segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Barroso sai em defesa da Lava Jato e diz que “eventuais excessos” não podem tirar o foco do combate à corrupção


Barrosos afirmou que está em curso uma ‘operação abafa’

Aguirre Talento
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que “eventuais excessos” da Operação Lava-Jato, revelados nos supostos diálogos entre procuradores obtidos após um ataque hacker, não podem desviar o foco do combate a uma “corrupção sistêmica” que existe no Brasil.

Em uma entrevista ao historiador Marco Antonio Villa, exibida no último sábado, Barroso citou existir em curso uma “operação abafa” por meio da aliança de todos os setores para enterrar as ações de combate à corrupção.

CORRUPÇÃO  – “Não é esse o ponto, alguém ter dito uma frase inconveniente ou não. É que estão usando esse fundamento pra tentar destruir tudo que foi feito, como se não tivesse havido corrupção. O problema do Brasil foi a Lava-Jato e os seus eventuais excessos, não foi a corrupção”, ironizou o ministro.

Barroso citou que um ex-gerente da Petrobras devolveu mais de R$ 100 milhões de propina desviada dos cofres da estatal e lembrou a apreensão de R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), dentre outros casos apurados na Lava-Jato. Citou também a existência de agentes públicos desviando recursos da saúde que deveriam ser usados no combate à pandemia.

SEQUESTRO DA NARRATIVA – “Então é claro que se tiver um excesso, ele deve ser objeto de atenção. Mas é preciso não perder o foco. O problema não é ter tido exagero aqui ou ali. O problema é esta corrupção estrutural, sistêmica, institucionalizada, que não começou com uma pessoa ou um partido, vem de um processo acumulativo que um dia transbordou. E o que a gente assiste hoje é a tentativa de sequestrar a narrativa como se isso não tivesse acontecido”, afirmou o ministro.

“E um dos problemas é que no andar de cima no Brasil quase todo mundo tem um parente, um amigo, um parceiro que esteve envolvido com alguma coisa errada. E aí se forma um arco de alianças. O Brasil está polarizado de norte a sul, só há um consenso: varrer a corrupção pra baixo do tapete”, concluiu.

‘Intolerável e inaceitável’, diz Fachin sobre tuíte do general Villas Bôas ameaçando o STF

Publicado em 15 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Cúpula do Exército articulou um tuíte de alerta ao STF

Marcelo Rocha
Folha

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta segunda-feira, dia 15, ser “intolerável e inaceitável qualquer tipo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário”. A declaração é uma resposta à revelação de que a cúpula do Exército, então comandado pelo general Eduardo Villas Bôas, articulou um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.

Lula acabou tendo o pedido negado pelo plenário do Supremo e, no dia 7 de abril, foi preso e levado para Curitiba. Deixou a cadeia 580 dias depois, após o STF derrubar a regra que permitia prisão a partir da condenação em segunda instância. Segundo Villas Bôas, em livro-depoimento recém publicado pela Fundação Getúlio Vargas, o texto do tuíte foi escrito por “integrantes do Alto Comando”.

DECLARAÇÃO GRAVÍSSIMA –  “A declaração de tal intuito, se confirmado, é gravíssima e atenta contra a ordem constitucional. E ao Supremo Tribunal Federal compete a guarda da Constituição”, disse Fachin, em nota divulgada por seu gabinete, que fez referência a reportagem da Folha sobre o tema publicada neste domingo, dia 14.

Segundo mostrou a reportagem, a postagem do então comandante do Exército tinha um teor bastante mais incendiário do que o publicado.Além disso, segundo o relato no livro-depoimento feito pelo general, que comandou o Exército de 2014 a 2019, ao menos três ministros do governo Bolsonaro e o atual chefe da Força souberam da nota.

A postagem de Villas Bôas acabou atenuada por ação do então ministro da Defesa, general da reserva Joaquim Silva e Luna, hoje diretor-geral de Itaipu, em um episódio até aqui inédito que foi relatado à Folha por integrantes do governo Michel Temer (MDB).

INTERESSES PESSOAIS –  “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, dizia a primeira postagem de Villas Bôas, feita no dia 3 de abril de 2018.

“Asseguro à nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”, completava o general.

