para redistribuição de estudantes dessas escolas. Em audiência pública realizada na Câmara Municipal em fevereiro deste ano, o secretário de Educação de Salvador, Marcelo Oliveira, informou que 13 unidades escolares não estariam aptas para o retorno presencial das aulas.  

Bahia Notícias

Decisão do STF torna improvável reconstituição de ações da Lava Jato contra Lula


por Ricardo Balthazar | Folhapress

Decisão do STF torna improvável reconstituição de ações da Lava Jato contra Lula
Foto: Marlene Bergamo / Folhapress

Ao fazer sua enfática defesa do legado da Operação Lava Jato com um discurso no plenário do Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (23), o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que as provas são a única coisa que importa no processo penal. "Ou tem prova, ou não tem", declarou.

Se o princípio valer para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele está prestes a se livrar de boa parte de seus problemas na Justiça. Confirmada a decisão que declarou a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro na ação que levou à primeira condenação do líder petista, as provas usadas contra ele virarão pó.

No início de março, quando o ministro Edson Fachin anulou quatro processos abertos contra Lula no Paraná e determinou a remessa dos autos para a Justiça Federal em Brasília, ficou estabelecido que um novo juiz seria encarregado de reexaminar as acusações da Lava Jato e as provas apresentadas.

Ao declarar Moro parcial no caso do tríplex de Guarujá, a Segunda Turma do tribunal foi além, anulando não só a ação penal, mas todos os atos praticados pelo ex-juiz durante as investigações sobre Lula, em que foram colhidos documentos e testemunhos usados para incriminar o líder petista.

Para que os efeitos dessa decisão se estendam às outras ações iniciadas pela Lava Jato contra o ex-presidente, é questão de tempo. Na quinta-feira, o julgamento da suspeição de Moro foi interrompido quando já havia se formado no plenário maioria favorável à decisão da Segunda Turma.

Encerrado o debate sobre a questão, a defesa do ex-presidente deverá obter a extensão de seus efeitos para as outras ações transferidas para Brasília, que tratam das reformas no sítio de Atibaia, de doações da Odebrecht para o Instituto Lula e da compra de um prédio para a entidade.

Ainda que seja possível reconstituir em novos processos as provas obtidas pela antiga força-tarefa que conduziu as investigações no Paraná, seria preciso achar um juiz que as considerasse suficientes para condenar Lula por corrupção e lavagem de dinheiro, como Moro fez no caso do triplex.

Além disso, os prazos para prescrição de crimes atribuídos a pessoas com mais de 70 anos de idade são mais curtos, o que obrigará o Ministério Público Federal a correr contra o tempo se houver interesse em refazer o trabalho da força-tarefa para retomar os processos. Lula está com 75 anos.

As investigações conduzidas por Moro e pelos procuradores de Curitiba se concentraram no primeiro semestre de 2016, quando a Polícia Federal realizou buscas no apartamento do líder petista, gravou suas conversas telefônicas durante 27 dias e levou-o à força para um interrogatório.

Documentos encontrados nas buscas foram aceitos por Moro como prova de que Lula era o real proprietário do tríplex reformado pela empreiteira OAS em Guarujá. Contradições entre as declarações do petista à PF e seu depoimento posterior à Justiça foram apontadas para incriminá-lo.

Conversas de Lula e seus familiares grampeadas pela operação foram apresentadas como prova de que ele era também dono do sítio de Atibaia, que passou a frequentar após deixar a Presidência da República. A Odebrecht e a OAS disseram que fizeram reformas na propriedade para agradá-lo.

Emílio Odebrecht e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que colaboraram com a Justiça em troca de penas mais brandas para os crimes que confessaram, também ajudaram a incriminar Lula ao declarar que as reformas foram solicitadas pelo ex-presidente, o que o petista nega ter feito.

Moro condenou Lula por corrupção no caso do tríplex após concluir que as reformas no apartamento faziam parte de um acerto de contas com o PT para garantir contratos da OAS com a Petrobras, mas o testemunho de Léo Pinheiro é a única prova dessa conexão no processo que agora foi anulado.

O desmonte das ações de Curitiba também enfraquece ainda mais a tese de que Lula era o chefe de um amplo esquema de corrupção no governo. A Justiça Federal de Brasília já havia descartado em 2019 a ação em que ele e outros petistas eram acusados de integrar uma organização criminosa.

