segunda-feira, maio 27, 2019

Ninguém governa sozinho’, diz líder do DEM sobre manifestações pró-Bolsonaro


Elmar Nascimento
Nascimento diz que é preciso respeitar opiniões divergentes
Deu no Estadão
Um dos principais nomes do Centrão, o líder do DEM, deputado Elmar Nascimento (BA), defendeu o “diálogo” e o respeito às “opiniões divergentes” após o Congresso ser um dos principais alvos de manifestantes nas ruas neste domingo, dia 26. Em nota, Elmar mandou um recado aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro: “Ninguém governa sozinho”.
Os atos deste domingo tiveram como mote a aprovação de propostas do governo, como a reforma da Previdência e o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, mas também houve muitas críticas ao Congresso e à classe política, apontados como responsáveis por impedir que Bolsonaro consiga levar adiante suas promessas de campanha.  Ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) também estiveram presentes em faixas e cartazes de manifestantes neste domingo.
OBJETIVO REAL – “O radicalismo e a beligerância nunca levaram a lugar algum e, neste momento, é preciso unir esforços para atingir a um objetivo comum, real e urgente: a recuperação da economia nacional, com a geração de empregos e renda, assim como a melhoria da saúde, da educação e o enfrentamento da violência”, afirma o parlamentar.
Leia abaixo a nota completa do líder do Democratas na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA):
Como defensor da democracia, das opiniões divergentes e do diálogo, respeito os manifestantes que saíram às ruas neste domingo. Ressalto que a maioria deles manifestou-se a favor da reforma da Previdência e do pacote anticrime, ambos em tramitação no Legislativo. Desta forma, a Câmara e o Senado são fundamentais no processo de aprovação das duas pautas. O STF também é pilar da democracia e, tenho certeza, contribuirá para o fortalecimento das instituições. Ninguém governa sozinho.
Com diálogo e respeito é possível avançar nestas e em outras pautas, como tem feito a Câmara dos Deputados nos debates recentes sobre a reforma tributária, o barateamento das passagens aéreas, o fim da restrição para acesso a dados sigilosos e a autonomia para aplicação de recursos para estados e municípios, entre outros temas.
O radicalismo e a beligerância nunca levaram a lugar algum e, neste momento, é preciso unir esforços para atingir a um objetivo comum, real e urgente: a recuperação da economia nacional, com a geração de empregos e renda, assim como a melhoria da saúde, da educação e o enfrentamento da violência”, conclui a nota do líder do DEM.