Nesta segunda-feira, Fachin citou trecho da Constituição que define o papel das Forças Armadas. “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República. E destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”

CAPITÓLIO – O ministro do Supremo citou as Forças Armadas dos Estados Unidos no episódio da recente invasão ao Capitólio, quando o Congresso se reuniu para referendar a vitória do democrata Joe Biden.

“A grandeza da tarefa, o sadio orgulho na preservação da ordem democrática e do respeito à Constituição não toleram violações ao Estado de Direito democrático”, afirmou Fachin.

Decretos de armas: Bolsonaro não aceita críticas e bloqueia especialista em segurança pública no Twitter


Charge do Benett (Arquivo do Google)

Filipe Vidon
O Globo

Minutos após o Instituto Igarapé publicar uma nota técnica com críticas aos decretos que flexibilizam as regras de posse e porte de armas no Brasil, Jair Bolsonaro bloqueou a cientista política e especialista em segurança pública Ilona Szabó.

Ela atua como diretora-executiva do instituto, que estuda questões de segurança e desenvolvimento, e informou pelo Twitter que o presidente foi “rápido no gatilho”. Ilona comparou a atitude de Bolsonaro com a liberdade de expressão e abertura de diálogo “como na Venezuela”.

DITADURAS – Em outra postagem, Ilona Szabó criticou o bloqueio de contestações à narrativa oficial e afirmou que “isso só acontece em ditaduras”. Ao responder a comentários de seguidores sobre o bloqueio recebido da conta oficial do presidente, a especialista declarou que “esse comportamento vai reelegê-lo” e que o país está “cansado dessa polarização tóxica que só vê dois lados”.

Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Igarapé afirma que os decretos assinados pelo presidente mostram que é “prioridade continuar com o desmonte da já combalida política de controle de armas e munições do Brasil”.

EFEITOS COLATERAIS – Segundo a avaliação do Igarapé, o aumento na circulação de armas de fogo tem efeitos colaterais para o aumento da violência e “reforça possíveis ameaças à democracia”. Entre as medidas determinadas pelos decretos está a ampliação de quatro para seis no limite de armas que cada cidadão pode ter.

Também foram alteradas diversas regras envolvendo o grupo de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), incluindo o limite de armas que cada pessoa pode comprar e a desclassificação de uma série de itens da lista de Produtos Controlados pelo Exército (PCEs). Parlamentares do PSOL e PCdoB já informaram que vão contestar as medidas no Supremo Tribunal Federal (STF).

MODUS OPERANDI – Esta não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro bloqueia opositores no Twitter, rede social utilizada por ele como plataforma para anúncios e declarações oficiais da maior autoridade do país. Em outubro de 2020, O Globo publicou um levantamento que localizou ao menos 15 perfis com mais de dez mil seguidores bloqueados pelo presidente.

Entre as personalidades sem acesso ao perfil oficial de Bolsonaro estão políticos,  jornalistas, pesquisadores, influenciadores tanto do campo da esquerda quanto da direita, e um youtuber.

Nos Estados Unidos, quando ainda governado por Donald Trump, a mesma atitude foi considerada uma prática inconstitucional. A corte que analisou o caso contra Trump entendeu que, como o ex-presidente usava o Twitter para anunciar decisões relacionadas ao governo, não pode impedir cidadãos de terem acesso às suas mensagens.

O Prefeito de Jeremoabo já deveria saber que água é um bem público constitucionalmente garantido.

 


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Hoje (15/02/2021) pela manhã, realizei visita onde está localizado o poço artesiano que abastece água das comunidades Ramos e Barra Nova, o mesmo vem quebrado a mais de 5 meses, juntamente com os vereadores da oposição foi realizada audiência pública no dia 28/01/2021, onde foi solicitado a presença do Prefeito e do Secretário de Infra Estrutura, (só se fazendo presente o secretário), foi solicitado que realizasse o reparo deste poço para regularizar a situação da água para as famílias das referidas localidades ( Ramos e Barra Nova). Sabemos que água é um bem precioso, e o secretário AFIRMOU que em uma semana estaria resolvendo a situação e até o dia de hoje, ainda se encontra QUEBRADO, cerca de 80 famílias vem sofrendo com a seca. Solicito mais uma vez, agora pelas redes sociais as devidas providências. #neguinhodelievereado

Nota da redação deste Blog -A indisponibilidade dos interesses públicos significa que, sendo interesses qualificados como próprios da
coletividade – internos ao setor público -, não se
encontram à livre disposição de quem quer que seja,
por inapropriáveis. O próprio órgão administrativo
que os representa não tem disponibilidade sobre eles,
no sentido de que lhe incumbe apenas curá-los - o que é também um dever - na estrita conformidade do

que predispuser a intentio legis. (Celso Antônio Bandeira de Mello)

Além do confinamento das pessoas, para a contenção do avanço do COVID-19  é fundamental a higiene pessoal e das coisas tocadas pelas pessoas. É preciso água, se em grande parte dos povoados rurais de Jeremoabo não existe água para beber o povo irá fazer o que para sobreviver?

