segunda-feira, janeiro 03, 2011

Confira a lista de concursos para 2011

O ano de 2011 promete boas oportunidades no serviço público. Concursos de grande porte, esperados por grande parte dos candidatos, estão previstos para sair nos próximos meses. As chances estão espalhadas por todo o país. Quer bons salários e estabilidade? Tente sua vaga também! Confira abaixo as principais oportunidades:


Senado Federal
Vagas: até 250 e cadastro reserva. Cargos abrangidos: técnico, analista e consultor. Salários: de R$ 8,7 mil a R$ 16,6 mil. Organizadora: não definida. Edital: previsto para dezembro de 2010 ou início de 2011.

Superior Tribunal Eleitoral
Vagas: cadastro reserva. Cargos abrangidos: por enquanto técnico e analista. Salários: de R$ 3.993,09 a R$ 6.551,52. Organizadora: não definida. Edital: previsto para o primeiro semestre de 2011.

Valec/DF
Vagas: até 1.360. Cargos abrangidos: de níveis médio e superior. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: em janeiro de 2011

Instituto Rio Branco
Vagas: 26. Cargos abrangidos: diplomata. Salários: mais de R$ 12 mil. Organizadora: Cespe/UnB. Edital: em breve

Polícia Federal
Vagas: mais de mil vagas. Cargos abrangidos: delegado, perito, agente administrativo e papiloscopista. Salários: de R$ 2.899,97 a R$ 13.368,68. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização.

Correios
Vagas: 6.565 vagas. Cargos abrangidos: carteiro, atendente de agência e operadores de centro, entre outros. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: em janeiro de 2011

Petrobras
Vagas: 6 mil até 2013. Cargos abrangidos: de níveis médio e superior, em definição. Salários: de R$ 1.141,61 a R$ 3.940,16. Organizadora: não definida. Edital: primeiro concurso no ano que vem

Instituto Nacional de Seguro Social
Vagas: 2,5 mil. Cargos abrangidos: técnico e analista. Salários: não informado. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização

Ibama
Vagas: 362 . Cargos abrangidos: técnico e analista administrativo. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização

Ministério da Educação
Vagas: 12 mil. Cargos abrangidos: professor e técnico-administrativo. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: chances autorizadas

Fundação Biblioteca Nacional
Vagas: 44. Cargos abrangidos: assistente administrativo. Salários: não informado. Organizadora: não definida. Edital: em até seis meses

Ministério da Fazenda
Vagas: 300. Cargos abrangidos: analista técnico-administrativo. Salários: R$ 3,5 mil. Organizadora: não definida. Edital: espera autorização

Ancine
Vagas: 100. Cargos abrangidos: técnico de regulação e técnico administrativo. Salários: de R$ 4.759,98 a R$ 4.984,78. Organizadora: não definida. Edital: sem previsão
Publicada: 03/01/2011 00:32| Atualizada: 03/01/2011 00:16
fONTE: TRIBUNA DA BAHIA

Confira a lista de concursos para 2011

O ano de 2011 promete boas oportunidades no serviço público. Concursos de grande porte, esperados por grande parte dos candidatos, estão previstos para sair nos próximos meses. As chances estão espalhadas por todo o país. Quer bons salários e estabilidade? Tente sua vaga também! Confira abaixo as principais oportunidades:


Senado Federal
Vagas: até 250 e cadastro reserva. Cargos abrangidos: técnico, analista e consultor. Salários: de R$ 8,7 mil a R$ 16,6 mil. Organizadora: não definida. Edital: previsto para dezembro de 2010 ou início de 2011.

Superior Tribunal Eleitoral
Vagas: cadastro reserva. Cargos abrangidos: por enquanto técnico e analista. Salários: de R$ 3.993,09 a R$ 6.551,52. Organizadora: não definida. Edital: previsto para o primeiro semestre de 2011.

Valec/DF
Vagas: até 1.360. Cargos abrangidos: de níveis médio e superior. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: em janeiro de 2011

Instituto Rio Branco
Vagas: 26. Cargos abrangidos: diplomata. Salários: mais de R$ 12 mil. Organizadora: Cespe/UnB. Edital: em breve

Polícia Federal
Vagas: mais de mil vagas. Cargos abrangidos: delegado, perito, agente administrativo e papiloscopista. Salários: de R$ 2.899,97 a R$ 13.368,68. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização.

Correios
Vagas: 6.565 vagas. Cargos abrangidos: carteiro, atendente de agência e operadores de centro, entre outros. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: em janeiro de 2011

Petrobras
Vagas: 6 mil até 2013. Cargos abrangidos: de níveis médio e superior, em definição. Salários: de R$ 1.141,61 a R$ 3.940,16. Organizadora: não definida. Edital: primeiro concurso no ano que vem

Instituto Nacional de Seguro Social
Vagas: 2,5 mil. Cargos abrangidos: técnico e analista. Salários: não informado. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização

Ibama
Vagas: 362 . Cargos abrangidos: técnico e analista administrativo. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: aguarda autorização

Ministério da Educação
Vagas: 12 mil. Cargos abrangidos: professor e técnico-administrativo. Salários: não informados. Organizadora: não definida. Edital: chances autorizadas

Fundação Biblioteca Nacional
Vagas: 44. Cargos abrangidos: assistente administrativo. Salários: não informado. Organizadora: não definida. Edital: em até seis meses

Ministério da Fazenda
Vagas: 300. Cargos abrangidos: analista técnico-administrativo. Salários: R$ 3,5 mil. Organizadora: não definida. Edital: espera autorização

Ancine
Vagas: 100. Cargos abrangidos: técnico de regulação e técnico administrativo. Salários: de R$ 4.759,98 a R$ 4.984,78. Organizadora: não definida. Edital: sem previsão
Publicada: 03/01/2011 00:32| Atualizada: 03/01/2011 00:16
fONTE: TRIBUNA DA BAHIA

Filho gera dívida de idosos

Marcelle Souza
do Agora

Eunice Maceió Francisco, 62 anos, aposentada, teve que pegar um empréstimo após o marido ficar doente. Josefa Messias do Nascimento, 65, também aposentada, ficou com uma dívida de R$ 2.000 porque não pagou as fotografias tiradas de seus netos.

Elas fazem parte dos 3% de endividados paulistanos que têm mais de 60 anos, de acordo com um levantamento da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Desde 2008, o número de idosos nessa situação varia de 2% a 4%.

