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"O Cego da Cerca de Varas" e a Nova Crise na Câmara de Jeremoabo
Mais uma vez, a Câmara de Vereadores de Jeremoabo protagoniza um episódio que tem gerado debates acalorados entre "historiadores", "juristas", políticos e cidadãos comuns: a proposta de mudança da data oficial da emancipação política do município. O assunto, que deveria ser tratado com responsabilidade e respeito à memória histórica da cidade, transformou-se em palco de disputa política e vaidades pessoais.
Dita em tom enigmático, essa parábola foi proferida por Deri ao justificar sua ausência — constante e sistemática — nas convocações da Câmara de Vereadores, à qual jamais compareceu durante seu mandato para prestar contas ou esclarecer decisões administrativas. Na época, a frase foi vista como uma fuga, uma tentativa de desprezar o papel do Legislativo. No entanto, hoje, diante da confusão instalada no parlamento municipal, talvez essa parábola ganhe uma nova leitura.
O fato é que a tentativa de alterar a data da emancipação política não é um simples gesto burocrático. Trata-se de um movimento com implicações profundas, pois envolve a identidade histórica de Jeremoabo, construída com base em registros, fatos e documentos legítimos. Alterar isso sem uma ampla consulta popular e sem respaldo técnico da historiografia local é uma afronta à memória coletiva.
A Câmara de Vereadores, que deveria ser um espaço de diálogo, fiscalização e zelo pela Constituição Municipal, parece estar, mais uma vez, cedendo a pressões e interesses menores. Não é a primeira vez que a Casa Legislativa de Jeremoabo atua de costas para o povo — e, infelizmente, talvez não seja a última.
Ao resgatar a parábola do ex-prefeito, reconhecemos que, embora seu governo tenha sido marcado por graves falhas administrativas, perseguições e escândalos, ele pode ter captado uma verdade incômoda: há, sim, quem prefira fingir que não vê, mesmo quando os fatos estão escancarados à sua frente. E essa cegueira — voluntária ou conveniente — é o que mantém Jeremoabo presa ao passado, impossibilitada de avançar.
Cabe agora ao povo decidir se continuará tolerando esse tipo de política míope, ou se finalmente abrirá os olhos para exigir respeito, responsabilidade e transparência. Porque a verdadeira emancipação política de Jeremoabo não se faz com troca de datas no calendário — mas com compromisso com a verdade e com o futuro.
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Nota da Redação Deste Blog - É nas pessoas simples, humildes e de pouca instrução formal que, muitas vezes, mora a verdadeira sabedoria. O vereador Zé Miúdo é prova disso. Em meio à prepotência e vaidade de muitos na Câmara de Vereadores, ele demonstrou grandeza ao afirmar, com sinceridade e coragem, que ainda não estava convencido sobre a mudança de data. A virtude dele está justamente aí: na humildade de reconhecer quando tem dúvidas e na sabedoria de buscar conhecimento antes de tomar uma decisão. Que bom seria se todos os parlamentares agissem com essa responsabilidade e respeito pelo cargo que ocupam!

