domingo, setembro 11, 2022

Primeiro ou segundo turno? A incerteza permanece, revela o Datafolha

Publicado em 11 de setembro de 2022 por Tribuna da Internet

A dúvida só será esclarecida nos dias finais das campanhas

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha concluída e divulgada na noite de sexta-feira pela GloboNews, no programa coordenado por Natuza Nery, apontou uma redução da diferença entre Lula e Bolsonaro, mas deixou no ar a dúvida sobre se haverá ou não segundo turno em 30 de outubro caso não se verifique maioria absoluta nas urnas do próximo dia 2.

Dependerá, na minha opinião, dos votos que Ciro Gomes e Simone Tebet vierem a receber na reta final da campanha. Aliás, de todas as campanhas que acompanho desde 1955, verificam-se  alterações de última hora, pequenas, mas que podem ser decisivas a partir da constatação de que um ponto pode decidir o destino da disputa.

DEFINIÇÃO – Um fator que ajuda Lula é o fato de que as classes de menor renda costumam se definir mais intensamente na semana final que antecede o pleito. Mas essa é outra questão. Voltemos à pesquisa do Datafolha da noite de sexta-feira publicada no O Globo e na própria Folha de S. Paulo de ontem.

Na Folha de S. Paulo, a matéria é de Igor Gielow. No O Globo, de Marlen Couto, Dimitrius Dantas e Luan Marinato. O levantamento foi feito logo após o 7 de setembro e pode ser que reflita em parte o panorama das comemorações que tiveram o presidente Jair Bolsonaro como protagonista. As próximas pesquisas, como reconheceu Mauro Paulino, diretor do Datafolha, traduzirão melhor os acontecimentos.

DISTÂNCIA MENOR –  Seja como for, o que concretamente os números revelaram nesta semana é que Lula da Silva em matéria de intenções de voto recuou de 47% para 45%, dois pontos, enquanto Bolsonaro subiu dois pontos, passando de 32% para 34%. Ciro Gomes caiu de 9% para 7%, e Simone Tebet se manteve com 5%.

Como se verifica, é incerta a hipótese de segundo turno, embora a distância entre Lula e Bolsonaro tenha ficado mais curta do que no levantamento anterior. Além disso, 4% dispõem-se a anular ou votar em branco e 3% não sabem ou não quiseram responder.

Deve-se levar em conta ainda os votos de Soraya Thronicke e dos demais candidatos que mesmo não conseguindo um ponto, não podem ser considerados na estaca zero. Somados, terão que perfazer um ou talvez dois pontos.  

SIMPLIFICAÇÃO –  No panorama geral, a situação permanece. O Datafolha alterou o critério de divisão de intenções de votos por segmento de renda. Simplificou.  Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, Bolsonaro lidera por 49% a 34%. Mas entre os que recebem até dois salários mínimos, Lula predomina com 54% a 26%. O Datafolha não considerou mais a faixa que fica entre dois a cinco salários mínimos.

Entre as mulheres, a diferença de Lula sobre Bolsonaro é maior ainda do que o total apurado pelo Datafolha. São 46% a 29 pontos. Entre os evangélicos, Bolsonaro lidera por 51% a 28%. São pontos de destaque da pesquisa. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Lula alcança 41 pontos contra 36% de Bolsonaro. A dúvida só será esclarecida, penso, nos dias finais da campanha.

CONTRA A VIOLÊNCIA –  O Globo publicou uma pesquisa importante realizada pelo Instituto Quaest a pedido do Centro de Monitoramento das Eleições da Universidade de São Paulo. Revelou que 76% dos eleitores de Bolsonaro são contra ao uso da violência em caso de derrota. Uma coincidência à resposta dada por eleitores lulistas que repudiam o uso da violência por uma margem de 72%.

As faixas se aproximam em uma questão sensível e difícil de levantar. Mas de qualquer forma, as tendências amplas do bolsonarismo colide com o impulso da extrema-direita que envolve o fanatismo e a paixão desenfreada como se as eleições fossem um confronto esportivo de grande importância.

Política não pode ser assim e conforme sempre digo, devemos ter amor por uma mulher, mas Deus nos livre das paixões alucinadas pois elas escondem a realidade.

DEFLAÇÃO – Depois de ter registrado o que classificou como deflação de julho, o IBGE prosseguiu no ciclo deflacionário e encontrou no mês de agosto um recuo de 0,36%. Milagrosamente o cálculo fez com que o processo inflacionário dos últimos 12 meses, de agosto de 2021 a agosto de 2022, caísse para 8,7%.

Incrível, um fenômeno raríssimo que na minha opinião vai prosseguir pelo menos até o final de setembro, antevéspera das primeiras urnas de outubro. Com isso, cabe a pergunta ao Banco Central: se a Selic subiu para 13,75% para justamente tornar viável a aquisição dos títulos do Tesouro que lastreiam a dívida interna de R$ 5,8 trilhões, na medida em que a inflação diminui, o Bacen não deveria recuar a Selic ?

Caso contrário, a remuneração obtida pelos bancos, fundos de investimentos e fundos de pensão das estatais aumenta amplamente, resultado da diferença entre o cálculo do IBGE e o índice aplicado à Selic que corrige os papéis do governo no mercado financeiro.

Em destaque

EDITORIAL: Sapateiro, Não Vá Além da Sandália – A Responsabilidade por Trás da Festa

Por José Montalvão Existe um provérbio clássico, vindo do latim ne sutor ultra crepidam , que diz: "Sapateiro, não vá além da sandália...

Mais visitadas