A NOVELA DA EMANCIPAÇÃO: JEREMOABO E SUA NOVA DATA, OU MELHOR, SUA NOVA DOR DE CABEÇA
E não é que conseguiram? A Câmara de Vereadores de Jeremoabo, sempre atenta às prioridades da população (só que não), resolveu mexer naquilo que estava quieto: a data da emancipação política da cidade. Sim, senhores e senhoras, Jeremoabo, que há décadas sopra velinhas em 6 de julho, agora terá que reaprender sua própria história. E o mais incrível: ainda bem que não foi na marra, já pensou?
A decisão, aprovada pelos nobres edis, já começa a provocar transtornos, especialmente para a população mais humilde, que agora se vê diante de um dilema digno de novela mexicana: como mudar o passado sem roteiro, sem direção e, pior, sem sentido?
Prezada senhora, sua angústia é legítima. E, neste caso, só nos resta recomendar o uso do bom senso — isso se ainda restar algum em circulação. Diante da confusão instaurada, sugerimos que a Câmara, além de aprovar essa brilhante ideia, também:
-
Imprima livros didáticos próprios, revisados por historiadores com habilidades mágicas para mudar fatos;
-
Distribua tais obras em todas as escolas do município, inclusive para adultos em EJA que, coitados, também terão que reaprender;
-
Contrate psicólogos escolares, porque o trauma histórico causado por essa “epidemia de falta de cultura e bom senso” pode deixar sequelas graves;
-
E, quem sabe, consulte um neurologista, já que abrir cabeças, como sugeriu a senhora, pode ser a única forma de reprogramar essa nova realidade que inventaram.
No fim das contas, a história de Jeremoabo, que deveria unir o povo e celebrar conquistas, virou uma novela confusa, com roteiro improvisado e vilões travestidos de autoridades. Enquanto isso, seguimos aqui, aguardando os próximos capítulos desse drama tragicômico.
Porque, minha gente, mudar a data é fácil. Difícil vai ser explicar isso pra quem sempre comemorou com bolo, banda, e o coração cheio de orgulho no dia 6 de julho.