No Brasil, o exercício do poder ainda é um prática sempre reservada às elites
Charge do André Dahmer (Arquivo Google)
César Cavalcanti
É realmente lamentável que se tenha a triste percepção de que ainda paira um clima de ódio, de intolerância, de denúncias e de acusações de uns para os outros que pensam diferentemente, que se posicionam de uma outra forma e que estão politicamente do outro lado. Parece que a atmosfera eleitoral ainda continua vigorando, muito forte mesmo.
Aparenta existir agora a proibição de se opor, de pensar forma diversa, de se dizer diferente. O fato é que isso sempre houve, até porque seria inadmissível uma sociedade na qual imperasse o pensamento único, onde ninguém não questionasse nada, apenas abaixasse a cabeça e seguisse os passos da multidão.
CULTURA DA OPRESSÃO – Essa radicalização é arriscada. Quando estamos em ares perigosos de se respirar, é preciso cautela e muita atenção para que não se corra risco. Na atual realidade brasileira, a cultura da opressão tende sempre a cair sobre os ombros dos mais fracos, não pode ser mascarada em discursos que se disfarçam sob manto de direcionamento politicamente correto.
A questão que manifesta é simples – por que esse clima? O filósofo Michel Foucault, na “Microfísica do Poder, obra que investiga as nuances deste fenômeno sempre presente na humanidade, diz o seguinte:
“Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se tem conhecimento quem o detém; porém se sabe quem não o possui”.
PODER NO BRASIL – Essa reflexão de Foucault ilumina a atual condição que se tem no Brasil. O poder percebido como fenômeno está para ser exercido em alguma direção, ou seja, sempre segue um rumo, percorre um caminho. E esse percurso é ladeado, uns se situam de determinado lado e outros dos outros, numa relação bipolar.
Talvez a impossibilidade de definição do possuidor do poder se deva à constante busca por tê-lo nas mãos, não apenas de um dos lados, mas certamente bem direcionado. A tradição é prova de que a trilha que o poder persegue é das elites, referendando e perpetuando os privilégios, fazendo crescer as desigualdades. Infelizmente, esta é a situação do poder no Brasil