
Carlos Bolsonaro convenceu o pai de que Bebiano tinha mentido
Carlos Newton
Não foi sem motivos que o presidente Jair Bolsonaro ofereceu ao então ministro Gustavo Bebianno a diretoria de Itaipu e as embaixadas em Roma ou Lisboa, a escolher. Passada a raiva e depois de ouvir as ponderações dos ministros do Planalto, Bolsonaro caiu em si e tentou uma solução negociada, mas era tarde demais. A imagem do secretário-geral da Presidência já tinha sido inteiramente destruída, ao ser chamado de “mentiroso” pelo filho Carlos e pelo próprio Bolsonaro. É o tipo de acusação indelével, que não se remove com palavras nem com cargos de destaque. É preciso pedir desculpas.
A repercussão foi enorme, é claro, não se passaram dois meses e de repente já surgia uma crise grave. Era esperado que Gustavo Bebianno reagisse e apresentasse as provas de que dispunha e que foram mostradas sigilosamente aos ministros da casa, na última sexta-feira, para comprovar que ele não era mentiroso e realmente tinha falado por três vezes com Bolsonaro na terça-feira dia 12.
AS GRAVAÇÕES – Embora os fanáticos por Bolsonaro (que podem ser igualados aos fanáticos por Lula) insistam em distorcer as informações e em seguir acusando Bebianno e defendendo o presidente, as gravações não mentem. Podem ser reviradas de cima para baixo, ouvidas mil vezes, porém jamais serão modificadas. Não é questão de ponto de vista, mas de perícia técnica – o que está escrito no WahtsApp está valendo e as conversas que foram gravadas, também.
O fato concreto e incontestável é que os áudios divulgados pela revista Veja nesta terça-feira (19) desmentem completamente a versão de Bolsonaro sobre a conversa com Bebianno —segundo o presidente, eles não tinham se falado.
Ficou provado que os dois conversaram pelo aplicativo de mensagens WhatsApp três vezes na terça-feira, dia 12 de fevereiro, antes da alta médica do presidente. Além disso, Bebianno comprovou que o esquema de candidaturas laranjas do PSL tinha sido tratado com o presidente naquela ocasião.
Charge do Duke (dukechargista.com.br)
MUITAS VERSÕES – Agora, as teorias conspiratórias estão criando múltiplas versões para justificar a demissão de Bebianno, por desconhecido motivo de “foro íntimo”. Pelo teor das conversas, no entanto, percebe-se que havia um certo mal-estar, mas nada que justificasse demissão do ministro.
Portanto, se Carlos Bolsonaro não tivesse surgido com a explosiva denúncia de que o pai não falara três vezes com Bebianno naquela terça-feira, e se o presidente tivesse capacidade de entender que troca de mensagens no WhatsApp é uma forma de conversar, esta crise nem teria acontecido. Estariam em curso as investigações pedidas pelo presidente à Polícia Federal, e vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha.
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P.S. 1 – Na dualidade da vida, tudo o que é negativo pode ser tornar positivo. Se a demissão de Bebianno servir para eliminar de vez a influência dos filhos sobre Bolsonaro, a pátria estará salva, caso o presidente aceite as orientações dos ministros do Planalto e faça um governo que defenda os interesses nacionais.
P.S. 1 – Na dualidade da vida, tudo o que é negativo pode ser tornar positivo. Se a demissão de Bebianno servir para eliminar de vez a influência dos filhos sobre Bolsonaro, a pátria estará salva, caso o presidente aceite as orientações dos ministros do Planalto e faça um governo que defenda os interesses nacionais.
P.S. 2 – Para tanto, porém, terá de se livrar do ministro Paulo Guedes, que está claramente defendendo os interesses dos banqueiros. Leiam amanhã o artigo da auditora Maria Lúcia Fattorelli sobre a maneira que o Banco Central arranjou para engordar os lucros dos bancos, e depois a gente conversa – seja pessoalmente, por telefone ou por WhatsApp…(C.N.)