Estamos diante de uma denúncia de situação absurda revelado de extrema gravidade já que trata-se de um serviço essencial como o fornecimento de água, porém que deixou de existir na Zona Rural.
O vereador Neguinho de Lié errou quando apelou para as redes sócias para rogar providências ao prefeito, o caminho correto diante da situação calamitosa, é requerer ao Ministério Público a instalação de inquérito civil público para apuração dos fatos e nomeação dos responsáveis já que há bastante tempo os vereadores da oposição já vem denunciando a claríssima omissão do Poder Público.
Friso que apesar dos intensos clamores da população e insistente cobrança por parte dos vereadores da oposição, nenhuma providência foi tomada até o momento, deixando vários povoados da Zona Rural à mercê da sorte e do castigo devido a falta d'água, a omissão tem sido tamanha que nem sequer o Município até agora tomou qualquer atitude, embora a evidente competência e dever da Administração Pública Municipal , nada foi implementado até o momento, evidenciando-se mais uma vez a absoluta omissão do Poder Público.
“As obras e serviços para fornecimento de água potável e eliminação de detritos sanitários domiciliares, incluindo captação, condução, tratamento e despejo adequado, são atribuições precípuas do Município, como medidas de interesse da saúde pública em geral e dos usuários em particular.” ( Hely Lopes Meirelles -Direito Municipal Brasileiro, 11 aedição, Malheiros, São Paulo, 2000)

Tribunal de Justiça suspende efeito de liminar que permitia retorno das aulas na Bahia


por Mauricio Leiro

Tribunal de Justiça suspende efeito de liminar que permitia retorno das aulas na Bahia
Foto: Concurso no Brasil

Uma das liminares que permitia o retorno das aulas na Bahia (reveja aqui), teve os efeitos suspensos, nesta segunda-feira (15). O pedido de suspensão foi feito pelo governo da Bahia e acatado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), o desembargador Lourival Trindade. 

 

"Na hipótese dos autos, depreende-se que, neste momento, ante à impossibilidade de viabilizar-se a retomada das atividades presenciais das instituições de ensino, das redes pública e particular, de todo o território do Estado da Bahia, sem que sejam, diretamente, afetados os direitos à saúde e, corolariamente, à vida, é incontendível que estes últimos devam prevalecer, em detrimento do direito à educação", pontuou o magistrado.

 

O desembargador ainda pontuou que a decisão da suspensão das aulas "tratar-se de decisão, de natureza administrativa, decorrentemente da função típica do Poder Executivo, não havendo, portanto, espaço para uma atuação atípica do Poder Judiciário". "Em razão da inexistência de omissão, que autorize e legitime esta atuação. A breve trecho, é de trivial sabença que a análise, tocante à necessidade de observância às esferas de atuação de cada um dos Poderes", acrescenta.

 

A decisão suspende apenas uma das liminares impetradas para autorizar a retomada das aulas. No último domingo (14), outra decisão liminar, desta vez expedida pela juíza Juliana de Castro, da 6ª Vara da fazenda Pública de Salvador, autorizou a retomada imediata das atividades presenciais nas escolas particulares da capital baiana (relembre aqui). 

 

O Governo do Estado já tinha prorrogado mais uma vez o decreto que suspende os shows e as aulas nas redes pública e privada em toda a Bahia. A medida tem valor até o dia 21 de fevereiro (veja mais). 

Lewandowski autoriza diligências da Polícia Federal em inquérito que investiga ministro Pazuello


Lewandowski autoriza diligências da Polícia Federal em inquérito que investiga ministro Pazuello
Foto: Reprodução/Poder 360

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu nesta segunda-feira (15) pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a Polícia Federal realize diligências no inquérito que investiga eventual responsabilidade do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na crise de saúde pública de Manaus, em que pacientes de Covid-19 chegaram a morrer em janeiro por falta de oxigênio nos hospitais.

