Publicado em 14 de setembro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Kap (Arquivo Google)
Rosana Hessel
Correio Braziliense
Pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE), conceituado “think tank” em Washington, a economista e escritora Monica de Bolle considera crítico o quadro da economia brasileira e alerta que o Brasil não está imune ao ciclo de estagflação em curso nas maiores economias do planeta.
Como se sabe, a estagflação é o pior dos mundos em termos econômicos, pois não há crescimento, os preços continuam subindo e o desemprego aumenta. O momento atual no país, de um pouco de crescimento e de inflação perdendo força – que vem sendo utilizado na campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) – é temporário e fruto de medidas fiscais adotadas por um governo que está mais preocupado em se reeleger, segundo a especialista.
RITMO PROVISÓRIO – A economista ressalta que o país está, apenas, em um ritmo diferente do resto do mundo. “O descolamento é temporário. Ele nunca é permanente, porque o Brasil não está em Marte”, resume.
A escritora, que foi uma importante crítica das mazelas econômicas do governo Dilma Rousseff (PT), prevê que, ainda no começo de 2023, o país vai mergulhar no processo de estagflação global. Segundo ela, os efeitos por aqui podem ser muito piores, porque a economia não é muito dinâmica como os Estados Unidos e está muito desorganizada.
Em grande parte, esse desarranjo é culpa do atual governo que, para vencer as eleições a qualquer custo, está criando bombas fiscais que serão insustentáveis, segundo a economista.
DISCURSO DE PALANQUE – “O Brasil está crescendo artificialmente. É como se fosse um paciente sobrevivendo à base de ventilação, cheio de tubo”, ressalta.
Por isso, o discurso otimista do governo, ignorando a realidade, é meramente “político”, “de palanque”.
Ao analisar os programas dos candidatos à Presidência, Monica de Bolle diz que são incompletos e não se preocupam com os impactos dessa desaceleração global.
EFEITO COVID – Ela também faz um alerta sobre a necessidade de os governos se preocuparem mais com as doenças infectocontagiosas, pois o mundo não será mais o mesmo pós-covid.
Depois das comemorações do em 7 de setembro, a economista não tem dúvidas de que o país poderá ter badernas como a invasão do Capitólio, incentivada pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump.
“Bolsonaro é a mesma coisa. É um preguiçoso incompetente. E qual é a melhor estratégia para um preguiçoso incompetente? Fazer bagunça, criar baderna”, emenda.