domingo, junho 08, 2025

A grave crise do INSS e o espelho partido do Governo Lula


Charge de Fred Ozanan (paraibaonline.com.br)

Pedro do Coutto

A entrevista concedida pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, ao jornal O Globo, revelou mais do que uma disputa narrativa sobre a crise do INSS: escancarou a desorganização política interna do governo Lula e a fragilidade de suas estruturas de governança.

Ao afirmar, com clareza incomum no ambiente palaciano, que “todo mundo conhecia o problema do INSS e o ministro Rui [Costa] sabe disso”, Carvalho rompeu o protocolo de lealdade ministerial e acendeu um sinal de alerta sobre o grau de deterioração do diálogo dentro do núcleo do Executivo.

FRAUDES – A operação que revelou fraudes bilionárias no INSS — mais de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos de aposentados e pensionistas — deveria ser, em tese, um ponto de união para o governo: combate à corrupção, proteção ao cidadão vulnerável, resgate da imagem pública.

Mas o que se viu foi um jogo de empurra, uma batalha por versões, e uma tentativa velada — mas agora exposta — de se atribuir culpas e responsabilidades de maneira seletiva. Rui Costa, ministro da Casa Civil e figura central na coordenação política do governo, chegou a insinuar que a CGU falhou ao não alertar previamente sobre as irregularidades. A resposta veio na forma de uma entrevista-bomba, onde Vinícius Carvalho, respaldado por documentos e pelo próprio mandato legal da CGU, devolveu a crítica com a contundência de quem se sente injustamente alvejado.

A dimensão política da crise vai além dos embates verbais. O caso do INSS é, por si só, uma tragédia institucional: milhões de brasileiros, a maioria em situação de vulnerabilidade, foram vítimas de um esquema que, ao que tudo indica, contou com conivência ou omissão de agentes públicos e empresas privadas. O fato de que isso se arrastou por anos sem uma resposta firme expõe falhas não apenas de controle interno, mas de prioridade política. A leniência com o problema, agora transformado em escândalo, cobra seu preço.

REAÇÃO – O ponto mais sensível, no entanto, está na forma como o governo reage. Ao invés de uma atuação articulada e transparente, a sociedade assiste a ministros trocando acusações, como se a responsabilidade institucional fosse um fardo a ser repassado. Esse tipo de comportamento mina a credibilidade do governo não apenas diante do eleitorado, mas também entre os próprios aliados. Expõe um gabinete fraturado, onde cada ministério parece operar sob lógicas próprias, muitas vezes conflitantes.

O presidente Lula, que construiu sua imagem sobre a ideia de diálogo e liderança política, agora enfrenta o desafio de recompor a unidade e restabelecer autoridade. Não se trata apenas de encontrar culpados, mas de entender por que os sistemas de controle falharam e como evitar que tragédias administrativas se transformem em desastres políticos. Mais ainda, é necessário dar respostas rápidas à população afetada — com ressarcimento, responsabilização e, principalmente, mudança.

O episódio do INSS, portanto, não é um caso isolado. Ele é sintoma de algo mais profundo: a dificuldade do governo em organizar sua própria estrutura interna, em comunicar-se com clareza entre si e com o público, e em reagir de forma institucional — e não emocional — às crises. A depender da forma como for conduzida daqui em diante, essa crise pode marcar uma inflexão no governo Lula, revelando que a terceira gestão do petista convive com as mesmas mazelas que um dia jurou combater.

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