segunda-feira, julho 13, 2009

INSS libera e motorista trabalha ainda doente

George Brito A TARDE
Manhã de terça feira, dia 7 de julho, sala 504 do Centro Médico Salvador. No local funciona um consultório psiquiátrico e os pacientes são os rodoviários que trabalham no sistema de transporte coletivo de Salvador. A sala de espera está lotada. Os pacientes são motoristas e cobradores que apresentam algum tipo de transtorno mental. Alguns dos que estão ali sentados à espera de atendimento são avaliados como incapazes de dirigir mas estão diariamente sentados de frente para o volante de um coletivo. “Atendo vários rodoviários esquizofrênicos que são liberados pelo INSS (Instituto Nacional de Segurança Social)”, denuncia a psiquiatra Luciana Saldanha, que atende à categoria.A médica atende rodoviários desde em 2002 e o número de motoristas e cobradores com transtornos mentais vem aumentando. Hoje ela recebe pelo menos 20 pacientes às terças e, desde 2005, divide o trabalho com a psiquiatra Roberta Moraes, que atua em outro consultório. Preocupadas com o quadro agravante, elas estão catalogando os casos em um banco de dados e farão um estudo. Os dados já disponíveis assustam, embora sejam referentes a 2005, quando as duas psiquiatras apresentaram em congresso nacional resultados de uma pesquisa sobre o perfil de cobradores e motoristas de Salvador. Só naquele ano, foram diagnosticados 22 casos de esquizofrenia e transtornos delirantes. O número, referente a 12 meses, é quase o mesmo do total de benefícios auxílio-doença por transtorno mental concedidos pelo INSS em um período de cinco anos e meio. Ao todo, foram 23 benefícios. “Mesmo com remédios, o esquizofrênico pode apresentar sintomas. Ele pode descompensar”, afirmou Roberta Moraes, alertando sobre o risco de um motorista passível de alucinações dirigir um ônibus com até 70 pessoas, quando respeitada a lotação máxima. O transtorno mental é o terceiro mal que atinge a categoria e que gera auxílio-doença. As duas primeiras são doenças da coluna (111) e hipertensão (36). Elas representam 19,4% de um total de 872 benefícios concedidos em Salvador, em um universo de mais de mil patologias.O número relativo a transtornos mentais é considerado baixo pelas psiquiatras. “É um problema que a gente tem com o INSS. A gente indica a necessidade de afastamento e os peritos dizem que os rodoviários estão aptos”, afirma Roberta Moraes. Um obstáculo, aponta a médica, é que a instituição não conta com psiquiatras. “O esquizofrênico não reconhece que é doente. Então ele vai chegar lá e dizer que não tem nada”, afirmou. Segundo a chefe do setor de Perícia Médica do INSS em Salvador, Tânia Martins, não se pode relacionar doença com incapacidade de trabalho. “O perito atesta o grau de limitação para a atividade dada pela doença. Problemas mentais podem ser leves, moderados ou graves. O trabalhador pode ter um transtorno, está sob controle e trabalhar normalmente”, afirmou a médica.
A superintendência Regional do Trabalho e Emprego afirmou não ter autoridade para questionar a legitimidade de laudos do INSS. Segundo o chefe de fiscalização, erros em laudos devem ser revistos pela mesma instituição ou pela Justiça. Por nota, Weldo Matos informou não haver registros de denúncias referentes a problemas mentais decorrentes do trabalho.
Fonte: A Tarde

Em destaque

Paraguai convoca embaixador brasileiro para entregar nota de repúdio após fala de Lula sobre guerra

  Paraguai convoca embaixador brasileiro para entregar nota de repúdio após fala de Lula sobre guerra Na última sexta (24), petista afirmou ...

Mais visitadas