quarta-feira, setembro 03, 2025

Assembleia aprova 14 projetos de autoria do Executivo, Tribunal de Justiça e TCM

 Foto: Política Livre

Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia02 de setembro de 2025 | 18:15

Assembleia aprova 14 projetos de autoria do Executivo, Tribunal de Justiça e TCM

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O início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Supremo Tribunal Federal (STF), e de outros sete réus na tentativa de golpe de Estado em 2022, além da invasão a sede dos três poderes, em 8 de janeiro de 2023, foram um dos assuntos que nortearam os debates na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), na tarde desta terça-feira (2).

Deputados das bancadas do governo e da oposição se revezaram nos discursos de acusação e defesa ao ex-mandatário da República que responde a cinco crimes, entre eles, ao de organização criminosa.

Projetos votados

Um “pacotão” de 14 projetos estava na ordem do dia, incluindo aqueles que os pedidos de urgência já haviam sido aprovados na semana passada.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, o deputado Diego Castro (PL) criticou a ausência de políticas de assistência à saúde mental dos profissionais nos Projetos de Lei 25.898 e 25.899/2025, que tratam da reestruturação organizacional das carreiras das polícias Civil e Militar. Segundo ele, os policiais “sofrem com pressão extrema e excessiva carga de trabalho”. O parlamentar ainda falou sobre a falta de previsibilidade na realização de concurso público para as categorias.

“O governo está tentando aprovar o projeto a ‘toque de caixa’, não está dando quórum, está boicotando a comissão. Eu tive acesso agora há pouco ao projeto, graças às associações de classe”, denunciou.

Da bancada do governo, a deputada Fabíola Mansur (PSB) chamou de “dia histórico” para os servidores estaduais a votação das proposições que, segundo ela, “levaram tempo até ficarem maduras para votação em plenário”. A parlamentar exaltou o esforço dos sindicatos das categorias na construção das propostas.

Outro projeto de autoria do Executivo aprovado nesta terça foi o de número 25.920/2025, relacionado à Empresa Baiana de Ativos S.A. (Bahiainvest). Pela proposta, a empresa terá novas atribuições ligadas à promoção do desenvolvimento socioambiental-econômico do Estado, a exemplo da prospecção de oportunidades de negócios, atração de investimentos nacionais e internacionais, além da cooperação com entes públicos e privados no suporte a municípios e no atendimento a investidores. A proposição recebeu voto contrário do deputado da ala independente, Hilton Coelho (PSOL).

Verificação de quórum

Durante a sessão houve um atrito entre a presidente da Assembleia Legislativa, Ivana Bastos (PSD), e o deputado Alan Sanches (União Brasil), vice-líder da oposição, por conta de um pedido de verificação de quórum solicitado pelo parlamentar e negado pela presidente, sob a justificativa de que havia sido solicitado fora do prazo. Após articulação do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), a sessão foi interrompida por 15 minutos e o quórum foi contabilizado com 58 dos 63 parlamentares presentes. O quórum no âmbito das comissões também foi solicitado pelo vice-líder da minoria.

Confira o resumo dos projetos aprovados:

Em regime de urgência do Poder Executivo:

PL 25.920/2025

Visa revisar e promover adequação e aprimoramento dos normativos que disciplinam as atividades desenvolvidas pela Bahiainveste.

PL 25.898/2025

Altera a estrutura de cargos em comissão da Polícia Civil do Estado da Bahia.

PL 25.899/2025

Reorganiza a Polícia Militar da Bahia

Em regime normal do Poder Executivo:

PL 25.903/2025

Modificação da estrutura remuneratória dos servidores das carreiras do Grupo Ocupacional Fiscalização e Regulação.

PL 25.904/2025

Modificação da estrutura remuneratória dos servidores da carreira de especialista em Políticas Públicas.

PL 25.905/2024

Reestrutura a carreira de especialista em Produção de Informações Econômicas, Sociais e geoambientais.

PL 25.906/2025

Grupo Ocupacional de Obras Públicas

PL 25.907/2025

Cargos do magistério das universidades

PL 25.908/2025

Gratificação de apoio fazendário

PL 25.916/2025

Redução de multas IPVA

De autoria do Tribunal de Justiça (TJ-BA)

PL 25.431/2024

Trata da criação de cargos comissionados no âmbito do poder Judiciário.

PL 25.921/2025

Concessão de reajuste nominal de R$ 700 sobre o valor das vantagens pessoais instituídas pelas leis 7.816 de 4 de junho de 2001, entre outras.

De autoria do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)

OF. 3.170/2023

Encaminha prestação de contas, relatório anual de atividades, exercício de 2022.

OF.3.316/2025

Encaminha prestação de contas, relatório anual de atividades, exercício de 2023.

Carine Andrade/Política LivrePolitica Livre

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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