Bolsonaro está manipulando Paulo Guedes, mas o ministro ainda nem percebeu…

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Resultado de imagem para bolsonaro e guedesCarlos Newton
Não interessa saber se a manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro foi sucesso ou fracasso, se atraiu mais militantes do que o protesto universitário do dia 15, que aconteceu numa quarta-feira, nada disso é importante.
PROTESTO A FAVOR – A realização desse “protesto a favor”, digamos assim, deixou no ar um clima de fim de festa, porque o resultado positivo só existe na mente dos bolsonaristas fanáticos, que achavam que a simples realização do ato público teria o poder de emparedar o Congresso e intimidar o Supremo, para que daqui para frente, tudo fosse diferente, no estilo Roberto Carlos, e deputados e senadores passariam a fazer tudo o que seu mestre mandar.
Mas não é bem assim que a política funciona. A convocação do ato a favor do governo tinha contraindicações que não foram respeitadas, porque os organizadores – com Carlos Bolsonaro à frente das redes sociais – esqueceram de ler a bula do falso remédio.
AMADORISMO – O problema é que Bolsonaro tem 28 anos de Câmara Federal, mas não pode ser considerado um político experiente, em sentido amplo, e agora está cercado de amadores, especialmente os filhos Zero Um, Zero Dois e Zero Três.
Como o presidente é individualista e impulsivo, não tem um “consigliere” a quem costume consultar antes de fazer/falar bobagens. O que chega mais perto dessa função é o ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Mas ele e os demais componentes do núcleo duro só têm conseguido corrigir Bolsonaro à posteriori.
Infelizmente, o presidente continua a aceitar a priori as ideias dos filhos, sem analisar as contraindicações. E o resultado tem sido altamente negativo.
PALPITE INFELIZ – A manifestação deste domingo tinha como principal contraindicação o fato de que – atraindo multidões ou não – o resultado seria o mesmo, porque a iniciativa, desde que foi anunciada, logo começou a despertar contrariedade no Supremo e no Congresso, e isso não interessa ao Planalto.
Fica patente que a entourage familiar de Bolsonaro não entende o que é democracia, e o próprio presidente se deixa contaminar, embora esteja cansado de saber que cada Poder da República faz a sua parte.
Assim, independentemente do resultado da manifestação, já se sabia que tudo continuaria na mesma, porque o Congresso vai aprovar a reforma da Previdência que considerar mais adequada ao povo brasileiro, pois não aceita engolir a proposta original de Paulo Guedes, que interessa mais aos banqueiros do que aos trabalhadores.
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P.S. 1 – 
Bolsonaro não é nada bobo. O ministro Guedes pensa que pode usá-lo, porém jamais conseguirá. É Bolsonaro que está manipulando o chefe da equipe econômica, e não o contrário. Lembrem que há dois meses o presidente já sinalizou que o sistema de capitalização não é fundamental. Desde então Guedes tenta forçar a aprovação, chegou agora a ameaçar se demitir e ir morar lá fora, mas os deputados e senadores estão pouco ligando. A reforma vai sair do jeito que Bolsonaro quer, sem capitalização.
P.S. 2 – Guedes vai enlouquecer de raiva, mas terá de engolir, porque precisa do foro privilegiado. O Ministério Público do Estado do Rio e o Tribunal de Contas da União estão investigando as aplicações negativas que Guedes fez na farra dos fundos de pensão, na Era do PT. Aliás, o relatório da Superintendência Nacional de Previdência Complementar contra Guedes é impressionante. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

domingo, maio 26, 2019

Povo foi às ruas por Jair Bolsonaro, e não por Paulo Guedes, que está voando na fantasia

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Charge do Nani (nanihumor.com)
Pedro do Coutto
Os eleitores e eleitoras de Jair Bolsonaro foram às ruas ontem para reforçar seu apoio ao presidente da República independentemente da concordância ou não, total ou parcialmente, com seus projetos. Com essa atitude, grande parcela da população praticamente lançou uma campanha para fortalecê-lo à frente do governo, inclusive porque, sem dúvida alguma, Bolsonaro tornou-se um dos maiores fenômenos eleitorais da história moderna do país.
Basta destacar sua vitória nas urnas para a presidência da República. Com tal performance, pode ser incluído num grupo restrito de grandes eleitos e também pelo fato de ter arrastado consigo governadores de estados, deputados e senadores.
NO ARRASTÃO – Pode se ressaltar a eleição de Wilson Witzel no Rio de Janeiro, Romeu Zuma em Minas Gerais, entre outros estados da Federação.
Senadores e deputados foram eleitos como integrantes de sua campanha. Dois de seus filhos foram eleitos para a Câmara e Senado Federal. Influência semelhante só as de Vargas em 1945, Jânio Quadros e Lula. No caso de Fernando Henrique Cardoso, o tucano venceu duas disputas no primeiro turno. Isso é fato. No entanto, não pode ser considerado um grande eleitor em matéria de transferência de votos. Mas essa é outra questão.
DELÍRIO DE GUEDES – Vamos agora falar do voo de Paulo Guedes para a fantasia. Para isso basta ler sua entrevista a Tiago Bronzatto na revista Veja que se encontra nas bancas. Vou destacar suas próprias palavras. Após sustentar que a reforma da Previdência resolverá os problemas das contas internas, da dívida do governo, além de atrair investimentos para a poupança interna, disse que irá também melhorar o nível de emprego.
Falando em fantasia, tipo reino encantado de OZ, transcrevo agora texto integral de sua entrevista à Veja. Disse Paulo Guedes: “o que estamos propondo é fechar esta fábrica de privilégios. Lá na frente a empregada doméstica e a patroa vão se aposentar no mesmo regime”.  Os leitores deste artigo devem fazer uma reflexão. Paulo Guedes revelou que logo após a vitória de Bolsonaro ele sugeriu ai presidente eleito que anunciasse a reforma da Previdência para que ela fosse iniciada ainda no final do governo Michel Temer. Incrível. 
ALARMANTE – “Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. A velha Previdência quebrou. Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários”. E acentuou:” a Previdência hoje é um buraco negro que engole tudo ao redor”.
Na entrevista disse que a curto prazo podemos nos tornar uma Argentina com inflação entre 30 a 40%. A médio prazo, antes de o governo acabar, o Brasil pode virar uma Venezuela. Finalmente, como todos os jornais publicaram nas edições de ontem, Paulo Guedes afirmou enfaticamente que se a reforma não for aprovada sairá do governo, pegará um avião e vai residir no exterior.
Os leitores deste artigo, penso eu, devem julgar se a posição do Ministro da Economia voa como sua fantasia.