Existem outras quatro ações em curso contra o ex-presidente em Brasília e São Paulo, mas todas tramitam lentamente e ainda estão longe de um desfecho. Elas tratam de transações de um lobista com um filho de Lula, negócios da Odebrecht em Angola e de outra empresa na Guiné Equatorial.

O fim dos processos de Curitiba permite que Lula se declare inocente. Mas os obstáculos no caminho de seus acusadores indicam que provavelmente nunca chegará o dia em que o petista poderá dizer que foi absolvido das acusações após um exame isento das provas apresentadas contra ele.

Bahia Notícias

Dinheiro para combater o COVID-19 tem de sobra em Jeremoabo, o que falta é iniciativa e competência para saber gerir


Nada justifica o número de mortes e  a falta  de recursos para combater o COVID-19 e oferecer um tratamento digno para a população, o problema não é dinheiro, o problema é que administrar a coisa pública é diferente de uma uma bodega, e um quiosque qualquer.

Pergunto aos vereadores: qual a razão do prefeito se acobertar no Decretar de Calamidade Pública, que nunca se afastou do tal Decreto?

Será que é para se livrar das licitações, e efetuar compras ao seu bel-prazer?

Senhores vereadores, caso haja dificuldades para entender a LC n.º 172/2020, peça auxílio ao seu jurídico, nela detalha o que fazer com o dinheiro  para a saúde e principalmente para combater o Covid-19.

 

Tribunal orienta municípios sobre a Lei Complementar n.º 172/20

21/05/2020

O Tribunal de Contas de Minas Gerais enviou, nesta semana, um Ofício aos gestores municipais com orientações sobre a Lei Complementar n.º 172/2020, que autorizou os estados e municípios a realizarem, durante a vigência do estado de calamidade pública de que trata o Decreto Legislativo nº 06, de 20 de março de 2020, a transposição e a transferência de saldos financeiros remanescentes de exercícios anteriores, constantes de seus respectivos Fundos de Saúde, provenientes de repasses do Ministério da Saúde. A orientação tem por objetivo contribuir para a boa gestão dos recursos públicos durante a pandemia da Covid-19.

No Ofício 04/20 (clique aqui), o TCEMG esclarece que “conforme entendimento firmado por este Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, em resposta à Consulta n.º 958.027, de relatoria do conselheiro Wanderley Ávila, transposições são realocações no âmbito dos programas de trabalho dentro do mesmo órgão e transferências são realocações de recursos entre as categorias econômicas de despesas, dentro do mesmo órgão e do mesmo programa de trabalho”.

A transposição e a transferência de saldos financeiros de que trata essa Lei Complementar serão destinadas exclusivamente à realização de ações e serviços públicos de saúde, devendo observar requisitos tais como: cumprimento dos objetos e dos compromissos previamente estabelecidos em atos normativos específicos expedidos pela direção do Sistema Único de Saúde; inclusão dos recursos financeiros transpostos e transferidos na Programação Anual de Saúde e na respectiva lei orçamentária anual, com indicação da nova categoria econômica a ser vinculada; e ciência ao respectivo Conselho de Saúde.

A diretora de Controle Externo dos Municípios (DCEM) do TCEMG, Simone Reis, explicou os entendimentos do Tribunal. “A Lei Complementar nº 172/20 viabilizou aos Estados e Municípios os meios legais para reprogramação da execução dos recursos financeiros remanescentes de exercícios anteriores, constantes nos Fundos Municipais de Saúde, provenientes de repasses do Ministério da Saúde. Isso permitiu maior flexibilidade e discricionariedade aos gestores na definição das ações e serviços públicos de saúde prioritárias, inclusive com direcionamento desses recursos para o enfrentamento da pandemia da COVID19. Nesse cenário, após discussões com os técnicos do CONASEMS em Brasília, da AMM e da Coordenadoria do SICOM, foram definidas as orientações aos gestores e as diretrizes para o encaminhamento dessas informações ao Tribunal, visando contribuir para a boa gestão dos recursos públicos”.

A transposição e transferência são realocações orçamentárias que necessitam de lei autorizativa, e, no caso dos saldos financeiros remanescentes de exercícios anteriores, constantes dos Fundos de Saúde, provenientes de repasses do Ministério da Saúde, a LC n.º 172/2020 já autoriza o procedimento. O TCEMG orienta que o Poder Executivo dê conhecimento ao Poder Legislativo acerca do tema.

Clique aqui e veja o Comunicado 17/20 do Sicom com orientações sobre o tema.

