Patrícia França, do A TARDE
O governador Jaques Wagner (PT) reiterou, ontem, ao participar do Encontro Estadual do PT que discute, em Camaçari, as estratégias do partido para as eleições de 2010, o seu interesse em manter o PMDB na aliança. Mas Wagner deixou claro ao parceiro, que ameaça lançar candidatura própria, que a vaga ao governo é dele. “No meu palanque, o nome do candidato a governador está definido (é o meu). Se o ministro for candidato ao governo, será em outra chapa, não na minha”, assinalou Wagner.
O PT, de acordo com o governador, tem feito declarações públicas sobre a importância do seu casamento político com o PMDB. “Mas casamento se faz quando as duas partes desejam. Briga não, basta que um queira para que aconteça”, pontuou Wagner, numa referência aos embates políticos que hoje ameaçam distanciar, em definitivo, os dois aliados.
Mesmo sem abrir espaço para questionamentos sobre a sua condição de único candidato ao governo, na chapa que na Bahia dará sustentação à candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República, Jaques Wagner admitiu, contudo, que há espaço para negociação. “O que temos acertado é a vaga ao Senado para o partido, uma demanda do PMDB com a qual concordamos plenamente”, disse. “Mas no processo de negociação, tudo é possível. Ou impossível”, assinalou.
O governador, que participou da abertura do encontro na Cidade do Saber, ao lado presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP), também avaliou a possível candidatura do ex-governador Paulo Souto na chapa formada pelo DEM e PSDB. Para ele, é positivo que já esteja definido duas chapas, uma da oposição e outro do governo, na disputa de 2010. “Souto garantirá o palanque de Serra na Bahia e minha candidatura garante o palanque de Dilma Rousseff”, assinalou, o governador, que revelou não acreditar numa terceira candidatura na Bahia.
PT no Senado – Apesar do governador querer o PMDB na aliança, setores do PT, já articulam nomes do partido para senador. Uma faixa com a frase “Nossa chapa em 2010 é: Dilma-presidente, Wagner-g overnador, senador-PT”, colocada na entrada do evento – que também lançou oficialmente o conceito da campanha que o partido fará no Estado – denunciava a motivação de algumas correntes petistas de vir a ocupar o cargo. Isso foi manifestado abertamente pelo prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano, e por Marcelino Gallo, membro do Diretório Nacional do PT.
“Queremos a aliança com o PMDB, mas não podemos ficar aguardando Geddel decidir”. Ricardo Berzoini não quis entrar na polêmica, justificando que a decisão caberá ao governador Wagner, a quem caberá conduzir o processo eleitoral na Bahia. O petista, que esta semana declarou apostar numa chapa com Wagner no governo e Geddel senador, lembrou que a chapa tem quatro posições, espaço suficiente para ampliar a política de alianças nacional e nos estados.
Fonte: A Tarde
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