Apesar da porcentagem baixa, os idosos têm um perfil diferente de endividado. "Os idosos normalmente assumem dívidas para ajudar a família. Pegam empréstimo ou emprestam o nome para alguém que está com o nome sujo", afirma Emílio Alfieri, economista-chefe da ACSP.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta segunda

Veja 60 mil chances em seleções de todo o país

Enviar por e-mail
03/01/2011Veja 60 mil chances em seleções de todo o paísCarol Rocha
do Agora

O ano de 2011 começa com uma boa previsão para quem pretende tentar uma chance no funcionalismo. A expectativa é que sejam criadas aproximadamente 55 mil vagas em seleções municipais, estaduais e federais. Somadas às 5.319 chances que já estão abertas, com vagas no Estado, serão 60.039 oportunidades.

Para os concursos já abertos ou com data de inscrição definida, é possível saber os cargos e os salários. Entre eles, há duas seleções no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (286 oportunidades).

Dessas, 93 vagas são para escrevente técnico judiciário, nas comarcas e foros distritais de Guarulhos (Grande SP) e de Campinas (93 km de SP). É preciso ter o ensino médio. O salário é de R$ 2.782,60.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta segunda,

Começaram as pressões

Carlos Chagas

Antes mesmo da posse, começaram as pressões sobre Dilma Rousseff. Os mesmos de sempre, ou seja, as elites neoliberais, entre críticas virulentas ao Lula por não ter feito, exigem que a sucessora faça. Fazer o quê? Atender a seus interesses retrógrados, expostos nos editoriais dos principais jornalões:

Reforma trabalhista, com o que chamam de “revogação de anacrônicos direitos”, daqueles que não conseguiram suprimir até agora. Sob o pretexto de verem reduzidos os encargos das folhas de pagamento das empresas, chegam veladamente à supressão do décimo-terceiro salário, das férias remuneradas e das horas extraordinárias. Parece brincadeira, mas é aí que pretendem chegar.

Reforma tributária, como a entendem, sob a égide da enganadora proposta de “melhor será mais cidadãos pagarem impostos porque, assim, todos pagarão menos”. Uma farsa, pois desejam mesmo é taxar os pobres, para os ricos terem diminuídos seus impostos. Forçarão mais isenções, no modelo daquela maior, de que investimentos e especulações com dinheiro estrangeiro não pagam imposto de renda. Que tal livrar as especulações nacionais, também?

Reforma política é outra moeda de duas faces. No fundo, gostariam de reduzir o número de pequenos partidos, mas não só os de aluguel. Visam calar a voz dos pequenos partidos de esquerda, históricos ou modernos, do tipo PCdoB, PCB, PSB, Psol e outros, que ainda protestam, transformando os grandes em massa amorfa, insossa e inodora, nivelados no mesmo denominador comum. Imaginam PMDB, PSDB, PT, PP e outros cedendo às suas imposições, já que manteriam sua independência formal, mas rezariam pela cartilha da acomodação neoliberal.

Reforma de gestão também entra no cardápio. Impõem a redução de gastos públicos e a minimização do poder do Estado, preocupados em reduzir sua presença na economia e no plano social. Pregam a demissão em massa do funcionalismo, a suspensão de concursos públicos, o congelamento e até a redução de vencimentos e salários nas empresas privadas. Investimentos em políticas públicas, só se participarem dos lucros, da medicina ao ensino, dos transportes à geração de energia. �

Reforma da Previdência Social não poderia faltar, dentro do objetivo maior de sufocar o que é público em favor do que pretendem privado. A meta é nivelar por baixo todas as aposentadorias, reduzindo-as ao salário mínimo, para levar a classe média a investir nas aposentadorias privadas, como se não fosse direito do trabalhador encerrar com dignidade suas atividades depois de décadas de esforço continuado. Alegam que a Previdência Pública dá prejuízo, quando não dá. Além do mais, o governo é um só, o caixa deveria funcionar num sistema de vasos comunicantes, porque muitas de suas atribuições dão lucro. �

Como o Lula atendeu pouco a essas reivindicações, apesar de haver cedido em muitas, imaginam poder pressionar e aprisionar Dilma Rousseff, cuja estratégia e imagem entendem amoldar aos seus interesses. Podem estar enganados…

SEM COMPROMISSO COM O ERRO

Chamou a atenção a repetição, no discurso de posse da nova presidente, de sua decisão de não compactuar com o erro, os desvios e os malfeitos, se verificados em sua administração. Tomara que assim aconteça e que o primeiro episódio de corrupção, daqueles que fatalmente ocorrem em todos os governos, seja enfrentado com mão de ferro. Condições para isso Dilma Rousseff dispõe, até mais do que o Lula dispôs. Não tem compromisso com partidos, muito menos com grupos econômicos.

MOCINHOS E BANDIDOS

Lembrou Helena Chagas, em discurso na transmissão do ministério da Comunicação Social, recebido das mãos de Franklin Martins, lições de um seu velho professor, sobre não estar o mundo dividido entre mocinhos e bandidos. A praga do maniqueísmo e a prevalência das verdades absolutas tem acompanhado os governos desde que o mundo é mundo, mas, em contrapartida, só com tolerância e compreensão chega-se a resultados compensadores.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Dilma: a esquerda chega ao poder

Para o deputado Arlindo Chinaglia, a nova presidenta é a primeira representante de esquerda de fato a chegar ao poder no país. A dimensão disso na condução do país, porém, dependerá do peso que terão as forças mais conservadoras num governo de coalizão



Dilma é a primeira chefe de Estado brasileira de origem socialista revolucionária
Rudolfo Lago

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que só um momento o emocionou de fato no discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff: a menção que ela fez à memória daqueles que tombaram na luta contra a ditadura militar. No coquetel oferecido para convidados no Itamaraty na noite de sábado, após as solenidades da posse, Chinaglia repetia que era a primeira vez, desde a derrubada da ditadura e a redemocratização do país, que um chefe de Estado homenageou em discurso aqueles que morreram no combate ao regime de arbítrio dos militares. Mais do que isso, Dilma demonstrou todo seu orgulho de ter participado da geração que pegou em armas contra ditadura, seja pelas palavras no seu discurso, seja por gestos, como o convite que fez às suas 17 companheiras de cela no período em que ficou presa em são Paulo no Departamento de Ordem Política e social (Dops) em São Paulo.

