segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Investigação indica que a Diretoria de Geotecnia causou rompimento da barragem


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Saliba, diretor de Geotecnia, é o principal foco da investigação
Carlos Newton
Reportagem do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, revela que a Polícia Federal em Minas Gerais concluiu, no início da madrugada deste sábado (2), os interrogatórios dos engenheiros presos na operação da última terça-feira, suspeitos de terem cometido irregularidades na fiscalização da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho.  Os depoimentos possuem alto teor técnico e abordam, principalmente, questões sobre o trabalho de vistoria e relatórios feitos sobre a barragem.
Diz o jornal que integrantes da PF que fazem parte das atividades de investigação passaram a acreditar que a responsabilidade pela tragédia partiu da diretoria de Geotecnia da Vale, além da presidência da empresa, que supervisiona os trabalhos dos diretores.
MAIOR SUSPEITO – Ao citar a diretoria de Geotecnia, os delegados federais estão se referindo ao diretor de Estratégia, Exploração, Novos Negócios e Tecnologia, Juarez Saliba de Avelar, já mencionado antes aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade, como um dos responsáveis pela tragédia de Brumadinho.
Recorde-se que, depois da tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015, o engenheiro Fábio Schvartsman foi aprovado para presidir a companhia e seu lema ao tomar posse foi “Mariana nunca mais”. Um de seus primeiros atos foi nomear Saliba como assessor especial, encarregado de avaliar o risco de todas as barragens.
Seu trabalho foi tão aplaudido por Schvartsman que rapidamente Saliba acabou se tornando diretor da empresa e lhe foram concedidos amplos poderes.
PUNIÇÃO – Assim, a reportagem de O Tempo confirmou as denúncias que vêm sendo feitas aqui na Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade. As investigações se concentram nas atuações do diretor Juarez Saliba de Avelar e do presidente Fábio Schvartsman, que desde a tragédia, no dia 25 de janeiro, vem insistindo na tese de que a barragem do Córrego do Feijão não tinha riscos, porque desde 2015 as atividades estavam inativas, o que não era verdade, pois a Vale mantinha centenas de empregados trabalhando no local, e mais de 300 deles morreram soterrados pela lama.
Por fim, diz o jornal mineiro que a investigação da Polícia Federal ainda não cita nomes de políticos, mas está havendo monitoramento de contratos que foram feitos entre empresas ligadas a parlamentares e a barragem em questão.
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P.S. 
– Conforme afirmamos aqui na TI, a Polícia Federal agiu acertadamente ao prender os engenheiros, que prestaram preciosos depoimentos e direcionaram as investigações. Mas o presidente e o diretor deveriam ter sido presos na mesma ocasião, para evitar que desfizessem provas. Note-se que as imagens feitas pelas câmaras da Vale não foram divulgadas pela Vale, mas por funcionários revoltados com a postura da empresa. A própria Vale é que deveria ter entregue essas imagens à Polícia Federal no mesmo dia da tragédia, para facilitar as investigações, mas não o fez, por motivos óbvios(C.N.)

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