 

Na decisão, o ministro autorizou depoimentos de funcionários do Ministério da Saúde e de secretarias de Saúde do Amazonas e de Manaus; acesso a e-mails; a informações sobre fornecimento e transporte de oxigênio; a informações sobre gastos com distribuição de medicamentos para tratamento precoce e que não têm eficácia comprovada contra a Covid.

 

Até agora, só o ministro Pazuello foi ouvido na investigação. Ele negou omissão do governo na crise sanitária no Amazonas. No último dia 11, durante audiência no Senado, Pazuello afirmou que não houve relato de falta de oxigênio no início de janeiro em Manaus.

 

Em janeiro, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para investigar a conduta de Pazuello no enfrentamento da crise da saúde do Amazonas. A apuração requerida pela PGR analisa a suposta omissão do governo diante do colapso que vitimou pessoas no estado diante da falta de oxigênio.

 

Segundo a PGR, apesar de ter sido observado o aumento de casos de Covid-19 já na semana do Natal, o ministro da Saúde optou por enviar representantes da pasta a Manaus apenas em 3 de janeiro, uma semana depois de ter tomado conhecimento da situação calamitosa em que se encontrava a capital.

 

Outro ponto, de acordo com a procuradoria, é que a gravíssima situação dos estoques de oxigênio hospitalar em Manaus chegou ao conhecimento do ministério em 8 de janeiro por meio da White Martins, fabricante do produto, e que o Ministério da Saúde apenas iniciou a entrega de oxigênio em 12 de janeiro.

 

Em 14 de janeiro, portanto oito dias depois de Eduardo Pazuello saber do iminente colapso no sistema de saúde de Manaus, o ministério fez a entrega de 120 mil unidades de hidroxicloroquina, como medicamento para tratar a Covid-19, quase a mesma quantidade de testes do tipo PCR que havia sido entregue ao estado do Amazonas. A cloroquina não tem eficácia cientificamente comprovada no tratamento da Covid-19.

 

Além do inquérito sobre a crise em Manaus, a Procuradoria-Geral da República abriu uma apuração preliminar para analisar as ações de Pazuello diante da evolução da pandemia no Pará.

 

Se avaliar que há elementos que indiquem crime, a PGR pode pedir a abertura de uma nova investigação do ministro no STF.

Bahia Notícias

OMS aprova vacina de Oxford e destrava envio para o Brasil

 por Ana Estela de Sousa Pinto | Folhapress

OMS aprova vacina de Oxford e destrava envio para o Brasil
Foto: Banco de Imagem / Governo Federal

A OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu nesta segunda-feira (15) em sua lista de uso emergencial (EUL) a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca. A decisão permite que elas sejam distribuídas pela Covax, consórcio internacional que enviará vacinas para mais de 100 países no mundo, inclusive o Brasil.

 

A expectativa é que 1,6 milhão de doses do imunizante cheguem ao Brasil neste trimestre e 6 milhões no segundo trimestre. Dos 10.672.800 de doses alocadas para o país no primeiro semestre, cerca de 3 milhões serão adiadas para o segundo semestre, de acordo com documento publicado no começo do mês. O acordo do Brasil na Covax prevê 42,5 milhões de doses até o fim de 2021.

 

O departamento responsável pela avaliação e regulação das vacinas aprovou tanto a versão produzida pela AstraZeneca-SKBio na Coreia (que virá para o Brasil) quanto a produzida pelo Instituto Serum, na Índia.

 

Além de destravar a distribuição pela Covax de 336 milhões de doses da AstraZeneca para 145 países, a inclusão do produto na EUL também beneficia países menos desenvolvidos, que não tem uma agência regulatória estruturada e podem tomar sua decisão com base no parecer da entidade. A Covax também deve entregar 1,2 milhão de doses da Pfizer/BioNTech (incluída na EUL em dezembro) neste semestre.

 

"Países sem acesso a vacinas até o momento finalmente poderão imunizar seus profissionais de saúde e populações em risco", disse a brasileira Mariângela Simão, subdiretora-geral da OMS para Acesso a Medicamentos. O órgão avaliou dados de qualidade, segurança e eficácia da vacina de Oxford e planos de gestão de risco e adequação das cadeias de refrigeração.