- É a primeira vez que se dá o devido valor à importância que essa resistência à ditadura teve - comentava Chinaglia.

No discurso de Dilma, na presença das senhoras que estiveram presas com ela, Chinaglia enxergava a chegada ao poder, pela primeira vez, de uma representante de fato do que se convencionou chamar de esquerda: o grupo de pessoas que acreditou numa saída revolucionária, socialista, para o mundo. Gente como o próprio Chinaglia.

Dilma promete "luta obstinada" contra pobreza

O primeiro discurso de Dilma como presidente

"Sonhar é romper limite do possível"

O discurso de Dilma no Parlatório

Flagrantes da posse de Dilma e da despedida de Lula

A história da reconstrução democrática brasileira começa com Tancredo Neves. Tancredo era um político conservador. Combatia a ditadura pelo fato de ser um democrata convicto, por acreditar que o melhor para a condução de um país é o sistema de pesos e contrapesos da democracia, com suas vozes de apoio aos governos e de oposição. Tancredo morreu antes de chegar ao poder e entregou o país a quem nem mesmo essa convicção tinha. Antes de romper com o regime militar e formar a coalizão que o tornou vice de Tancredo, José Sarney era ninguém menos que o presidente do PDS, o partido que apoiava a ditadura.

Fernando Collor não tinha qualquer ligação com qualquer grupo que tenha combatido a ditadura. Chegou a ser filiado ao PMDB, mas depois de redemocratização. Sua vitória na primeira eleição direta após a ditadura foi produto especialmente da inovação que trouxe: o uso do marketing, capaz de captar e produzir as frases de efeito que melhor traduzem no momento o que o povo quer ouvir. Artificial como um refresco de pacote, Collor durou o tempo que duram as coisas artificiais. Dois anos depois, estava deposto do poder. Sucedeu-o Itamar Franco, outro político de caráter mais conservador e convicção democrata, semelhante a Tancredo.

A primeira guinada mais à esquerda deu-se com Fernando Henrique Cardoso. Intelectual que produziu alguns dos principais conceitos acadêmicos usados pela esquerda para explicar o Brasil durante a ditadura, Fernando Henrique, porém, optou por uma aliança mais liberal e conservadora, ao se unir ao PFL no governo.

Mesmo para um petista como Chinaglia, a chegada de Lula não representou exatamente a chegada da esquerda ao poder. "Lula é, como todo sindicalista, um reformista. Ou seja, alguém que luta para obter ganhos para a sua classe, mas sem romper com as estruturas. Ele nunca foi um revolucionário", explica Chinaglia. "Sua visão socialista é mais a de um verdadeiro cristão", diz Chinaglia. Ou seja: alguém que luta por melhorias sociais com a visão de que a desigualdade é algo cruel e injusto.

"Dilma é a primeira presidenta brasileira que, pelo menos em um momento da sua vida, acreditou que a saída para o país e para o mundo era revolucionária", analisa. "Nesse contexto, sua trajetória política é ainda mais rica que a de Lula. Ela pagou um preço mais caro pela defesa das suas convicções". Quando jovem, Dilma engajou-se em duas organizações clandestinas de esquerda que pregavam a revolução marxista e a luta armada no combate à ditadura militar na década de 60: o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foi por esse envolvimento que Dilma foi presa e torturada primeiro na Operação Bandeirantes e depois no Dops.

Durante a campanha, a exploração do passado revolucionário de Dilma foi explorado de modo esparso. Foi usado para designar que ela era uma mulher de coragem, mas com uma certa desidratação do aspecto político, para agradar a parcela majoritária conservadora da sociedade brasileira. Os discursos e os gestos da posse mostram, porém, que Dilma não tem agora nenhum intenção de esconder seu passado. No trecho de "Grande Sertão, Veredas", de Guimarães Rosa, que citou em seu discurso, ela fala em "coragem". Um dos encontros reservados que teve após a posse, antes do coquetel no Itamaraty, foi com suas 17 companheiras de cela. Um político de oposição recebeu dela tratamento especial: o deputado José Aníbal (PSDB-SP), seu companheiro de clandestinidade do movimento político em Belo Horizonte, na década de 60. "Faço questão que você conheça minha mãe", convidou Dilma, dirigindo-se a Aníbal. O que ele representará, porém, no contexto da condução do governo dependerá da força política que terão seus parceiros mais conservadores num governo de coalizão.

Chinaglia exemplifica com um dos pontos mais delicados do acerto de contas que o país precisa fazer com seu passado: a abertura dos arquivos da ditadura. Países que viveram regimes militares ainda mais duros que o brasileiro, como Argentina e Chile, fizeram esse acerto, com a publicação de documentos e a punição dos que cometeram abusos. No Brasil, o acerto político feito na redemocratização não apenas anistiou envolvidos de ambos os lados pelo que fizeram durante a ditadura. O mais grave é que gerou uma zona de sombra sobre mais de vinte anos de história brasileira: o que se fez, como se fez, em nome do quê, e mesmo quem morreu, em que circunstâncias, de que forma, é algo que o país não sabe. O perfil de Dilma poderia vir a significar uma aceleração, afinal, desse processo de abertura desses arquivos. Chinaglia, porém, não acredita nisso. "Isso é um assunto que não deve partir dela, como presidenta da República. Tem de vir da pressão da sociedade", considera.
Fonte: Congressoemfoco

Nos jornais: Cortes de gastos serão foco de início do governo

Folha de S. Paulo

Cortes de gastos serão foco de início do governo

A presidente Dilma Rousseff abre seu primeiro dia útil de trabalho, amanhã, definindo o tamanho dos cortes de gastos necessários para equilibrar o Orçamento. Ela se reúne logo pela manhã com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e seu secretário-executivo, Nelson Barbosa, para tratar da questão do ajuste fiscal. Os primeiros cálculos do Ministério do Planejamento indicam a necessidade de fazer um bloqueio de gastos no Orçamento de 2011 na casa dos R$ 20 bilhões.

Técnicos da Fazenda, porém, defendem um corte maior. Além do bloqueio, querem vetar receitas incluídas pelo Congresso, que beiram os R$ 28 bilhões. O tamanho do corte será definido por Dilma e pode ficar perto de R$ 30 bilhões se depender apenas da vontade dos técnicos da Fazenda, o que representaria quase a metade de todo investimento da União previsto no Orçamento do primeiro ano de governo da petista.