Lucas Borges / Coordenadoria de Jornalismo e Redação 


TCU aponta “prejuízo ao erário” em desvio de doação de R$ 7,5 milhões contra Covid para projeto de Michelle

Publicado em 23 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Técnicos apontamque destino de dinheiro deveria seguir critérios

Constança Rezende
Folha

Técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União) veem indícios de “potencial prejuízo ao erário” na doação de R$ 7,5 milhões da Marfrig para o programa Pátria Voluntária, liderado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Como revelou a Folha, o governo do presidente Jair Bolsonaro desviou a finalidade da verba da empresa doada especificamente para a compra de testes rápidos da Covid e repassou o recurso ao programa coordenado por Michelle.

TESTES RÁPIDOS – No dia 23 de março de 2020, a Marfrig, um dos maiores frigoríficos de carne bovina do país, anunciou que doaria esse valor ao Ministério da Saúde para a compra de 100 mil testes rápidos do novo coronavírus.

Naquele momento, o Brasil enfrentava as primeiras semanas da pandemia e a falta desse material, enquanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) orientava testar a população.

Dois meses depois, no dia 20 de maio, segundo a empresa disse por escrito à Folha, a Casa Civil da Presidência da República informou que o dinheiro seria usado “com fim específico de aquisição e aplicação de testes de Covid-19”.

OUTRAS AÇÕES – No dia 1º de julho, no entanto, com o dinheiro já transferido, o governo Bolsonaro consultou a Marfrig sobre a possibilidade de utilizar a verba não mais nos testes, mas em outras ações de combate à pandemia. Os recursos foram então parar no projeto Arrecadação Solidária, vinculado ao Pátria, de Michelle Bolsonaro.

O TCU deu início à investigação do caso no dia 18 de fevereiro deste ano. O pedido foi feito pelo subprocurador-geral do órgão, Lucas Furtado, com base na reportagem da Folha. Ao tribunal a Casa Civil afirmou seguir a legislação.

Em avaliação preliminar, técnicos do TCU afirmam que, “diante do cenário delineado nos autos” em relação ao uso dos recursos do frigorífico, “compreende-se configurada alta materialidade ao caso concreto”.

POTENCIAL PREJUÍZO – “No tocante à relevância da matéria aqui tratada, há indícios da ocorrência de potencial prejuízo ao erário, por conta do desvio de finalidade dos recursos doados pela empresa Marfrig ao governo federal, uma vez que deveriam ter sido aplicados na aquisição de 100 mil testes rápidos de Covid-19”, dizem os técnicos em relatório.

“No entanto, os recursos teriam sido desviados para aplicação em ações do programa Pátria Voluntária, conduzido pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro”, afirmam.

O relatório da Secretaria de Controle Externo da Administração do Estado do TCU acrescenta ainda que “há possibilidade de ocorrerem outras possíveis irregularidades semelhantes (alto risco)”.

CRITÉRIOS – “Ainda que se venha a constatar não ter havido irregularidade na alteração de finalidade dos recursos doados pela Marfrig ao governo federal, a aplicação desses recursos no âmbito do programa Pátria Voluntária haveria de ocorrer segundo critérios objetivos, técnicos e isonômicos, e não de forma a privilegiar determinadas instituições”, escrevem os técnicos no relatório.

Uma segunda reportagem da Folha revelou que o Pátria Voluntária repassou a maior parte de suas verbas, no ano passado, para instituições missionárias evangélicas aliadas à ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), sem edital de concorrência. O caso também foi citado pelos auditores.

Ao fazer o pedido de investigação, Furtado afirmou que, se Marfrig e governo federal aplicaram os recursos em ações diversas da pactuada, “caracterizado restará o desvio de finalidade, advindo, daí, a necessidade de se proceder à apuração dos prejuízos e das responsabilidades”.

OFÍCIO – No TCU, o relator do caso é o ministro Benjamin Zymler. Ele também acompanha medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, órgãos e entidades vinculadas ao combate à crise gerada pelo coronavírus. O tribunal enviou ofícios ao Ministério da Saúde e à Casa Civil com solicitação de informações sobre a doação, como primeiro passo da apuração.

À Saúde foram pedidos documentos sobre a destinação da doação, “especificando os critérios de alocação dos recursos e quais as organizações beneficiadas”. À Casa Civil o tribunal pediu informações sobre o programa Pátria Voluntária. Os órgãos responderam ao TCU nos dias 30 e 29 de março. Sob comando de Marcelo Queiroga, a Saúde afirmou que a Subsecretaria de Planejamento não encontrou a doação.

