
O COMUNICADO DA MALDIÇÃO E O SILÊNCIO ENSURDECEDOR SOBRE O COMBUSTÍVEL DE OURO
Recebi — como tantos outros cidadãos de Jeremoabo — o famigerado comunicado que oficializa a mudança da data da nossa emancipação política. Um ato inoportuno, desconectado da vontade popular, que só reforça a triste sina que paira sobre nossa terra desde os tempos em que os capuchinhos lançaram sua maldição: “Jeremoabo crescerá como rabo de cavalo — para baixo.” E vejam, o tempo parece lhes dar razão. Mudar a data de fundação de um povo é, no mínimo, um escárnio contra sua história. Aceito, porque não tenho o poder de impedir, mas não concordo. Não me calo.
Mas mais grave que esse episódio simbólico — ainda que doloroso — é o silêncio vergonhoso diante de algo que fere, em cheio, os cofres públicos e a moral do nosso povo: as sucessivas denúncias de superfaturamento de combustível na Câmara de Vereadores de Jeremoabo.
Sim, é isso mesmo. E não é uma denúncia só. São três, no mínimo, cada uma vinda de um vereador diferente, em tempos distintos:
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A primeira foi feita pelo então vereador Eriks, ainda aliado de Deri do Paloma. Ele, de dentro do grupo, apontou a existência de gastos suspeitos e abusivos com combustíveis.
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Depois, veio o vereador Zé Miuido, levantando outra denúncia — também envolvendo possíveis irregularidades no abastecimento de veículos e na prestação de contas.
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E por fim, o vereador Neto engrossou o caldo, citando novos indícios de superfaturamento, como se o combustível em Jeremoabo fosse feito de ouro líquido.
E o que foi feito com essas denúncias? Nada! Absolutamente nada.
O povo continua sem respostas. As notas fiscais não aparecem. Os responsáveis não se explicam. E o mais preocupante: o Ministério Público, que deveria ser a trincheira da legalidade e da moralidade, parece surdo às rádios da cidade, cego às redes sociais e mudo diante do clamor popular.
É revoltante ver vereadores — que deveriam fiscalizar, cobrar e legislar pelo bem da coletividade — se transformarem em cúmplices pelo silêncio. Jogam no lixo o dinheiro suado do contribuinte, enquanto batem no peito para criticar erros da gestão passada com o dedo sujo da própria imundície. Se esquecem que quem mora em vidro não pode atirar pedras.
Chega! Jeremoabo não é terra sem lei. O povo cansou de ser enganado, de ver a corrupção virar rotina e a verdade ser calada por conveniência política.
Se é para falar de emancipação política, que comecem prestando contas ao povo — sobre cada litro de combustível, cada centavo desviado, cada mentira contada. Porque emancipar-se de verdade não é mudar data em calendário, é libertar-se da corrupção institucionalizada.
