sábado, março 27, 2021

É #FAKE que governador de Sergipe disse que quem descumprir toque de recolher levará 'porrada da polícia'

 

Mensagem falsa altera vídeo de coletiva de imprensa com dublagem. Gravações originais veiculadas pela imprensa mostram que governador fala sobre medidas restritivas e não faz menção nenhuma a ações violentas.

Por Thaís Matos, G1

 

É #FAKE que governador de Sergipe disse que quem descumprir toque de recolher levará 'porrada da polícia'
G1

Nas redes sociais tem circulado um vídeo em que o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, diz que a polícia vai bater em quem descumprir o toque de recolher no estado. É #FAKE.

 — Foto: G1

— Foto: G1

O vídeo viral utiliza a gravação de uma entrevista coletiva do governador, mas coloca uma dublagem por cima. Nela, o narrador diz que quem descumprir as medidas sanitárias vai levar "porrada da polícia" e "cusparada", além de outras medidas não convencionais. A manipulação se aproveita do fato de o governador utilizar uma máscara de proteção e a leitura labial ficar, assim, comprometida.

Além da linguagem chula, uma piada com a música "Caneta azul" encerra a fala, dando pistas da falsidade do vídeo.

A coletiva real foi dada no dia 25 de fevereiro, após uma reunião com o Comitê Técnico-Científico e de Atividades Especiais (Ctcae) para avaliação do cenário epidemiológico de Sergipe. Vídeos da coletiva veiculados pela imprensa mostram o governador, na verdade, falando sobre novas medidas contra a Covid-19 no estado. Em nenhum momento ele se refere a ações violentas da polícia.

As falas do governador foram publicadas em jornais e sites de notícias, inclusive no G1. No vídeo original, Chagas diz que a testagem dos municípios próximos à divisa com o estado da Bahia serão aumentadas, apresenta o cronograma de vacinação do estado e anuncia nova reunião do comitê.

Além disso, a voz que aparece no vídeo falso é muito diferente da voz do governador, e fica claro que as expressões faciais não condizem com o que é dito na dublagem.

Toque de recolher no estado

Apesar de ter descartado o toque de recolher na época do vídeo, o governador adotou a medida no dia 15 de março. E, uma semana depois, prorrogou e ampliou o horário: agora, o toque de recolher passa a valer das 18h às 5h entre sexta e domingo, e das 20h às 5h nos outros dias da semana até 31 de março.

O estado enfrenta sobrecarga nos hospitais, com alta taxa de ocupação de leitos por pacientes com Covid-19. Sergipe está em estado de calamidade pública renovado pelo governo nesta sexta (26). Atualmente, o estado tem mais de 169 mil casos de infectados pelo coronavírus e mais de 3,3 mil mortes por Covid-19.

É #FAKE que governador de Sergipe disse que quem descumprir toque de recolher levará 'porrada da polícia' — Foto: G1

É #FAKE que governador de Sergipe disse que quem descumprir toque de recolher levará 'porrada da polícia' — Foto: G1

Vídeo: Veja como identificar se uma mensagem é falsa

Como identificar se uma mensagem é falsa
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Como identificar se uma mensagem é falsa

TJ-SP manda OAS devolver dinheiro do “tríplex do Guarujá” pago pela ex-primeira-dama Marisa Letícia


Desembargadora diz que não há prova da posse do imóvel

Cleide Carvalho
O Globo

A 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a OAS e a Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) devolvam o valor pago pela ex-primeira-dama Marisa Letícia na compra de um apartamento no Guarujá (SP). A unidade deu origem à investigação da Lava-Jato que condenou o ex-presidente Lula, acusado de ter recebido um tríplex da construtora a título de propinas pagas por contratos com a Petrobras.

Para os desembargadores, dona Marisa comprou direitos a um apartamento que não lhe foi entregue e não há qualquer prova que o casal — a ex-primeira dama e Lula — tenham recebido a posse ou a propriedade do imóvel.

POSSE OU USUFRUTO – Os advogados de Lula sempre afirmaram que o casal nunca teve a posse ou usufruiu do imóvel. No início deste mês, o ministro Luiz Edson Fachin decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba era incompetente para julgar Lula na ação do tríplex e do em Atibaia tiveram sua, que tiveram as condenações anuladas. A 2ª Turma do STF também considerou o ex-juiz Sergio moro parcial no julgamento do caso do tríplex.

Dona Marisa adquiriu cotas de um edifício em construção pela cooperativa dos bancários em abril de 2005. A unidade correspondia ao apartamento 141, de 82 metros quadrados, e a entrega seria feita em 2006. O prédio não ficou pronto, e as prestações foram pagas até dezembro de 2009, quando o empreendimento foi transferido para a OAS, para ser finalizado.

A construtora exigiu que os cooperados assinassem um novo contrato, o que nunca foi feito no caso de dona Marisa. O edifício Solaris foi finalizado apenas em 2013, oito anos depois do prazo original prometido pela cooperativa.

