Ne sutor ultra crepidam judicaret”
“Não deve o sapateiro julgar além da sandália.”

Apeles
Conta a História que Apeles, célebre pintor grego da antiguidade, tinha o hábito de expor os seus quadros ao público e se esconder para escutar os comentários sobre o seu trabalho. Um dia, expôs um quadro com a figura de uma mulher. Passado um tempo, a costureira da aldeia vendo o quadro parou, olhou e comentou:
– Que maravilha de retrato, que mãos maravilhosas, que coisa mais perfeita. Só um pequeno retoque a fazer na roupa, o botão de cima está muito perto do queixo, com dois botões seria muito melhor.
(…)
Apeles, escondido, logo anotou o que a costureira tinha comentado.
Em seguida, veio o cabeleireiro. Vendo o quadro, teceu elogios ao conjunto da obra, mas observou:
– O alfinete do lado esquerdo do penteado deveria estar um pouco mais para trás, isso deixaria o retrato perfeito.
Apeles, sempre atento, ia tomando nota de tudo o que escutava.
Por último, chegou o sapateiro, que ficou boquiaberto com a beleza da pintura, e comentou:
– Eu colocaria fivela nos sapatos e, então, poder-se-ia dizer que o quadro está perfeito.
Tudo anotado, Apeles saiu do seu esconderijo, embrulhou o quadro e foi para a sua casa retocar a pintura, tendo o cuidado de seguir os conselhos dos três profissionais observadores. No outro dia, voltou a expor o quadro.
A modista e o cabeleireiro, vendo juntos a pintura retocada, exclamaram:
– Nada mais temos a dizer. Impecável!
O sapateiro chegou, olhou atentamente o quadro e comentou:
– Os sapatos ficaram ótimos com a mudança, mas o vestido…
Ouvindo isso, Apeles saiu enfurecido do seu esconderijo e, interrompendo o sapateiro, gritou:
– Não passes além dos sapatos!
Esta frase, atribuída a Apeles, se transformou na máxima latina “Ne sutor ultra crepidam judicaret” (Não deve o sapateiro julgar além da sandália), que nos alerta sobre a necessidade de termos consciência dos nossos próprios limites. Resumindo: Ninguém deve se enxerir sobre algo que não entende ou lhe diz respeito.
Mesmo aprovando a dura que Apeles deu no sapateiro, é bom termos cuidado ao manipular esse pensamento criado a partir da frase do pintor grego, pois corremos o risco de inibir a voz dos não iniciados, o que é pior do que conviver com ela. Afinal, não somos obrigados a ler o que eles escrevem.
Professor Ricardo Vieira no Blog Primeiras Águas
Nota da redação deste Blog - Lendo esse artigo lembrei-me do Tistinha antes de ser superministro, antes do cargo subir para a cabeça, quando era um cidadão pacato, trabalhador, de pouca conversa, onde praticamente quando chegava na sala de trabalho, sentava, conversava pouco e trabalhava muito.
Hoje talvez empolgado pelo cargo, perdeu a humildade e está se expondo ao querer dá uma testa de ferro e " garoto propaganda" do gestor, expondo-se a consequencias graves, talvez aceditando na impunidade, só que " A desgraça do protegido é o protetor! ".
Água e conselho, só se dá a quem pede, porém sugiro ao " Tistinha", que coloque os pés no chão, volte a ser humilde, ande devagar com o andor, o santo é de barro, o cargo é passageiro, já a reputaçao e dignidade do cidadão deverá ser eterna.