quarta-feira, junho 04, 2025

Cidades Velhas ou Novas: Quais as Vantagens? E o Que Diz o Exemplo de Jeremoabo?

 

Cidades Velhas ou Novas: Quais as Vantagens? E o Que Diz o Exemplo de Jeremoabo?

Na eterna comparação entre cidades antigas e cidades mais recentes, sempre surgem opiniões divididas. De um lado, as cidades mais velhas — marcadas por histórias centenárias, tradições e uma arquitetura que fala por si. De outro, os centros urbanos mais jovens — planejados com infraestrutura moderna, ruas largas e dinamismo econômico. Mas afinal, o que realmente torna uma cidade melhor para se viver ou visitar? E como Jeremoabo, uma cidade com raízes profundas no sertão baiano, se encaixa nesse debate?

O Valor das Cidades Antigas

Cidades mais velhas geralmente possuem uma identidade cultural forte. A tradição, passada de geração em geração, é sentida em festas populares, comidas típicas, artesanato e, principalmente, na arquitetura. As ruas e prédios históricos contam a evolução do povo e do lugar. Além disso, essas cidades costumam preservar um senso de comunidade mais intenso, onde vizinhos se conhecem e a história coletiva se mantém viva.

Por outro lado, cidades mais novas se beneficiam da modernidade: acesso facilitado, mobilidade urbana eficiente, rede elétrica e saneamento mais completos, além de maior geração de empregos em setores contemporâneos como tecnologia e serviços. São espaços pensados para o agora — e muitas vezes, para o amanhã.

Jeremoabo: Uma Cidade Velha Esquecida?

Ao olhar para Jeremoabo, uma das cidades mais antigas da região nordeste da Bahia, vemos uma localidade rica em história, mas que vem sofrendo com o descaso ao seu patrimônio.

Cultura e Tradição em Perigo

Jeremoabo, com suas raízes profundas no sertão, poderia ser um polo de cultura regional. No entanto, a realidade é outra. O município sequer possui um museu para contar sua própria história — lacuna que o atual prefeito Tista de Deda pretende corrigir, ao planejar a instalação de um museu na antiga Delegacia de Polícia.

As festas populares estão sendo descaracterizadas, e até o tradicional São João já não tem o mesmo brilho. O que ainda resiste é a Alvorada e as cavalgadas, que mantêm viva parte da cultura sertaneja.

Arquitetura Histórica Abandonada

As cidades velhas costumam preservar seus edifícios como relíquias. Mas em Jeremoabo, esses tesouros estão se perdendo. A residência de Dona Olga, com azulejos portugueses originais, foi descaracterizada. A primeira casa construída na cidade foi abandonada até ruir. O antigo mercado, símbolo arquitetônico e social, foi simplesmente demolido.

Outros patrimônios seguem no mesmo caminho: as casas do Coronel João e a Fazenda Caritá estão em ruínas; o Parque de Exposições foi destruído; a Pedra Furada, monumento natural e turístico, está sendo ignorada, e muitas árvores centenárias foram derrubadas — inclusive um Juazeiro que, para os moradores mais antigos, era símbolo da cidade.

Comunidade Desfigurada

O senso de pertencimento de uma cidade velha nasce das gerações que permanecem. Mas Jeremoabo vive um esvaziamento das suas raízes: hoje, há mais moradores vindos de cidades vizinhas do que habitantes tradicionais. Isso gera um distanciamento da cultura local e uma fragilização do sentimento de comunidade.

Estilo de Vida Ameaçado

Cidades antigas costumam oferecer um ritmo mais tranquilo, mas em Jeremoabo, o que impera hoje é o barulho: paredões de som, lanchonetes funcionando com música alta e acidentes de trânsito quase que diariamente. O sossego, que poderia ser um atrativo, vem sendo substituído pelo caos urbano desorganizado.

Ainda Há Esperança

Diante desse cenário, o que resta é a esperança — e ela existe. O prefeito Tista de Deda tem demonstrado interesse em reverter essa situação, começando pela criação do museu, e sinalizando sensibilidade para a preservação da história e identidade jeremoabense.

Jeremoabo precisa lembrar quem é. Precisa preservar o que tem. Precisa valorizar o que a diferencia das cidades novas: sua memória, sua alma, seu passado.

Porque uma cidade sem história, mesmo que nova, corre o risco de ser apenas um ponto no mapa. E Jeremoabo é — ou pode voltar a ser — muito mais do que isso.

Nota da redação deste Blog Em 25 de outubro de 1831, data em que Jeremoabo  foi elevada à condição de vila. Posteriormente, em 6 de julho de 1925, Jeremoabo foi elevada à condição de cidade.


Opinião dos historiadores

Os historiadores que estudam a região e a formação dos municípios baianos, como Jeremoabo, geralmente focam em alguns pontos importantes:

  • O processo de formação: A história de Jeremoabo, assim como de muitos municípios nordestinos, está ligada à formação de grandes sesmarias, conflitos com povos indígenas (como os Tupinambás) e o estabelecimento de fazendas. A influência de figuras poderosas, como o Barão de Jeremoabo (Cícero Dantas Martins), é frequentemente destacada por historiadores como Álvaro Pinto Dantas de Carvalho, que estudou a trajetória política do Barão. Ele demonstra como o Barão se adequou ao conservadorismo do Império e se tornou uma figura de destaque na política local, com traços de "Coronel".
  • Desmembramentos territoriais: É comum que os estudos históricos sobre Jeremoabo mencionem os diversos desmembramentos de seu território ao longo do tempo para a criação de outros municípios, como Glória (1886), Santa Brígida (1962), Coronel João Sá (1962), Pedro Alexandre (1962) e Sítio do Quinto (1989). Isso reflete a dinâmica de crescimento e organização territorial da Bahia.
  • Contexto do "coronelismo": A atuação de líderes políticos locais, muitas vezes referidos como "coronéis", é um tema recorrente na historiografia do Nordeste. Em Jeremoabo, essa dinâmica de poder e influência, especialmente através de figuras como o Barão, é analisada para entender a formação política e social da região. A força eleitoral e o domínio de terras são apontados como elementos que conferiam prestígio político a esses líderes.

Em resumo, a emancipação de Jeremoabo é vista dentro de um contexto mais amplo de organização territorial e política do Nordeste brasileiro, marcada pela influência de grandes proprietários de terras e pelos desdobramentos na formação de novos municípios.

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