
Paulo Guedes faz afirmações muito estranhezas e despropositadas
Pedro do Coutto
A afirmação do ministro da Economia é espantosa, porque é praticamente impossível que alguém por iniciativa própria vá propor abrir mão do direito às férias e ao 13º salário, que vigora no país desde 1962. O ministro Paulo Guedes afirmou, segundo reportagem de Eduardo Rodrigues, em O Estado de São Paulo de ontem, que o governo não vai mexer em direitos do trabalho, mas é possível que os trabalhadores e trabalhadoras façam uma opção em abrir mão dos dois fatores em troca do aumento da empregabilidade no país.
Francamente, nada me surpreendeu tanto ao longo de 60 anos de jornalismo do que essa formulação do ministro Paulo Guedes, cujo comportamento causa estranheza.
CONFLITO DIRETO – Em primeiro lugar, dá a impressão de que a atitude pode ser singular, o que criaria um conflito direto entre os que abrissem mão do 13º e das férias e aqueles que desejam manter esses direitos trabalhistas.
Paulo Guedes afirmou também a Eduardo Rodrigues que a reforma da Previdência deve vir antes da reforma trabalhista. Mas não se referiu ao conteúdo final nem do projeto da reforma previdenciária nem da proposição de alterar direitos do trabalho.
Se a reforma previdenciária ainda se encontra à base de três alternativas, entre as quais o presidente Jair Bolsonaro escolherá a que considerar melhor, muito menos pode-se vislumbrar uma reforma dos direitos dos assalariados, incluindo os celetistas e funcionários públicos, para, digamos, se concretizada a médio prazo.
EMBARALHANDO – Com suas declarações tenho a impressão que o Ministro Paulo Guedes embaralhou as questões que têm como alicerce alguns direito sociais há muito tempo implantados no Brasil.
Quanto à consulta prevista aos sindicatos sobre o texto final do projeto da reforma previdenciária, tal providência somente se realizará quando concluído pelo governo o texto final da proposição pelo Presidente da República.
Julia Lindner e Idiana Tomazelli, em outra reportagem do Estadão, focalizaram este lado da questão, pois o problema tem de ser analisado como um todo. Sobretudo, por causa das declarações surpreendentes do titular da Pasta da Economia.
Na mesma edição de ontem Andrea Jubé e Carla Araujo publicam matéria ressaltando uma atmosfera de mal estar junto a pessoas ligadas a Jair Bolsonaro em consequência das últimas declarações do vice-presidente Hamilton Mourão. Esta seria a razão de o presidente da República ter optado, apressadamente, por despachar decisões de governo no centro semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Entretanto, como tudo é relativo, a relatividade entre o presidente e o vice pode se basear na tese do nome do hospital em que o presidente encontra-se em recuperação.