REFORMA – No fim de 2014, ela e Lula foram ao edifício do Guarujá e visitaram o tríplex, que foi reformado e recebeu elevadores. Para a Lava-Jato, o tríplex pertencia ao casal e estava sendo mantido em nome da OAS.

Lula sempre negou ter interesse no imóvel. Afirmou à Justiça que visitou o apartamento, mas não quis fechar negócio. Em 2015, já durante as investigações, dona Marisa desistiu de exercer sua cota no empreendimento. Até aquele momento, havia desembolsado cerca de R$ 209 mil. Em 2016, ingressou com ação para receber de volta o dinheiro pago.

A desembargadora Mônica Carvalho, relatora do processo, afirmou que não há prova ainda que o imóvel tivesse sido disponibilizado a favor de dona Marisa.

RECURSO – O ressarcimento havia sido determinado em 2019 pelo juiz Adilson Rodrigues Cruz, da 34ª Cível de São Paulo. OAS e Bancoop recorreram. A decisão da 8ª Turma, tomada na última quarta-feira, é a manifestação em segunda instância e as partes ainda podem recorrer aos tribunais superiores. Quando transitado em julgado, o dinheiro será devolvido ao espólio da ex-primeira dama, que tem Lula como inventariante.

A denúncia contra o ex-presidente Lula foi apresentada pela força-tarefa da Lava-Jato em setembro de 2016. Em 2017, o juiz Sergio Moro determinou, em sentença, pena de nove anos e seis meses de prisão. Em fevereiro de 2018,o TRF-4 aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão.

Empresário que usou contrato falso com AstraZeneca afirma ser vítima e garante que tem milhões de vacinas


Faria teve aparelhos e documentos de sua empresa apreendidos

Mateus Vargas
Estadão

Investigado pela Polícia Federal por usar documentos falsos para tentar vender vacinas contra a Covid-19 para o Ministério da Saúde, o empresário Christian Faria disse ao Estadão que foi vítima de um golpe e insistiu que tem, sim, imunizantes para negociar, mas não apresentou qualquer garantia.

O empresário negou ser um estelionatário e disse que há quatro meses busca, pela internet, fornecedores de vacinas para a pasta, mesmo sem nunca ter feito uma importação do tipo.

“ENGANADO”– Segundo Faria, durante essa empreitada ele já foi enganado por uma empresa alemã e entrou em outra negociação que o colocou diante da cúpula da Saúde, mas não deu certo. Segundo a pasta, nesta reunião os documentos falsos foram entregues. Agora, ele garantiu ter um parceiro comercial confiável, que ele não revela o nome.

Desafiando o disputado mercado global de vacinas e sem aval das fabricantes, ele afirmou que tem 200 milhões de doses para ofertar ao ministério — parte da Janssen e o restante da AstraZeneca. Os papéis, na versão de Faria, estão todos arquivados em computador e celular que foram apreendidos durante a ação da PF, na quinta-feira, 25.

Principal alvo da operação Taipan, Faria teve aparelhos e documentos de sua empresa, a Biomedic Distribuidora, com sede em Vila Velha (ES), apreendidos na quinta-feira, 25. A ação partiu de uma denúncia do Ministério da Saúde, que disse ter recebido do empresário credenciais e ofícios forjados da AstraZeneca em negociação de mais de 200 milhões de doses.

ESTELIONATO – A PF também encontrou centenas de frascos que seriam de imunizantes. A corporação considera o caso uma tentativa de estelionato, que não deu certo. Faria afirma que as carcaças das doses eram de “uma antiga dona” da empresa. Ele negou que a ideia era usá-las para vender doses falsas, mas não detalhou a função dos frascos.

A polícia afirma que desde janeiro Faria faz contatos por e-mail ao ministério. O empresário chegou a trocar mensagens com representantes da cúpula da pasta e agendou uma reunião para o dia 23 de fevereiro. Antes de recebê-lo, o secretário-executivo da Saúde, Elcio Franco, procurou a AstraZeneca e confirmou que a proposta não existia. Na reunião, Faria e outro empresário apresentaram os papéis falsos, o que motivou a denúncia à PF.

As principais farmacêuticas têm dito que só negociam vacinas para covid-19 com governos centrais. Presidente da Pfizer no Brasil, Marta Díez disse ao Estadão nesta semana que não há doses a prefeitos, governadores e iniciativa privada.

NEGOCIAÇÕES – O Estadão revelou, que centenas de prefeitos têm negociado a compra de doses da Sputnik V, AstraZeneca e outras vacinas, por meio de intermediários não credenciados pelas produtoras. As ofertas, muitas vezes, são por preços mais baixos do que o ministério têm pago, mas não há qualquer garantia da entrega das doses ou de que o produto que chegará ao Brasil é autêntico. Nesta semana, a revista piauí revelou que empresários fizeram em Minas Gerais fizeram uma aplicação clandestina supostamente da vacina da Pfizer.

Os volumes ofertados por Faria, sem garantia de entrega, destoam de grandes compras feitas pelo Ministério da Saúde. O governo federal, por exemplo, conseguiu comprar 38 milhões de doses da Janssen, que devem começar a chegar somente em agosto.

