Sindicalistas afirmam ter votos suficientes para derrubar aumento proposto pelo governo, mas defendem acordo até a última hora para evitar confronto dentro da base aliada
Aguardado no plenário da Câmara, Mantega diz que governo não abre mão do mínimo de R$ 545
Eduardo MilitãoAs centrais sindicais apostam que conseguirão um acordo com o governo para aprovar na Câmara um salário mínimo de R$ 560. O valor R$ 15 acima do que quer o Planalto seria uma antecipação de parte do reajuste previsto para 2012. Até o final da tarde de ontem (14), os sindicalistas acreditavam ter o apoio de mais da metade da Câmara para a aprovação do novo valor. Mesmo confiantes na possibilidade de derrubar o mínimo proposto pelo governo, eles defendem um acordo com o Planalto, ainda que na última hora, para evitar o confronto dentro da própria base aliada. Os principais líderes sindicais são filiados a partidos que apoiam o governo Dilma. A votação está prevista para amanhã (16).
A proposta dos sindicalistas é considerada “simpática” pelo relator da matéria, Vicentinho (PT-SP), ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Mas o governo, por enquanto, diz não abrir mão de aumentar o salário mínimo apenas para R$ 545. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, negou a hipótese de um plano “B”, como querem as centrais. Atualmente o salário mínimo está fixado em R$ 540. Esta é a primeira desde 2007 que o piso salarial não subiu acima da inflação, exatamente por conta de um acordo entre as centrais e o governo, que previa reajustes somando-se a inflação com o crescimento da economia de dois anos anteriores. Como em 2009, o PIB ficou negativo, o aumento que o governo concedeu significa apenas a reposição inflacionária do ano passado.
As oposições – que, apesar de alguns entendimentos diferentes, devem se unir à proposta das centrais –, estão mais otimistas em conseguirem uma vitória contra o governo. “Claro que o governo é favorito, mas nós temos chances. Estou otimista”, afirmou o líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), ao Congresso em Foco.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), diz que a proposta das centrais tem a simpatia da base aliada. “A situação está boa. Por isso, temos de fazer um acordo”, avaliou ele. Vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), o deputado Roberto Santiago (PV-SP) é o autor da emenda dos R$ 560 como antecipação do reajuste de 2012. Ele acredita ter o apoio de mais de 257 deputados, incluídos aí entre “15% a 20% de traição” de PT e PMDB. Entretanto, Santiago também defende a estratégia de um novo acordo com o governo.
O MÍNIMO EM DISCUSSÃO
Salário mínimo vigente: R$ 540
PROPOSTAS EM DISCUSSÃO
— Governo: R$ 545 (só reposição da inflação)— Centrais: R$ 560 (inflação e mais 3%. Valor a mais seria antecipado do aumento de 2012)— DEM: R$ 560 (sem antecipação do aumento de 2012)— PSDB: R$ 600 (valor defendido por José Serra na campanha eleitoral)
HOJE: Reuniões entre representantes do governo e partidos da base e oposição pela manhã. Comissão Geral no plenário da Câmara, incluindo as centrais sindicais.
QUARTA-FEIRA: Votação no plenário da Câmara do projeto do governo que eleva o salário mínimo para R$ 545 e cria uma política de aumentos acima da inflação para o período de 2012 a 2015
OUTROS PLEITOS DOS SINDICALISTAS— Correção da tabela de imposto de renda para mais de 6%. Governo acena com 4,5%— Aumento das aposentadorias de quem ganha mais de um salário mínimo em 2,4% acima da inflaçãoO relator da proposta, Vicentinho, disse ao Congresso em Foco que ter “simpatia” pela alternativa dos sindicalistas. “Torço por um novo acordo”, afirmou ele na quarta-feira passada, antes de ser designado relator da matéria.
Punições
Ontem, Luiz Sérgio esteve na reunião de coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). O assunto foi salário mínimo. O ministro negou que tivessem sido discutidas eventuais punições a parlamentares que não votassem com o governo, apesar de líderes preverem retenção e cancelamento de emendas dos infiéis, como mostrou o Congresso em Foco. “Nós acreditamos que os aliados não faltarão, acima de tudo, ao país, nesse momento muito importante que nós estamos vivendo”, disse Sérgio, na tarde de segunda-feira. Pelo acordo das lideranças, as votações do salário mínimo serão nominais, quando cada deputado diz como votou em cada emenda apresentada.
O líder do PMDB, Henrique Alves (RN), disse acreditar que a maioria de sua bancada apoiará o Planalto, mas negou fidelidade completa. “É natural que tenha dissidências, até porque alguns membros do partido votaram no [José] Serra, que defendeu durante a campanha um salário de R$ 600”, escreveu ele em seu site no twitter ontem à tarde. “Respeito as naturais dissidências, mas espero uma defesa maciça do PMDB na votação desta semana.”
Constrangimento
Na manha desta terça-feira (15), Luiz Sérgio e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, farão uma série de reuniões com os partidos da oposição e da base. Luiz Sérgio vai, inclusive, participar do almoço semanal dos líderes aliados organizado por Vaccarezza.
O PDT de Paulinho vai conversar com parlamentares da oposição e buscar até um encontro com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Pelo acordo entre governo e oposição, a emenda dos tucanos, de salário mínimo de R$ 600, será votada antes das propostas de R$ 560 e R$ 545. Paulinho teme que isso atrapalhe os deputados aliados com a alternativa das centrais. “Os R$ 600 constrangem os deputados. Como eu vou votar contra um aumento maior do que estou propondo”, avisou Paulinho. A ideia dele é convencer Aécio, um dos nomes fortes no partido, a demover os colegas deputados da ideia de um salário mínimo tão alto.
O plenário da Câmara se transformará numa sessão de debates nesta terça-feira, a partir das 15h, a chamada comissão geral. Os presidentes das centrais sindicais participarão do debate. A assessoria do presidente da CUT, Artur Henrique, disse que ele deve chegar a Brasília até as 14h. A reportagem não obteve retorno do deputado Vicentinho ontem.Está prevista uma manifestação das centrais no Congresso hoje por um mínimo de R$ 560. Haverá ainda a participação do Movimento dos Sem Terra (MST), segundo os sindicalistas. Na quarta-feira, haverá mais protesto, junto com funcionários públicos que inicial campanha salarial. Saiba tudo sobre o salário mínimoLuiz Sérgio nega plano “B” para mínimo de R$ 560
Fonte: Congressoemfoco
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