Publicado em 20 de setembro de 2022 por Tribuna da Internet
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Para elogiar seu governo, Jair Bolsonaro estourou o tempo
Por g1 — Brasília
O presidente Jair Bolsonaro discursou nesta terça-feira (20) na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), e defendeu que haja um “cessar-fogo imediato” na Ucrânia.
Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na sessão de debates desde 1955. Antes de Bolsonaro, discursaram o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e o presidente da assembleia, Csaba Korosi.
MUDANÇA DE RUMO – A guerra na Ucrânia começou em fevereiro deste ano, quando tropas militares russas invadiram o país. Várias cidades ucranianas foram bombardeadas, civis e militares morreram, e Bolsonaro jamais condenou a atitude do presidente russo Vladimir Putin.
“Diante do conflito em si, o Brasil tem se pautado pelos princípios do direito internacional e da Carta da ONU. Princípios que estão consagrados também na nossa Constituição. Defendemos um cessar-fogo imediato, a proteção de civis e não-combatentes, a preservação da infraestrutura crítica para assistência à população e a manutenção de todos os canais de diálogo entre as partes em conflito”, declarou Bolsonaro na ONU nesta terça.
O presidente, que disse defender uma solução “duradoura e sustentável”, declarou ainda avaliar que a solução para o “conflito” na região só será alcançada se houver diálogo entre os envolvidos.
FIM DO CONFLITO – “Faço um apelo às partes, bem como à toda a comunidade internacional, não deixem escapar nenhuma oportunidade para pôr fim ao conflito de garantir a paz. A estabilidade, a segurança e a prosperidade da humanidade correm sério risco se o conflito continuar”, completou.
Esta é a quarta vez que Bolsonaro discursa na Assembleia Geral da ONU. Em 2020, o evento foi virtual em razão da pandemia, e o presidente enviou um vídeo gravado. Nas ocasiões anteriores, os discursos foram marcados pela defesa da soberania brasileira na Amazônia e por fake news sobre a Covid.
Ao todo, líderes mundiais de 193 países devem se reunir na Assembleia Geral, incluindo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, autorizado pelo plenário a participar remotamente em razão da invasão do país pela Rússia.
BALANÇO DO GOVERNO – Antes de Bolsonaro discursar, o presidente da assembleia, Csaba Korosi, pediu que os discursos durassem 15 minutos. O do presidente brasileiro durou mais de 20 minutos, porque Bolsonaro aproveitou para fazer um balanço de ações do governo federal e criticar gestões anteriores.
Bolsonaro citou ações como criação do Auxílio Brasil, redução de impostos que levaram à queda do preço dos combustíveis e privatizações de empresas estatais.
Candidato à reeleição e em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula (PT), Bolsonaro disse que o governo acabou com a “corrupção sistêmica” que, para ele, existia no país.
CRÍTICA A LULA – O presidente citou as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, reveladas pelas investigações da operação Lava Jato.
“No meu governo, extirpamos a corrupção sistêmica que existia no país. Somente entre o período de 2003 a 2015, onde a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má-gestão, loteamento político e em desvios chegou à casa dos US$ 170 bilhões. O responsável por isso foi condenado em três instâncias por unanimidade. Delatores deveram US$ 1 bilhão de dólares e pagamos para a Bolsa americana outro bilhão por perdas de acionistas. Este é o Brasil do passado”, declarou Bolsonaro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Perto da corrupção institucionalizada nas gestões de Lula, o governo de Bolsonaro ainda é aprendiz de feiticeiro, mas dizer que acabou com a corrupção sistêmica parece forte demais. Esqueceu o MEC, a Codevasf, o orçamento secreto, os tratores e maquinas agrícolas, a vacina Covaxin e outras coisitas mais? “Fala sério!”, diria Bussunda. (C.N.)