Jeremoabo, Jurema em flor,
Terra brava de muito valor,
Filha altiva dos Tupinambá,
Dos Muongorus e Cariacás.
No sertão que canta o trovador,
Fez-se história, coragem e amor.
Em mil seiscentos e oitenta e oito,
Sebastião Dias, firme no peito,
Foi nomeado Capitão-Mor,
Do aldeamento em seu esplendor.
Lá começou a saga e o feito,
Do chão sagrado, do povo eleito.
Dez anos depois, se fez julgado,
Com juiz, sentença e magistrado.
Em mil setecentos, e lá vai riscado,
Setenta e oito, foi registrado:
Criou-se a freguesia com fervor,
São João Batista, o padroeiro de amor.
No ano de mil oitocentos e trinta e um,
Por decreto e papel comum,
Desmembrou-se de Itapicuru,
E se fez vila com muito orgulho.
Já em vinte e cinco, de julho seis,
Virou cidade de vez — vez e vez!
Oh terra antiga, centenária e bela,
Tua alma pulsa na capela,
Não precisas mais de idade mudada,
Pois tua essência é consagrada!
Não há mais coronel que vá mandar
No teu direito de falar e votar!
Mas hoje, o Barão está a estremecer,
Na sua tumba começa a tremer:
Mudaram a data da fundação!
Mexeram com tua tradição!
Traíram tua história sem pudor,
Por conveniência, sem nenhum amor!
Ó povo forte de Jeremoabo,
Levanta o grito e segura o cabo!
Lembra da história, da tua raiz,
Não deixa falsário mudar o que fiz!
Honra teus pais, teus ancestrais,
Que sangue deram por dias normais.
Reergue a memória, reza e luta,
Que a tua verdade ninguém refuta.
Se a data é sagrada, ninguém apaga,
Nem prefeito, nem câmara, nem gente paga!
Corda o povo, que a cidade chora,
Mas o justo sempre vence na hora!
Jeremoabo, cidade centenária,
Tua história é justa, é legendária!
E quem tentar te apagar do chão,
Vai encarar tua indignação!
Jurema em flor, raiz no sertão,
É no teu peito que bate o coração!