 

Na semana passada, o órgão consultivo que orienta a OMS (Sage) recomendou o uso do imunizante em todas as faixas etárias a partir dos 18 anos de idade.

Bahia Notícias

Tribunal de Justiça suspende efeito de liminar que permitia retorno das aulas na Bahia

por Mauricio Leiro

Tribunal de Justiça suspende efeito de liminar que permitia retorno das aulas na Bahia
Foto: Concurso no Brasil

Uma das liminares que permitia o retorno das aulas na Bahia (reveja aqui), teve os efeitos suspensos, nesta segunda-feira (15). O pedido de suspensão foi feito pelo governo da Bahia e acatado pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA), o desembargador Lourival Trindade. 

 

"Na hipótese dos autos, depreende-se que, neste momento, ante à impossibilidade de viabilizar-se a retomada das atividades presenciais das instituições de ensino, das redes pública e particular, de todo o território do Estado da Bahia, sem que sejam, diretamente, afetados os direitos à saúde e, corolariamente, à vida, é incontendível que estes últimos devam prevalecer, em detrimento do direito à educação", pontuou o magistrado.

 

O desembargador ainda pontuou que a decisão da suspensão das aulas "tratar-se de decisão, de natureza administrativa, decorrentemente da função típica do Poder Executivo, não havendo, portanto, espaço para uma atuação atípica do Poder Judiciário". "Em razão da inexistência de omissão, que autorize e legitime esta atuação. A breve trecho, é de trivial sabença que a análise, tocante à necessidade de observância às esferas de atuação de cada um dos Poderes", acrescenta.

 

A decisão suspende apenas umas das liminares empetradas para autorizar a retomada das aulas. No último domingo (14), outra decisão liminar, desta vez expedida pela juíza Juliana de Castro, da 6ª Vara da fazenda Pública de Salvador, autorizou a retomada imediata das atividades presenciais nas escolas particulares da capital baiana (relembre aqui). 

 

O Governo do Estado já tinha prorrogado mais uma vez o decreto que suspende os shows e as aulas nas redes pública e privada em toda a Bahia. A medida tem valor até o dia 21 de fevereiro (veja mais). 

Bahia Notícias

STF tem 377 julgamentos paralisados por pedidos de vista; devolução de casos ao plenário pode demorar anos


Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

Em meio à iniciativa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, de pregar contra as decisões monocráticas de ministros, o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro na condenação do ex-presidente Lula expôs outro mecanismo que concentra poder nas mãos de um magistrado: os pedidos de vista.

Neste momento, o expediente paralisa 377 processos na Corte, em desrespeito, na maioria das vezes, ao regimento interno do colegiado, que prevê a obrigatoriedade de retorno do caso ao plenário duas sessões depois para que a tramitação seja retomada.

SUSPEIÇÃO DE MORO – O mais comum é que os ministros levem meses e até anos para devolver os casos para julgamento. No caso da suspeição de Moro, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do julgamento em dezembro de 2018, na Segunda Turma.

Até agora, Cármen Lúcia e Edson Fachin votaram a favor de Moro. Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski ainda não votaram, mas deram a entender nos debates que consideram exacerbada a atuação do ex-juiz na condução da Lava-Jato.

Em outubro do ano passado, o ministro Celso de Mello, que também votaria, se aposentou e foi substituído por Nunes Marques. Com a nova configuração do colegiado, Mendes cogita retomar o julgamento ainda neste semestre, na esperança de seu ponto de vista sair vitorioso. Isso porque o voto de Celso de Mello era uma incógnita e, no STF, ministros acreditam que Nunes Marques votará contra Moro, por ser visto como garantista.

MOROSIDADE – O constitucionalista Mamede Said, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), avalia que a demora em devolver os casos para julgamento contribui para a morosidade da Justiça, que já está congestionada com muitos processos: “O pedido de vista é um direito do magistrado em qualquer tribunal, em geral, para firmar uma ideia mais precisa sobre matéria. Mas muitas vezes (em que) ele é utilizado, acaba surtindo efeito de procrastinar, retardar o julgamento do feito”.

Atualmente, entre os pedidos de vista no STF, 207 são do plenário. Nesses casos, os 11 ministros participam do julgamento. Outros 90 são da Primeira Turma, formada por cinco ministros; e 80, da Segunda Turma, constituída por outros cinco magistrados. Dos 377 pedidos de vista no STF, 152 já foram devolvidos e, em tese, a votação pode ser retomada a qualquer momento, dependendo apenas de o presidente da Corte, Luiz Fux, incluir os processos na pauta.