“Nenhuma pessoa física ou empresa está autorizada a negociar em nome da Janssen nossa vacina candidata contra a COVID-19 com nenhum ente público ou privado, seja direta ou indiretamente. Fique atento!”, disse a Janssen em nota.

VERSÃO – Faria dá uma versão diferente à da PF, mas diz não se lembrar das datas em que fez contatos e reunião com o ministério. “Eu não ia trazer documento falso onde só tem general e coronel”, disse Faria. “Eles (do ministério) me acusaram sem me ouvir. Foi muita sacanagem”, completou, dizendo que ficou “muito, muito, muito” frustrado com a denúncia do Ministério da Saúde. “Pode escrever isso 1 milhão de vezes.”

O empresário afirma que levou um golpe de uma firma alemã, em janeiro, que prometia de 300 milhões a 400 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca, mas apresentou credenciais falsas para fingir exclusividade da venda no País. Faria disse que, antes de descobrir a fraude, repassou os papéis ao ministério, o que desencadeou a investigação da PF.

ESQUECIMENTO – No encontro com o ministério, Faria afirma que foi acompanhado de “Diego”, um empresário que ele diz não se lembrar do sobrenome. Eles se conheceram no mesmo dia, segundo Faria. Diante da cúpula da Saúde, Diego teria mostrado apenas e-mails que seriam um aval da AstraZeneca para a venda, o que não convenceu o ministério.

Esta proposta era de 32 milhões de doses, segundo Faria, que diz jamais ter discutido preços com o ministério. O empresário afirma que ficou surpreso com os e-mails: “Eu também falei isso, que estava errado. Não tem condições de negociar isso aqui”, disse.

Questionado sobre a afirmação da AstraZeneca e Janssen de que não há chance de a venda ser feita por intermediários, Faria reagiu: “Mentira. Quem comprou a Janssen ao governo federal?”. Ao ser informado pelo Estadão que a própria filial da farmacêutica no Brasil negociou as doses, ele disse: “Passou por um empresário. Esse cara me ligou para me esnobar que tinha conseguido fazer a venda ao Ministério da Saúde.”

PROVAS –  Faria afirma que as provas sobre o suposto golpe que levou, além das garantias de que tem doses para entregar, estão em seus equipamentos apreendidos. Questionado sobre como conseguirá trazer as doses num cenário de escassez e sem nunca ter feito uma operação do tipo, ele se gaba: “Isso aí é amizade. Quem me indicou (a compra), a pessoa, dessa vez, é uma pessoa correta. Compradora antiga”. “Não deu certo (a venda ao governo) porque só tentei uma vez”, disse.

A Biomedic tem capital social de R$ 220 mil. Faria também atua com a locação de equipamentos para eventos. Em sua página nas redes sociais, identificada como “Trio Elétrico Privilege”, ele avisa desde janeiro a “hospitais, prefeitos e governadores” que tem contato com um “grupo de empresários” e promete entregar vacinas para covid-19 em 5 dias, com pagamento somente ao receber a carga. “Venda somente em grandes quantidades”, afirma uma publicação de Farias.

Meta de vacinar pelo menos um milhão de pessoas por dia “é plenamente possível”, diz Rodrigo Pacheco


Pacheco se reuniu virtualmente com governadores

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse que o plano do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de vacinar pelo menos um milhão de brasileiros contra a covid-19 por dia é “perfeitamente possível”.

Na avaliação do parlamentar, a produção de imunizantes no próprio país pelo Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a ampliação da quantidade de fabricantes que disponibilizarão as vacinas ao Brasil são indicativos que contribuem para que a meta do governo seja cumprida.

“PLENAMENTE POSSÍVEL” – “Pelo cronograma apresentado pelo Ministério da Saúde, considerando Fiocruz e Butantan, tanto de produção própria quanto de importação, mais dos laboratórios privados que tiveram aquisição, é plenamente possível se atingir essa meta dita pelo Ministério da Saúde de 1 milhão de vacinados por dia”, afirmou o senador, depois de se reunir virtualmente com governadores, nesta sexta-feira, dia 26.

“É perfeitamente possível nós acreditarmos e confiarmos nessa informação de que a partir de abril nós tenhamos essa vacinação de 1 milhão de pessoas por dia”, reforçou Pacheco.

PNI – A vacinação contra o novo coronavírus foi um dos temas debatidos nesta sexta-feira, e os governadores pediram ao presidente do Senado que haja uma uniformização do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, para permitir que, entre os estados, haja igualdade em relação às faixas etárias de alcance da vacinação e evitar um desequilíbrio entre as unidades da Federação.

Pacheco apresentará o pleito a Bolsonaro na próxima segunda-feira, dia 29, na primeira reunião do comitê de crise. “É uma coordenação que precisa ser feita pelo Ministério da Saúde, a centralização, o fornecimento de vacinas e, também, de insumos por parte da União às secretarias de Saúde dos estados. São reivindicações justas, básicas, mas precisamos sentar e ter a interlocução necessária para isso.”

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