
Charge do Nani (nanihumor.com)
Pedro do Coutto
Reportagem de Daniela Amorim e Maria Regina Silva, edição de ontem de O Estado de São Paulo, destaca o índice geral da inflação registrado em 2018. Ficou em 3,75%, portanto ,abaixo da meta do governo Temer, que esperava uma variação de 4%. Mas a mim parece que o índice inflacionário varia na renda das famílias. Podemos citar como exemplo os planos de saúde, cuja correção foi de 11,1% ao longo dos doze meses. O setor de alimentos, claro, foi o que mais subiu, como é natural, porque para os grupos sociais de renda menor o peso da alimentação é maior.
A inflação tem de ser calculada através da média algébrica, cálculo em que cada setor possui um peso diferente. A partir daí é que se identificam os aumentos de preço no mercado de consumo.
COMPLEXIDADE – A questão é bastante complexa, como já afirmei em artigo anterior, porque os itens das despesas obrigatórias não podem somente ser calculados à base dos preços mínimos registrados nos vários setores do mercado. Porém, esta é a regra adotada pelo IBGE e que portanto temos de seguir.
O que acontece com o índice inflacionário é que ele se destina a registrar a reposição do custo de vida ocorrido ao longo de um ano. Portanto, os reajustes de salários não antecedem, mas sim sucedem a inflação. Este aspecto pode ser sintetizado no fato de a reposição inflacionária se esgotar no mês da recomposição do salário. A partir daí, os preços continuam a subir e sua reposição para os vencimentos dos trabalhadores e funcionários públicos continua perdendo para as elevações de preço. Esse critério é inevitável, porém ele espelha uma realidade insubstituível.
COMPRESSÃO SALARIAL – O índice de desemprego que atinge doze milhões e brasileiros e brasileiras vai contribuir inevitavelmente para uma compressão salarial, pois a oferta de mão de obra continua sendo muito maior do que a demanda para as empresas particulares e estatais, além de limitar, como está limitando, o acesso a cargos públicos de modo geral.
O panorama aí está e dentro da nuvem econômica não se vislumbra qualquer esperança otimista. Pois não se investe porque o consumo não se expande, e o consumo não se expande porque não há investimento.
Esta dualidade atravessa o espelho do tempo e apaga qualquer pensamento otimista.