Presidente começa novo governo com piora na economia

Dilma Rousseff ganhou a Presidência e assumiu ontem embalada no maior crescimento econômico em um quarto de década. Chegou sua hora de pagar a conta. No início de 2011, a inflação sobe, o dólar retomou trajetória de queda, as contas externas pioraram e a economia para pagar a dívida pública diminuiu.

No dia 19 de janeiro, o Banco Central poderá se ver obrigado a aumentar os juros para conter a inflação. Isso pode trazer impactos negativos sobre a dívida pública e o dólar. Mas a prioridade do Banco Central é com a inflação. Em 2010, até novembro, o IPCA (índice oficial de preços) subiu 5,25%. Ele deve fechar o ano passado perto do teto da meta do BC (6,5%).

Dilma promete erradicar a miséria e projeta país de classe média sólida

Dilma Vana Rousseff, 63, tomou posse ontem como a primeira mulher e a 40ª pessoa a ocupar a Presidência da República do Brasil. Num longo discurso no Congresso Nacional, em que citou o escritor mineiro Guimarães Rosa (1908-1967), Dilma fez várias menções à questão de gênero, louvou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu erradicar a miséria e transformar o Brasil num país de "classe média sólida e empreendedora".

A presidente chorou no final da fala, ao mencionar sua participação na luta armada contra a ditadura e homenagear os que "tombaram pelo caminho". Ela fez menção à tortura ao dizer que suportou as "adversidades mais extremas" infligidas a quem "ousou" "enfrentar o arbítrio". Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor".

Dilma diz que será "rígida" com corrupção

Dilma Rousseff tomou posse ontem como a primeira presidente mulher do Brasil afirmando que a pobreza extrema "envergonha o país". Repetiu a promessa do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, de erradicar a fome, e prometeu entregar um país de "classe média sólida e empreendedora". Aos 63 anos, a ex-militante de esquerda e ex-presa política foi declarada empossada às 14h52 por José Sarney (PMDB-AP), antigo apoiador da ditadura militar.

Ela dedicou a vitória aos que "tombaram pelo caminho" durante a repressão. "Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor." Escolhida por Lula para ser a candidata à sucessão depois do principal escândalo de corrupção do governo, o mensalão, Dilma prometeu ser "rígida" e disse que "não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito".

Itália pode retaliar Brasil com veto a acordo militar

O Brasil poderá sofrer a primeira consequência diplomática por ter decidido não extraditar o terrorista italiano Cesare Battisti daqui a menos de duas semanas. No próximo dia 11, o Parlamento italiano deve votar a aprovação de um acordo de cooperação militar firmado entre Brasil e Itália que prevê o desenvolvimento de projetos para a construção de navios de patrulha oceânica, fragatas e embarcações de apoio logístico.

Esse é o último passo para que a negociação possa sair do papel. Em recente entrevista à imprensa italiana, o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, afirmou que tudo o que o governo italiano podia fazer em relação ao acordo há havia sido feito e que o "resto cabe ao Parlamento".

Cerimônia reúne 30 mil pessoas sob forte chuva

Cerca de 30 mil pessoas enfrentaram forte chuva ontem para assistirem à festa da posse de Dilma Rousseff na Esplanada dos Ministérios. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), choveu ontem três vezes mais que a média para janeiro em Brasília, de 8 mm por dia -foram 7 mm em apenas uma hora bem no momento em que a presidente chegou à Catedral de Brasília, de onde desfilou até o Congresso.

Quando Dilma começou o cortejo em carro fechado -o plano inicial era fazer o percurso em carro aberto-, parte das pessoas correu para tentar acompanhá-la pelo enlameado gramado da Esplanada dos Ministérios. Também precisaram correr na chuva as seis policiais que escoltaram o Rolls Royce presidencial da Catedral ao Congresso. O grupo feminino foi um pedido da Presidência, em deferência a Dilma.

Lula ignora roteiro e adia saída do Palácio

Fiel ao estilo que marcou seu governo, Luiz Inácio Lula da Silva se despediu da Presidência com choro e nos braços da multidão. Ele foi o centro das atenções na cerimônia para a entrega da faixa a Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. "Lula, cadê você/ eu vim aqui só para te ver", gritavam cerca de 3.000 militantes que foram à praça dos Três Poderes, segundo estimativa da PM. Quando ele apareceu para receber a sucessora, o público explodiu em gritos.

Lula quebrou o protocolo várias vezes para adiar a saída do palácio. Ouviu o discurso de sua ex-ministra no parlatório e acompanhou os cumprimentos às autoridades estrangeiras. Em seguida, deixou-se agarrar por fãs que se aglomeravam na grade e deixou a praça com o vidro do carro oficial aberto, acenando.

Alckmin assume SP e defende o legado tucano

Geraldo Alckmin assumiu o governo de São Paulo personificando o novo discurso do PSDB. Ontem, em sua posse, defendeu o legado da sigla, mas pregou "inovação", com ênfase em políticas sociais, além de parceria com Dilma Rousseff. "Defender, aprimorar e inovar, para ampliar ainda mais o nosso legado em São Paulo, são os desafios que o povo paulista me confiou", disse o governador na posse. A ênfase na cooperação entre governos e o foco em políticas sociais presentes no discurso de Alckmin coincidem com a teoria da refundação da sigla, do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG).


O Estado de S. Paulo

Dilma exalta Lula e se diz presidente "de todos"

Primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil, petista prometeu governar 'sem rancor'. Ao receber a faixa, qualificou o ex-presidente de 'o maior líder popular' que este País já teve. Em discurso no Congresso, garantiu manter o combate à 'praga' da inflação e defendeu o Estado forte. Dilma lembrou seu passado como militante contra a ditadura e homenageou 'os que tombaram' na luta armada.

Dilma Vana Rousseff, de 63 anos, tomou posse ontem como a primeira presidente do Brasil e disse que será a 'presidente de todos os brasileiros', governando "sem rancor". Em discurso no Parlatório, ela agradeceu a "ousadia" dos eleitores e prestou tributo ao ex-presidente Lula, "o maior líder popular que este País já teve". No Congresso, Dilma reforçou o compromisso de combater a "praga" da inflação - quando ministra era criticada da alta dos juros para conter os preços. A presidente defendeu ainda o modelo de Estado forte, prestador de serviços e indutor de investimentos. Disse que a prioridade será erradicar a miséria, mas também prometeu empenho nas reformas política e tributária. Deu garantias de manutenção da liberdade de imprensa e lembrou seu passado como militante contra a ditadura, homenageando os que "tombaram pelo caminho e não podem compartilhar a alegria deste momento".