Já a servidora Carla Rubia Florencio, que representa a pasta no programa de Michelle, disse que foi designada ao cargo em 22 de junho do ano passado, “portanto, em data posterior aos fatos narrados na reportagem, razão pela qual não dispõe de informações que possam ser trazidas aos autos”.

CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO – A Casa Civil enviou ao tribunal um documento assinado pela coordenadora Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado, Lilian Costa Cardoso, que afirmou que a doação “visou atenuar os efeitos danosos da pandemia à população, e que o mesmo cumpriu rigorosamente a legislação em vigor”.

Lilian Cardoso admitiu que, em março de 2020, a Marfrig manifestou o interesse em fazer doação para a compra de testes rápidos para o Ministério da Saúde. “Entretanto, aquele ministério não possuía instrumento legal para receber recursos do setor privado.”

Segundo a coordenadora, dois meses depois, após a criação do projeto Arrecadação Solidária, que coleta recursos para o programa de Michelle, a Marfrig quis obter informações sobre um acordo que possibilitaria o recebimento de recursos do setor privado.

CONSULTA – “Cabe esclarecer que a empresa Marfrig foi consultada sobre a possibilidade de alocar o recurso para o atendimento às necessidades evidentes do período da pandemia, como itens de higiene, itens de proteção e alimentos. Sendo assim, a Marfrig concordou com as ações apresentadas, que se enquadravam inteiramente na proposta de doação dos recursos”, afirmou Cardoso.

De acordo com a empresa, “comunicação oficial” da Casa Civil em maio com detalhes do programa de voluntariado informou que os valores doados deveriam ser depositados em uma conta da Fundação do Banco do Brasil, gestora dos recursos do Pátria, “com fim específico de aquisição e aplicação de testes”.

“Dias depois, a Marfrig realizou a transferência bancária do valor proposto, de acordo com as orientações da Casa Civil”, afirmou a empresa à Folha. Em julho, segundo o frigorífico, o destino do dinheiro transferido ao governo foi alterado.

MITIGAÇÃO DE DANOS – A empresa disse ter sido então consultada “sobre a possibilidade de destinar a verba doada não para a compra de testes por parte do Ministério da Saúde, mas para outras ações de combate aos efeitos socioeconômicos da pandemia”, como auxílio a pequenos negócios de pessoas em situação de vulnerabilidade. A Marfrig disse que concordou com a iniciativa porque a ação se enquadrava na mitigação dos danos causados pela pandemia.

Agora as argumentações de Casa Civil e Saúde serão objeto de análise pelos técnicos do TCU. Ao final do processo, eles produzirão um relatório que será avaliado pelos ministros do tribunal.

Em plena pandemia, Bolsonaro ironiza potencial da vacinação: ‘É impressionante como só se fala em vacina, né?’

Publicado em 23 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro defendeu produção de medicamento contra o novo coronavírus

Roger Dias
Correio Braziliense / Estado de Minas

Na transmissão ao vivo nesta quinta-feira (22/4), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou a vacinação contra a Covid-19 e defendeu a produção de um medicamento contra o novo coronavírus. Em diálogo com o ministro da Ciência e Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, o presidente fez referência ao nitazoxanida, conhecido popularmente no Brasil como Annita, que é vermicida.

“É impressionante como só se fala em vacina, né? Mas também, uma compra bilionária, no mundo todo, então é só vacina. Ninguém é contra a vacina. O Brasil, tirando os países que produzem vacinas, é primeiro no mundo em valores absolutos em doses aplicadas”, afirmou Bolsonaro.

PESQUISAS – Marcos Pontes também falou sobre pesquisas com a Versamune, vacina desenvolvida em Ribeirão Preto, ainda na fase de testes. “Essa é 100% brasileira. Não é aquela mandraque de São Paulo, que tinha os Estados Unidos no meio”, ironizou Bolsonaro, criticando indiretamente o governador paulista, João Doria, que em março anunciou a produção de uma vacina 100% nacional pelo Instituto Butantan. “Foi um trabalho muito grande do Marcos Pontes”, elogiou o presidente.

Bolsonaro evitou mencionar as palavras hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina por causa das novas políticas do Yotube e Facebook, que optou por retirar do ar os vídeos com conteúdo sobre tratamento precoce, que não tem comprovação científica para a covid-19. “Cuidado com certa palavra para não cair a live”, disse o chefe do Executivo.

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