PORTE DE DROGAS – Entre os processos que aguardam reposição na agenda está o que versa sobre a criminalização do porte de drogas para consumo próprio. Em setembro de 2015, o ministro Teori Zavascki pediu vista no julgamento. Com a morte dele, em janeiro de 2017, o seu substituto, o ministro Alexandre de Moraes, herdou o processo e em novembro de 2018, devolveu o caso para ser analisado em plenário.

O então presidente do STF, Dias Toffoli, chegou a marcar o julgamento por duas vezes no ano seguinte, mas o retirou de pauta. Até agora, três ministros votaram: o relator Gilmar Mendes, que defendeu a descriminalização do porte para uso de todo tipo de droga; e Fachin e Luís Roberto Barroso, que votaram pela descriminalização, mas só para o porte de maconha.

Num outro caso, em maio de 2012, o ministro Luiz Fux pediu vista no julgamento de uma ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra uma lei do Estado do Rio de Janeiro que trata da organização do Tribunal de Justiça local e prevê, entre outros itens, algumas gratificações, como o auxílio pré-escolar. Em dezembro de 2017, Fux devolveu o caso para julgamento. Um ano depois, Toffoli, então presidente a Corte, marcou o julgamento para março de 2019, mas, logo depois, o retirou da pauta.

VÁLVULA DE ESCAPE – Na Suprema Corte dos Estados Unidos, os ministros podem rejeitar o julgamento de uma causa em razão de a questão envolver valores que não estão maduros socialmente para serem julgados. A Constituição brasileira não permite isso. A válvula de escape para esse filtro, muitas vezes, acaba sendo o pedido de vista.

O pedido de vista mais antigo aguardando julgamento no plenário é do ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em 2012. A interrupção do julgamento foi em agosto de 2006. Ele devolveu o caso para a pauta em fevereiro de 2012, mas a ação jamais voltou a julgamento. O processo trata do quorum necessário para o Legislativo deliberar sobre acusação contra governador por crime de responsabilidade.

Também no plenário, Gilmar Mendes pediu vista de um processo em agosto de 2011 e ainda não o devolveu. É o caso mais antigo do plenário sem devolução do ministro. O caso trata de execução extrajudicial no Sistema Financeiro de Habitação.

CASO MAIS ANTIGO – Na Primeira Turma, o caso mais antigo de pedido de vista é de um processo de uma empresa de energia elétrica do Espírito Santo que questiona o cálculo de alguns impostos federais. Fux interrompeu o julgamento em outubro de 2016. O ministro não integra mais o colegiado desde setembro do ano passado, quando assumiu a presidência do STF.

Na Segunda Turma, o recorde é de um processo com pedido de vista também de Ayres Britto em agosto de 2010 e jamais devolvido para julgamento. É um processo em que uma empresa aérea tentou anular uma multa aplicada pela Justiça.

NOTA – A assessoria de comunicação do STF divulgou nota defendendo o direito dos ministros de pedirem vista e ponderando sobre as dificuldades de elaborar a pauta de julgamentos. “É prerrogativa dos ministros pedirem vista para estudarem melhor os processos em andamento na Corte.

Em relação à pauta do plenário, que é elaborada pelo presidente da Corte, a definição dos julgamentos é feita em interlocução com os relatores dos casos, respeitando sempre que possível a prioridade por eles solicitada, e levando em conta casos que demandam solução em prol da segurança jurídica do país”, diz o texto.

OUTROS TRIBUNAIS –  O pedido de vista não é um mecanismo apenas do STF; ele existe também nos outros tribunais brasileiros. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo, pedidos de vista vêm retardando a análise, pela Quinta Turma da Corte, de habeas corpus do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso da “rachadinha” na Alerj.

Em novembro do ano passado, o relator, ministro Felix Fischer, votou para negar os pedidos da defesa, mas o ministro João Otávio de Noronha pediu vista.

O regimento interno do STJ prevê que a vista deve ser devolvida em até 60 dias, prazo que fica suspenso durante o recesso e as férias. Noronha fez isso dentro o prazo e, na última terça-feira, votou a favor de parte dos pedidos da defesa. Mas o julgamento não foi concluído porque o próprio relator pediu nova vista.

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