Uma despedida em clima de apoteose

Lula foi mais Lula do que nunca no seu último dia como presidente da República, encerrado com o primeiro discurso como ex-presidente. Em São Bernardo do Campo (SP), resumiu sua sensação de dever cumprido e de ter superado "preconceitos" que, segundo ele, enfrentou ao longo de sua trajetória carreira política. "Volto para casa de cabeça erguida. Posso dizer na frente do meu povo que, depois de provar que um metalúrgico tem condições de ser presidente da República, nós elegemos uma mulher", afirmou, diante de cerca de 1,5 mil pessoas.

Trechos do discurso

"Venho consolidar a obra transformadora do presidente Lula"

"Podemos ser, de fato, uma das nações menos desiguais do mundo - um país de classe média sólida e empreendedora"

"Não tenho qualquer arrependimento (sobre a luta armada), tampouco rancor"

Palocci disse 'não' a Dilma e ganhou a Casa Civil

Antes de convidar o deputado Antonio Palocci Filho (PT-SP) para assumir a chefia da Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff fez a ele uma pergunta inesperada. "Você quer ser candidato na próxima eleição?", indagou, sem rodeios. Diante da resposta negativa, Dilma sorriu, um tanto quanto incrédula.

Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior defensor do retorno de Palocci ao primeiro escalão do governo, quem deu a dica para Dilma. O conselho era para que ela lançasse a pergunta a todos os ministeriáveis, incluindo os do PT. No caso de Palocci, porém, o jogo foi combinado com Lula. Quatro anos e nove meses após deixar o comando da Fazenda, ele volta ao governo, desta vez com Dilma, para ser o mais poderoso auxiliar da primeira mulher presidente.

Aliados assumem elogiando Lula e Dilma

Os principais aliados do governo federal nos Estados não economizaram elogios à presidente Dilma Rousseff nem a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Ao assumirem seus cargos ontem, os governadores que apoiaram a petista mesclaram questões locais, como criminalidade e crescimento das economias de seus Estados, a temas como a partilha dos royalties de petróleo e obras de infraestrutura financiadas pela União.

Tucanos cobram apoio sem ataques

Os governadores dos Estados controlados pela oposição tomaram posse ontem com um discurso parecido, pregando bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff, mas deixando claro que vão exigir atenção e verbas do governo federal. O governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), foi além: cobrou a necessidade de austeridade nos gastos públicos do governo federal. Ele defendeu uma reforma da gestão pública do Estado brasileiro. "Não seremos capazes de fazer a travessia para o desenvolvimento sem ajustar com coragem os gastos com a máquina pública, reorientando sempre os recursos para os investimentos", disse em seu discurso de posse, na Assembleia Legislativa.

Voluntarismo dá lugar à discrição

O novo ministro das Relações Exteriores é fã da banda Radiohead, obcecado com a entrada do Brasil no Conselho de Segurança ampliado na ONU e adora cuidar dos mínimos detalhes, da cor das toalhas em recepções até o tamanho dos canapés servidos em coquetéis. A expectativa é que Antonio Patriota, de 56 anos, seja um chanceler com menos brilho próprio do que seu antecessor, Celso Amorim, que se desentendeu com a presidente-eleita Dilma Rousseff ao insistir em questões polêmicas como a aproximação com o Irã.

Patriota é cria de Amorim - os dois trabalharam juntos de alguma forma nos últimos 15 anos. Mas não se espera que ele siga o tipo de política externa voluntariosa de seu mentor. O novo chanceler é conhecido por ser disciplinado e cioso da hierarquia, e deve seguir à risca uma política externa que será mais ditada pela presidente e bem mais discreta.

Patriota é tido como diplomata brilhante. Sempre entre os melhores alunos do Instituto Rio Branco, ganhou a medalha de Vermeil, reservada aos primeiros colocados do curso. "Ele é daqueles que lembram qual foi a posição adotada pelo Brasil na crise do Chipre em 1974", brinca um diplomata que trabalhou bastante tempo com o futuro chanceler.

Carioca, ele ocupou os principais postos da hierarquia do Itamaraty - secretário-geral das Relações Exteriores, subsecretário-geral político e chefe de gabinete do chanceler. No exterior, serviu em Pequim, Genebra, Caracas e Nova York. Entre fevereiro de 2007 e outubro de 2009, foi embaixador em Washington.


O Globo

Ao assumir, Dilma promete enfrentar desafios pós-Lula

A economista Dilma Vana Rousseff, de 63 anos, assumiu a Presidência da República prometendo consolidar o legado do presidente Lula e fazendo uma carta de intenções de seu governo: erradicar a miséria, melhorar a saúde, a segurança e a educação. Também prometeu reformas política e tributária, que o governo Lula não fez. Dilma reafirmou compromissos com a estabilidade econômica, a democracia e a liberdade de expressão. Ex-guerrilheira, eleita numa disputa acirrada, ela também fez um discurso de conciliação. Disse que estende a mão à oposição e que quer ser a presidente de todos os brasileiros. Presa, torturada pela Ditadura militar, chorou ao lembrar os companheiros que morreram e disse que não guarda arrependimento, mas tampouco ressentimento ou rancor. Dilma destacou que é a primeira mulher a chegar ao Planalto e prometeu "honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos". Mineira, citou Guimarães Rosa para dizer que precisará de coragem para a tarefa de governar.

"Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático; suportei as adversidades mais extremas, infligidas aos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco tenho ressentimento ou rancor"

Dilma Rousseff, presidente da República

Uma despedida com muito choro

Foi uma despedida muito difícil para o ex-presidente Lula. Ele chorou em vários momentos do dia. Mesmo antes de passar a faixa a Dilma, estava tão emocionado que assessores precisaram dar uma dose de uísque para se acalmar. Ao descer a rampa, Lula quebrou o protocolo e foi chorar nos braços do povo. Na Base Aérea, chorou mais uma vez antes de embarcar no Aerolula. Da janelinha do avião deu adeus.

Posse de Dilma: o encontro com o passado

A presidente Dilma Rousseff se reuniu, na noite de sábado, numa sala reservada no Itamaraty, com familiares e 17 ex-companheiras de prisão dos tempos de luta contra a ditadura militar. Algumas foram barradas pelo cerimonial e depois liberadas para participar do coquetel.

