segunda-feira, dezembro 09, 2019

Carlos Bolsonaro quebra o jejum e, após um mês afastado, reativa a sua rede social


Carluxo criou problemas para o governo por suas postagens
Deu no O Globo
Após quase um mês fora das redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) reativou neste domingo, dia 8, sua conta no Twitter. Na descrição do perfil dele, o vereador escreveu: “vereador da cidade do Rio de Janeiro (ainda podendo opinar sobre o que achar pertinente)”.
Ele postou hoje um curto vídeo, mas não fez comentários sobre a política. Em novembro, o filho do presidente Jair Bolsonaro tirou do ar suas páginas no Twitter, Facebook e Instagram. Na época, interlocutores de Bolsonaro no Palácio do Planalto atribuíram ao presidente a saída do filho das redes.
INCÔMODO – Segundo esses aliados, Bolsonaro vinha mostrando incômodo com as publicações do “02”, em especial aquelas que criticavam o Supremo Tribunal Federal (STF), instituição que ele vem deixando fora da linha de tiro, como informou a colunista Bela Megale.
Carlos é considerado um dos principais responsáveis por criar a estratégia digital de Jair Bolsonaro nos últimos três anos, quando a candidatura presidencial começou a ser construída.
CRISE – Pelo Twitter, ele deflagrou a primeira crise no coração do Palácio do Planalto ao atacar Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência. O comportamento, porém, não é exceção. O “pitbull” da família usa a rede social como uma metralhadora giratória.
É de Carlos também a ideia de atacar mais ferozmente adversários de esquerda e a imprensa. A conduta causou conflito entre os que sempre defenderam uma estratégia mais moderada para Bolsonaro.
ALVOS – Em fevereiro deste ano,  O Globo analisou 500 tuítes feitos por Carlos  entre 15 de dezembro e 15 de fevereiro e constatou que 72,2% das postagens feitas pelo parlamentar eram  ataques . O alvo preferencial é a imprensa, mas também sobram bordoadas para a esquerda e até mesmo para aliados, como no episódio em que foi pivô da saída do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno.
A saída do vereador Carlos Bolsonaro das redes sociais levou a um aumento expressivo no Twitter dos sentimentos negativos em relação ao filho do presidente da República. É o que aponta um estudo feito a pedido do Estado pela AP Exata, empresa especializada na análise de dados que circulam na internet. A agência coletou 41.204 tuítes gerados em 145 cidades do País que faziam menções ao segundo filho de Jair Bolsonaro.
ATAQUES – O levantamento também identificou que, após o afastamento de Carlos da esfera online, foram intensificados os ataques ao vereador, tentando associá-lo às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, com a disseminação de hashtags como #QuemMandouMatarMarielle e #tictacCarluxo. Carlos não é investigado neste processo. Em novembro, a polícia voltou a ouvir depoimentos de assessores dele.
A análise de sentimento das mensagens mostrou que medo, tristeza e raiva em relação ao vereador aumentaram, enquanto confiança e alegria caíram. O estudo considerou dois intervalos de tempo: de 23 de outubro a 11 de novembro (período anterior ao desligamento do vereador das redes) e de 12 de novembro (quando Carlos se afastou do Twitter e do Facebook) a 5 de dezembro.
NARRATIVA – “Rede é guerra narrativa. A partir do momento em que Carlos Bolsonaro se ausenta, a defesa dele baixa, tem menos pessoas para defendê-lo na internet, porque além dele mesmo se defender, ele angariava seguidores que atuavam de acordo com o que ele falava”, diz Sergio Denicoli, diretor de big data da AP Exata. “A falta dessa narrativa acabou por prejudicar um pouco a imagem dele nas redes.”
Os 20 dias antes da saída de Carlos das redes registraram menos menções ao vereador – foram mapeados 18.641 tuítes no período anterior ao afastamento de Carlos, e 22.563 depois. Na avaliação de Denicoli, o sumiço das redes é uma forma de “desenvolver estrategicamente a propaganda do governo”.
REPERCUSSÃO – “Apesar de ele sair, os temas que ele colocou durante a campanha eleitoral e durante a atuação dele até a saída, permanecem bem construídos”, diz. Entre esses temas cristalizados estão críticas à ideologia de gênero, a valorização do trabalho policial, o antipetismo e a defesa da direita.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
–  A saída pela direita de Carluxo foi estratégica na tentativa de se preservar diante da CPI das Fake News e de se afastar dos rumores do caso Marielle. Após semanas  sem publicar nas redes sociais, Carluxo estava se coçando e voltou ao Twitter a três dias do prazo final dado pela empresa para que ele retornasse sem perder a conta. Mas teve gente dando graças durante esse período, inclusive ministros e aliados de Bolsonaro. Com a conta ativa, o “02” só cria problema para o governo. Joice Hasselmann garantiu que o vereador e o irmão Eduardo eram  os mentores e responsáveis pelo comando do “gabinete do mal”. Bolsonaro, pai, defende as crias e diz que isso é invenção na qual “só idiota acredita”. (Marcelo Copelli)

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