Manifestações não foram grandes o suficiente para Bolsonaro vencer crise, avaliam analistas políticos


Manifestantes reunidos em frente ao Congresso Nacional, em BrasíliaDireito de imagemEVARISTO SA/GETTY IMAGES
Image captionManifestantes reunidos em frente ao Congresso Nacional, em Brasília
Manifestantes ocuparam as ruas de dezenas de cidades brasileiras neste domingo em apoio ao governo de Jair Bolsonaro. O tamanho da mobilização, porém, não parece suficiente para fortalecer o presidente nas negociações com o Congresso Nacional, acreditam analistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil. Com isso, afirmam, a tendência é de continuidade da crise política.
Os atos foram convocados em resposta aos protestos realizados em 15 de maio contra os cortes anunciados no Orçamento da Educação. No entanto, embora milhares de pessoas tenham comparecido às ruas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a mobilização nacional não superou o movimento de oposição ao governo e ficou aquém dos protestos massivos que marcaram o país em 2013 e pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2015.
"As manifestações desse domingo mostram que Bolsonaro tem apoiadores dispostos a ocupar as ruas, mas não é um mito de popularidade com capacidade de constranger o Congresso. O ato na Avenida Paulista (em São Paulo) ocupou várias quadras, mas o público estava espalhado, deixando espaços vazios", observou o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.
Na leitura do cientista político Antônio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), as manifestações tiveram "tamanho proporcional à popularidade do presidente hoje". Ele lembra que as pesquisas de opinião têm mostrado que um terço dos brasileiros avaliam positivamente o governo, enquanto outro terço rechaça a gestão e o restante a avalia como regular.

"Os atos de hoje não fortalecem nem enfraquecem o presidente. Como não houve uma mobilização massiva, não foi criado capital político novo para o presidente", avalia
Manifestante na Avenida Paulista, vestindo um traje com uma mescla dos símbolos do Brasil e dos Estados UnidosDireito de imagemEPA
Image captionNa Avenida Paulista, manifestante vestiu um traje mesclando símbolos das bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos

Defesa da reforma e ataques a Maia e Centrão predominam em atos

Os cinco meses de administração Bolsonaro têm sido marcados por uma relação difícil com o Congresso, já que o presidente não construiu uma base de apoio ao seu governo sob a justificativa de implementar uma "nova política", sem "toma lá dá cá" envolvendo distribuição de cargos na máquina federal.
A falta de base parlamentar, porém, tem se refletido em dificuldade para aprovar até mesmo medidas com potencial de controvérsia menor do que a Reforma da Previdência, caso da Medida Provisória 870 que reduziu os números de ministérios de 29 para 22 e transferiu o Coaf (Conselho de Atividade Financeira) do Ministério da Economia, liderado por Paulo Guedes, para o Ministério da Justiça, comandado por Sergio Moro.
A tendência é que a MP seja aprovada nesta semana no Senado nos mesmos termos da Câmara, retornando o Coaf para a pasta de Guedes. O próprio governo já desistiu de trabalhar contra isso para evitar do risco de que a MP caia e toda a reforma da estrutura ministerial seja revertida.
Diante da tensão entre Planalto e Parlamento, as manifestações deste domingo foram marcadas por ataques ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o chamado Centrão, um conglomerado de partidos que não apresenta posicionamento ideológico claro mas tem, com frequência, se alinhado às siglas de esquerda que fazem oposição.
Viu-se também muitas falas e cartazes a favor da aprovação da reforma da previdência, do pacote anticrime de Moro e com ataques ao Supremo Tribunal Federal. Até mesmo grupos de direita foram duramente criticados, principalmente o Movimento Brasil Livre, já que seu líder, o deputado Kim Kataguiri, se opôs à convocação por considerar que ela tinha caráter autoritário de defesa do fechamento do Parlamento e do STF.
Bolsonaro, que desistiu de comparecer ao ato por causa dessa controvérsia, passou o dia divulgando vídeos das manifestações pelo país em sua conta no Twitter. "Há alguns dias atrás, fui claro ao dizer que quem estivesse pedindo o fechamento do Congresso ou STF hoje estaria na manifestação errada. A população mostrou isso. Sua grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos", postou no fim da tarde.
Apesar da tentativa do presidente de contemporizar, o cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo Tadeu Monteiro acredita que as manifestações podem acabar virando um "tiro no pé", ao dificultar ainda mais a relação de Bolsonaro com o Legislativo.
"Nitidamente, o movimento tinha objetivo de constranger o Congresso. Se fossem dois milhões de pessoas na rua, certamente o Congresso ficaria intimidado, mas como ficou aquém do esperado pelos organizadores acaba contribuindo para piorar a relação", analisa.
"Acho que a crise vai persistir porque não há, por parte do governo, nenhum projeto para construção de uma base", disse ainda.
Manifestação na Av. Paulista, em São Paulo, vista do altoDireito de imagemEPA
Image captionManifestação na Av. Paulista, em São Paulo, reuniu apoiadores do governo Bolsonaro no período da tarde

Protagonismo do Congresso

Caso Bolsonaro não busque articular uma base, os analistas acreditam que o Congresso continuará buscando um protagonismo maior, limitando os poderes presidenciais.
A expectativa é que a reforma da previdência, apoiada pelos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (David Alcolumbre), seja aprovada com ajustes em relação ao texto encaminhado pelo governo.
Já o polêmico decreto que flexibilizou o acesso a armas pode vir a ser derrubado por um decreto legislativo. Outra discussão que corre nos bastidores do Congresso é limitar a capacidade do presidente de editar medidas provisórias (normas legais que entram em vigor imediatamente, mas dependem de aprovação do Congresso para manter validade).
Em meio à crise política, alguns senadores, como José Serra (PSDB-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) também tentam reavivar o debate sobre troca de sistema de governo, com a proposta de substituir a partir de 2022 o presidencialismo pelo parlamentarismo (sistema em que o chefe de governo, chamado primeiro ministro, é eleito indiretamente pelo Congresso).
Essa possibilidade foi levada à consulta popular em 1993, logo após o impeachment do presidente Fernando Collor, mas a maioria da população escolheu em plebiscito a continuidade do presidencialismo.
"Embora a popularidade de Bolsonaro esteja em queda, ela não se transfere para o Congresso. A credibilidade do Parlamento é baixa. Não acredito que a população apoiaria nas ruas a adoção do parlamentarismo", nota Carlos Melo, do Insper.

Comparativo entre as manifestações a favor de Bolsonaro e os protestos contra cortes na educação

Por G1 — São Paulo
 
Atos em apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro foram realizados neste domingo (26) em 156 cidades de 26 estados, mais o Distrito Federal, segundo balanço do G1 às 20h40.
No mesmo horário da quarta-feira 15 de maio, quando foram realizados atos em defesa da educação, foram contabilizados protestos em 222 cidades de todos os 26 estados do país, mais o Distrito Federal. O balanço das 20h40 foi o último registrado naquele dia de cobertura dos protestos de estudantes.
Tanto em 15 de maio quanto neste domingo não houve estimativa de público - feita por autoridades e organizadores - em todos os atos registrados pelo G1.
Nos dois dias, as manifestações foram pacíficas e não houve registro de incidentes.
Comparativo das manifestações de domingo (26) e quarta-feira (15) — Foto: Arte/G1Comparativo das manifestações de domingo (26) e quarta-feira (15) — Foto: Arte/G1
Comparativo das manifestações de domingo (26) e quarta-feira (15) — Foto: Arte/G1

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