Quando entrava na sala reservada, Dilma encontrou com o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP) e parou para dar um afetuoso abraço. Aníbal foi companheiro de Dilma na organização revolucionária marxista Política Operária (Polop), em Belo Horizonte.

- Vamos entrar comigo. Eu vou te levar para ver a minha mãe - convidou Dilma, lembrando que os dois militaram juntos em Minas Gerais.

Aécio promete oposição leal ao Brasil, porém vigorosa

Político mais aplaudido na celebração da posse do governador Antonio Anastasia (PSDB), o ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB) prometeu fazer uma oposição "atenta e vigilante" ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), mas disse que espera o apoio de senadores da base do governo para construir uma agenda de reformas de interesse do país.

- Como brasileiro, desejo a ela sorte em sua gestão, mas repito: não há governo forte sem oposição forte. Faremos uma oposição leal ao Brasil e aos brasileiros, mas vigorosa em relação às ações do governo - disse Aécio, acrescentando que deve concluir, em até dois meses, um esboço de uma agenda de reforma política e tributária do país, além de medidas que julga necessárias ao fortalecimento de estados e municípios.

Aécio afirmou já ter mantido conversas com senadores da base da presidente e estar otimista em relação à construção das reformas, para que o Congresso não seja "caudatário de uma agenda de interesse exclusivo do Poder Executivo".

- Isso apequena o Congresso e é o que tem acontecido ao longo dos últimos anos - afirmou.

Mulheres respondem por 66% dos gastos no país

Com a maior participação das mulheres no mercado de trabalho, elas já respondem por 66% do consumo no Brasil. Em cifras, esse poder de decisão nas compras de casa e da família representa R$ 1,3 trilhão em gastos por ano, segundo a empresa de pesquisas Sophia Mind. É o décimo maior mercado feminino do mundo e que tem potencial para crescer ainda mais.

- A renda da mulher continuará a crescer e, com isso, seu poder de decisão sobre as compras. Das empresas de alimentação que tradicionalmente já falam com as mulheres a novos nichos, como bebidas, planos de saúde e seguro de carro, há uma demanda crescente para o público feminino - afirma Bruno Maletta, da Sophia Mind.

As solteiras têm fôlego para gastar mais em produtos e serviços, disse Maletta. Diferentemente da solteira do início do século passado, lembrou ele, a prioridade hoje está na carreira e não em casar.

- Elas têm uma renda "ociosa" que não pode ser negligenciada pelo varejo. Estamos falando, especialmente, de um grupo de 30 anos, que já está no mercado de trabalho há algum tempo, tem mais anos de estudo, tem bom salário e não tem filhos. Muitas ainda moram com os pais. Os gastos são para elas.

Cabral: agora é a vez da educação

Depois de reafirmar o compromisso de retomar as áreas dominadas pelo crime, o governador Sérgio Cabral disse ontem, na posse, que o desafio agora é levar o estado entre os cinco melhores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ranking em que o Rio é o penúltimo.


Correio Braziliense

Podemos fazer mais e melhor

Sob forte chuva e emoção contida, Dilma Rousseff assumiu a Presidência da República com o compromisso de aprofundar as conquistas do antecessor Lula, e de governar para todos os brasileiros. No discurso de 40 minutos no Congresso Nacional, Dilma antecipou algumas metas à frente do Palácio do Planalto, como a modernização do sistema tributário e o combate à inflação. Mais tarde, no parlatório em frente ao Palácio do Planalto, a presidente reiterou que comandará o país com "um espírito de união" em favor dos mais necessitados. Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o segundo mandato nos braços do povo. Após entregar a faixa presidencial, ele mais uma vez quebrou o protocolo e se misturou às centenas de admiradores que se aglomeravam na Praça dos Três Poderes. A posse de Dilma Rousseff atraiu 30 mil pessoas à Esplanada e reuniu representantes de mais de 130 países, entre eles a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

Agnelo decreta emergência na Saúde e exonera 18,5 mil

O primeiro dia de Agnelo Queiroz como governador do DF teve momentos distintos e intensos. Do discurso emocionado de posse, em que relembrou sua trajetória de vida e prometeu recuperar a cidade, o petista passou à ação. Anunciou providências contra o caos nos hospitais. Também dispensou comissionados e suspendeu licitações. Ainda enfrentou uma crise política com os distritais para a composição da Mesa Diretora da Câmara, eleita ontem à noite.

Fonte: Congressoemfoco

domingo, janeiro 02, 2011

Parlamentares esperam reforma política em 2011

Deputados e senadores que acompanharam posse de Dilma veem cenário favorável para aprovação de reforma, mas estabelecem primeiro ano de mandato como prazo limite. Veja quais as expectativas de aliados e oposicionistas em relação ao novo governo

Edson Sardinha e Mário Coelho

Primeiro, foi o ex-presidente Lula. Em outubro, ele disse que assim que deixasse a Presidência iria se empenhar na aprovação de uma reforma política. Ontem (1º), foi a vez de sua sucessora. Em seu primeiro discurso como presidenta, Dilma Rousseff defendeu mudanças profundas no processo eleitoral. "Na política, é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública." Declarações assim mostram que, após oito anos de idas e vindas, a reforma política começa a ganhar corpo no Congresso. Esse é o sentimento revelado pela maioria de 11 parlamentares, três deles recém-eleitos, ouvidos pelo Congresso em Foco que acompanharam a cerimônia de posse de Dilma.

Para a maioria deles, levar adiante as reformas política e tributária logo no primeiro ano de mandato será o maior desafio da nova presidenta. Caso não tenha sucesso nessa tarefa já no primeiro ano de governo, Dilma dificilmente conseguirá evitar que as duas propostas tenham o mesmo destino que tiveram no governo Lula, ou seja, repousar nas gavetas do Congresso. A reforma política que sairá ainda é uma incógnita: voto distrital, financiamento público de campanha, voto em lista pré-ordenada, fidelidade partidária e fim das coligações nas eleições proporcionais são alguns dos temas a serem discutidos.

Mas as reformas não serão os únicos desafios de Dilma, na avaliação dos quatro oposicionistas e oito governistas ouvidos pelo site. Entre as grandes barreiras a serem transpostas pela presidenta logo no início de seu governo, estão: estabelecer uma forma própria de diálogo com o Congresso, evitar uma eventual fissura de sua base de apoio, superar a falta de carisma em relação a Lula, manter a estabilidade econômica, investir em infraestrutura, combater a corrupção e reduzir os gastos públicos. Veja o que os parlamentares esperam do governo de Dilma Rousseff e de 2011:

Luiza Erundina (PSB-SP), deputada reeleita
"A relação do Executivo com o Legislativo e os partidos tem de ser mais transparente. Tem de haver agora um investimento grande na reforma política. Muitos problemas enfrentados recentemente se devem ao esgotamento dos partidos políticos. A relação do governo com os partidos não é boa. Os partidos perderam identidade. Uma democracia forte pressupõe partidos fortes, mesmo aqueles que são da base do governo. O partido do governo não pode abrir mão de ter projeto próprio. Senão, daqui a quatro anos, será apenas uma força auxiliar do Executivo. O Legislativo precisa avançar para uma reforma política que surja de um pacto com a sociedade."

Demóstenes Torres (DEM-GO), senador reeleito
"Dilma terá o grande desafio de manter essa composição com todos os partidos que a apoiaram na eleição. Ao que parece, esse leque partidário da situação sofre fissuras. Com a composição ministerial que ela fez, muitos partidos estão desagradados. Ela precisa fazer as reformas tributária e política, que ela quer e que nós queremos fazer logo de cara, porque o momento que ela tem prestígio é este, depois ela vai ser cobrada, inclusive pelos próprios aliados. Acho que ela terá muitas dificuldades na conversação com aliados e oposição. Ao que tudo indica, essa composição feita não tem muito para ser mantida."

Gleisi Hoffmann (PT-PR), senadora eleita
"Quem vai puxar a reforma política será o ex-presidente Lula. A iniciativa não vai partir da presidenta Dilma. Ela apoia, quer que faça, mas isso é uma ação do Congresso Nacional. Nós temos de dar conta de fazer a reforma política. Se não dermos conta de fazer início no início desta legislatura, cabe a nós convocarmos um plebiscito para uma constituinte exclusiva revisora, como Lula havia dito. Acredito que essa possibilidade seja a mais viável. O PT é favorável a isso. Mas vai depender do Congresso, isso não é de competência do Executivo. Não adianta o governo ter maioria." "O grande desafio de Dilma no primeiro ano será mostrar seu perfil e forma de governar. Não digo dissociar-se do governo do presidente Lula porque ela é uma continuidade. Mas mostrar quem ela de fato é, a personalidade que ela tem, a forma de tocar as coisas. Isso vai ser importante para o Brasil e para ela também. O segundo será manter a estabilidade econômica. A gente aproveitar e fazer com que esse ciclo virtuoso continue. Em nenhuma hipótese podemos afrouxar para voltar a inflação e tampouco pesar a mão na questão dos juros, o que pode frear nosso desenvolvimento econômico. Tenho certeza de que a presidente Dilma terá equilíbrio para resolver isso."

Valdir Raupp (PMDB-RO), senador reeleito e novo presidente do PMDB
"O principal desafio de Dilma será continuar as políticas públicas e o crescimento econômico que o presidente Lula proporcionou. Dificilmente esse crescimento continuará em 2011 por causa da falta de infraestrutura. Para retomar o crescimento, ela terá de acelerar os investimentos em infraestrutura. Pelo menos não temos problema na área de energia elétrica. De toda forma, Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, são bastante criteriosos e vão procurar errar o mínimo possível. Agora na vice-presidência, o PMDB terá uma responsabilidade ainda maior na governabilidade. Um partido desse tamanho não pode se dar ao luxo de fazer oposição. O PMDB está todo pacificado e Dilma está acertando logo de início."

Lúcia Vânia (PSDB-GO), senadora reeleita
"A presidenta Dilma é muito determinada. Dos presidentes recentes, ela é a que tem maior base política. Por isso, tem todas as condições para fazer reforma tributária e a reforma política. O primeiro gesto dela deveria ser a reforma política. O PSDB sempre foi favorável à reforma e tem o compromisso com o voto distrital, com a fidelidade partidária, o financiamento de campanha e o voto em lista. Essas eleições mostraram a necessidade enorme de uma reforma, não podemos ficar com esse sistema que aí está."

João Almeida (PSDB-BA), deputado
"O maior desafio de Dilma será manter a estabilidade da moeda. Isso implica baixar os juros em consequência de sustentar o crescimento que nós temos aí. Nós estamos numa economia com crescimento inferior à média de todos os países da América Latina, com exceção talvez ao Haiti. De qualquer modo, é um bom patamar de crescimento, um crescimento médio em oito anos de 3,6%. O brasileiro se acostumou a isso. O governo terá que promover isso, ou até promove-lo em escala maior. E, para isso, é preciso combate efetivo à inflação, baixar juros e, o mais grave, promover o corte dos gastos públicos. Ela terá de promover melhor qualidade do gasto público."

Arlindo Chinaglia (PT-SP), deputado reeleito
"O maior desafio de Dilma será manter essa expectativa, no Brasil e no mundo, de um país essencialmente democrático, que está crescendo economicamente com distribuição de renda e jogando outro papel no plano mundial, porque o que acontece em qualquer país está vinculado ao que acontece no resto do planeta. Ela terá de dar continuidade ao governo Lula, de altíssima popularidade, e, ao mesmo tempo, fazer os ajustes que a situação tanto nacional quanto mundial impuserem ao governo brasileiro. Ela vai naturalmente conduzir com esses parâmetros, até porque já ajudou o governo Lula. Até que se prove o contrário, a presidente terá sólida maioria, o que permitirá que o Congresso aprove o que ela propõe e, principalmente, dialogue com o governo e a sociedade para acertar mais."

José Carlos Aleluia (DEM-BA), deputado
"Primeiro, ela terá de ajustar a economia, que está descendo a ladeira. A inflação está fora de controle, o câmbio está destruindo a indústria nacional, os empregos brasileiros estão indo para a China, o Brasil está virando a fazenda e a mina da China. Se nós não mudarmos isso, a nossa indústria será destruída rapidamente. É só perguntar a qualquer industrial e a qualquer trabalhador, não trabalhador de mentirinha como o Lula, mas trabalhador de fato de indústria, para ver que a indústria está perdendo competitividade."

Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), deputado eleito
"Dilma terá de manter o que o presidente Lula construiu, principalmente os avanços nos programas sociais e na educação, mas terá de recuperar a saúde pública, que está em nível de sucateamento. Seu maior desafio será superar as demandas de combate à corrupção, situação que o governo Lula não conseguiu atender. A República veio a ser acometida por sucessivos escândalos, e muitos deles ficaram pelo caminho, sem esclarecimento ou punição. Por falta de instituições capazes, não? A Polícia Federal foi a mais demandada no combate ao crime organizado, mas com descompasso entre a atividade policial e os instrumentos legais disponíveis que não conseguiu implementar no Congresso. A presidente Dilma deve ajudar o Congresso a tirar da gaveta instrumentos de combate à corrupção que domina o cenário nacional, dinheiro que faz falta à educação, à saúde e à segurança pública."

Wellington Dias (PT-PI), senador eleito
"Embora contando com um dos melhores professores de política do país, que é o ex-presidente Lula, certamente Dilma vai precisar de uma equipe e de lideranças no Congresso Nacional para esse trabalho de Parlamento, muito exigente, com a presença de ex-presidentes, ex-governadores, e lideranças destacadas no Brasil que têm uma posição clara. A eleição foi bem disputada e, mais que a outra, teve não só a disputa de um projeto, mas de temas palpitantes. Certamente, a presidente Dilma vai precisar muito de costurar entendimentos para as grandes reformas que o Brasil ainda precisa: a política e a tributária. Agora mesmo temos a regulamentação do pré-sal e uma conjuntura internacional muito complexa. Tenho a visão de que os efeitos da crise internacional ainda vão chegar muito forte no ano de 2011 no Brasil. Tudo isso é desafiador, e estaremos aqui a colaborar."

Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), deputado
"O maior desafio da presidente Dilma será garantir o bom andamento da economia e realizar as reformas, sobretudo, a política. A reforma política foi feita pela metade pelo atual Congresso. Todos viram de perto a importância que a sociedade deu à Lei da Ficha Limpa. Precisamos discutir o voto distrital misto para readequar a relação entre o eleitor e o eleito. Há um desencanto com a política. A reforma vai acontecer porque o ambiente já está criado. O PMDB tem esse compromisso."

Marta Suplicy (PT-SP), senadora eleita
"Ela vai ter uma queda de aprovação, claro, tem que ter. Você conhece alguém no mundo que tenha isso (87% de popularidade)? Acho que ela está preparada. No começo sempre tem uma coisa assim. Depois ela vai conquistar de novo, isso faz parte do processo."

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Fonte: Congressoemfoco

"Sonhar é romper limite do possível"


Fábio Pozzebom/ABr
Lula passa a faixa presidencial para Dilma: presidenta fala em governar somando sonho e realidade

Rudolfo Lago

A presidenta Dilma Rousseff voltou a se emocionar ao receber de Lula a faixa presidencial no Parlatório, na segunda solenidade de sua posse. Num discurso mais curto do que o feito antes no Congresso Nacional, Dilma misturou as condições reais que terá para o seu governo com seus sonhos de país. E construiu uma bela frase: "Sonhar e perseguir um sonho é romper os limites do possível".

Depois de citar Guimarães Rosa no discurso feito no Congresso, no Parlatório Dilma citou outra mulher governante: Indira Ghandi,que foi primeira-ministra da Índia entre 1966 e 1977 e entre 1980 e 1984. "Não se pode trocar um aperto de mãos com os punhos fechados", foi a frase de Indira Ghandi usada por Dilma. A frase foi o mote para Dilma pregar uma união dos brasileiros em torno de temas como a educação e a eliminação das diferenças sociais.

Antes do discurso, Dilma inovou ao passar em revista a tropa dos Dragões da Independência. Ela parou a revista no meio para beijar a bandeira do Brasil. Quando a presidente saiu do Congresso, já não chovia em Brasília. E ela pode, então, desfilar no Rolls Royce presidencial aberto até o Palácio do Planalto, ao lado de sua filha, Paula, que usava um vestido azul.

No alto da rampa do Palácio, Lula, ao lado de sua mulher, Marisa, a esperava sorridente. O presidente recebeu Dilma com um forte abraço. Mais tarde, Lula deixou o Parlatório logo depois de passar a faixa presidencial. O momento passava a ser só de Dilma Rousseff.

Fonte: Congressoemfoco

Caso Battisti está resolvido, diz procurador-geral da República

Mário Coelho

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou neste sábado (1º) que, uma vez decidido que o ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti não será extraditado, o assunto está resolvido. Na visão dele, a extradição é de responsabilidade do presidente da República. Portanto, com a decisão do ex-presidente Lula de manter Battisti no Brasil e negar o pedido da Itália, não existe a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar o caso novamente.

"Decidida pelo Executivo a concessão do refúgio, não caberia mais qualquer discussão no âmbito do Judiciário", afirmou Gurgel, em entrevista concedida momentos antes da posse da presidenta Dilma Rousseff no Congresso. O chefe do Ministério Público entende que Lula, ao examinar os pressupostos de concessão de refúgio político, tomou uma decisão que não pode ser revertida. "Decidiu o presidente pelo indeferimento da entrega, o assunto está resolvido", completou.

Questionado do motivo de Battisti não ter sido solto ainda, Gurgel disse que há dúvidas no Supremo sobre o cumprimento ou não da decisão de Lula. "Na verdade, há uma dúvida se o assunto voltaria ao Supremo Tribunal Federal. Há ministros do Supremo que têm ponto de vista diversos", comentou. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o presidente do STF, Cezar Peluso, afirmou que a corte vai analisar os argumentos usados pelo presidente Lula para manter o ex-ativista no país.

No último dia de seu governo, Lula decidiu manter Battisti no Brasil na condição de refugiado político. A posição do ex-presidente vai de encontro à determinação do Supremo, dada em 2009, de negar o status de refugiado e aceitar o pedido de extradição feito pela Itália. O ex-ativista foi preso no país em 2007 pela Polícia Federal.

Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos que teria cometido entre 1977 e 1979, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Depois de sair da França, Batistti está preso no Brasil desde 2007. Ele se declara inocente das acusações e diz que é perseguido pelo atual governo, de perfil conservador, da Itália.

Sobre Dilma Rousseff, o procurador-geral da República lembrou que a eleição da petista é positiva para o país pela forma que aconteceu, com o resultado proclamado rapidamente e sem dúvidas sobre a votação. "Temos a renovação, um dos aspectos que mais qualifica a República", comentou.

Fonte: Congressoemfoco

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